The love of a satyr
1 A missão
Notas iniciais
Luke levantou-se de sua cama cedo. Gostava de ver o nascer do sol em meio ao lago, as árvores, os campos e os chalés sendo iluminados. Ainda estava aprendendo canções em sua flauta, então também aproveitava as primeiras horas de seu dia para praticar o que aprendera com sátiros mais velhos.
Ele havia chegado ao acampamento há pouco tempo e ainda sentia-se deslocado, já que, diferente dos outros sátiros, ele havia vindo de um lugar mais afastado, um parque mais ao sul do Brasil, para ser exato. Vivera 15 anos escondido no parque, saindo apenas à noite para não ser visto. Mesmo com a Névoa, tinha dificuldade em esconder suas pernas peludas e seus cascos. Sua mãe havia explicado que ele descendia de Pã, o que o tornava um sátiro especial. Ao saber do acampamento, ele logo quis ir, porém sua mãe lhe dizia que ainda não estava pronto. Agora, ali ele estava, um sátiro ainda inexperiente tentando ser amigo de outros sátiros ou ninfas. Ainda se sentia estranho. Sua mãe, que era uma ninfa do vento, partira para o Palácio de Éolo assim que o buscaram para ir ao acampamento. Ele sentia falta de casa, mas lá ele se sentia melhor, era livre para andar de dia, e ele gostava de admirar os campistas. Imaginava quando seria sua vez de buscar algum semideus, queria ir logo a uma missão, mas ainda não estava pronto. Seu treinamento tinha começado há poucas semanas, mas a vontade apenas crescia no coração de Luke, ele via os outros sátiros indo em missões e se desejava o mesmo, vivia se perguntando quando chegaria sua hora.
– Luke! Luke!
Ele foi tirado de seu desvaneio quando ouviu seu nome. Ao olhar para trás, percebeu que havia um garoto de cabelos negros, camisa branca e calça jeans vindo em sua direção. Era Alec, um dos poucos semideuses do acampamento que ele conhecia.
– O que houve, Alec? Por que tanto desespero? — Disse Luke assustado com o tom que ele havia falado.
Ele conhecia Alec porque este não desgrudava de Quíron. O garoto de estatura mediana não se parecia com seus irmãos do chalé de Hefesto, eles estavam sempre sujos por conta de seus trabalhos. Alec passava seus dias atendendo Quíron, como um fiel escudeiro.
– Quíron quer falar com você, não entrou em detalhes, mas disse que é importante, e que é pra você ir o mais rápido possível.
Ele não sabia o que esperar, não havia feito nada de errado, nunca fora chamado à Casa Grande. Esperava que fosse algo de seu agrado, mesmo assim, a ideia de que sua presença havia sido solicitada o assustava um pouco. Guardou sua flauta e começou a caminhar em direção à casa. Alec ficou no lago, o que assustou Luke, pois significava que Quíron queria falar com o sátiro em particular.
Ele parou ao chegar na Casa Grande, sentia-se inseguro, sabia que deveria entrar, mas isso só o deixaria mais nervoso.
"Será que eu fiz algo de errado?", ele pensava, então limpou sua mente, tomou fôlego e entrou.
O ar de lá era, de certa forma, aconchegante. Quíron o esperava na sala. Ele estava em sua cadeira de rodas, Luke achou que podia ser para próprio conforto, já que a metade cavalo dele era grande, e complicava a sua mobilidade mesmo na sala aparentemente ampla.
Ao perceber a presença de Luke, pediu para o mesmo que se sentasse; ele agradeceu porém recusou com um aceno de cabeça.
– Fiz algo errado, senhor? — Luke perguntou. Quíron deu um leve sorriso.
– Ao contrário, meu jovem — disse Quíron, e o corpo de Luke se relaxou, mas não por muito tempo, já que ele ainda não sabia o porquê de ter sido convocado. — O seu treinamento está indo muito bem, os mestres elogiaram muito seu esforço no aprendizado, mesmo os sátiros do acampamento têm dificuldade em algumas tarefas. Visando isso, resolvi lhe dar uma missão.
Luke não sabia o que sentir. Aquilo era sério?, ele pensava. Seu sonho de sair em uma missão, buscar um semideus e levá-lo em segurança ao acampamento, ter uma aventura! Seu estômago se revirava de animação.
– Seu treinamento será intensificado — continuou Quíron. — Você partirá em dois dias, por isso precisa se preparar. Na véspera da sua missão, te procurarei e passarei-lhe detalhes importantes. Agora vá, seu treinamento intensivo começa hoje. Acha que pode suprir minhas expectativas?
Ele não sabia o que dizer, tudo havia acontecido rápido, sua cabeça estava a mil. Sabia os desafios e riscos de uma missão, em seu coração havia uma mistura de medo e ansiedade. Por fim respondeu:
– Claro! É tudo o que eu sempre quis, farei o preciso para cumprir minha missão! Obrigado, senhor!
– Ótimo — disse Quíron. — Agora vá, não há tempo a perder, precisa se preparar.
Então ele saiu aos tropeços. Luke estava muito feliz, mas nem em seus sonhos poderia imaginar o seu futuro.
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