The last whisper
3 A desconhecida
"O sol já se foi, agora só nos resta as memórias daquela luz. (Naruto )
P.V Newt
Na verdade, era uma garota. E tudo nela era encantador. A forma como seus cabelos loiros como esvoaçavam com o vento, ou seu jeito inocente e misterioso, ou até o simples perfume que usava, que era provavelmente de alguma flor. Mas seus olhos esmeraldas eram tão profundamente tristes e sofridos, era basicamente como se ela sentisse toda a dor do mundo.
E por mais que eu quisesse não conseguia parar de olhar aqueles olhos penetrantes.
–Quem é você? — eu ouvi o Gally finalmente quebrar o silencio.
–Meu nome é Eleanor. — ela tinha uma voz aveludada e melodiosa, e seu sorriso parecia abraçar nossa dor. E o ambiente ficou menos tenso, pelo menos pra mim.
–Você veio com A Caixa? Desviei meu olhar para a voz que pertencia ao Thomas e não pude deixar de notar a admiração dele aquela garota. E no fundo, senti uma raiva absurda contra ele. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, nunca fui assim.
–Caixa? -Eleanor arqueou as sobrancelhas em total confusão.
–Se você não veio da Caixa, significa que não deveria estar aqui. Significa então que você é uma ameça. -era Gally quem praticamente cuspia as palavras.
–Calma Gally. -eu intervi. -Não podemos julgar, lembra, cuidar uns dos outros? Ela mantinha seu olhar sobre mim e esboçava um sorriso completamente perfeito.
–Eu posso explicar. -ela falou em suspiro.
P.V Eleanor
De repente senti um cansaço, essa seria a centésima vez que eu explicaria sobre como simplesmente surjo nos lugares. Me sentei em um uma pedra e cerrei meus olhos.
–Vai demorar? -lancei um olhar frio ao Gally.
–Bom, quando eu tinha meus vinte e um anos, fui amaldiçoada. Uma bruxa que tinha raiva da minha família me condenou vida eterna, isso quer dizer que eu já morri cem vezes e em todas elas eu renasço, só que em um lugar diferente em todas elas. — olhei para minhas mãos tentando esconder uma lágrima solitária que insistia em cair. Não importa quantas vezes eu tenha que repetir a mesma coisas, dói do mesmo jeito em todas.
–Eu acho que o objetivo é ajudar quem esteja precisando, por isso quando eu acabava de ajudar alguém e morria, não retornava pra lá de novo. -falei depois de notar que todos estavam pasmos.
–Essa é a coisa mais estúpida que eu já ouvi. -como sempre era o Gally me julgando.
–Ah claro, falou o menino que está preso dentro de um labirinto e não lembra da própria vida. -logo que falei isso me senti terrivelmente culpada, graças aos meus dons eu podia sentir a tristeza e a raiva que tinha provocado, não só em Gally mas em vários clareanos.
–Sua trolha....
–Desculpe- eu tentei pedir, mas Gally já ia longe. -Ótimo Eleanor, você sempre estraga as coisas. Eram as vozes da minha cabeça rindo de mim. Eu só sentia uma dor no peito, e uma vontade de fechar os olhos.
Eu tentei dar dois passos pra frente, mas não sentia mais meu corpo. A última coisa que lembro é do olhar preocupado do loiro que me encantou.
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