The last love
22 Capítulo 20: Natal
Notas iniciais
Congelei quando ouvi aquela voz. Que pergunta era aquela? Olhei feio para Elena, que logo me expos sua culpa pois logo desviou os olhos. Essa eu teria que aguentar sozinho. Limpei a garganta, e limpei a mão na calça jeans.
—Damon Salvatore, prazer. — estendi a mão em forma de comprimento, mas ao invés de me fazer essa gentileza, ela olhou apavorada para a filha.
—Elena...
—Er, mãe... depois a gente conversa.
Ela voltou o olhar para mim, e pela forma como suas imensas orbes castanhas percorriam meu rosto, eu tinha a estranha sensação de que ela podia passear por dentro de mim e descobrir meus segredos e pensamentos. Era como se pudesse estar dentro de mim. E Deus, não era nada bom para mim que ela soubesse o que eu fazia com a filha dela!
—Desculpe, Damon. Já passou muito tempo, e eu realmente não lembrava de você. Mas seus olhos tão intensos... desde bebê que são assim — ela sorriu de uma forma tão doce que me lembrou minha mãe. — Pode me chamar de Miranda.
Logo que John, meu sogro (?) se apresentou e nos envolveu numa conversa sobre o futebol, e sem que percebêssemos de verdade, Elena e a Senhora Gilbert sumiram da sala. Não demorou muito para ouvirmos a conversa super calma que estava rolando no quarto.
Elena Gilbert
—Você quer me explicar o que tá acontecendo?
—Oras o que a senhora tá vendo. — me limitei sem muitas explicações.
Ela andou de um lado para o outro, passando as mãos no cabelo numa dica óbvia e clássica de demonstração de nervoso — o qual eu havia herdado. Droga, por que eu deixei minha mãe vir?! Quem foi o idiota que me convenceu a isso?
—Ele... ele convive com o Jeremy? Vocês estão juntos? O que tá acontecendo Elena?
Cogitei mentir e negar todas aquelas perguntas mas não ia adiantar. Estava na cara que estávamos juntos, e quando minha mãe dava pra atacar de detetive eu sempre me ferrava no final. Merda, de repente, todo meu medo de adolescência aflorou, e por um segundo eu quis sair correndo e não voltar até ela ter ido embora.
—Pra que tantas perguntas? — reclamei.
—Não se preocupe, você tem tempo. Não sairá daqui enquanto não esclarecermos isso.
—Não tem nada pra esclarecer, senhor! A senhora já não sacou o que tá acontecendo? Eu tô com o Damon, e somos uma bela família feliz, fim da história.
Rolei nas órbitas e juro que vi a veia do pescoço dela ficando mais alta. Talvez irritá-la não fosse um bom negócio. Minha mãe andava de um lado pro outro, e eu já estava temendo que ela abrisse um buraco no meu chão.
—Nos reencontramos, deixei uma carta contando do nosso filho e depois ficamos juntos. Satisfeita?
—Não! — respondeu com raiva.
—Pois vai ter que se satisfazer porque não tem mais nada pra dizer.
—Carta? Que carta é essa Elena Sara Gilbert?
Agora eu cavei minha sepultura!
—Uma cartinha boba, mãe, nada que se preocupe.
Andou mais, o buraco no meu piso sendo cavado. Será que ela não entendia que eu morava na porcaria de um prédio e que meus vizinhos eram uns malas? Daqui a pouco o sindico bate na minha porta pra reclamar que o vizinho de baixo não consegue dormir porque ela não para de marchar de um lado pro outro. Respirei fundo, implorando pra Deus pra não jogar querida mamãe pela janela.
—Ele podia ser um louco, sabia?
—Calma, mãe. Abaixe o tom de voz, por favor?
—Não, Elena. Quem tem que se controlar aqui é você. Já pensou que enquanto você estava bancando a garotinha apaixonada, ele poderia estar destratando seu filho? Olha aqui...
—Chega mãe! Eu conheço o Damon, e ele jamais iria maltratar nosso filho. A senhora que passa mais tempo pelo mundo que em casa, pode não conhecê-lo, mas eu sim. Conheço e sei. Meu filho tem um ótimo pai. Um pai que o ama e se dedica pra ser melhor a cada dia.
—Você emburreceu?
—Mãe, pelo amor de Deus, o Jeremy vai ouvir. Estão todos lá embaixo ouvindo o chilique que você tá dando atoa.
—E é bom que ouçam. Caroline é outra também que não bate bem das bolas. — sobrou até para a queridinha dela — É bom que Jeremy escute para saber o quanto a mãe dele é estúpida. E esse garoto.... — apontou para a porta do quarto com raiva — Esse garoto vai ouvir daqui a pouco.
—Mãe?! — a repreendi.
—O que é? — rosnou me ameaçando.
Abaixei a cabeça cogitando pela primeira vez na noite ser tão burra quanto minha mãe estava dizendo há quase meia hora. Será que eu tinha mesmo cometido tantas loucuras desnecessárias? Eu teria colocado meu filho em risco?
—Como eu pude criar uma filha tão ingrata? — ela gritou.
—Mãe, sem escândalos.
—Você é impossível, Elena. A cara do seu pai. Você não puxou nada meu. Nada... Ai, meu Deus! Essa garota vai me fazer ter um infarto.
—Mãe, guarde os chiliques para mais tarde. — esperneei, batendo o pé no chão — Agora não, pelo amor de Deus, mamãe!
—Chega né gente? — Caroline colocou a cabeça pra dentro do quarto.
—O que você tem a ver com isso hein? Qual é a sua parte nesse plano mirabolante hein Caroline?
—Eu? Tenho nada a ver com isso tia!
—Caroline! — traidora!
—Vou descer para falar com meu neto. — minha mãe rosnou, saindo pela porta do quarto.
A loira me olhou assustada como se não tivesse entendendo nada.
—Meu Deus, eu sabia que ela ficaria chateada, mas eu pensei por um momento que vocês se matariam aqui. — sussurrou. Senti um arrepio subindo pela minha coluna. Eu deveria matá-la por me dizer aquelas coisas todas que em nada era verdade, eu sabia. Em momento nenhum, estar com Damon tinha sido um erro, disso eu tinha certeza, ele tinha me dado o melhor presente da minha vida; era o homem que estava sempre no meu coração. Nunca seria um erro.
Suspirei, e depois de um abraço de Caroline, descemos para a sala. O primeiro olhar de Damon sobre mim foi de preocupação, seus olhos estavam cheios de perguntas, mas logo ele relaxou quando viu meu sorriso. Um sorriso trêmulo e inseguro, porém ninguém precisava saber que eu estava morrendo de medo das reações futuras da minha querida mamãe. Passei direto para a cozinha sem olhar para a minha mãe, se o fizesse, em poucos minutos estaria chorando. De repente eu me sentia uma garota boba novamente, que maldita sensação.
Ignorando minha família na sala de estar, peguei os alimentos que eu deveria cortar para fazer os pratos mais rápidos que ainda faltavam da ceia. Caroline até tinha se arriscado a me ajudar na noite anterior, mas cozinha e Caroline não combinavam muito bem. Os cubinhos de cenoura começavam a aparecer quando senti as mãos grandes de Damon na minha cintura, e seus lábios no meu pescoço. Por um segundo, me permiti relaxar — meu coração batia calmo como se reconhecesse minha casa em forma de homem de 1,76 de altura e dois belos olhos azuis inacreditavelmente brilhantes. Suspirei sorrindo fracamente.
—Tá tudo bem? — sussurrou no meu ouvido.
—Sim, nada demais.
Ainda nas minhas costas, ele afastou meu cabelo da testa, e encostou minha cabeça em seu ombro. Soltei a faca, e contra minha vontade — e para minha total vergonha — meus olhos começaram a arder, e antes que eu percebesse, as lágrimas já caiam. Não dava para acreditar que minha mãe tinha me atingido naquele nível. Damon me deixou chorar em silêncio, eu sentia apenas seu coração batendo de acordo com o meu. Senti meu corpo girando e logo eu estava de cara com o homem da minha vida. Ele limpou minhas lágrimas, olhou nos meus olhos, e beijou minha testa — eu nunca o havia visto tão delicado como naquele momento.
—Sua mãe não está certa. Eu não vou a lugar nenhum.
Não deu tempo de responder, antes que meu cérebro pudesse processar uma resposta, senti seus lábios urgentes nos meus. Uma forma de dizer que ele não iria a lugar nenhum, que minha mãe estava errada, e que seríamos felizes juntos. Nosso beijo durou tempo suficiente pra que Jeremy viesse atrás de mim:
—Mãe, eu tô com fome!
Quebramos o beijo, e Damon riu nos meus lábios. Abaixei a cabeça sorrindo, e então olhei pra ele. Jeremy nos encarava com os olhinhos confusos como quem dizia "atrapalhei alguma coisa?", fazendo uma careta muito fofa.
—Nós vamos comer na casa do vovô, lembra? — só então lembrei que o clima ficaria ainda mais tenso como se isso não fosse possível. Só de pensar em Lilian na minha casa, e com minha mãe, fazia um calafrio passar na minha espinha, e ter certeza que não passaria daquela noite. Eu morreria de um jeito ou de outro.
Pai e filho saíram pela porta da cozinha em direção ao elevador do andar, e me deixaram sozinha. Logo, logo, eu seria uma louca, se tudo continuasse daquele jeito.
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Jeremy chegou mais animado do que quando saiu, e não era sem motivo — os pacotes de presentes eram mais do que eu poderia contar nos dedos. Aquilo era o paraíso para uma criança de seis anos. Ele pulava mais que pipoca, animado demais com as possibilidades do que seriam tantos presentes.
—Você só poderá abrir amanhã, hein. — lembrou Damon, arrumando os presentes embaixo da árvore.
—Mas pai, eu queria abrir agora.
—Não pode filho, tem que respeitar o dia de hoje. O natal não é sobre ganhar presentes.
O sermão não diminuiu a felicidade dele. Lilian observava o neto de longe como se tivesse medo de se aproximar. Aquilo mexeu comigo, ela não deveria se privar, eu sabia bem como era ser mantida longe da família; mas de qualquer jeito não me aproximei. Damon chegou e abraçou a mãe de forma tão natural que pareceu ter sido feito num impulso, mas ao reparar, ele não tirou o braço dos ombros estreitos de Lilian. Deu um beijo na bochecha da mãe, me fazendo sorrir como uma boba. Logo meu pai engatou numa conversa com Giuseppe, e quando reparei estavam todos engatados em alguma conversa. Talvez o único problema naquele jantar fosse eu.
Tomei banho e me arrumei. Vesti um vestido degrade em salmão e amarelo na ponta, com um decote em V e um cinto abaixo dos seios. Calcei um par de sapatilhas nude; arrumei o cabelo com duas mechas presas para trás. Fiz uma maquiagem básica e depois de pôr os brincos e os anéis, fui para a sala. Quando cheguei e vi Jeremy, abri um sorriso enorme. Ele estava lindo com uma calça jeans, e uma camisa social dobrada até os cotovelos. Os cabelos estavam arrepiados como sempre. Seu sorriso mal cabia no rosto cercado pelos parentes conversando com ele, e o paparicando.
Fui até a cozinha me certificar que estava tudo certo e de que aquela gente toda ia dar na mesa. O pernil estava pronto e dourado no forno só esperando o jantar. Arrumei as travessas de forma que você fácil na hora da ceia, e peguei as bebidas na geladeira. Alaric e Damon estavam conversando animados sobre qualquer esporte, e só então vi que Ric estava acompanhado de uma mulher que eu não conhecia. Uma mulher alta, e morena com olhos gentis e determinados. Ao olhá-los juntos, eu sabia: eles seriam perfeitos um pro outro.
—Elena, essa é Jo, minha namorada. — Alaric fez as honras. — Jo, essa é Elena, mulher de Damon. A única mulher que coloca essa peste nos trilhos!
Sorri, e ela me cumprimentou com dois beijos.
—Prazer Jo, seja bem vinda.
A noite seguiu bem, e no fim das contas vi que eu só precisava deixar rolar. Os meus problemas estariam ali no dia seguinte, mas era natal. Me permiti aproveitar a noite ao lado da minha família. Era complicada e cheia de problemas, mas era a única família que eu tinha e precisava.
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