The language of love

1 Primeira consulta, primeiro encontro


Notas iniciais
Tento fugir de Alice/Jasper, mas Alice/Jasper não sai de mim. Espero que gostem!

Só Deus sabe o tamanho do esforço que eu estava fazendo para aparentar uma reação tranquila à notícia que Esme acabara de me dar em tom muito casual, como se o fato dos filhos dela serem os integrantes de uma banda mundialmente famosa fosse uma coisa completamente normal. Na verdade, para ela, pelo costume, era bem provável que fosse. Para mim não seria nada tão importante também, exceto que banda em questão era a favorita da Bella, a minha melhor amiga e colega de apartamento que me fazia escutar as músicas da Twilight com uma frequência perigosa — eu acabei decorando a letra da maioria delas por osmose.

Uma semana antes, Aro Volturi tinha me chamado até o seu consultório, numa das clínicas onde eu atendia crianças com distúrbios da linguagem e da fala. Ele me contou sobre um colega dele, outro médico, que havia adotado uma criança com Atrofia Muscular Espinhal, uma doença genética rara e degenerativa. Esse médico, Carlisle Cullen, estava à procura de um terapeuta de voz e linguagem com conhecimento em neuropediatria para acompanhar a filha e Aro, de pronto, me indicou para a função. Quando eu aceitei o trabalho, não fazia ideia que o Cullen de Carlisle era o mesmo dos irmãos Cullen.

Enquanto Esme me contava aquilo, após o fim da minha primeira consulta com Bree, eu só conseguia imaginar a reação da Bella quando ouvisse sobre aquilo. Ela vivia dizendo que, aos trinta, já não tinha mais idade para ser fangirl de uma boyband, mas, para ser justa, os integrantes da Twilight também já tinham todos mais de trinta anos e a Bella era uma fangirl independente da idade.

— …E foi amor à primeira vista. Carlisle soube imediatamente o que fazer e toda família é apaixonada pela Bree, ela é o nosso chamego. — Esme terminava de narrar sobre a adoção de Bree enquanto a garotinha cochilava após o esforço realizado durante a terapia. — Os meninos acabaram de voltar do Brasil, onde se apresentaram num festival, e vieram direto para Forks matar a saudade.

— A Bree é uma garota muito doce e inteligente. — Comentei, olhando para a minha paciente adormecida. Eu sempre acabava criando um afeto muito grande, e em geral mútuo, com os meus pacientes. Muitas vezes confundido erroneamente com o desejo de ser mãe, eu adorava crianças e não poderia ter escolhido um trabalho diferente.

— Carlisle vai acertar todas as burocracias, datas e horários com você, sim? Eu gostei muito de você, Alice, e a Bree eu nem preciso falar. — Esme sorriu maternalmente para mim e eu senti que ela estava prestes a me abraçar.

Naquele momento, no entanto, alguém vinha passando pelo corredor e parou na porta do quarto de Bree quando escutou nossas vozes.

— Jasper, filho! Venha conhecer a Alice. Ela é a nova terapeuta da Bree.

O homem andou até nós e me cumprimentou com um “olá, Alice” que quase me fez dar um gritinho com a voz, apesar de um pouco rouca, complemente reconhecível: a mesma que ecoava pelo apartamento quando a Bella colocava a playlist de Twilight para tocar.

— É um prazer, Jasper. — Cumprimentei-o de volta, apertando a mão que ele havia estendido para mim.

— Foi ótimo te conhecer, Alice. — Esme me disse num tom afável. — Agora que tenho o seu número, vou te ligar se surgir qualquer dúvida e espero que você também se sinta livre para me contatar sempre, certo? Muito obrigada por todo o carinho com a minha filha hoje. — Eu sussurrei um aceno, mas ela continuou, agora para o filho mais velho. — Querido, você pode levar a Alice até a porta?

— Claro, mãe. Por aqui, Alice. — Ele me olhou com um sorriso quase… Galante? Preferi acreditar na hipótese da gentileza e o segui após me despedir propriamente de Esme. — A Bree é ótima, não é? — Jasper me perguntou quando nos afastamos do quarto.

— Sim, ela é incrível. É estranho pra você ter uma irmã tão mais nova, depois de tanto tempo? A sua mãe me contou um pouco da história da chegada da Bree na família de vocês…

— A chegada de uma irmã é realmente algo que eu não esperava mais depois de completar trinta anos. — Ele sorriu. — Mas não foi difícil me acostumar com a situação. Foi tudo muito natural, pra ser sincero. — Continuou, mas a voz foi enfraquecendo e ele precisou pigarrear para o som rouco voltar.

— Nossa, que sacrilégio você acaba de cometer na presença de uma terapeuta de voz! — Jasper me olhou assustado, mas a feição suavizou quando notou o meu tom de piada. — Eu espero que você, um vocalista, esteja cuidando melhor da sua do que está fazendo parecer.

— Meu Deus, a minha mãe começou a tagarelar com você sobre os filhos terem uma banda? — Ele pareceu genuinamente envergonhado por um momento.

— Não foi culpa dela, esse foi um conhecimento adquirido graças à amiga com quem divido apartamento; ela ama o som de vocês.

— Sério? — Perguntou retoricamente, parecendo meio surpreso. — E você gosta também?

— Nossa, eu sinto como se a Bella estivesse olhando pra mim neste momento, esperando a minha resposta como uma policial num interrogatório. — Nós rimos juntos. — Enfim, eu acabei aprendendo a gostar por causa dela. Devo ter gravado a letra de pelo menos metade das músicas de tanto a Bella escutar no volume máximo.

— Bom, eu me sinto muito honrado. — E, com o sorriso galanteador de volta, continuou. — Peço desculpas pela minha voz, acabei de voltar do Brasil, a gente tocou num festival e minha voz tá meio que um lixo mesmo.

Discordei da última parte. Mesmo rouca e mais fraca, a voz dele continuava muito bonita.

— Como medida emergencial, eu posso te oferecer uma sessão de inalação com nebulizador pra hidratar seu aparelho vocal.

— Ah! Não precisa se incomodar com isso, Alice…

— Não seja bobo, não é incomodo nenhum. — Apontei para a mala de rodinhas ao meu lado. — Eu sempre trago meus aparelhos para consultas a domicílio. O nebulizador não era necessário para o tratamento com a Bree, mas eu trouxe na mala mesmo assim. Era o destino!

— Então parece que eu vou precisar aceitar, né? Do que você precisa?

Era algo muito básico. Minutos depois, Jasper tinha começado a sessão de inalação e me olhava meio divertido.

— Sabe — ele disse — a minha preparadora vocal ficaria muito contente se soubesse disso aqui. Eu vivo levando bronca dela por não cuidar da minha voz do jeito que ela diz que eu deveria.

— De fato, muito me admira um cantor não ter um nebulizador à disposição em casa.

— Ei, não me julgue! Não faz muito tempo que a minha mãe comprou essa casa em Forks e nós quase não paramos aqui entre os shows da última turnê e a ida ao Brasil. Como você veio parar aqui, aliás? Sei que você não é de Forks porque quase ninguém é daqui.

— Eu sou de Seattle. Um amigo do seu pai me recomendou e como a locomoção da Bree é complicada – a de pessoas com AME (Atrofia Muscular Espinhal) em geral é –, eu vim até aqui. Mas não é uma distância tão grande. Uma vez precisei ir até a Itália para acompanhar um paciente que se mudou, então estou acostumada.

— É um trabalho muito bonito o que você faz. Muito difícil também, eu imagino. Sabia que eu cheguei a começar o curso de Psicologia? Só que acabei precisando largar por causa da banda. Mas às vezes, quando eu vejo pessoas como você e o meu pai fazendo coisas tão importantes, eu me sinto tão pateta pelo meu trabalho ser só… cantar. E ainda assim eu recebo mais reconhecimento e dinheiro que vocês.

— Não coloque o que você faz como “só cantar”. — Rebati, colocando muitas aspas no “só”. — Os nossos trabalhos são completamente diferentes, cada um importante à sua maneira. Não é justo comparar.

— Você tem razão, isso foi completamente pedante. — Ele riu.

— Tudo bem. — Sorri para ele. — Na verdade, logo no meu começo de carreira, atendi várias vezes como preparadora vocal. Agora parece um passado bem distante, mas eu gostava muito de fazer isso, antes de entrar no mundo da neuropediatria.

— Fico feliz pela Bree que você se enveredou pelos rumos da neuropediatria, mas confesso estar com um pouco de inveja dela.

Eu ri meio nervosa e foi o tempo do soro no nebulizador terminar, encerrando também a sessão de inalação. Depois de guardar tudo de volta na minha mala, Jasper insistiu em me levar até o carro.

— Muito obrigada, Alice. Você salvou a minha voz hoje, eu nem sei como te agradecer apropriadamente. — Ele disse, apoiado na janela do meu carro antes de eu dar partida.

— Não foi nada, Jasper. Cuide-se e cuide da sua voz também. — Dei uma piscadinha. — Até qualquer hora dessas.

Ele se afastou do carro, fez uma referência e eu saí em direção ao meu apartamento em Seattle, quase morrendo de ansiedade para ver a cara da Bella quando eu contasse tudo o que tinha acontecido naquele dia.

Notas finais
Se acharam que o Edward ia ser o vocalista da banda, sinto muito, mas acharam errado! Hahahahaha. Mas, falando sério, acho o Jasper com muito mais jeitinho de vocalista enquanto o Edward, por razões óbvias, me parece um tecladista perfeito. Me contem se gostaram do capítulo, vou ficar muito contente em saber!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.