The lake house
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Ele terminou por fim a única mala que levaria para aquelas duas semanas que ficaria fora. Colocou algumas roupas, alguns agasalhos, afinal, o outono estava por fim dando sinais e era provável que o frio viesse a assolar em alguns momentos. Colocou apenas o necessário e nada além disso e relutou contra o desejo de incluir entre seus pertences a arma que normalmente carregava consigo, a deixou dentro do cofre e se assegurou de fechá-lo com cautela.
Era apenas duas semanas com amigos longe da civilização, ele tentou não pensar neste último detalhe enquanto sentava-se na cama se questionando como se deixou convencer por David. Talvez tenha sido por Emily Prentiss e sua voz sempre tão convincente misturada com aquele maldito sorriso que ele estava começando a odiar agora. David a chamou para reforços quando se deu conta de que não conseguiria convencê-lo a acompanhá-los. Golpe baixo, ele tinha que confessar. Afinal, não havia nada que Emily Prentiss não conseguisse com aquele meio sorriso que ele começava a chamar de pretensioso.
Ele foi para a cama as exatas onze da noite e não demorou muito para que por fim conseguisse dormir, não estando necessariamente ansioso para o despertar no dia seguinte, afinal, seu despertador estava programado para às cinco da manhã e Morgan provavelmente estaria ali as seis em ponto com um atraso máximo de cinco ou seis minutos.
Como de costume não houveram sonhos durante a madrugada e o despertar foi lento com o vibrar insistente do despertar sobre o móvel ao lado da cama lhe fazendo abrir os olhos lentamente. Quando ele finalmente teve coragem de ficar de pé os ponteiros do relógio indicavam que já eram cinco e dez da manhã, ele afastou-se pelo quarto até o banheiro, desfez-se das roupas com uma lentidão quase mórbida e entrou debaixo do chuveiro sentindo por fim que estava despertando completamente. Nada melhor do que um banho extremamente frio para ativar todas as partes adormecidas do seu cérebro.
Depois de finalmente sair do banheiro e vestir as roupas adequadas e pouco formais ele pegou a mala e dirigiu-se para a sala colocando-a ao lado da porta antes de ir para cozinha, precisava comer algo, e rápido, afinal, pelo que os ponteiros indicavam Morgan estaria ali em menos de dezessete minutos.
Ovos mexidos, era o café da manhã mais rápido que poderia fazer, e nem mesmo gritou bacon para acompanhar, apenas ovos e um pouco de suco, talvez não fosse comida o suficiente, afinal, sequer sabia quanto tempo passaria dentro do carro de Derek, nem mesmo sabia se havia comida na tal casa do lago e aqueles ovos mexidos podiam não ser o suficiente.
Tão pontual quanto um relógio suíço, ele pensou ao ouvir três batidas constantes na porta e rapidamente encarar o relógio de pulso, nem um minuto a mais e nem um minuto a menos. Com um suspiro pesado ele caminhou na direção da porta abrindo-a, Morgan estava do outro lado com um meio sorriso convencido, ele havia dito que conseguiria lhe fazer mudar de ideia de um jeito ou de outro, ele realmente conseguiu, ainda que todo crédito devesse ser atribuído a Prentiss.
— Bom dia — Derek saudou rapidamente — Onde estão suas malas.
— Bem aqui — Ele voltou-se para a mala puxando-a para si. — Bom dia para você também.
— Você quer ajuda para levar a mala?
Aaron quase conseguiu enxergar um sorrisinho através dos lábios do agente.
— Eu consigo.
Derek ergueu brevemente os braços em um rendimento fingido e deu espaço para que o Chefe da equipe passasse. Pela expressão que Hotch esboçava, ele sabia que uma viagem longa e estranhamente divertida estava para começar.
**
Apenas Garcia estava no carro, ele notou após uma breve checagem ao se aproximar do carro, a mulher loira acenou animadamente em sua direção e ele retribuiu sem a mesma animação, na verdade os momentos em que demonstrava qualquer sinal de excitação eram particularmente raros e ele realmente gostava desse traço da própria personalidade, que era, também, um completo contraponto a personalidade expansiva de Penelope Garcia.
Derek abriu o porta malas, haviam quatro malas, a sua que fora colocada naquele exato instante, a de Morgan e sem sombra de dúvidas as duas malas consideravelmente grandes de cor rosa intensa pertenciam a Garcia, haviam coisas que simplesmente eram óbvias demais a respeito da analista técnica da unidade.
Aaron foi para o carro e logo em seguida Morgan entrou sentando-se no assento do motorista, ao seu lado.
— Nós precisamos passar na casa da Prentiss antes de irmos, espero que você não se incomoda e, aliás, coloque o cinto de segurança.
Aaron quase revirou os olhos. Morgan havia insistido que ele não deveria se atrasar, que deveriam sair o mais cedo possível e logo em cima da hora avisa que precisam passar na casa de mais um membro da equipe? A viagem mal estava no começo e ele já se sentia arrependido.
Provavelmente Reid, JJ iriam com Rossi, e ele agradeceu mentalmente por isso, afinal, a última coisa que precisava naquele momento era ouvir David dizendo o quanto ele se deixou influenciar tão rapidamente pela Prentiss, aquela pequena criatura extremamente astuta.
— Animado, Senhor? — Garcia perguntou repentinamente.
— Sim.
Seu tom de voz contrariava a resposta dada sem nenhum ânimo. Ele cruzou os braços sobre o cinto.
**
Ela havia acordado cego, Derek lhe disse no dia anterior que chegaria às seis horas mas ela sabia que o amigo não seria cruel a esse ponto, afinal, quem bem conhecesse Emily Prentiss sabia que ela costumava atrasar em quase todos os seus compromissos, exceto os profissionais, nestes ela sempre era extremamente rígida com os ponteiros do relógio e atrasados sem motivos plausíveis, e por alguma razão não conseguia ter está mesma pontualidade quando o assunto mudava de cenário.
Já era seis e meia da manhã e ela estava na sala apressada para tirar as meias azuis dos seus pés enquanto escovava os dentes. Precisava tirar as meias, escovar os dentes e se desfazer daquela estúpida blusa extremamente longa e de um tecido que certamente só fora feito para ser usado durante o inverno e noites extremamente férias, como fora a noite anterior, no amanhecer com os raios solares entrando pela janela, ela sentia que o inferno estava debaixo daquela camisa.
Dois dias atrás ela tinha absoluta certeza de que qualquer coisa lhe faria mudar de ideia, afinal, não estava com o menor interesse de sair de casa, pretendia passar os quatorze dias que foram dados para a B.A.U dentro de casa com uma barra enorme de chocolate e alguns filmes que ela realmente não gostava mas eram um imã para o sono.
Mas Rossi conseguiu lhe convencer, algum tempo fora do baralho da cidade e do sofá que já conhecia perfeitamente bem sua rotina talvez lhe fizessem bem.
Quando a campainha tocou ela já não se encontrava na cena deplorável de estar escovando os dentes de forma desajeitada e por isso apressou os passos, quase correu, na direção da porta. Hotch, Morgan e Garcia estavam de pé, um ao lado do outro e por alguns segundos pensou em brincar e erguer os braços, fingindo rendição, mas desistiu assim que notou que para estarem todos ali, ela estava super atrasada.
— Eu já estou quase pronta — Ela murmurou.
— Não, você não está — Derek constatou. — Vá se trocar.
Ela assentiu e deixou a porta aberta para que eles entrasse.
— Você me tirou da cama às seis da manhã para chegarmos aqui às sete e ela sequer estar pronta.
— Você deveria saber, Emily Prentiss nunca é pontual quando sai com amigos — Penélope disse como se esse fosse um fato conhecido por todos, exceto por ele. — Ela faz isso de propósito, eu tenho certeza, tentando nos convencer pelo cansados — Ignoro os dois homens avançando pela soleira da porta.
— Ela está certa — Morgan deu um tapa suave no ombro dele e adentrou no recinto arrastando os pés na direção do sofá e se jogando lá.
Hotchner olhou ao seu redor, como ele sabia ela era metódica, cuidadosa e dona de uma organização invejável, ainda que a mulher de cinco minutos atrás parecesse uma completa bagunça.
Emily Prentiss regressou à sala quinze minutos depois completamente diferente de como havia deixado, a blusa que chegava na altura das suas coxas fora substituída por um vestido que ninguém honestamente estraga vê-la usando, havia uma suavidade que definitivamente não pertencia a agente que carregava uma arma na maior parte do dia e usava preto sempre que possível, o tom verde musgo lhe caia bem, o que era uma surpresa afinal o tom poderia ficar facilmente horripilante em qualquer outra pessoa, mas não ela, Hotch pensou brevemente antes de afastar o pensamento e se colocar de pé.
— Eu ajudo com a mala — Derek se ofereceu prontamente se direcionando a mala azul turquesa que ela segurava, Emily não protestou e apenas lhe entrou — Não se esqueça de fechar tudo.
Morgan foi na frente e Penélope o seguiu, ele foi atrás da mulher loira e Emily saiu por último se assegurando duas vezes de que havia trancado a porta.
**
Penélope e Emily sentaram-se no banco de trás e a maior parte da viagem se resumia a elas cochicgando, conversando e dando pequenas risadas e ele tentou arduamente ouvir o que ambas falavam até simplesmente desistir. Morgan iniciou um papo pouco interessante sobre como Rossi provavelmente estaria agoniado pelo atraso, causado por Emily, Hotch fez questão de ressaltar e viu quando a agente franziu os lábios em sua direção e semicerrou os olhos, justificando-se imediatamente culpando o despertador, a mentira até lhe cairia bem se Penélope não tivesse completado com um proposital "Novamente?"
— Eu ainda não consigo acreditar que a Emily conseguiu te convencer a vir contigo — Penélope comentou por alto.
— Em algum momento você duvidou do meu poder de convencimento? — A morena brincou.
— Nunca, eu já vi de perto todos os seus poderes de conhecimento.
— Penélope — Emily a repreendeu imediatamente sabendo o que aquele olhar cúmplice queria dizer.
— Oh, eu vi, eu vi esse olhar Prentiss, baby girl — Morgan não desviou os olhos da estrada enquanto parecia estava prestes a iniciar um interrogatório.
— Nada — Emily interviu e não pode deixar mais evidente que Penélope estava escondendo algo.
— Baby girl — Derek repetiu.
— Nós saímos semana passada — Penélope falou rapidamente.
— E? — Incentivou-a.
— Emily convenceu um cara a nos pagar mais bebida só mostrando um pouco dos ombros e sorrindo, ela é ótima com isso… realmente boa — A fala saiu mais rápida do que realmente queria e quando virou-se para encarar a amiga sentada ao seu lado viu o par de olhos lhe fuzilando.
— Eu só estava tentando mostrar a elas como eu fazia quando estava no colégio — As palavras saíram num murmúrio.
— Então Emily Prentiss convencia caras aleatórios em bares na adolescência, você não era tão politicamente correta, não é, Prentiss?
— Nenhum de nós era, Morgan.
— Eu era — Aaron tentou colocar-se entre eles — Ou melhor, quase, eu também passei pela fase inconsequente.
— Ah… Claro — Penélope riu, era como se fosse impossível imaginar o rígido chefe da equipe como um adolescente inconsequente.
— Eu nasci no FBI, Garcia.
Talvez tenha se tornado realmente difícil vê-lo como alguém que comete estupidez juvenil, na verdade ele parecia o tipo de adulto sério que repreendia esses tais jovens preenchidos pela inconsequência juvenil.
— Eu fumava — Emily soltou repentinamente — Mas era para irritar meus pais, uma maneira de me rebelar fazendo algo que a minha não aprovava.
— Eu invadi o sistema da minha escola uma vez — Garcia comentou com uma expressão impassível — Nunca fui pega.
— Você nunca me contou essa história antes, baby girl.
— Não é interessante, quero dizer… Eu nunca fui pega, nunca levei uma suspensão ou fui expulsa por isso, só adulterei a nota de umas pessoas que eu não gostava e o diretor não podia me culpar porque ninguém verdadeiramente me notava.
Emily já ouvira aquela história antes em uma das noites das garotas, Penélope costumava falar demais quando estava sob o efeito de alguns copos de tequila.
— Você era uma tremenda criminosa, Penélope Garcia -— Emily brincou.
— E você era uma tremenda fumante, Emily Prentiss, e você, senhor, qual o grande delito da sua adolescência recheada em inconsequência — Zombou.
— Alguns garotos da escola decidiram colocar fogos de artifício no banheiro das meninas, e eu os deletei…
Aaron não entendeu quando os três soltaram um risinho.
— Na verdade seria um delito se você estivesse ajudando — Derek franziu o cenho.
— Eu fiquei conhecido como o delator por meses, okay? Podemos não menosprezar minha grande inconsequência juvenil?
— Claro — Os três concordaram em uníssono.
Talvez, no final de tudo, viajar com os amigos não fosse algo tão ruim.
Fale com o autor