The lady of Starfall
1 Parte Um
Notas iniciais
“Mesmo depois de todos esses anos, Ser Barristan ainda podia se lembrar do sorriso de Ashara, do som da sua risada. Ele tinha apenas que fechar os olhos para vê-la, com o seu longo cabelo negro caindo pelos seus ombros e aqueles assombrosos olhos violeta.”
— Por que ele faria isso comigo, Ashara?!
A princesa Elia perguntou, com os olhos escuros transbordando lágrimas de traição. Estavam sozinhas num aposento separado para a família real durante sua estadia no torneio de Harrenhal, a pequena princesa havia dispensado todas as suas damas de companhia.
— Me humilhou na frente de toda a nobreza de Westeros! — ela fungou, colocando as mãos no rosto em desespero. — Por aquela criança! A menina Stark é uma criança, Ashara, pelos deuses!
Ashara concordou em silêncio, vendo a sua princesa jogar alguns objetos no chão, puxando algumas tapeçarias até que se rasgassem. Era a fúria dos Martell, mesmo sendo pequena e magra durante toda a vida, o sangue dornês ainda corria pelas veias de Elia, e por um momento Ashara temeu pelo Príncipe de Prata.
Quando anoitecera, ele veio, com seus cabelos longos e brilhantes, como prata derretida. Disse que precisava falar com a pequena princesa, seus olhos púrpuros e melancólicos pareciam quase pedir permissão para Ashara. Ela ficou indecisa por meio segundo, até perceber que de nada adiantaria deixar que Elia crescesse em sua raiva. E o pior, ela o amava. A princesa de Dorne havia se apaixonado por Rhaegar, e Ashara não conseguia culpá-la, com sua voz gentil e beleza divina, ele era fácil de se amar.
O deixou entrar e então esperou por um momento com o ouvido colado na porta. Escutou o choro soluçante de Elia e a terna voz do príncipe. Antes que se afastasse, ainda conseguiu escutar a princesa gritar:
— É por que não lhe dei um filho homem?! — a mágoa pingava das suas palavras. — Estou grávida Rhaegar, grávida e humilhada perante todo o reino!
Ashara não quis escutar mais nada, seu peito doendo ao pensar no que sua amiga estava passando. Elas haviam sido criadas praticamente juntas, e se perguntava o quão diferente seria se a princesa tivesse se casado com Arthur, como sonhavam em seus sonhos de verão. Caminhou pelos corredores daquele enorme castelo enquanto fazia uma prece muda aos deuses, mais especificamente à Mãe.
Que Elia esteja esperando um menino. Um bebê forte, com cabelos de prata e olhos púrpuros como Rhaegar. Os deuses bem sabiam que a amiga sempre teve uma saúde fraca e aspecto frágil. Que o corpo de Elia não fora feito para parir filhos, e um medo crescente no coração dela é que a princesa não sobrevivesse aos partos.
— Minha senhora.
Sor Barristan Selmy a tirou dos seus devaneios. Teve de se esforçar muito para não ignorá-lo, para não continuar andando e fingir que nunca tivesse o visto. Mas ela parou, não era de sua natureza ser má. Além do mais, ninguém mandava no coração. Sabia disso por experiência própria.
— Sor.
Respondeu com educação, vendo os olhos do cavaleiro da guarda real brilharem. Sabia que ele a amava, mas não se sentia surpresa, muitos homens já haviam se apaixonado por sua beleza. Nunca dera qualquer sinal ou esperança para Sor Barristan, mas ele parecia não querer desistir daquele sentimento, mesmo que nunca o tivesse dito para ela. Ele era um manto branco, assim como seu irmão Arthur, talvez por isso ele não tivesse feito propostas indecorosas ou sussurrado promessas doces e impossíveis no seu ouvido.
No fundo, Ashara o admirava por isso. Por sua honra e por colocar o dever em cima até mesmo de seus sentimentos, então sempre foi gentil e amável com ele. Agradeceu internamente aos deuses por seu coração não acelerar por Barristan. Não havia acelerado por ninguém, até noites atrás.
Onde será que ele está? Está furioso, quebrando coisas e desejando matar Rhaegar?
— A princesa está bem?
— Tanto quanto poderia. — respondeu com tristeza e o cavaleiro concordou com a cabeça. — Não desejaria estar no lugar dela.
Confidenciou sem pensar, vendo Sor Barristan ficar surpreso.
— Nenhum homem em sã consciência a desonraria daquela forma, minha senhora. — ele umedeceu os lábios e corou levemente. — Eu nunca deixaria que isso acontecesse.
Ashara se sentiu tocada com aquela demonstração de carinho, e tocou as mãos dele com as suas. Olhou-o nos olhos e sorriu, vendo ele parecer hipnotizado.
— É uma pena que nem todos os homens sejam feitos de um material tão bom e honrado como o senhor, Sor Barristan. — fez uma pequena pausa para afagar seus dedos. — O mundo seria um lugar melhor se assim o fosse.
Soltou as mãos do homem e se despediu com uma mesura. Logo continuando o seu caminho até o homem que realmente a fazia se sentir ainda pior do que Barristan Selmy. E Ashara sabia que Brandon não era honrado como o cavaleiro da guarda real. Ele era mulherengo, de sorrisos fáceis e raivoso como um lobo ferido. Talvez os deuses estivessem a castigando por nunca corresponder o amor dos homens bons. A fizeram amar um lobo selvagem.
Quando o vira pela primeira vez, se negou a suspirar como as outras donzelas tolas faziam. Mas quase o fez. Ele era lindo de uma forma máscula e atraente. Tinha uma cabeleira castanha e os maliciosos olhos cinzas, alto e forte como um touro, com um sorriso faceiro e promíscuo que quase fizera Ashara corar. Quando Rhaegar tocou suas músicas lindas e melancólicas, a maioria das senhoras choravam com um bebê de peito, mas tudo o que ela conseguia notar era ele.
Parecia que havia fios que os ligavam internamente, como se fosse inevitável que não se olhassem. A chamou para dançar duas vezes, a conduzindo com destreza e sussurrando comentários venenosos e engraçados que ela teve de se esforçar para não gargalhar durante toda a dança. Tentara ser discreta e reservada como sempre fora, mas simplesmente não conseguia parar de sorrir ao ver que entre todas as mulheres presentes ali, ele quis ela.
Ainda naquela noite, depois de dançar com Eddard, o irmão tímido e gentil de Brandon, ele a puxara para um lugar mais afastado de Harrenhal e ela foi sem sequer protestar. Não era uma garota inocente e sabia o que homens como ele queriam, mas ao contrário de sempre, ela ansiava por isso. Ansiou pelos beijos selvagens e avassaladores dele, amando a sensação dos pelos se eriçando, das borboletas no estômago e do incomodo delicioso que sentia entre as pernas. E quando o sol estava para nascer, ela se despediu dele, com os lábios inchados e as roupas amarrotadas, pensando que Arthur provavelmente o mataria se soubesse o que aconteceu, mas Ashara não se arrependia nem um pouco.
Se virou uma última vez para ver o sorriso satisfeito e malicioso que ele lançava para ela, sentindo suas pernas quase derreterem.
Deuses, estava perdida.
Fale com o autor