The irrational of all world - interativa
1 Prólogo
Notas iniciais
Este mundo é chamado Destino, envolto em um frágil fio de ódio e tristeza, ele termina em lágrimas. Mas através deste mundo existe um outro mundo, um mundo irracional, um mundo distorcido, tudo que ocorre aqui é refletido lá. É como um reflexo de nós mesmos, e , quando finalmente percebemos, estamos caindo na escuridão do abismo a caminho do outro mundo...Consegue imaginar algo assim? Eu acredito que seja verdade, este seria meu mundo perfeito.
– O diário de Elizabeth Marie, ano de 4220
O destino é apenas uma teia, que está sendo tecida a milhares e milhares de anos, o cruzar de duas teias fazem parte do destino, mas ele é frágil, fraco e opaco...muitas vezes o destino quebra-se, quando a linha tênue que liga este ao outro mundo também se quebra, e então, nada mais importa. A história que vos lhe estar a ser apresentada é como o destino, é a história de um ser insignificante que conseguiu ranger dois mundos, eu vos lhe apresento a história de Elizabeth Marie Cordelia Françoise.
Tudo começa na manhã de 26 de setembro do ano de 4219, que não por coincidência, também é o dia do aniversário de Elizabeth, ou Lizzie, como gostava de ser chamada.
O pão duro descia com dificuldade pela garganta de Lizzie, a menina tomava um gole do café amargo enquanto penteava os opacos cabelos loiros. Pele pálida e olhos negros envoltos em pesadas olheiras, não havia nada que pudesse ser considerado realmente incomum em Lizzie, ainda assim, aquela aparência cadavérica tinha algo especial.
A fumaça que emanava das grandes e enferrujadas máquinas faziam Lizzie tossir enlouquecidamente, os grandes cavalos de metal puxavam a fundo o petróleo da terra empobrecida, a menina praguejava vez ou outra enquanto pisava nas poças de água deixadas pela chuva, a velha cidade estava caindo aos pedaços. Mas não só ela, todos ao redor de Lizzie também estavam. Nas ruas dormiam mendigos,amontoados uns nos outros como pilhas de cadáveres tentando se aquecer,levantando as mãos para cada um que passasse próximos a eles pedindo um pouco de comida. Lizzie revirava os olhos várias e várias vezes,ela estava cansada desse mundo.
Lizzie empurrou a pesada porta da loja de doces Sweet Honey, fazendo o pequeno sino localizado acima da porta soar anunciando a chegada de um cliente,mas Lizzie não era uma cliente qualquer,não mesmo.
– Bem vindo á...Ah,é só você Lizzie.- Uma velha senhora gorducha disse de trás do balcão,ela possuía bochechas rosadas e olhos castanhos amendoados, a dona emanava um delicioso cheiro de biscoitos com mel.
–Bom dia Nana.- Lizzie falou sem emoção enquanto fazia uma pequena referencia batendo as sapatilhas negras e gastas no chão.-Gostaria de saber se minha encomenda já está pronta.
–Você não deveria estar na escola menina?-A velha falou esgueirando-se para ver Lizzie melhor.
A menina não respondeu,ao invés disso contemplou os doces que encontravam-se na vitrine. Parfait,Rocambole,biscoitos e uma travessa de Macaron.
A velha suspirou cansada e logo entrou em uma porta localizada atrás do balcão. Enquanto Lizzie,desviava o olhar para a bandeira da Inglaterra empoeirada e suja presa a um poste do lado de fora da loja. Ela pensava. Pensava no quão corrompido este mundo havia se tornado,Lizzie odiava este mundo,para alguém como ela nada estava certo,este mundo era errado.
Alguns minutos depois a velha voltou,trazendo nas mãos rechonchudas uma pequena caixa enfeitada com fitas e laços,logo o cheiro vindo da pequena caixa penetrou nas narinas de Lizzie,era uma mistura de Chocolate,creme e baunilha. A menina salivou,indo ao encontro da velha com medo de parecer ansiosa,pegou a pequena caixa e virou-se para ir embora.
– Feliz aniversário Lizzie.-A velha disse sorrindo,revelando uma arcada torta,amarelada e imperfeita. Mas a menina já havia partido.
Elizabeth abriu a porta de carvalho da velha casa em que vivia,o silêncio e monotonia pairava naquele ambiente,mas a menina parecia não se importar,colocou a pequena caixa sobre a mesa sem dizer palavra alguma,mas não precisava,não havia ninguém para chamar seu nome. A loira desamarrou as fitas tirando a tampa da caixinha revelando um pequeno bolo confeitado.
– Feliz aniversário Elizabeth!-Lizzie disse a si mesma.
Naquela noite,após comemorar sozinha seu aniversário Lizzie teve um sonho,um sonho profundo e extremamente vívido. Mas o que foi esse sonho? Você pergunta,nem mesmo eu sei direito,então contarei a vocês exatamente o que Elizabeth Marie contou a mim.
No sonho Elizabeth encontrava uma pessoa,alguém exatamente igual a ela,mas também alguém totalmente diferente dela,essa pessoa era forte,corajosa e tinha poder suficiente para mudar um mundo,diferente da menina,que era só mais uma entre vários. Elizabeth contou-me,que essa pessoa lhe fez uma proposta,algo que Lizzie jamais poderia recusar,ela nunca me disse que proposta foi essa,mas eu posso imaginar,afinal,foi a partir desse sonho que dois caminhos que jamais poderiam se encontrar foram ligados,foi a partir desse sonho...que o seu mundo e o mundo irracional se chocaram.
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