The heirs of great family
12 Capítulo 12
Havan Swinton
Sinto algo pontudo e afiado se enterrando no meu braço. Tento me afastar, mas não consigo, e a coisa parece se enfiar ainda com mais força.
— Ai! — exalo um pequeno grito de dor e abro os olhos, ainda atordoada. Assim que recobro a consciência, volto minha atenção para o meu amigo ao lado, que estava me cutucando com uma caneta.
— Cuidado, você está dormindo na aula da bruxa! — brinca, sabendo que a professora poderia ficar brava e aplicar alguma punição.
— Ah, tá bom... — respondo, preguiçosa. Então desvio o olhar para a frente e vejo a professora, com sua postura autoritária, escrevendo rapidamente as instruções do exercício de matemática no quadro negro.
Quando olho para o meu relógio de pulso, percebo que já se passaram trinta minutos desde o início da aula. Olho novamente para o quadro: ela já cobriu dois quadros inteiros com equações e problemas, e eu mal consegui acompanhar.
— Até que horas vamos ficar aqui mofando? — desabafo, sentindo o tédio crescer. Então me lembro de algo. — Você se lembra do que eu te falei? — cochicho para meu amigo, tentando chamar sua atenção.
— Do que você está falando? — ele responde, um pouco confuso.
— Do plano de investigarmos aquele cara.
— Isso é perigoso! Nós não somos nenhuma equipe de detetives — ele diz, preocupado.
— Mas isso tudo é por causa da minha avó! Se você não quiser me ajudar, eu faço isso sozinha. Ou então, peço ajuda aos meus outros amigos! — afirmo, determinada, enquanto olho para os outros amigos que estavam por perto. Luca solta um bufado.
— Tudo bem, eu vou te ajudar... mas só porque sou seu amigo — ele cede, e não consigo conter um sorriso de satisfação.
A professora finalmente encerra a explicação e, entediada, aproveito para copiar o restante das anotações. Essa aula está tão monótona que a ideia de simplesmente desaparecer parece cada vez mais tentadora.
Por fim, o sinal do intervalo soa, e eu respiro aliviada, guardando apressadamente meus materiais na mochila. Saio apressada com meus amigos, atravessando a multidão de alunos no corredor.
Subitamente, sinto um empurrão nas costas. Viro-me rapidamente e reconheço a metida da Sophie atrás de mim.
— E aí, esquisita, foi mal — diz ela com um sorriso debochado no rosto.
As palavras dela me irritam profundamente, e uma onda de raiva sobe pela minha cabeça. Já estava prestes a arrancar uns fios daquele cabelo, mas minha amiga Dana me segura pelo braço, me impedindo.
— Você não está pensando em passar horas na diretoria, está? Então deixa isso de lado — diz ela, com razão. Encontrar o suspeito é mais importante do que dar atenção à bruxa.
Volto-me para os meus amigos.
— Vamos lá, pessoal. Não temos tempo a perder aqui. — Com isso, saímos juntos.
Paramos no pátio da escola. Os três ao meu redor exibem expressões de preocupação visíveis. Eles já sabiam do meu plano.
— Não precisam ficar com medo — digo, tentando tranquilizá-los.
Luca quebra o silêncio.
— Você sabe onde esse cara mora?
— Não, mas deve haver um jeito de descobrir — respondo com calma. — Preciso saber; é a única maneira de chegar até o assassino da minha avó.
— Já pensou em perguntar pra sua irmã? — pergunta Terrence.
— Acho que ela iria estranhar, com certeza não me diria nada — respondo, frustrada.
— Já sei! É só você perguntar onde ele trabalha. Assim, você consegue mais informações sobre ele — sugere Dana, com um brilho esperto nos olhos.
— Isso mesmo!
Nesse momento, vejo o carro da Inanna se aproximando.
— Agora preciso ir — digo, me despedindo deles e entrando no carro.
Fico em silêncio o tempo todo. Minha mente está a mil, pensando em como poderia começar a conversa. Sabia que não seria fácil; era óbvio que ela iria desconfiar.
— Inanna... — chamo. Ela me olha por um momento, mas logo desvia o olhar, focando na estrada à frente. — É… onde aquele tal de Swen mora?
— Por que você quer saber disso? E como sabe o nome dele? — indaga, com uma expressão que mistura curiosidade e suspeita.
— Ah, sei lá, só curiosidade mesmo… Não importa como sei o nome — tento responder de forma casual.
— Vamos evitar falar sobre isso, certo? — diz ela.
Eu apenas aceno, enquanto ela continua dirigindo. Só preciso saber onde ele trabalha.
— Só mais uma pergunta… Em que lugar ele trabalha?
— Por que esse interesse todo no Swen? — ela questiona.
— É só curiosidade, vai, conta! — insisto.
— Ele trabalha no mesmo restaurante onde eu estou agora — responde, e isso me surpreende. Então quer dizer que ela voltou a trabalhar lá? Lembro que, há algum tempo, ela havia sido demitida.
— Você voltou para o restaurante?
— Sim — ela responde, sorrindo.
Eu também sorrio. Agora vai ser mais fácil encontrar informações sobre aquele cara.
Capitulo 13
Avan Swinton
Estou aguardando a chegada da Jô, que combinou de vir à tarde. Enquanto isso, organizei sobre a escrivaninha tudo o que vamos precisar. Depois, fui até a sala.
Lá, o Hero está deitado no sofá assistindo a um filme de terror. Ele sempre foi fã desse tipo de filme. Lembro que, quando éramos crianças, ele costumava assistir escondido, porque tanto a mãe dele quanto o nosso pai não nos deixavam ver esse tipo de conteúdo. Para ele, aquilo era uma verdadeira aventura.
Flashback
Era uma noite qualquer, e eu estava no quarto dele junto com o Isaiah, assistindo ao filme A Hora do Pesadelo. O quarto era aconchegante, muito bem organizado, e com uma TV enorme na parede — o que tornava a experiência ainda mais intensa. Estávamos só nós três.
Durante uma cena especialmente assustadora, não consegui evitar esconder o rosto em um travesseiro. O medo era real, e eu só queria que acabasse logo. Foi então que ele disse com um tom debochado:
— Deixa de ser medroso.
Aquela frase soou como um desafio. Tentando disfarçar a tremedeira, respondi:
— Eu não quero mais ver esse filme. — E ele apenas riu.
Hero disse que ia ao banheiro. Saiu, nos deixando sozinhos no quarto. Eu estava cada vez mais nervoso, mas Isaiah parecia tranquilo, como se estivéssemos assistindo a uma comédia.
Eu odiava filmes de terror, especialmente os que faziam meu coração bater mais rápido e minha imaginação correr solta. Mas estava ali porque tinha perdido uma aposta em um jogo anterior. Hero aproveitou para me forçar a assistir aquele filme horrível.
De repente, ouvimos um barulho estranho. Olhei para Isaiah, surpreso.
— O que foi isso? — perguntei, com a voz trêmula.
— Eu não sei — respondeu ele, parecendo igualmente confuso.
Nos levantamos devagar e saímos do quarto, tentando não fazer barulho para não acordar ninguém.
— Tem alguma coisa lá fora — sussurrei, com o coração batendo forte.
Nos aproximamos da origem do barulho e, quando abri a porta com muito cuidado, me deparei com uma figura do filme que estávamos assistindo. O susto foi tão grande que tudo virou um borrão — e eu apaguei.
Quando voltei a mim, percebi que... minha calça estava molhada. Eu tinha feito xixi de tanto medo. Hero estava ao meu lado, se acabando de rir e segurando uma máscara de borracha.
Foi aí que entendi tudo: ele tinha aprontado comigo, e aquele momento ficou marcado como um dos mais vergonhosos da minha vida.
Presente
Até hoje sinto vergonha daquele dia. Hero nunca deixou passar, sempre zombando de mim como se fosse um jogo.
Olhei para ele agora, deitado no sofá, vidrado na TV como se o mundo ao redor não existisse.
De repente, ouvi batidas na porta. Levantei-me para atender. Hero nem se mexeu.
Abri a porta e vi uma menina loira, com um sorriso encantador no rosto e uma mochila cheia de materiais. Ela parecia radiante.
— Posso entrar? — perguntou, simpática.
— Claro! — respondi, abrindo espaço para ela.
Assim que entrou, ela lançou um olhar curioso para Hero, que continuava hipnotizado pela televisão.
— Boa tarde, garoto — disse ela, ainda sorrindo.
Ele a ignorou completamente, sem desviar o olhar da tela.
Senti uma vontade imensa de dar um soco nele. Como ele pode ser tão grosseiro com alguém que só está sendo educada? Vi o sorriso dela vacilar por um segundo. Ela me olhou com um misto de desânimo e constrangimento.
— Não liga para ele — disse, tentando animá-la. — Vem, vamos subir para o meu quarto.
Queria fazer com que se sentisse melhor.
Subimos as escadas e, ao chegarmos à porta do meu quarto, abri para ela entrar. Era a primeira vez que ela estava ali, e vi seu olhar se iluminar ao observar a decoração. Eu sempre mantive tudo limpo e organizado.
— E aí, gostou do meu quarto? — perguntei.
— Sim, é muito lindo — disse ela, sorrindo. Mas percebi que ainda estava um pouco decepcionada.
— Olha, não liga para o meu irmão, tá? Ele é babaca mesmo, com quase todo mundo. Não é pessoal.
— Tudo bem, não tem problema. Mas... podemos começar agora?
— Claro! — respondi, sentando-me na cadeira da escrivaninha. Ela se acomodou ao meu lado.
Começamos o trabalho. Ela estava tão próxima que consegui sentir o perfume suave dela no ar. Tive que me concentrar ao máximo para não me distrair com isso e manter o foco.
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