The heirs of great family
10 Capítulo 10
Hero Swinton

Termino de beber mais uma garrafa de cerveja enquanto observo Samuel parado à minha frente, tragando um cigarro eletrônico. A fumaça se espalha lentamente pelo ar.
— Cara, estou exausto de tudo isso — desabafo, soltando um suspiro pesado.
— De tudo o quê? Da festa? — Samuel pergunta, levantando as sobrancelhas.
— Não, não é da festa. Estou cansado do que está acontecendo na minha vida, sabe? — respondo, revirando os olhos. — Preciso realmente arrumar um emprego e colocar minha vida nos eixos.
— Mas por que você precisa de um emprego? Você já tem dinheiro suficiente pra fazer o que quiser. Ainda tem a herança, lembra? — ele diz, tragando novamente o cigarro e me encarando.
— Pois é, eu também penso assim. Mas minha mãe não vê da mesma forma — explico, balançando a cabeça. — Ela é totalmente contra essa ideia de eu viver só da herança.
— E o que vai fazer então? — pergunta ele.
— Vou pedir uma vaga na empresa do Cooper Barnes.
— Pelo que ouvi, essa empresa é a melhor que existe. — Ele faz um gesto para o DJ. — Ei, coloca outra música aí!
O DJ atende ao pedido e começa a tocar uma batida animada.
— Vamos esquecer isso e nos divertir — digo, indo para onde as pessoas estão dançando, acompanhado por Samuel. Apesar de me sentir um pouco tonto, isso não vai me impedir de curtir a noite. Estou aqui pra me divertir, e é exatamente isso que pretendo fazer. Com a música alta vibrando nos meus ouvidos, sinto o sangue pulsar nas veias e deixo as preocupações de lado. Me perco na batida e começo a dançar com várias garotas.
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Havan Swinton
Só tem três pessoas em casa. A Rielle saiu, o Hero também, e o Isahias. Avan e Thomas foram para a casa deles e só voltam mais tarde. Estou no meu quarto ouvindo música. Tiro os fones e desço as escadas. Faço sinal pro Bruce ficar onde está dormindo. Preciso tomar um copo de leite pra conseguir dormir.
Quando chego na cozinha, vejo a Inanna sentada à mesa tomando leite com chocolate. Amandla está ao lado dela, e as duas conversam em voz baixa, como se quisessem manter segredo. Volto alguns passos e decido me sentar num dos degraus da escada, tentando não fazer barulho.
Ouço Inanna falar, com o tom um pouco mais alto:
— Eu não quero acreditar que o Swen esteja envolvido nisso, mas... a polícia encontrou a pulseira dele no mesmo lugar onde minha avó foi assassinada. Não sei mais o que pensar.
Sinto meu coração acelerar. Elas estão falando sobre o caso da vovó.
— Bem... — Amandla pausa, refletindo. — Talvez ele não esteja envolvido. Quem sabe isso não seja só uma coincidência?
— Eu fui até a casa dele depois de tudo isso.
— E aí?
— Ele agiu de forma bem estranha quando questionei sobre a pulseira. E acho que a polícia já foi lá, mas até agora não sei o que descobriram.
Entendi. A polícia encontrou uma pista, e a Inanna está escondendo isso de todos. É sério. Preciso agir rápido. Me levanto, mas escuto o barulho de um carro chegando lá fora. Corro de volta para meu quarto, tentando não ser vista. Vou até a janela e olho para fora: são só os garotos voltando. Pego meu celular e ligo para meu amigo — preciso da ajuda dele para investigar isso.
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Rielle Swinton
O garoto tirou um chiclete do bolso — era de hortelã — e me ofereceu, mas recusei. Então, ele ligou o rádio e colocou uma música alta e irritante, preenchendo o carro com aquele som insuportável. Ele batucava os dedos no volante, todo empolgado. Tentei desligar o rádio, mas ele me impediu.
— Você não gosta de música? — perguntou, com uma expressão despretensiosa.
— Está muito alto! — respondi, tentando deixar claro o quanto aquilo me incomodava. — Só quero um pouco de silêncio.
Depois de um momento, ele abaixou o volume, o que já foi um alívio.
— Podemos conversar como duas pessoas civilizadas — sugeriu ele, me olhando.
— Como assim? O que você quer dizer com isso? — retruquei, confusa. Por acaso estava me achando mal-educada?
— Quero dizer que podemos ter uma conversa normal, como qualquer pessoa — disse ele, dando de ombros, como se fosse óbvio.
— Olha, só quero chegar em casa. Fim de papo.
— Tudo bem. Mas ainda estamos longe, pelo que vi no seu endereço.
— Então começa você.
— Qual é o seu nome?
— Rielle Swinton.
— Swinton? — Ele me olhou com um ar intrigado, tão concentrado que quase bateu o carro. — Já vi esse sobrenome em algum lugar... Onde foi?
Ele parou o carro, abriu o porta-luvas e pegou um celular.
— Por que você parou?
— Preciso checar uma coisa — respondeu, enquanto mastigava o chiclete de forma provocante.
Depois pegou um jornal, desdobrou e usou a lanterna do celular para examinar algo.
— Achei!
— O quê?
— Você é a neta da Tilda Swinton! Caramba!
— Sim, sou neta dela — respondi, dando de ombros.
— Estou diante da neta de uma das mulheres mais famosas da América!
— Será que pode parar com isso e dirigir logo esse carro? — disse, impaciente.
— Calma, gatinha, só queria lembrar de onde te conhecia. — Ele piscou, e eu revirei os olhos. Ele voltou a dirigir.
— E você, qual é seu nome? — perguntei, mudando de assunto.
— Jace Norman — respondeu, sorrindo.
— E o que você estava fazendo por aqui?
— Estava indo pra casa. Termino meu trabalho essa hora.
— E trabalha com o quê?
— Você é curiosa, hein? — ele riu. — Trabalho numa loja de objetos.
— Ah, tá. E esse carro é seu?
— É do meu pai, mas ele sabe que estou usando. — Ele piscou de novo. — E você, por que estava andando sozinha?
— Ah, eu... — hesitei. — Saí com um garoto, fomos a um restaurante, mas... deu tudo errado.
— Ele fez algo com você?
— Não, foi só que as coisas não saíram como esperado.
Queria que ele mudasse de assunto, não queria pensar mais nisso.
— Se eu jantasse com você, faria de tudo pra ser uma noite romântica — ele soltou.
— Pois é, mas isso nunca vai acontecer.
— Cuidado com o que diz, princesa.
— Meu nome é Rielle.
— Princesa soa muito melhor. — Ele deu uma risada sincera.
Meu celular vibrou. Era mensagem da Inanna, perguntando se eu estava bem. Respondi que sim e guardei o celular.
Jace voltou a batucar no volante, animado, e começou a cantar:
— Baby... Baby...
— Para! — interrompi.
— Eu nem desafinei!
— Claro que sim. Você não sabe cantar. Então, por favor, não cante.
— Eu sou de uma banda, sabia? Sei cantar sim!
— Não sabe. E não cante até me deixar em casa.
— Calma, princesa...
— Rielle!
Ele se apressou a desviar de uma moto que apareceu do nada.
— Fica tranquila, Rielle. Não canto mais.
— É melhor assim.
O silêncio tomou conta. O tempo parecia se arrastar. Esse garoto era insuportável.
Finalmente, ele parou em frente ao casarão.
— Uau! Quando você disse "casa", eu imaginei uma grande, mas isso aqui é um verdadeiro casarão!
— Sim, é um casarão mesmo.
— Espera... não vai me dar um beijinho de agradecimento pela carona?
— Óbvio que não. Mas obrigada pela carona!
Saí rapidamente do carro. Ele mandou um beijo no ar, mas ignorei e entrei.
Inanna estava dormindo no sofá. Ela ficou me esperando... a noite toda? Não acredito. Me aproximei, puxei a coberta pra cobri-la melhor e beijei sua testa com carinho. Depois, subi as escadas devagar, exausta. Tudo o que eu queria agora era descansar.
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