The heat that warms our souls.
5 My good company
Notas iniciais
–Senta, aceita alguma coisa?
–Não, eu vim aqui pra falar com você.
German sentou e eu já não estava aguentando ficar perto dele, era um calor que envolvia meu ar, eu tremia, era uma coisa incontrolável.
–Da licença, eu preciso de um copo de água.
Quando passei em sua frente, German segurou meu braço, pude sentir aquela mão fria de tão tenso que ele estava, era tanto arrepio que meu corpo estralou involuntariamente.
–Angie, senta aqui.
–Você não está entendendo German, eu preciso de um copo de água! -Falei em um tom um pouco mais alto, o-fazendo cair na realidade. Ele soltou meu braço e fui até a cozinha. Sentei na mesa e apoiei as cabeças entre as mãos, fazendo movimentos de negação com a cabeça. Assim não dá, como vou conviver com German, se nem de ficar perto dele eu consigo me controlar? Ele despertava algo em mim que, nem sei. Levantei e peguei na geladeira uma garrafa de água bem gelada, quase congelada, meus braços tremiam e eu não conseguia nem colocar a água no copo, até que alguns respinhos caíram sobre minha perna e eu soltei um pequeno gritinho, fechei a garrafa com um pouco de raiva e tomei em um único gole o que tinha conseguido colocar no copo, depois coloquei o copo na pia e me apoiei nela me fazendo pensar mais um pouco. Fiz German esperar uns bons 15 minutos. Quando voltei encontrei ele paralisado, sentado com as pernas cruzadas no tapete, em frente á mesa de centro, segurando um porta-retrato, ele sentiu minha presença se aproximando e virou a cabeça para trás soltando apenas um "Está tudo bem?" Acenti e ele voltou á olhar a foto. Sua expressão era completamente triste, os olhos cabisbaixos, sem brilho algum. Sentei ao seu lado e apenas coloquei a mão em seus ombros, tinha medo de me aproximar demais:
–É meu pai. -Uma lágrima caiu dos seus olhos, e logo outras em seguida, subitamente tentei enxurgar as lágrimas com minha mão direita, mas não foi possível, e lutando contra todas minhas forças, o abraçei. Pudi sentir novamente o cheiro de seu perfume, German me segurava como se eu fosse fugir, mas de uma meneira aconhegante, que me fez repousar em seus braços e apenas sentir o momento, durou uns longos e bons 3 minutos, mas eu queria aquele abraço para a vida toda. German se afastou e colocou suas duas mãos em meu rosto, o calor corria ferozmente pelo meu corpo:
–Angie, eu preciso que você me perdoe.
–German, olha... Você está se esquecendo, não sou eu que preciso te perdoar, você está aqui, e eu posso ter todos os motivos para odiar a Jackeline, mas aquele dia no shopping eu vi nos olhos dela o quanto ela te ama, e eu não sou capaz de fazer mal á alguém. -German fez uma pressão com as mãos e suspirou.
–Mas eu gosto de ficar com você, estar ao seu lado me deixa...
–German... — Interrompi pois sabia o que ele iria falar, eu também sinto. Fiz gesto de negação com a cabeça e German retirou as mãos com uma cara de decepcionado.
–É melhor eu ir. Não dá. -Sabia muito bem do que ele estava falando. Não era o certo, mas segurei suas mãos e as-coloquei novamente no meu rosto. Fechei os olhos e movi a cabeça o-fazendo sentir minha pele macia, ele tirou meu cabelo de trás da orelha e fez um carinho em minhas bochechas, ele foi se aproximando, mas novamente o-interrompi.
–Só janta comigo hoje. -Abaixei as mãos dele e as segurei. -Só fica. Eu sabia que poderia estar deixando ele maluco mas, eu não poderia ultrapassar barreiras, mesmo com todo o monte de sentimentos.
–Eu fico. -Sua voz era quente e firme, ele que me deixava maluca. Me desliguei daquela transe e levantei.
–O que você gosta de comer?
–Qualquer coisa. -Ele se levantou também.
–Podemos pedir, qualquer coisa? Soltei uma gargalhada, eu realmente não queria fazer comida. German me olhava com um sorriso bobo na cara, e ficou mudo. -Você come japonês?
–É claro que sim! -Pedimos a comida online e depois German veio me ajudar á arrumar a mesa. Ele era bastante caprichoso, colocamos pratos de porcelana, talheres de prato, guardanapos de pano bordados, taças cristalinas e um bom vinho português, German tinha um incrível bom gosto.
–Uau German, ficou lindo.
–Obrigada.
Quando a comida chegou German me acompanhou até a portaria, fez questão de pagar e nos surpreendemos com o comentário do entregador:
–Vocês formam um lindo casal, parabéns.
–Não somos um casal. -Respondi friamente e encarei German.
–Me desculpe, é que... Não é da minha conta, tenham um bom jantar. -Eu saí brava e German veio logo atrás.
–Por que ficou tão brava?
–Ah German, nada, vamos logo que estou com fome.
Subimos, jantamos e ainda tivemos um bom papo, German foi embora cerca de 00:30h
–Tchau Angie, até amanhã. -German colocou a mão em minha nuca, foi deslizando seus dedos em meu pescoço e me deu um suave beijo na bochecha. Era o desejo sendo expressado pelo corpo, calafrios, tremedeiras... Era uma sensação maravilhosa, estar com ele. Mas mesmo não querendo eu tinha que me despedir.
–Até amanhã. -Fechei a porta e fui direto para o quarto, me aconcheguei nas cobertas, imaginando novamente o calor de German sobre mim, mas era só ilusão, impossibilidades. Dormi feito anjinho, lembrando de cada momento que passara com German nessa curta noite.
–German
Cheguei em casa com um sorriso bobo ainda estampado em minha cara, por sorte, Jackie estava dormindo, á observei e refleti por um minuto, como poderia á deixar? Ela era tão feliz, seria eu o canalha á acabar com isso dela? Mas ao lembrar de Angie, o seu toque, sua voz, sua pele macia, seus cabelos... Tudo nela me deixava maluco, ela valia a pena. Não ms senti confortável ao me deitar com Jackie e acabei me deitando no sofá da sala de tv, amanhã eu sairia antes dela. Coloquei apenas uma camiseta com e uma cueca shorts, e dormi lembrando de cada momento que passara com Angie nessa curta noite.
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