The girl from LA
12 Minta ou omita
Notas iniciais
Pov Oliver Queen
Eu estava tão feliz que diversas vezes ao dia precisava me monitorar.
Primeiramente, assim que o bar abriu decidi que eu mesmo faria o café hoje. John achou estranho, já que eu geralmente ficava na parte do bar e cortar lenha, porém apenas deu de ombros. Já na hora do almoço, fizemos uma rodada grátis de cerveja devido ao enorme peixe que os pescadores haviam pegado no rio e foi ali que eu notei.
Eu estava exagerando.
Ou eu me controlava ou todos iriam descobrir.
Mas eu só queria gritar de felicidade.
Ainda não acreditava que o dia anterior havia de fato acontecido, nem que eu e Felicity estávamos assim, nesse novo caminho misterioso qual eu estava louco para passar horas e horas desvendando seus mistérios. Iriamos com calma, ainda mais pelo término do seu casamento. Ela não me falava muito de Ray, mas era notável seus sentimentos. Eu não sabia o que Ray havia feito, no entanto, isso machucou Felicity de tal forma que ela se fechou. Eu não iria forçar nada, iríamos nos descobrindo, e se no final ela me quisesse, eu seria muito feliz.
Sorri amargo.
Viver com essa constante dúvida me incomodava um pouco, ainda mais com a possibilidade dela voltar para o ex marido a qualquer momento, mas eu tentava não pensar muito nisso. Iria pensar no agora. Em seu sorriso, sua presença, seu cheiro, seu gemido…
— Oliver?
Me despertei, encarando Diggle que me ajudava a organizar as coisas pós almoço. O dia havia sido movimentado, e Roy, que limpava as mesas, já retornava com mais pratos. Fingi minha melhor neutralidade e perguntei:
— Sim?
— Você está estranho hoje. Aconteceu alguma coisa?
— Não.
— Tem certeza?- Cruzou os braços, franzindo as sobrancelhas.- Não quer me falar nada?
Claro que eu quero. Mas não posso!
— Eu estou bem, John. Relaxa.- falei de uma maneira desinteressada.- Não precisa se preocupar.
— Ah, eu não estou preocupado. Você parece estranhamente feliz.- comentou confuso.
Peguei uma caixa de vinhos fechados, ficando de costas e comecei a abri-la.
— Talvez eu esteja.- sorri sem que pudesse ver.
— Isso é bom.
Comecei a repor as garrafas quando ouvi a porta abrir. Sara caminhava aparentemente feliz. Bateu na mão de Roy, cumprimentou John e se dirigiu a mim, puxando um banquinho ao redor do balcão, enquanto me via enfileirar as bebidas nas prateleiras de vidro. Terminei e lavei as mãos, indo ao seu encontro.
— Como estão as coisas?- a cumprimentei.
— Tudo ótimo. Retornamos com as obras no chalé da Felicity. Acho que vou levá-la para ver a casa até o fim da semana.- sorriu animada.- Ainda mais que ela queria ir embora.
— Talvez isso possa a fazer mudar de ideia.- fingi seriedade.- Mas acho que ela está melhor. Conversei com ela ontem.
— Meu pai disse que ela não foi trabalhar, não estava se sentindo bem.- concordei com a história.- Pobrezinha, não sabia do bebê. Mas sei que você sabia.
Entreabri os lábios.
— Não precisa se justificar, tudo bem.- me deu um empurrãozinho no ombro.- Se ela pediu para não contar você fez mais que certo.- sua expressão mudou.- Oliver, eu não quero me intrometer seja lá como funciona esse lance de vocês…- estava pronto para refutá-la.- mas Laurel pode ser um problema.
Fiquei realmente sério agora.
— Como um problema?- perguntei em tom baixo.- Eu e sua irmã já conversamos.
— E ela não está nem um pouco feliz. Você conhece a Laurel. Eu a amo, mas sei que pode ser maldosa quando quer.- suspirou.- Ela está mais quieta agora devido a gafe que deu com o bebê, mas creio que isso vai passar logo.
Assenti, pensativo. Eu não tinha ideia do que Laurel poderia fazer caso descobrisse que estamos juntos. Apertei o ponto entre as sobrancelhas.
— Fique atento, só isso. Gosto muito da Lis, se Laurel fizer algo que a faça se sentir mal pode ter certeza que eu e meu pai iremos repreendê-la, mas…
— Foi bom você avisar.- segurei sua mão.- Obrigado, Sara.
— Sabe que pode sempre contar comigo.- sorriu.- Eu estava pensando…
Involuntariamente sorri.
— Sabia. O que quer?
— Como os ânimos estão aflorados, poderíamos sair com o pessoal. Dar uma voltinha em Eureka.- ponderei.
— Thea que deu a ideia, não é?- eu já sabia a resposta.- E falou com todos me deixando por último, não é?
Sara deu de ombros, apenas ri. Gritei John e Roy.
— Vocês vão a Eureka?
— Sim.- responderam em uníssono, Voltei a encarar Sara, arqueando as sobrancelhas.
— E então?
— Deixe de ser insuportável. Você vai ou não?
Suspirei. Eu veria Felicity, isso seria bom.
— Quando?
— Amanhã à noite.
— Tá. Diga a Thea que vou.
— Certo.- falou animada pegando seu celular.- Coloca uma dose de whiskey pra mim, por favor.
Rapidamente coloquei a dose em seu copo e conversamos um pouco mais. Ela me contou um pouco de Tommy, relatando que haviam voltado a ficar às escondidas. Ela parecia feliz, mas estranhamente preocupada. Tentou mudar o rumo da conversa, me contando suas aventuras com meu amigo. Balancei a cabeça, evitando imaginar as coisas que ambos faziam sozinhos. Sara foi embora e eu saí para ajudar Talia com um carregamento. Cheguei em sua fazenda, a vendo de longe com caixas e mais caixas de verduras. Haviam tomates, pimentão e até mesmo couve e repolhos. Estacionei perto de seu celeiro e desci, colocando as mãos no bolso de minha jaqueta. A vi erguer os olhos, assustada, e sacar uma arma. Ergui os braços.
— Ou ou! Sou eu, Talia.- franzi as sobrancelhas, estranhando seu comportamento.- Sou eu. Oliver.
Sua feição assustada relaxou. A mesma abaixou sua pistola, a colocando na cintura e a escondendo embaixo da blusa. Levou sua mão até o peito, onde respirou de forma profunda, na tentativa de se acalmar.
— O que foi isso?- perguntei, preocupado. Talia olhou para os lados, como se esperasse que alguém houvesse me seguido.
— Na..Nada.- mentiu. A encarei profundamente.- Me envolvi em um negócio.
— Que negócio?
— Não posso dizer.- fechei a cara.
— Tem haver com Slade?- seus lábios se entreabriram. Balancei a cabeça.- Inacreditável, Talia.
— Eu só…
— Ele é perigoso. Você sabe, já nos envolvemos com ele antes.- falei nervoso.- O que descobriu?
— Eu realmente não posso dizer. Se eu fizer isso vou te colocar em risco, e não é surpresa para ninguém que você está na lista dele.
— Eu não me importo.
— Mas eu me importo.
Massageei a testa e assenti, contrariado. Slade me odiava havia muito tempo e eu duvidava que algum dia isso iria deixar de existir. Devido ao acordo de manterem a guerra fora da cidade não tivemos mais tantos conflitos, até recentemente. Encarei Talia, sabendo que ela estava se envolvendo em algo perigoso.
— Se algo acontecer. Se algo der errado…
— Você vai saber, eu prometo. Não se preocupe, sei me cuidar.- sorriu.- Agora vamos fazer essas entregas, Queen? Quero ganhar minha bonificação na feira.
— Vou conseguir uns legumes bons pro bar?- brinquei, enquanto levantava uma das caixas.
— Quantos quiser.
***
O movimento do bar havia diminuído à medida com que a noite caia. Muitas pessoas da região dormiam cedo, então estávamos quase fechados. Estava entrando na cozinha, carregando uma bandeja com pratos quando ouvi o soar da porta. Continuei a andar, sabendo que Roy estava lá fora e poderia atender.
Um Diggle cansado sorriu ao me ver lavando o restante da louça, e o ajudando a finalizar a cozinha.
— Pode ir pra casa. Você é o nosso cozinheiro preferido, não precisa ficar aqui até tarde.
— Queria te ajudar. Os dias não foram fáceis pra você.- comentou em tom baixo, cruzando os braços.
Encarei a porta que permanecia fechada e me encostei na pia, pegando um pano de prato para secar as mãos.
— Vou contratar mais gente pra cá.- informei.- Somos sócios. Você merece alguém que te ajude.
— Eu te ajudo com o trabalho, cara. Era o meu sonho montar uma coisa assim, mas se não fosse por você eu jamais conseguiria.- iria refutá-lo, mas Dig continuou.- Não quero forasteiros na minha cozinha.
Gargalhei.
John era realmente ciumento com os seus pratos. Eu também cozinhava, já que amava fazer isso, especialmente os doces, mas eu sabia que ele apenas me aturava. O meu lugar era lá fora, atendendo os clientes, cuidando da burocracia e estoque, e aqui era seu santuário sagrado. Coloquei minha mão sob seu ombro.
— Certo. Vou contratar gente para ajudar Roy.— sua expressão ficou comicamente mais feliz.- Certo?
— Certo.
Terminei de organizar as coisas até que estranhei a demora de Roy. Eu tinha certeza que um cliente havia entrado, mas por que não pediu nada?
— Roy ainda está lá?- perguntei a John. O mesmo foi verificar e retornou com um sorriso malicioso. — O que é?- falei em desgosto, já me preparando devido às suas expressões.
— Felicity está aí, e sozinha.- arqueou as sobrancelhas.
Algo dentro de mim se remexeu em felicidade. Eu não havia a visto o dia inteiro. No entanto, não podia demonstrar minha alegria e devido a isso, apenas assenti, dando de ombros.
— Eu vou fingir que não sei o que está acontecendo porque ela não deve querer espalhar. Mas…- o encarei enquanto tirava o avental.- É óbvio.- jogou o pano de prato no meu rosto.- Boa noite, Oliver! Pode deixar que eu levo Roy pra casa.- o vi aumentar a voz na medida que saia. Revirei os olhos e prendi um sorriso.
Ele sabia.
Filho da mãe.
Mas como? Eu estava fingindo tão bem! Tá, vou ser humilde, eu estava tentando me sair bem. Larguei as coisas, dando os últimos retoques e fui até o bar onde lá estava ela. Linda, sorridente, que me desmanchava inteiro.
Simplesmente estonteante.
Dei um suspiro trêmulo, sentindo minhas mãos suarem. Não fui até ela primeiramente, o que a deixou confusa, mas ao me ver trancar a porta do bar sorriu novamente. A vi correr em minha direção e me abraçar me dando vários beijos.
— Acho que tenho que ficar mais tempo sem você para me receber assim.- brinquei, a beijando de novo. O nervosismo deu lugar a outro sentimento, qual eu estava adorando experimentar. Ergui Felicity no balcão, a deixando sentada enquanto eu ficava no meio de suas pernas.- Senti saudades.- murmurei.
— Eu também , nossa.- reclamou.- Não sabia que seria tão difícil manter isso em segredo.- sua mão acariciou meu rosto.- Foi difícil pra você?
— Fiz uma rodada grátis de bebida hoje, então…- a escutei rir.
— Você fez o quê?
— Eu estava feliz, oras!- tentei me defender. Seu riso gostoso ecoou pelo local, e eu, como um bobo, a admirei sem dizer uma única palavra.
Felicity pendeu a cabeça um pouco para o lado tentando me decifrar. Permaneci a encarando, notando a luz alegre em seus olhos, a forma como seus fios loiros caiam até pouco abaixo do seu ombro, e os lábios…Tudo se completava em harmonia em uma verdadeira obra de arte e eu, como um mero apreciador, se estagnava com tanta beleza. As coisas mais simples em Felicity, desde sua mania de murmurar pensamentos ou forma como ela atendia seus pacientes me deixava completamente embasbacado. Eu não sabia explicar como ou o porquê, apenas…Sentia. Suspirei fundo, me dando conta do quão importante aquela mulher estava se tornando para mim. Era perigoso e eu provavelmente quebraria a cara, no entanto, não me importava com isso. Se eu pudesse sonhar, estaria exatamente ali, olhando para ela.
A vi dar um sorriso tímido e erguer a mão, acariciando meu rosto. Seus dedos deslizavam por minha barba, até que puxou levemente meu rosto, encostando nossos lábios. A maciez de sua boca, e a língua esperta logo transformaram a atmosfera. Retribui na mesma intensidade, segurando sua nuca enquanto me deleitava em nossos movimentos. Meus lábios beijaram o canto de sua boca, seu pescoço e resgataram sua boca novamente em um beijo profundo. Senti sua mão deslizar por meus ombros, até que nos afastamos, ofegantes. Alguns minutos se passaram até que normalizamos a respiração, e eu a dei mais um selinho.
— Você é um perigo, sabia?- a vi perguntar, ruborizada.
— Aé?- Ergui as sobrancelhas, divertido.- Por que diz isso?
— Porque você é…Você.- disse indignada- Fica com esse olhar penetrante aí, e com esses beijos maravilhosos…
— Maravilhosos?- a provoquei, beijando seu pescoço. Um pequeno gemido a escapou.- E o que mais?
— Você…- sua voz falhou novamente à medida que meus beijos iam descendo.- Você…- cheguei ao seu decote.- Caramba, Oliver!
Ri e me afastei, a encarando divertido. A Ajudei a descer e fomos para o meu escritório, já que qualquer um poderia de fato, chegar até nós com facilidade se estivéssemos no bar. Sentei no pequeno sofá, a puxando para ficar ao meu lado, onde permanecemos abraçados.
— Como foi o trabalho?- perguntei. Felicity suspirou.
— Foi bom, eu acho.- comentou incerta.- Laurel estava me olhando esquisito hoje.- disse em tom baixo, acariciei seus cabelos.- Não disse nada, acho que ainda por conta do bebê mas…- deu um suspiro profundo.- Ela claramente não gosta que eu trabalhe com o doc. Imagina quando ela descobrir de nós.
Soltei um gemido desgostoso. É, eu podia imaginar.
— Laurel é uma pessoa…Complicada.- tentei não ofendê-la.- Mas se ela começar a pegar no seu pé, a enfrente.
— Ela gosta de você.
— Não, não acho que chegue a isso.- disse pensativo. Eu já havia analisado minha antiga relação com Laurel muitas vezes, e sempre chegava à mesma conclusão.- Ela está chateada porque eu não a quero mais. É só isso, ego. Logo logo ela nos deixará em paz.
A vi assentir e soltar um suspiro profundo. Eu entendia sua preocupação, especialmente após Laurel ter me beijado. Felicity havia ficado insegura quanto a nós, e eu responderia mil perguntas se isso fosse necessário para ela ficar bem. Apertei sua cintura e beijei sua cabeça, inspirando o doce cheiro de seus fios loiros.
— Fiquei sabendo que vamos a Eureka.
— Vamos é?- perguntou divertida. Se arrumou no sofá, ficando de frente para mim.- Sara?
— É.- a vi sorrir.- Acho que vai ser uma das coisas mais difíceis que vou ter que fazer.- falei com pesar.
— Por quê?- perguntou preocupada. Sua mão parou em meu ombro e o apertou.- Oliver, se algo estiver te incomodando você pode me contar.
— Na realidade tem sim.- suas feições pioraram. A vi arrumar a postura e me aguardar atenta.- É que eu…- fingi que segurava o choro.- Eu…Eu acho que não vou conseguir passar uma noite toda do seu lado sem te beijar.
Seu olhar mudou drasticamente para o mais puro julgamento. Ri de sua reação, e a mesma deu um empurrãozinho em meu ombro, tentando permanecer de cara fechada, mas um sorriso a escapava.
— Você é um ser desprezível.
— Eu sei. É o meu maior charme.- dei de ombros em tom esnobe, Felicity revirou os olhos.
— Como alguém consegue ser assim tão…
— Interessante? Bonito?
— Eu iria dizer esnobe, mas acredito que essas palavras aí sirvam.
Rimos mais uma vez até que o silêncio se fez presente. Sua mão delicada desenhou meu maxilar com a mais pura afeição, até que desceram para minha nuca. Eu sabia que ela estava pensando, estava pensando em nós, e em como o último dia fora de fato um divisor de águas. Tudo era novo, elétrico e sem sombra de dúvidas misterioso.
Eu estava com medo também.
Medo do que aqueles olhos azuis acabariam fazendo comigo no final.
Porque eu já estava começando a me sentir completamente rendido a eles.
— Você está preocupado.- me despertou. Pisquei os olhos e me levantei, a estendendo a mão.- O que foi?
— Só…Você.- falei confuso, dando um suspiro.- Nós. É díficil acompanhar a mudança que um dia nos ocasionou.
Felicity sorriu e concordou, passando seus braços ao redor do meu pescoço. Apertei sua cintura e a encarei, apaixonado.
— As coisas mudaram rápido. Mas vamos ir dando um jeito…O que foi?- questionou ao ver minha cara surpresa.
— Não vai dizer que esse é o momento onde limitamos as coisas? Não vai fugir?- Felicity sorriu ao negar.
— Você ainda vai ter um trabalhinho comigo.- zombou.- Eu não sou fácil.
— Amo desafios.- respondi prontamente, a fazendo rir, acabei por a acompanhar.
— Ok, tenente.— meu corpo se arrepiou, engoli em seco. Era impossível eu começar a me sentir assim apenas por ouvir uma palavra. Chegava a ser ridicu…- Espero te ver amanhã bem bonito.- me distrai com sua mão, que maldosa, escorregou pela minha camisa.- Ok?
— Ok.- respondi automático, me segurando para não beijá-la ali e agora e a levar comigo para minha mesa. Seu sorrisinho cínico era a prova viva de que ela sabia exatamente que eu estava me segurando.
— Ótimo.- sua boca se entreabriu.- Boa noite. Sonhe comigo.
A mesma piscou e eu ri, calorosamente. A acompanhei até o carro, dando um selinho rápido quando abaixou o vidro.
— Não vejo a hora de poder ir para o meu chalé.
— Logo logo ele ficará pronto. O que vai ser ótimo.- inclinei meu rosto, deixando minha boca a centímetros de sua orelha.- Assim ninguém suspeitará quando eu pegar você emprestada um tempinho.
A vi soltar um murmúrio baixo, e quando a olhei não sabia distinguir quem estava mais vermelho, ela ou o carro. Dei um peteleco em seu nariz e a beijei mais uma vez, falando para que me mandasse mensagem assim que estivesse em casa. Assisti seu carro se distanciar e fiquei parado ali, sentindo a brisa gelada de Virgin River passar por meu corpo. Eu estava tão feliz, tão feliz que poderia gritar ali, no meio daquela noite vazia, mas me contive. Logo a euforia passou, dando lugar a preocupação. Me recordei de Slade, e suas palavras, deixando claro que não perderia a chance de estourar a minha cabeça. No entanto, não era isso que me preocupava.
Mas sim ela.
Felicity.
Ela ainda estava assustada, e eu acreditava que esse trauma ainda duraria um tempo. Não falamos mais da reserva, o que eu achava bom, por hora, até que as coisas se acalmassem. Mas ela havia ficado exposta, havia os enfrentado, e de certa forma, chamou a atenção de Slade.
E isso me fazia perder a cabeça.
Nosso passado era turbulento, e ele me culpava de algo que eu realmente acreditava que havia sido minha culpa, mesmo não tendo sido eu quem efetuou o disparo. Slade era vingativo e impiedoso, porém parecia seguir uma espécie de código de honra.
Eu não sabia em qual página eu estava, mas acredito que ele não envolveria Felicity nisso.
Assim eu espero.
De repente, me senti mal de novo.
Voltei para o bar e limpei tudo. Anotei quais alimentos precisaríamos repor, quantas bebidas haviam sido mais consumidas e por último, os doces que mais saíram, para que Thea dobrasse a remessa deles. Tranquei tudo e dirigi até em casa, passando pelas estradas silenciosas da cidade, que parecia em um sono tranquilo. A muito tempo eu já estava acostumado com essa plenitude da cidade. Tão serena. Tão calma.
Tão diferente do meu batalhão.
Balancei a cabeça, soltando um suspiro. Às vezes eu sentia muita falta. Às vezes eu desejava nunca ter ido.
Era complicado.
Voltei a prestar atenção na estrada depois do meu breve momento de reflexão, notando as luzes acesas, indicando que Thea estava em casa. Estacionei em nosso gramado e subi as escadas de pedra, pegando a chave em meu bolso. Ela estava ali no sofá, com cookies e um café, assistindo a um programa de tv. Me sentei ao seu lado, roubando um de seus doces enquanto me encostava no sofá. A vi fazer cara feia mas depois sorriu, e estendeu o pote para que eu pegasse mais.
— Canela. Que delícia.- suspirei, degustando o cookie.- Você realmente aprendeu, hein Speedy?
— Pra quem fazia as primeiras remessas queimadas realmente está muito bom.- Rimos juntos. De repente o sorriso de Thea se foi.- Mamãe ligou.
Assenti, desviando o olhar para a tv.
— Perguntou como estávamos. Perguntou de você.- continuou.- E claro, falou da empresa.
Revirei os olhos.
— É claro que falou.- comentei em tom baixo. Me chateava saber que ela ainda estava irritada comigo por simplesmente seguir com a minha vida em outro lugar.- E…?
— Nada.
— Thea.- a olhei incrédulo.- Diga.
Ela hesitou.
E foi ali que eu vi que realmente fora algo ruim.
Ri, sem emoção e me levantei do sofá, indo em direção ao nosso bar e levando um whisky. Thea me acompanhou até a cozinha, onde se sentou ao redor da mesa enquanto eu nos servia. Virei a dose de uma vez.
— Fico me perguntando por quanto tempo ela vai me odiar.- tomei mais uma dose.
— Ela não te odeia, Ollie.
— Odeia sim.- sorri. Balancei a cabeça, irritado.- Eu simplesmente não consigo entender o porquê dela não conseguir respeitar as minhas decisões. Eu não a julguei quando voltei e a vi praticamente casada com um dos melhores amigos do pai. Porque eu sabia o que ela passou. Mas ela…- me atrapalhei. Tentei controlar a minha respiração.- Ela não faz questão de entender a minha dor, Thea.
Coloquei o copo na mesa e apoiei minhas mãos na beirada, abaixando a cabeça. Eu amava a minha mãe, muito. Mas me doía saber que ela me odiava por uma coisa tão pequena e que não fazia muita causa de me entender. Era como se eu houvesse falhado com ela.
Às vezes eu acreditava que sim.
Dois braços pequenos me abraçaram por trás. Thea deu um pequeno beijo em minhas costas e foi para o meu lado, erguendo meu queixo com a mão.
— Eu amo você e tenho muito orgulho da pessoa que você é. Principalmente porque…- sua voz embargou e foi minha vez de abraçá-la.- Ah, Ollie. Eu tenho tanta vergonha.
— Ei. Passou. Tá tudo bem.- beijei sua cabeça.- Eu jamais vou deixar nada acontecer com você.
— Queria poder retribuir da mesma forma.- disse em tom abatido.
— Você já retribui.- sorri.- Imagina como seria a minha vida aqui sem as suas ideias mirabolantes?- a escutei rir.
— É.- concordou se afastando. Seu olhar mudou para malicioso.
Ah, ótimo.
— Uma dessas ideias será amanhã em Eureka.- arqueou as sobrancelhas.- Felicity vai.
Tentei transparecer a figura mais plena possível.
— É?- comentei como se não fosse nada.
Se ela soubesse que estávamos juntos a poucas horas atrás…
— É.- me deu um empurrãozinho.- Você tem que agir, Oliver!
— Tudo tem seu tempo.- a escutei bufar como uma criança.- Por que não se preocupa com a sua vida, hein?
— Porque eu não quero.
— Mas deveria!- a vi rir.- Olha só. Estávamos quase chorando e agora estamos rindo aqui.
— Esse é o jeitinho Queen de resolver as coisas.- brincou.- Deixa que eu arrumo a louça. Você precisa descansar.
Assento e a dei um beijo na testa de boa noite, me preparei para subir quando a ouvi me chamar.
— Amanhã vai ser legal.- disse entusiasmada.
Sorri e confirmei.
— Vai sim.
Entrei em meu quarto, tomando um banho demorado. Tentei pensar em coisas boas, como em Eureka por exemplo, e em como seria engraçado fingir que eu e Felicity não estávamos juntos. E assim adormeci.
Sem pesadelos.
***
O dia amanheceu abafado. As 5 horas da manhã pequenos raios solares passavam de dentre a copa das árvores, formando pequenas tiras douradas em seu interior. Decidi correr um pouco, apreciando uma das manhãs mais lindas que eu já vira na cidade, algo incomum na época do ano, já que se preparava para esfriar. Aproveitei e adentrei ainda mais a floresta, sem fone de ouvidos pare me acompanhar. A sinfonia emitida esse horário pela natureza era a melhor canção que eu poderia presenciar. Havia a correnteza dos rios, o canto dos pássaros, o vento balançando os galhos…E claro, o ar puro.
Um verdadeiro paraíso.
Parei para respirar um pouco, brincando com a terra em meus tênis. Uma das coisas que eu gostava de fazer para ter momentos de reflexões era estar em contato com a natureza. Isso me acalmava.
Acho que era por isso que eu havia parado aqui afinal.
Voltei para casa, preparando um café para Thea e logo após tomei um banho. Peguei minha picape e dirigi até o Queens, me controlando para não passar na pousada e ver Felicity. Era inquietante não poder vê-la.
Porém eu a veria hoje a noite.
Estava ansioso.
Fiz o que tinha que fazer no bar, deixando os dois funcionários novos responsáveis por fechá-lo. Eram dois amigos de Roy, bons garotos e já estavam acostumados com nossa rotina. Dei as instruções e às cinco horas fui para casa.
Eu estava estranhamente agitado.
Thea já estava se arrumando e me repreendeu pela demora. Tomei um banho, aparando a minha barba calmamente. Decidi que colocaria uma calça cinza, uma camisa branca e minha jaqueta caramelo. Passei perfume, dando uma última olhada para ter certeza se estaria apresentável para Felicity e desci encontrando minha irmã passando batom.
— Como você está linda.- dei um beijo no topo de sua cabeça, a fazendo dar uma voltinha. Thea trajava um vestido bege solto, que ia até a altura de seus pés.
— Você também está um gatinho. É para alguém em especial?- me alfinetou. Revirei os olhos.
— Continue assim e eu não te levo.
Thea apenas mostrou a língua. Ligou para Roy, avisando que estávamos saindo e para que ele nos esperasse em um determinado ponto. Assim que o mesmo entrou no carro, partimos para Eureka.
As estradas sinuosas até a cidade necessitavam de mais iluminação, isso era um fato. Os altos pinheiros nos cercavam por todos os cantos, e a Lua, enorme no céu, ficava entre eles, nos guiando até a cidade portuária. Liguei o rádio, me deliciando ao som de Figure Eight de Trophy Eyes. Batuquei o volante com a ponta dos dedos, cantando a música baixinho. Era uma música linda, muito linda, e nesse meu momento de paixão, eu conseguia imaginar perfeitamente quem era a “ star in my eyes”. Ri comigo mesmo.
Eu estava pateticamente apaixonado.
Nem eu mesmo estava me aguentando.
“ I wish you could feel it like i do”
Certo, essa parte doeu.
Balancei a cabeça, sem deixar de sorrir. Mas caramba, havia acontecido! Tudo o que eu queria estava acontecendo. Era novo. Era gostoso. Era intrigante. E, ao mesmo tempo, incerto. Como eu havia dito, eu jamais cobraria nada dela, eu só queria que ela confiasse em mim, como estava fazendo agora. Isso era motivo o suficiente para me deixar feliz, porém, eu ainda estava receoso com o seu esposo. Ela parecia amá-lo muito ainda, e se ele decidisse voltar…Meu coração se apertou e eu troquei a estação de rádio. Aquela música não estava me deixando calmo como antes.
As luzes de Eureka apareceram dentre a floresta. Como o previsto, a cidade estava em mais uma noite agitada. Carros passando pelos faróis, pessoas e mais pessoas entrando em estabelecimentos a procura de diversão. Nosso destino ficava ao lado do mar, um restaurante chamado Station. Sua arquitetura era charmosa, completamente espelhada, nos dando uma vista maravilhosa das ondas da praia. Estacionei logo ao lado, e quando descemos, Thea pediu para que esperássemos um pouco. Me encostei na porta do carro e cruzei os braços, tedioso, até que eu a vi.
Felicity trajava um macacão curto, com longas mangas na tonalidade vinho. Seu cinto, também da mesma cor, desenhavam sua cintura, o que me deixou sem ar. Ela era linda. Uma obra de arte. Uma obra de arte que sorria diretamente para mim.
Retribui, afetado, porém permaneci na mesma postura. Se eu parecesse desinteressado, as pessoas não notariam. Felicity, entendendo meu jogo, apenas piscou de longe ao cumprimentar Thea. A vi chegar mais perto e então a dei um abraço rápido.
— Você está deslumbrante.- cochichei em seu ouvido ao nos separarmos.
— Você também, tenente.- disse com sua voz sedutora.
Me segurei, para não beija-la ali e voltei a me encostar no carro. Esperamos Tommy por mais alguns minutos até que o vi chegar, acompanhado de Sara. Arqueei as sobrancelhas em questionamento o mesmo apenas sorriu descaradamente. Sorri de canto, balançando a cabeça em negação.
Tommy e Sara estavam realmente saindo de novo.
Já podia ver Quentin o dando um mata leão.
Logo, os Diggle se juntaram a nós sem a minha amada afilhada Sarah que ficou com a babá. Eu os conhecia havia anos, e no momento em que descobri que seria padrinho da filha deles foi um dos momentos mais felizes da minha vida. John era meu irmão, e ter o privilégio de poder cuidar do seu ser mais precioso do mundo mexeu muito comigo, o que me surpreendeu, já que eu nunca imaginei que fosse gostar tanto de crianças.
Adentramos o restaurante, com nossa mesa reservada na varanda ao fundo, que ficava na área aberta. Felicity se sentou em minha frente, me lançando um sorriso de canto.
— Aqui tem várias comidas gostosas, Lis. Você vai amar.- comentou Thea, animada.- Vai ser melhor do que aquela vez.
— Ah, eu espero mesmo que a última vez não se repita.- riu, sem graça.- Derrubar o prato não foi muito legal.
Com um sorriso mínimo, tentei me controlar para não demonstrar que eu havia ouvido, acidentalmente, o assunto em meu bar, quando elas chegaram de Eureka a última vez. Felicity notou minha tentativa falha e meu questionou com o olhar, que eu respondi com um balançar de ombros.
— E então, Tommy. Fiquei sabendo que a Bertinelli está espumando por sua causa.- Lyla disse animada. Meu amigo revirou os olhos.
— E é por isso que eu apenas sumo, Felicity. Teria me custado menos um tapa na cara já que ela está agindo assim.
— Você seria um canalha se não tivesse contado que não estava mais a fim de sair com ela, Tommy. E nós sabemos que você é um canalha, mas nem tanto.- o comentário de Felicity fez todos rirem.
— Fico encarecido com a sua declaração.- meu amigo tocou no coração.- Mas eu não sou um canalha.
— Defina “canalha” Tommy.- zombei, os fazendo rir.- Dependendo de suas variações, você pode se encaixar em uma delas, ou todas elas.
— Seja bonzinho, Ollie. Ou ele vai chorar.- Thea fez um biquinho e Tommy revirou os olhos.
— Vocês são chatos pra caralho.
Rimos mais uma vez, até que um garçom veio nos atender. Ao se trabalhar nesse ramo, avaliar a concorrência acontece de forma natural. Quando dei por mim, estava com Diggle, analisando o cardápio e conversando com um dos donos, contando sobre nosso restaurante. Ganhamos pratos para degustação, que todos adoraram. Uma banda, composta por dois baixistas e uma cantora começaram uma apresentação, contagiando a clientela. Felicity estava com Lyla e Sara, dançando animadamente enquanto eu permanecia com Diggle e Tommy. Seu olhar encontrou com o meu. Provocativo, caloroso, cheio de intenções. Acompanhei seus próximos movimentos, que me fizeram molhar os lábios com a língua. Ela estava linda. Ela era linda. E a forma que dançava…Tomei um gole de minha cerveja, sem mais escutar o que os caras diziam.
Meus olhos apenas seguiam ela.
Uma onda elétrica percorreu meu corpo. Apertei o copo com força, tentando controlar a vontade absurda de ir até ela. Felicity permanecia a me encarar uma vez ou outra, até que indicou com a cabeça o andar de cima. Entendi seu recado, e dando uma desculpa esfarrapada, subi. Mesmo distantes no salão, eu sentia seu olhar em mim, mas não me virei, apenas continuei até o segundo andar.
A atmosfera era um tanto mais privativa. Havia uma varanda, que também continha mesas, porém estavam vazias, e foi exatamente ali onde eu a esperei. O barulho das ondas quebrando era mais alto, apesar da música. Me encostei no parapeito, apoiando os cotovelos e a aguardei. No momento que senti sua presença, puxei o ar. Ela apareceu, sorridente, naquela roupa que estava me enlouquecendo. Felicity me encarou por alguns minutos sem dizer uma única palavra, o que me deixou nervoso e com o coração acelerado. A maneira que seus olhos encaravam os meus, misteriosos e maliciosos…Estufei o peito ao sentir suas mãos tocarem o meu rosto, para só então me puxarem para um beijo.
Qual eu correspondia desesperadamente.
A sensação era de que eu havia ficado muito tempo longe dela e o meu corpo, e agora necessitado, como se estivesse sem oxigênio em seus pulmões, queimavam por contato. Suas mãos, atrevidas, desciam por meu pescoço. Apertei sua cintura, a escutando gemer, e então levantei sua coxa, nos trocando de posições. Felicity arfou, e eu desci meus lábios por seu pescoço, a dando uma pequena mordida ali. Fechamos os olhos e respiramos profundamente, embriagados com a respiração um do outro. Observei seu rosto, até que o mais lindo dos sorrisos se formou.
— Olha…Isso não estava no nosso acordo.- falou ofegante. Ri, também cansado.
— Se eu soubesse que você iria vir assim…- soltei sua coxa, a qual eu ainda segurava, descendo para suas costas.- Eu teria me preparado melhor.- suas bochechas queimaram, envergonhada.
— Achei que os soldados soubessem fingir bem.
— E sabem. Mas você, Lis, é uma exceção a todas as coisas.- um pequeno sorriso se formou em seus lábios.
Acariciei seu rosto com carinho, dando um beijo na testa. Felicity se virou para encarar a praia, e eu a abracei por trás fortemente, e ficamos assim juntos por um tempo, onde nada mais importava. A única coisa que eu pensava era nela, e em como o meu corpo se sentia em paz com ela. Mas logo a realidade nos atingiu e eu sabia que teríamos que voltar.
— Vou trazer você aqui.- cochichei em seu ouvido, beijando seu pescoço.-Na verdade estou planejando te levar em outro lugar.
— Está é?- eu conseguia sentir seu sorriso.- Onde?
— — Surpresa.- ri de seu tom bravo.- Uma noite só nossa.
— Isso parece muito bom.- comentou baixinho.- Música, vinho e comida boa.
— Não me vi nessa lista.
— Eu estava listando as importantes!- brincou. Ri de seu comentário e enterrei meu rosto na curvatura de seu pescoço, onde inalei seu perfume.- Oliver?
— Sim?
— Eu adorei hoje.
Sorri e beijei o topo de sua cabeça.
— Fico feliz que esteja gostando.- ela merecia relaxar, especialmente devido aos acontecimentos recentes. O bebê, Evelyn, Laurel…- Você merece relaxar, Lis. Principalmente depois de tudo.
Seu corpo virou para o meu, nos deixando frente a frente. Suas expressões faciais estavam acentuadas.
— Me desculpe por ter sido tão radical com você sobre a Laurel.- comentou baixinho.- Depois de Ray eu me fechei muito. Eu só…- suspirou cansada.- Eu só estou farta de ser pega desprevenida, e de me machucar.
Lembrei de sua briga com Caitlin, onde a mesma relatou estar cansada de ver as pessoas que ela amava indo embora.
Isso se aplicava a Ray também?
Ele havia a deixado depois da perda do filho?
Me deixava irritado imaginar que aquele homem havia a abandonado no momento em que mais precisou. No entanto, eu também conseguia o entender. Não que isso justificasse, mas eu entendia sua forma de lidar com o luto. Fugindo. Se escondendo.
Eu já havia feito isso também.
Mas jamais a deixaria tão...Fragilizada.
Engoli em seco, afastando os pensamentos. Segurei o rosto de Felicity com carinho, a encarando fixamente.
— Eu não quero te machucar. Acho que, se eu fizesse isso, eu nunca me perdoaria.- falei mais sério do que pretendia. Mas era verdade. No momento que ela achou que eu havia a usado enquanto estava com Laurel fora um dos dias mais terríveis em minha vida.- Eu jamais me perdoaria se eu a fizesse sofrer.
Felicity estava séria, tão séria que eu estremeci. Seus lábios se entreabriram, incertos, mas perguntou:
— E se eu o machucar?
Sorri em tom irônico, e dei de ombros.
E se ela me machucasse?
— Eu ficaria muito triste, mas te entenderia.- dei de ombros.- Você já deixou claro que o que temos é complicado. Eu não me arrependo e assumo os riscos.- puxei o ar.- Então, caso você me machuque eu vou entender. Se você não quiser mais estar comigo…- meu coração se apertou, e a dúvida do carro se tornou presente.- eu também vou entender, Felicity.- suspirei fundo.- Eu vou torcer por você e desejar que seja feliz, mesmo que eu fique despedaçado com isso.
A vi entreabrir os lábios e os fechar, inquieta demais com minha fala.
— Como eu disse, você não me deve nada, a única coisa que eu quero em troca é a sua confiança, e se eu tiver sorte, ter a chance de ser seu.
— Isso basta para você?
— Basta.- disse convicto.
— Você é um masoquista.- ri sem humor.
— Eu sei. Por sorte tenho uma médica que sabe aliviar a minha dor.- Felicity sorriu.
Seus lábios tomaram os meus mais uma vez, em uma carícia gostosa. Nos separamos, em busca de ar. Felicity olhou para a escada.
— É melhor descermos.- de repente um sorriso provocativo tomou conta de seu rosto.- Vamos descer e tentar fingir que não temos nada, entendeu? Mas para isso funcionar você tem que parar de me encarar com esses malditos olhos.- fez um biquinho manhoso.- Entendeu?
— Será uma missão difícil, mas eu vou tentar.- brinquei, a fazendo rir.- É melhor você descer primeiro.
Nos demos um selinho rápido, e no momento em que nos afastamos, segurei em seu ombro, comentando antes de sair:
— Só não dance daquele jeito para mim de novo, ok? Ou eu não vou conseguir me segurar.
A escutei rir e me dar um empurrãozinho, me deixando abobalhado. Demorei mais ou menos uns 10 minutos até que enfim reapareci, fingindo estar falando ao telefone. Thea ficou preocupada, mas a tranquilizei, dizendo que um fornecedor havia me ligado contando que uma de nossas cargas havia dado problema. John me observava com cautela a todo o momento, até que concordou, adicionando que havia sido por isso que conversamos com o dono do restaurante que estávamos, para descobrir novos meios em nosso mercado. O agradeci pelo olhar e vi Felicity fazia o mesmo.
Pelo menos ela sabia que John sabia.
Agora eu poderia falar com ele sobre isso.
Sorri animado, ansioso para conversar a sós com o meu melhor amigo.
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