The girl from LA
14 Capítulo 14: Entre Aquarelas
Pov Oliver Queen
O dia havia começado animado. Após a confraternização na nova casa de Felicity ontem, voltei para casa com Thea sem não antes me despedir dela. Era um pouco difícil manter a casualidade quando nos tocamos, especialmente devido ao nosso final de semana.
Havia sido tão incrível.
Tão especial…
Foi onde eu tomei consciência de algo que eu já sabia havia um tempo. Eu estava definitivamente apaixonado por Felicity. Seu riso me fazia bem, seus sorrisos involuntários, a forma que ficava ruborizada comigo, suas divagações…E quando meu corpo se encaixava ao dela…Era muito mais do que apenas sexo. Eu me sentia inteiro, completo. Meu coração se acelerava, e eu queria tocá-la tanto que até a marcava na maioria das vezes. Queria tocá-la para saber que aquilo era real, que ela estava ali comigo, realmente ali.
E eu não cansava de fazer isso.
De senti-la comigo. De escutar seus gemidos…
Suspirei.
Eu estava muito ferrado.
Ferrado por me apaixonar por uma mulher que eu não sabia se sentia o mesmo por mim. Ferrado por desejar passar cada segundo do meu dia com ela, seja ouvindo suas divagações que eu amava, ou a assistindo ficar ruborizada e franzir suas sobrancelhas.
Como eu disse, ferrado. Muito ferrado.
Voltei a me concentrar na pilha de lenhas à minha frente. Recolhi o máximo possível e as coloquei em nosso pequeno estoque. Voltei à cozinha, onde Diggle preparava os pratos do dia. O ajudei com alguns, deixando os peixes para o mesmo, já que eram o seu prato favorito. Assim que terminamos, John olhou para a porta, e notando que estávamos sozinhos jogou um pano de prato na minha cara.
— E ai? Como foi?- perguntou animado, sem deixar de vigiar a porta.
— Foi…Foi incrível, cara.- me encostei em um dos armários, apertando o pano em minhas mãos.- Nós nadamos. Jantamos a luz das estrelas…Ah, você tinha que ter visto como ela estava feliz.- me perdi em lembranças.
Soltamos um riso baixo.
— Tá com cara de apaixonado.
— Ah, eu…eu acho que eu tô. Acho não, tenho certeza.- o olhei, um pouco tímido.- Eu tô apaixonado por ela, John. É como se eu me desmontasse toda vez que ela aparecesse. Ela…Ela me tira do sério.- passei uma das mãos no rosto.- E quando estamos juntos, realmente juntos- Dig entendeu o sentido de minhas palavras.- Ah, é tão bom. O sexo é incrível, mas tem alguma coisa a mais…Eu tô fudido, né?
O vi gargalhar e se aproximar, colocando uma de suas mãos sob meu ombro, em consolo.
— Tá, Oliver. Tá sim.- ri, sem saber o que fazer.- Mas é muito bom, fico feliz por você e por ela também. Merecem ser felizes.- suspirei.- Quando vão contar?
Dei de ombros.
— Não sei, e realmente no momento essa não é uma das minhas maiores preocupações.- confessei.- Felicity quer que comecemos devagar. Não quero acelerar as coisas.- o vi assentir.
— Mas…- perguntou ao ver minha boca se entreabrir e fechar.
— É complicado. Tem o…O ex marido. Ray Palmer.- cocei a cabeça, um tanto perturbado.- Ela não me falou muito dele e eu também não vou forçar as coisas. Não contei tudo para ela da guerra ainda- expliquei- e quero que ela me conte quando se sentir confortável. Mas ainda sim…
— Você tem medo que eles voltem.- abaixei a cabeça, encarando os pés, completamente envergonhado e chateado por assumir aquilo.- Você é humano, Oliver. Pare de se sentir mal por pensar sobre isso.
Balancei a cabeça, irritado. Eu não havia mentido quando disse que só ela me bastava, nem mesmo que se ela não me quisesse mais eu entenderia. Eu só…Só me preocupava se de fato aquilo poderia acontecer. Eu a deixaria ir, feliz, jamais a negaria tal liberdade. e enquanto a mim…Bom. Eu ficaria quebrado, isso era um fato. E meu coração…Eu não sabia muito bem como ele terminaria. Mas era inevitável não pensar na possibilidade de perdê-la, e aquela sensação me corroía. Suspirei frustrado, voltando a olhar para John.
— Algum conselho?
— Aproveita o agora, cara. Às vezes você pode se surpreender.- sorri.- e além do mais…
— Papai!
Ouvi a voz de minha afilhada, que passou a porta como um furacão, se jogando nos braços de John, que a levantou, contente. Lyla veio logo atrás, ofegante.
— Eu…Eu…- se encostou em uma das cadeiras.- Essa menina parece o flash de tão rápida.- ri de seu comentário.- Como vai, Oliver?
— Bem. Melhor agora com a minha afilhada favorita.- a peguei do colo de John.
— Sou sua única afilhada.- arqueou as sobrancelhas, exatamente como John fazia ao questionar algo. Ri e a dei um beijo na testa.
— É a afilhada mais linda que eu poderia ter.- a vi sorrir.- Eu tô te devendo um passeio, não é?
— Está sim. E sorvete.
— Sara!- Lyla a repreendeu.
— Foi uma péssima idéia dar esse nome a ela.- Dig brincou.
— Deixem ela.- a coloquei no chão e me agachei, ficando do seu tamanho.- O que acha de passearmos hoje?- seu sorriso banguela se ampliou.- Tenho que comprar umas coisinhas no mercado de Eureka. Você pode ir comigo e tomamos um sorvete, que tal?- Sara encarou os pais.
— Por favor…
— Tá.- Lyla fez um aceno com a mão, nos dispensado. Peguei Sara no colo e comemoramos juntos.- Mas nada de muito doce, ouviu Oliver?
— Sim senhora.- bati continência.- Vai ter doce sim.- sussurrei no ouvido de Sara que riu. Lyla tentou fingir estar brava, mas soltou um sorriso ao nos observar.- Vamos?
— Vamos.
A deixei com os pais rapidamente, passado em meu escritório para pegar alguns papéis Peguei a chave no carro e partimos rumo a Eureka. Deixei que Sara colocasse alguma música, e fomos ouvindo “ A Barata Diz Que Tem” na maior parte do caminho.
— E está tudo bem na escola?
— Sim. Na última semana brincamos de guache, foi muito legal.- sorri, a observando rapidamente.
— Gosto de brincar com tinta também.- sua frase me deu uma ideia. Meu sorriso se ampliou.- Pode me fazer um favor?- a vi assentir.- Pega o celular do padrinho. Isso, obrigada.
O deixei em meu colo, pegando-o apenas quando paramos em um farol em Eureka. Mandei uma mensagem rápida para Felicity, me avisando da tinta que precisava. Fui ao mercado, carregando a camionete com os alimentos e depois eu e Sara fomos andando de mãos dadas até uma casa de tintas, onde comprei alguns rolos e pincéis, além da cor que Felicity precisava.
— Você é um gênio.- brinquei com Sara que riu ao pegar um sorvete e nos sentamos na praça.- Me ajudou muito hoje tampinha, toca aqui.- sua mãozinha se fechou em punho e tocou na minha.- Essa cidade é linda, né?
— Uhum. Deve ter um montão de brinquedos.- ri de seu ponto de vista.
— É…Devem ter bastante brinquedos.- concordei, divertido, pegando uma colherada de sorvete.
— Na cidade onde a Lis veio deve ter bem mais. Ela me disse que lá eles tem um parque, bem grandão.- abriu os braços para se expressar.- Eu gostei muito dela.
Meu coração se aqueceu e eu perguntei involuntariamente.
— Achou ela legal?- a vi assentir.- Mesmo?
— Mesmo.- se melou de chocolate.- Mamãe disse que você gosta dela.
Ri.
— Ela disse isso é?
— Disse. E papai concordou, falando que vocês formariam um lindo casal.
Um sorriso de satisfação tomou conta do meu rosto.
— Se gosta dela por que não fazem igual a mamãe e o papai?- perguntou um pouco confusa. É, acho que Sara havia chegado na fase de prestar atenção na conversa dos adultos, inclusive sobre sentimentos.
— É…Um pouco mais complicado do que isso, tampinha- tentei explicar. Seus olhinhos castanhos me olhavam com atenção.- Coisa de adulto, sabe? É chatinho de explicar.
— Parece chato.- concordou.
— É, é bem chato.- rimos juntos.- Agora termina esse sorvete ou vou roubá-lo de você.
— Não vai não.
— Aé?- deixei meu próprio pote no banquinho e ergui as mãos.- Chuva de cosquinha.
— Não!
A abracei, tirando o sorvete de suas mãos para não a sujar. Sara riu, e após rimos até chorar. Deixei que terminasse seu sorvete em paz, me contando sobre alguns desenhos que andava fazendo, sem deixar de me prometer que iria fazer um especialmente para mim. Quando estávamos indo embora, vi uma loja que vendia vasos de flores e pedi ajuda de Sara para escolher um, pegando um de cristal acentuado com diversas rosas de várias cores dentro dele.
Logo, chegamos ao bar, e descemos juntos, de mãos dadas. Lyla estava lá, conversando com Felicity. Suspirei fundo, controlando todas as minhas emoções no momento em que eu a vi. Deixei que Sara nos guiasse até a mãe. Felicity notou minha presença, prendeu um pouco a respiração e sorriu, especialmente ao ver Sara.
— Foi legal o passeio?- Lyla perguntou a dando um beijo na testa.
— Foi! O dindo comprou um sorvete enorme de choco…- me olhou alarmada ao notar o que havia contado a mãe.- Quer dizer…
— Eu tomei um sorvete enorme de chocolate. Sara ficou quietinha me olhando.- seu sorriso banguela voltou. Lyla achou graça.- Não é, tampinha?
— É.
— Vocês dois viu.- Lyla sorriu, balançando a cabeça em sinal de reprovação.- Eu te disse, Felicity. Se deixar, Oliver faz tudo o que ela quer. Eu não sei quem mais acoberta um ao outro. Uma vez ele foi jantar lá em casa e quebrou um vaso sem querer. Sara ajudou ele a esconder e só meses depois eu senti falta.- ri envergonhado e pisquei para Sara. Felicity sorria, divertida.
— Não vou deixar que fale assim de nós.- brinquei.- Se me dão licença, madames, tenho um carro para descarregar.
— Eu ajudo você!- Sara se prontificou.
— Tá. Vamos lá.
Dei a Sara as sacolas menores, e com a ajuda de Roy, conseguimos guardar todos os alimentos novos e tirar da lista do mês o que já havia sido feito. Felicity permanecia sentada no balcão. Seus olhos encontraram os meus, e em um convite, peguei um suco, fingindo que ia servi-la.
— Aqui está,doutora Smoak.- a entreguei o copo, me apoiando do balcão e inclinando um pouco o meu rosto em sua direção.- Eu não consigo parar de pensar em você.- confessei baixinho.
Felicity sorriu, também se inclinando.
— Nem eu. Tive que retomar o foco hoje quando fui atender alguns pacientes a domicílio com Tommy.
— Como foi?- perguntei. Adorava ouvir falar de seus atendimentos.
— Foi bom. Finalmente estar fazendo o que eu vim fazer, sabe. Quentin nem questionou meus diagnósticos igual fazia. Apenas aceitou e me dispensou, falando que não haveria mais pacientes hoje, e que eu deveria aproveitar a nova casa.
— Isso é ótimo, Lis!- comemorei diante da sua felicidade.- Quem diria, né? Faltavam se matar.
— Pois é.- seus olhos encararam os arredores, até que se inclinou um pouco mais e sussurrou.- Quer me fazer uma visita?
Mordi os lábios e fiz que sim com a cabeça.
— Comprei as tintas, podemos aproveitar e pintar a parede que você quer.- a vi assentir, feliz. Testei meus limites e deslizei discretamente minha mão pela madeira, até chegar a sua.
Eu parecia um adolescente.
Inferno.
Até tocar a sua mão me deixava desnorteado.
Felicity parecia achar graça de nossa situação. Semicerrei os olhos, e a puxei, mais do que deveria para perto de mim. Seus lábios se entreabriram, e se estivéssemos sozinhos, eu a agaria ali mesmo. Mas me limitei, apenas soltando uma frase para provocá-la.
— E claro, depois da pintura, vou querer ficar agarradinho com você.- Felicity retribuiu o aperto em nossas mãos.
— Canalha. — me xingou baixinho ao notar meu jogo. A vi respirar com dificuldade e olhar para os lados, checando se ninguém observava nossa pequena conversa. Um sorriso travesso tomou conta de seus lábios quando disse :-Vou estar te esperando então. Tô com saudades.- fez biquinho.- Posso fazer uma surpresinha para você, sabe? Em retribuição ao final de semana.
Aquela sua provocação havia pegado em meu ponto fraco.
— Ah, não faz isso.- praticamente implorei, prendendo o ar.- Minha vontade agora é de te beijar na frente de todo mundo, sabia?- seus olhos cintilavam.- De tocar em você, de te erguer nesse balcão e tirar essa sua maldita blusa e depois…- toquei mais firme sua mão. Felicity engoliu em seco, mas não desviou o olhar.- Depois quero te ouvir chamar o meu nome. Alto. Baixo. Não me importo. Apenas quero ouvi-la me chamar.- Seus lábios emitiram uma exclamação baixa, desejosa. Aquilo me ascendeu ainda mais…Tomei consciência novamente de onde estávamos, e em um melhor alto controle, me afastei devagar, pegando qualquer coisa no balcão e fingindo que iria mostrar para ela.
Felicity piscou. Retornando novamente a realidade. Um rubor rosado tomou conta de seu rosto.
— É melhor pararmos, ou não vou conseguir me segurar.
— É…Maldito Queen.- ri, acabando por chamar a atenção de alguns clientes. Me recompus e me afastei um pouco. Felicity semicerrou os olhos e umideceu os lábios.- Ok, Tenente.- ela havia me chamado pelo nome.
Merda. Merda.
Felicity riu baixinho e eu soltei uma pequena reclamação. Meu corpo se arrepiou. Vi seu olhar divertido quando soltou nossas mãos.
— Te espero lá.
— Claro. Bom…Bom atendimento doutora Smoak.- falei, voltando ao profissionalismo. Felicity sorriu, e mesmo que eu negasse, deixou o valor do suco e foi embora.
Suspirei, esfregando as mãos e voltando ao trabalho. John me lançou um olhar malicioso, e eu o dei um empurrão no ombro, que o fez gargalhar. Roy notou nosso movimento e se juntou a nós. Conferi mais uma vez o estoque, ligando para alguns fornecedores de nossas bebidas, já pedindo mais arremessas. Após deixar tudo em seu devido lugar, lancei um olhar significativo a John, que assentiu, já sabendo aonde eu iria.
Dirigi até o chalé, animado. Felicity havia deixado o portão aberto, então estacionei meu carro em seu gramado e desci, carregando os baldes de tinta, alguns pincéis e claro, o vaso, me equilibrando para não deixar nada cair. Toquei a porta com o pé, já que minhas mãos estavam ocupadas. Felicity a abriu, arregalando os olhos ao me ver.
— Céus! Quanta coisa! Deixa eu ajudar você.
A dei um dos baldes de tinta e entramos. Coloquei o restante das coisas perto da lareira apagada e sorri, entregando o vaso.
— Para a mulher mais linda desse mundo.
— Aí, são lindas. Eu amei.- sentiu a fragrância das flores.- Vão ficar lindas na sala.- caminhou até lá, colocando o vaso na mesinha de centro.
— E aí? Como está tendo uma casa nova?
— Eu tô amando tudo, sério. Os móveis são incríveis, a tv…- apontou para o objeto colocado na parede de pedras.- Ficou tudo tão sintonizado. Eu amei, amei mesmo.
— Fico feliz.- deixei que passasse seus braços sob os meus ombros.
— Obrigada.- agradeceu mais uma vez.
— Você merece, não foi nada demais.- dei de ombros. Felicity suspirou.- O quê?
— Você e essa sua mania de não se dar créditos.- me trouxe para perto, abaixei os olhos, envergonhado.- Você é incrível, sabia disso? E fica lindo envergonhado.- ri e balancei a cabeça
— Eu que uso essa frase.
— É? Mas é a minha vez agora.- semicerrou os olhos e mordeu os lábios.- E aí? Pronto para me ajudar a pintar a parede?
— Seu desejo é uma ordem.
Retirei uma lona do meu carro, cobrindo o chão e alguns móveis para não sujar, em especial o sofá branco, já que iremos pintar a sala. Felicity colocou um short e uma regata e logo começamos os trabalhos. A cor qual ela escolheu era um verde 1719, que beirava a um azul. Felicity disse ontem que essa cor lhe trazia paz, e ter uma parede assim em sua casa era algo que ela adoraria muito. Molhamos os rolos e passamos a dar vida a aquela parede. Eu de um lado, ela de outro.
Estava sendo muito bom.
Uma hora ou outra a via me secando, já que havia me livrado da camisa ao começarmos a pintura, e eu, notando seu olhar, a provocava, me esticando cada vez mais para pintar a parede. Passei a mão na testa, cansado, quando demos mais uma mão. Um pensamento me ocorreu e eu ri baixinho.
— O quê?- perguntou curiosa, também cansada.
— Nada. É que…- ri de novo, sem acreditar no que eu ia falar.- Você me deixou tão louco por você que eu acho romântico estarmos pintando uma parede juntos.- foi a vez de Felicity rir.
— Você deve estar louco mesmo. Porque isso aqui- apontou para a parede- pode ser muitas coisas. Cansativo. Criativo. Mas romântico?
— Ah, podemos deixar romântico, Lis.
— Como?
— Assim.
Felicity não teve muito tempo para resposta, pois quando notou o que eu iria fazer já era tarde demais. Coloquei meu dedo na tinta, e em um movimento rápido, melei seu nariz. A loira me encarou, furiosa.
— Seu cretino desgraçado!- esbravejou enquanto eu ria.- Ah, mais isso não vai ficar assim.
— Aé? — Cheguei mais perto, olhando diretamente para os seus lábios.- Vai fazer o quê?
— Isso…- uma de suas mãos subiu pelo meu abdomem. — E isso!
— Felicity, não!
Era tarde demais.
Durante sua sedução, não notei que uma de suas mãos havia tocado no rolo encharcado de tinta. A mesma espalmou minha barriga, a pintando inteiramente de tinta. Ergui os braços em rendição, mas Felicity não parecia ceder. Fui deitado no chão, onde tive minha barba, costas e pernas meladas. Felicity riu ofegante, ficando sentada em cima de mim.
— Agora sim, ficou bem melhor.- brincou.- Uma verdadeira obra de arte.
— Que vai beijar você inteira.
— Oliver!
Troquei nossas posições, a deixando completamente cheia de tinta devido a pintura em meu corpo. Rimos juntos e por um instante eu quis ficar ali, sem nunca mais sair. Suas mãos acariciaram a minha barba, e em um sorriso de canto, me puxou até o seu encontro. Beijar Felicity nunca deixava de ser bom. Era como se eu me entregasse por inteiro, e tudo se tornasse…Certo. Desci meus lábios por seu pescoço, levantando sua blusa, deixando sua pele exposta. Felicity gemeu baixinho.
— Oliver…
— Shh…eu adoro ver você assim. Fica tão linda. — suspirei. Ergui um pouco mais sua blusa, revelando seus seios, e a pele que começava a ficar arrepiada.- Tão linda…- repeti mais para mim mesmo.
Toda vez que eu a tocava era assim.
Era mágico, intenso, romântico…Eu perdia o fôlego e ficava necessitado, e tocá-la era a única coisa que me tirava daquela agonia incessante.
Eu estava apaixonado por ela.
Perdidamente apaixonado.
E por Deus, somente em assisti-la ali, completamente rendida a mim conseguia me desestabilizar.
Soltei um resmungo frustrado e levei minha boca até seu sutiã, e Felicity, sem muita paciência, o ergueu, me fazendo sorrir. Passei a língua ao redor de seu seio esquerdo, vendo seu corpo arquear. Sua mão foi até minha nuca, me prensando contra sua pele, em um ato de desejo involuntário. Sorri, e continuei nossa brincadeira, até que desci e parei em seu shorts, beijando sua coxa. Felicity se remexeu, em excitação. Pedi permissão para tirar seus shorts, e gemi baixinho com a visão.
— Estou fazendo uma trilha de tinta em você por conta da minha barba.- escutei seu riso baixo.
— Continue. Nos limpamos no banho depois. Agora eu quero sentir você.
Sorri, e então segurei sua coxa, levantando um pouquinho para o lado, beijando toda sua região ali. A cada novo toque, ouvia Felicity suspirar e soltar os gemidos que eu tanto adorava.
— Ah, Oliver…Não pare.
Essa não era minha intenção.
Afundei minha língua em seu ponto mais sensível, e com a outra mão livre, subi até seus seios, os apertando, me deliciando com seus arquejos e murmúrios baixos. Eu a sentia vir, forte como uma onda, se remexendo à medida que eu afundava .
Uma vez.
Duas vezes.
Três vezes…
Eu nem sabia o que estava contando mais,
Após mais uns movimentos, a vi se despedaçar para mim, respirando ofegante. Senti seu gosto, e me ergui no momento em que sua mão me puxou para cima. Ela estava suada, cheia de tinta, e ainda sim, era a mulher mais linda que eu já havia visto.
— Essa não era a ideia quando te convidei pata vir aqui- rimos junto.- Eu não sei o que acontece, mas quando estou com você eu não penso direito.- franziu as sobrancelhas.- Mas estou feliz em ter você aqui.
— Também estou feliz de estar aqui. Com você. Só nós dois…- seus lábios me puxaram para um selinho.- Você é tão linda…Já falei isso?
— Um milhão de vezes.
— Vou falar um pouco mais então.- brinquei.- Linda. Linda. Linda…- fui falando entre beijos.- Linda…
— Felicity? Está em casa?
Parei no meio do ato.
Fiz sinal de silêncio, reconhecendo a voz da minha irmã. A porta estava trancada, não tinha como ela entrar.
— Eu sei que está aí! Preciso falar com você, anda! Seu carro está aqui!
— Ai meu Deus. Ai meu Deus.- praguejou enquanto nos levantamos e a mesma se vestia.- Eu havia combinado com ela de vermos mais alguns enfeites para a casa…Como que eu vou atender sua irmã cheia de tinta?
— Não dá tempo de se limpar.- falei com as batidas mais insistentes na porta.- Posso me esconder no banheiro e me limpar enquanto isso. Ela deve saber que eu estou aqui. Mas se ver nós dois assim- apontei.- já era.
— Felicity!
— Ai caceta. — resmungou baixo.- Já estou indo. Um minutinho.- ergueu a voz.- Tá. Fica no banheiro.- a dei um selinho rápido.
— Boa sorte.
— Ah, vou precisar. Ela é uma Queen.- brincou em meio ao caos.
Ri e recolhi minhas roupas e corri, tomando cuidado para não melar nada. Assim que me vi no espelho notei minha situação. Minha barba estava pintada, meu peito, minhas costas, um pouco dos braços, as pernas…
Felicity tinha que enrolar Thea muito tempo.
Comecei lavando as mãos, e lavando a torneira porque a toquei com as mãos sujas. De repente, a desliguei, ouvindo vozes mais altas lá fora.
— Cadê ele?
— Foi pegar mais lenha. Ele foi até Eureka hoje comprar umas tintas pra mim.
— É. Estou vendo.- Thea riu.- Posso usar seu banheiro?
— Thea não!
Não tive ação, pois no momento em que a porta fora aberta de forma abrupta eu não tinha onde me esconder. Respirei fundo ao sentir o olhar analítico de minha irmã que me olhou dos pés a cabeça, notando a camisa em minhas mãos e abriu a boca, em choque.
Merda. Merda. Merda.
— Oi, Speedy!- sorri amarelo.
Seus olhos brilhavam em alegria ao finalmente chegar na conclusão que tanto queria.
— Aí meu Deus!
Cocei a cabeça com o seu gritinho e olhei Felicity de relance, preocupado. Ela não parecia tão chateada como eu pensei que estaria, pelo contrário. Continha um sorriso envergonhado no rosto. Fui puxado do banheiro pela minha irmã, que só me largou na sala.
Olhei de canto para Felicity que assentiu.
Sua revelação também me surpreendeu. Entreabri os lábios, sem ação, e Felicity apenas sorriu.
— Por que não me contaram? Aí, vocês devem estar tão felizes.
— É complicado.- falei saindo do choque. Ainda encarando Felicity para descobrir o que ela queria fazer diante daquela situação.
— Tá. Eu perdoo vocês por namorarem escondido.
— Não queria contar para as pessoas até termos certeza.- falou Felicity. Meu coração se acelerou. “ Até termos certeza”. Significava que…- E cá estamos, com você nos pegando o flagra- voltei a prestar atenção.
— Eu quero saber de todos os detalhes possíveis Felicity Smoak. Amanhã venho aqui e fazemos um chá da tarde. Só manera nos detalhes, tá? Ele é meu irmão e pode ser um pouco nojento ouvir sobre quando vocês começaram tran…
-Ei, ei, Speedy!- a repreendei.- Eu ainda estou aqui, sabia?- fui ignorado.
— Tá. Vou contar tudo o que quiser- Felicity sorriu cúmplice.
— Sou bem discreta.- piscou.- Eu te abraçaria, Lis. Mas coberta de tinta não dá. Vou deixar vocês dois aí pintando paredes.
— Obrigado. Você não podia ter sido mais inconveniente.- Felicity riu ao me ver abrir a porta.- Some.
Thea me lançou um olhar rabugento.
— Tchau pra você também!
A dispensei em um aceno, trancando bem a porta. Levei a mão à cabeça, olhando para Felicity que estava tão chocada quanto eu.
— Ela vai guardar segredo.- falei, ainda sem ação.- Tudo bem para você?
— Sim. Na realidade não fiquei preocupada com isso.- uma ruga surgiu entre suas sobrancelhas.- Mas sim dela quase nos pegar transando…O que foi?- Questionou ao notar minha gargalhada.
— Céus. Eu fiquei tão nervoso!- levei uma das mãos ao peito, como se precisasse de ar.
— Eu percebi. Parecia que seu sangue tinha parado de circular.- brincou.- Mas mais não era isso que você queria? Contar?
Estendi minha mão até a sua e a trouxe mais para perto.
— Sim, eu quero contar. Mas quero contar quando você quiser contar.- enfatizei.- Por mim, eu gritava pro mundo que estamos juntos. Que eu sou seu namorado secreto. — a vi rir, acabei por acompanhá-la.- Mas só quando você quiser, linda. — Felicity sorriu de canto e assentiu.
— Foi engraçado.
— Foi sim.- concordei. Seu olhar mudou, e eu senti como se Felicity pudesse enxergar cada pensamento meu. Abaixei a cabeça, envergonhado.
— Você me faz muito bem.- falou simplesmente. Meu coração se sobressaltou.Ergui a cabeça novamente, a tempo de vê-la em um possível dilema interno.- Muito, muito bem. — murmurou. Como se saísse de um transe, sorriu de modo sapeca.- Ah, e sobre a parte do namoro, não me lembro de um pedido.
— Estou deixando para quando for real. Se eu fizer um pedido agora ele vai ficar perdido no meio do nosso cenário de mentira.
Felicity balançou a cabeça, divertida.
— Sempre tem uma resposta, né? Espertinho.- sua língua umedeceu seus lábios. — Que tal um banho, tenente?- suspirei.- Fico às suas ordens. Completamente às suas ordens.
Ela sabia como me deixar fora dos eixos.
A peguei no colo, e em seguida partimos para seu banheiro. Vi a banheira, mas devido a nossa situação atual não seria muito legal mergulhar em um mar de tinta. Nos contentamos com o chuveiro, onde a ajudei a se livrar das tintas.
Felicity me ajudou também.
Pegou uma bucha, passando pelo meu abdômen. Acompanhei cada movimento seu. E quando desceu…
— Felicity.- minha voz mal saiu.
— Sim?- eu não tinha ideia do porquê eu havia a chamado.- Só estou limpando você.- respondeu simplesmente.
Merda. Merda.
Em um movimento rápido, a imprensei contra a parede. Seu peito subia e descia, e eu me perdi no meio daqueles vales. Cada toque seu era como uma carga de energia, me fazendo desejá-la cada vez mais.
E eu a desejava, muito.
Especialmente agora.
Notei seu olhar de luxúria quando desci minha boca até seus seios, segurando o outro com a mão esquerda. Felicity soltou um gemido baixo e se remexeu, querendo mais contato.
— Ainda não.- murmurei ao erguer minha cabeça e morder seu lóbulo.- O que eu disse no bar não foi mentira. Quero fazê-la me chamar. Alto. Baixo…- gemeu quando levei um de meus dedos em seu clitóris.- Não me importa. Apenas quero ouvi-la chamar o meu nome. Entendeu?- seus lábios estavam entreabertos, e os cabelos, completamente molhados, foram puxados um pouco para trás por minha mão.- Entendeu, Lis?
— Si…Sim.- gemeu. Ela assentiu com dificuldade.
Sorri por sua imagem inebriada e aumentei os movimentos. Felicity agarrou meus ombros, fechando os olhos.
— Oliver…
— Isso. Assim que eu quero.- a puxei, faminto por seus lábios.- Assim mesmo, linda. Assim mesmo.
Trinquei o maxilar e ataquei seu pescoço, seios, voltando novamente para a boca. Felicity tinha um poder sobre mim que nenhuma mulher havia tido antes.
Era novo.
Era potente.
Era assustador.
Assustador em saber, que em pouco tempo, uma pessoa havia se tornado tão importante para mim. Seja por seus pequenos gestos, como o cuidado em mim, os sorrisos, antes difíceis de ver, e agora eram mais constantes.
Eu amava vê-la sorrir.
Amava tudo nela.
Seu toque me despertou. Ambas suas mãos passeavam por minha barriga, me chamando. Eu não conseguia tortura-lá mais, até porque eu não estava conseguindo me conter. Retirei minha mão, a levando até sua coxa e a apertei, antes de ajudá-la a ficar agarrada em mim. Suas pernas, que contornavam minha cintura, a deixou completamente exposta. Gemi diante do contato imediato.
Ela também.
— Merda. Felicity.- praguejei quando finalmente entrei dentro dela. Tão quente, tão apertada…- Esses seus gemidos estão me matando.
Ela remexeu seu quadril, se r e m e x e u. Apertei sua bunda, a afundando mais em mim. Eu estava ofegante, desejoso por me sentir completamente engolido por ela. A encostei na parede, onde enterrei meus quadris no seu, até o fundo, para só então sair, e voltar. De novo.
De novo.
E de novo.
Aquela mulher ia me enlouquecer.
— Tão linda. Tão linda.- sussurrei, ao assistir suas expressões de prazer.
— Oliver…- me chamou, em uma frase desconexa. Aumentei as investidas.- Quase…
— Vou fazer você chegar lá. Eu prometo.- falei, tentando a todo custo não deixar meu prazer vir antes do dela.- Quase lá Lis, quase lá…- um gemido rouco escapou de meus lábios quando suas mãos seguraram meu queixo, e me puxaram para um beijo, que não durou muito devido a suas exclamações.- Ah, Lis…
— Eu quero você. Quero tanto você.- murmurou, de olhos fechados.
— Você já me tem.- seus olhos encontraram os meus.- Sou completamente seu para fazer o que quiser.- trinquei o maxilar pelo prazer próximo.- O que quiser.
Não consegui falar mais. Nem se eu quisesse conseguiria falar. Apertei a cintura de Felicity, e então a vi chegar em seu ápice, gritando meu nome. Seu rosto encostou em meu pescoço, e eu, jogando a cabeça para trás, senti a onda de prazer se alastrar sobre mim. Me deixando trêmulo.
Completamente trêmulo.
Me encostei em seu ombro, assim como ela fazia no meu, e não nos mexemos pelo o que pareceu muito tempo. A água quente caía sobre nós, e após alguns minutos em completo silêncio, Felicity ergueu a cabeça, em um sorriso cansado.
O retribui da mesma forma.
— Nossa.- foi tudo o que disse após rir. A acompanhei.- Você está me deixando maluca, tenente. Sabia disso?
— Se continuar me chamando assim, especialmente agora.- frisei pelo fato de ainda estar dentro dela.- Vou perder o controle outra vez.- a vi rir.
— Como pode? Um homem tão sério. O solidário Oliver Queen que ajuda a comunidade, um soldado. Se desmanchar quando eu o chamo de tenente.- reclamei baixinho. Ela me olhava divertida.- Quem diria.
Foi minha vez de olhá-la envergonhado.
— Vai me deixar sem graça.
— Ah. Isso o deixa sem graça? Mas o que fizemos a alguns minutos atrás não?- seu sorriso só se ampliava.- Oliver Queen…
— Se hoje foi o dia de você se vingar toda vez que eu a deixo vermelha, conseguiu. — ela me lançou um olhar vitorioso.
— Vai parar?
Neguei com a cabeça.
— Nunca.
Felicity me mostrou a língua e foi minha vez de rir. A ajudei a descer, e após estarmos devidamente limpos, a deixei que se vestisse com privacidade, enquanto eu recolocava minhas roupas. A camisa, agora seca, continha marcas de tinta.
Ao sair, sorri ao olhar a parede. Felicity veio logo atrás, me abraçando, e trazendo consigo uma caixa de biscoitos. Tirei as lonas, as colocando em uma sacola junto com Felicity, e fazendo o mesmo com os pincéis. Sentei no chão, mesmo com Felicity me dizendo que não havia problemas em sentar no sofá. Olhei sua estante, notando um livro preto de capa dura solitário ali.
— Achei você.- murmurei. Felicity acompanhou meu olhar, sem entender.- Meu livro.
A escutei rir e se levantar para pegá-lo.
— Em que página você está?
— Na metade ainda.- sinalizou com o marca páginas.- Não tive muito tempo para ler esses dias.- assenti.- Porém estou na parte em que propuseram um novo sistema de governo regido pela verdade. Embora, para muitas pessoas, ela não exista.
— Olha, você está ficando uma poeta.- Felicity riu.- E isso me fez lembrar…- a puxei para perto. Felicity se sentou no meio de minhas pernas.- Que você tem que assistir A Sociedade Dos Poetas Mortos.
— Só se você assistir Orgulho e Preconceito. O de 2005 pra ser mais precisa. Você vai amar odiar o senhor Darcy no começo, e depois vai se sentir perdidamente apaixonado por ele.
— Duvido que ele me deixe mais apaixonado do que você.- beijei seu ombro. Felicity ficou em silêncio.
Merda.
Eu não havia….
Ah, merda.
Delicadamente, a virei para mim. Felicity estava séria, como se pensasse em algo. Engoli em seco ao sentir seu olhar em mim.
— Você…Você disse…
— Sim.- respondi simplesmente. Enchi meus pulmões de ar e soltei um longo suspiro.- Acho que tô apaixonado por você. Na realidade, eu estou apaixonado por você.- dei de ombros. Me senti um soldado vulnerável, e que a qualquer momento poderia levar um tiro.- Lis, eu…- seu indicador sob os meus lábios me calaram.
Fiquei em silêncio pelo o que parecia um século.
Até que Felicity respondeu.
— Eu…Eu também acho que estou me apaixonando por você, Oliver.- murmurou, me deixando completamente perdido.- É algo diferente que eu ainda não entendo. Mas quero descobrir.- assenti, extasiado.- Eu só não posso prometer…
— Eu sei.- a abracei, sentindo seu rosto se encaixar em meu pescoço.- Eu sei. Você não precisa retribuir agora, apenas quando estiver pronta.
— Eu queria te contar sobre Ray, mas eu ainda não consigo.- sua voz saiu abafada em meu peito.- Você merece mais. Alguém mais estável do que eu.
Ergui seu rosto, o deixando a centímetros dos meus. Seu olhar transmitia uma dor dilacerante. Eu tinha que fazer entender, entender que eu a queria.
Somente ela.
Não importava quanto tempo demorasse.
Meus dedos acariciavam sua bochecha, desenhando seus lábios. Suspirei, reunindo coragem, e disse:
— Eu quero você, Lis. Só você.- murmurei. Sorri de canto.- Quem mais seria uma doutora tão teimosa quanto você?- um riso baixo a escapou, a deixando leve. Dei um beijo em sua teste.- Entendeu?
Felicity assentiu.
Continuamos abraçados, conversando sobre tudo e nada, até que o pôr do sol nos tirou de nossa bolha. Me levantei para ir embora, tendo sua mão ao meu lado, me acompanhando até o carro. Antes de sair, Felicity me deu um selinho demorado.
— Olha lá o que você vai conversar com a minha irmã, hein?- brinquei antes de sair. Felicity riu.- Vou ficar sabendo?
Felicity negou.
— Papo de garota. Infelizmente você não está incluso no pacote.
— Mesmo sendo pauta da conversa?
— Mesmo assim.
— Mas e se…
— Queen.- me cortou, revirei os olhos.- Teimoso.
— Olha quem fala.- brinquei, a puxei de novo para mais um beijo.- Boa noite, Lis.
— Boa noite, Oliver.
***
Thea não estava em casa quando cheguei. No entanto, isso não me livrou de nossa conversa no café. Me preparava para ir ao bar quando uma mão pequena me impediu de sair.
— Oliver Jonas Queen.
— Sabe, não tem necessidade de chamar pelo no inteiro Thea Dearden Queen.- a vi revirar os olhos.- O que é? Aonde você estava ontem a noite a propósito?
— Com Roy.
— Fazendo…?
— Quer mesmo que eu diga?- fiz cara de nojo.- Bom, agora vamos direto ao assunto.
— Achei que fosse perguntar tudo pra Felicity hoje.
— E vou. Mas quero saber como meu irmãozinho está.- nossas provocações de irmão foram deixadas de lado, dando lugar a um misto de felicidade e preocupação.- Como você está?
E eu contei.
Contei nossa primeira noite juntos( não em detalhes) no chalé. Contei nossa pequena ida à praia. Contei quando percebi que estava me apaixonando por ela.
Contei tudo.
Inclusive, meus medos.
Thea apenas assentia, uma hora sorrindo e outras soltando gritinhos. Porém, quando contei de Ray e minhas preocupações a vi ficar em um silêncio pensativo. Quando terminei, uma pequena mão batia em meus ombros, em sinal de conforto.
— Fico feliz que esteja feliz.- sorri.- Você merece. Depois de tudo.
Encarei os pés. Havíamos nos sentado no sofá. Thea cautelosamente perguntou:
— Ela sabe? Da guerra. Shado?- me retrai- Slade?
Neguei com a cabeça.
— Ainda não consegui falar disso.- Thea assentiu.- Felicity já passou por muita coisa. Não quero ser mais um peso pra ela.
E eu não queria, não queria mesmo.
Não queria que ele tivesse que lidar com meus sofrimentos por amigos perdidos durante a guerra ou então, meu passado conturbado com Slade.
Às vezes eu mesmo queria esquecer.
— Duvido muito que ela te considere assim. Ela gosta de você, Ollie.- ergui a cabeça.- Só um idiota, no caso você- revirei os olhos- não percebe isso. Deve ser por conta dessa constante mania sua de cuidar de todo mundo. Me incluo nessa fatura de preocupações.- riu amarga.- Talvez, se eu não estivesse tão mal quando você voltou teria tido mais tempo pra cuidar de si mesmo e perceber o homem maravilhoso que você é.
Arrumei minha postura, segurando suas mãos nas minhas.
— Thea.- a chamei sério, tão sério que seu corpo se retraiu.- Eu não quero que fique se martirizando pelas escolhas que eu fiz, ok?- a vi assentir em um bico choroso.- Você estava mal e eu jamais a deixaria sem apoio. Eu moveria céus e terra por você. Eu te amo.- seus olhos lacrimejaram e eu a puxei para um abraço, onde a ninei do modo que fazíamos quando éramos criança.- O que passou passou.
A senti se aconchegar mais em mim, onde ficamos um tempo abraçados. Ela era minha irmãzinha, e se tinha algo em que eu não me arrependeria nem nessa vida nem na próxima, era em ajudá-la. Thea se acalmou. Seu corpo se afastou centímetros do meu e me lançou o olhar mais malicioso do mundo.
Ah merda.
Voltamos a programação normal.
— Então você está apaixonado.- arqueou as sobrancelhas.- Pela Felicity.
— Isso mesmo.
— É a primeira vez?- minha falta de respostas a fez gritar.- Céus! É a primeira vez! A Lis está desvirginando você.
— Qual é, Thea!- joguei um travesseiro em sua cara. Sua risada só aumentou.- Não deveria ter te contado isso.
— Deveria sim.- se ergueu divertida.- Vou conversar com a Lis hoje e descobrir o que mais você andava fazendo além de pintar paredes por aí.
— Você deveria cuidar mais da sua vida.- me apressei em dizer ao me levantar.- Mas se estiver tentando tomar o lugar da Helena como a maior fofoqueiro de Virgin River está indo pelo caminho certo.
— Agora você me ofendeu!
Rimos e a dei um beijo na testa, antes de sair. Dirigi confortavelmente pelas estradas, sem deixar de notar o céu. Estava nublado, preparando para dias chuvosos.
Talvez fosse um bom momento para um passeio de caiaque.
Eu e alguns amigos sempre aproveitávamos essa época do ano para nos aventurarmos nos rios. Por conta do alto volume das chuvas, o nível dos rios subia, o que os deixava perigosamente divertidos quando andávamos de caíque. Era uma atividade divertido, que nos deixava com hematomas de vez em quando, mas muito, muito, divertida.
Estacionei em frente ao Queens. Cumprimentei alguns fregueses que estavam sentados na mesa perto do rio, tomando seus cafés nas mesas de madeira. Assim que entrei me arrependi profundamente. Helena estava aqui.
Com Laurel.
Suspirei.
Nossos últimos encontros embora disfarçados de uma falsa cortesia, me mostravam claramente que Laurel não havia aceitado bem que eu não seria mais o seu amante casual. Fora sempre assim. Ela vinha, nos divertimos e ela voltava para a cidade grande.
Acho que não havia ficado feliz com as mudanças.
Entretanto, eu estava absolutamente radiante.
Fingi o meu maior sorriso e fui verificar se haviam sido atendidas. Ambas estavam sentadas perto do balcão. O atravessei, ficando do outro lado e fui até suas direções. Helena que bebia um café me lançou um olhar esnobe, qual eu retribui na mais pura diversão.
— Bom dia, senhoritas. Vejo que já foram atendidas.
— Na realidade meu misto está atrasado. Roy mandou apenas o café para disfarçar.- respondeu Helena em seu típico humor azedo.
— Vou verificar.- ignorei seu tom.- E quanto ao seu, Laurel?
— Ainda não pedi, estava esperando o chefe da casa chegar.- me lançou um olhar malicioso.- O que indica para mim, Ollie?
— Acho que um pedaço de torta de maçã acompanhado de um misto seria ótimo, Lance.- John respondeu atrás de mim, caminhando com dois mistos e uma torta.- Inclusive, já os preparei para vocês.
— John que é o chefe, então se ele recomendou é a melhor opção.- fingi um sorriso, o dando tapinha as nas costas.- Bom apetite.
— Voce poderia me trazer um café?- assenti para o pedido de laurel.
— Um momento.
Entrei para a cozinha, sendo seguido por John. Suspirei ao pegar a garrafa quando o mesmo me entregou uma xícara.
— Valeu mesmo por lá fora.
— Magina. Assim que as vi chegar já imaginei que causariam problemas.- deu de ombros.- Laurel não parece que entendeu sua conversa, Oliver.
— É, aparentemente não.- suspirei.- Ela é uma pessoa boa, Diggle. Mas desde que voltou tem sido estranhamente…
— Incoveniente? Mal educada?- completou.- Ela sempre teve esse comportamento, cara. A questão é que agora ela está o mostrando para você. Não se esqueça do que ela tentou fazer com Tommy.
Assenti, reflexivo.
Talvez ela fingisse ser outra pessoa comigo afinal.
— Só quero mantê-la com seu mau humor longe de Felicity.
— Onde ela está falando nisso? Sempre pede o almoço pela manhã e até agora não recebi nada.
Sorri e fui até a porta, verificando se estávamos sozinhos e sussurrei.
— Ela está com Thea.
John me olhou desconfiado.
— Por quê?
— Porque ontem minha amada irmãzinha me pegou na casa dela.
— Não.
Seu riso foi estrondoso, e eu o acompanhei.
— Quer dizer então que ela viu vocês…
— Não!- tratei em explicar.- Me escondi no banheiro. Mas ela foi até lá e me achou sem camisa e cheio de tinta…
— Tinta?- seus olhos faiscaram.- Oliver…
— A questão é que Felicity contou que estamos juntos.- sorri bobo. Me aproximei, mantendo a voz baixa.- E esse cara aqui- apontei para mim mesmo.- está muito feliz por ver a mulher que ele é apaixonado assumindo ele por aí
John gargalhou mais uma vez.
— Quem te viu quem te vê.- balançou a cabeça divertido. — Oliver Queen apaixonado.
— Eu estou. Agora licença que tenho clientes para atender.
— Vai lá o Don Juan.
— Não enche o saco.
Peguei a garrafa e a xícara e sai, rindo baixo. Laurel e Helena se entreolharam devido a minha súbita felicidade, mas não comentaram nada. Servi o café a Laurel e retirei minha jaqueta, arregando as mangas da camisa. Quando me virei, um olhar duro me analisava. Abaixei a cabeça, procurando algo que pudesse estar errado em minha roupa.
— Seu braço está sujo.- respondeu um tanto…Confusa e raivosa?.- Parece…Tinta.
Olhei o cotovelo, notando uma pequena mancha da cor da parede de Felicity em mim.
— Devo ter melado por aí.
— Sim.- Laurel sorriu, em um tom sombrio.- Por aí.
Tentei entender sua mudança de humor, mas ao notar suas feições duras juntamente com um olhar divertido de Helena tive certeza que não queria participar de seus joguinhos.
O dia passou mais rápido do que eu havia imaginado. Já era por volta das cinco horas da tarde quando Nyssa Al Ghul apareceu. A mesma me viu e caminhou até a minha direção, a cumprimentei, oferecendo algo. Nyssa pediu um whiskey.
Acho que as coisas não estavam indo muito bem.
Parte de ser dono de um bar era isso. As pessoas vinham pela comida, mas na maioria das vezes, também buscavam um ombro amigo.
— Tudo bem, Nyssa?- perguntei, enquanto enchia mais um copo seu.- Problemas?
A mesma assentiu.
Encarou seu copo, e seus lábios se entreabriram, hesitantes. Seus olhos escuros como os de uma noite sem lua me observaram, até que perguntou.
— Posso confiar em você? Tália confia. Ela sempre fala coisas maravilhosas de você.- a mesma deu um sorriso cansado.
— Claro. Pode confiar em mim.- assenti.- É algo com a fazenda? A academia?
— Tália é o problema, Oliver. Ela…- olhou para os lados, e ao notar que ninguém nos espiava continuou em tom baixo.- Ela está estranha.
Meu corpo se agitou. Me recordava da última vez em que havíamos nos encontrado. Ela estava assustada e parecia perturbada, além de dizer claramente que havia descoberto algo de Slade.
— Essa sua cara…Ela te contou alguma coisa, não é?- perguntou preocupada.- Oliver, por favor.
— Um dia fui até a casa de vocês pegar alguns alimentos para o bar. Tália estava…Perturbada. Olha, eu não sei no que ela se meteu, ela não me contou.- expliquei.- O que ela fez que te assustou?
Nyssa pegou seu celular e me mostrou uma foto. Era um hematoma extremamente roxo nas costelas da irmã. Trinquei o maxilar. Talvez Slade tenha a dado um aviso.
Fique fora dos meus assuntos.
Filho da puta
A abordagem, mesmo ao passar dos anos, continuava a mesma afinal.
Nyssa me viu reflexivo. Arqueou as sobrancelhas, aguardando uma resposta. Suspirei.
— Isso foi um aviso.
— Acha que podem a machucar mais?
— Talvez.- um gemido em frustração escapou de seus lábios.- Recebeu algum tipo de encomenda estranha? Nada?- perguntei mais uma vez em seu sinal negativo.- Então realmente ela tem que parar. Foi um aviso.
— Fale com ela, Oliver. Ela vai te ouvir.- pegou em minha mão.- Por favor.
Sustentei seu olhar e apertei sua mão, a dando um sinal positivo. Nyssa continuou a me olhar, verificando se eu não estava mentindo, e ao se der por satisfeita, sorriu. A porta fora aberta, e nossa ação não passou despercebida pelo grupo que havia acabado de entrar.
Soltei sua mão e assenti mais uma vez, finalizando nossa conversa silenciosa. Nyssa agradeceu, e apareceu extremamente desconfortável ao se deparar com Sara e Tommy juntos. Hm.
Talvez sua tristeza fosse por amor também.
Felicity, que caminhava ao lado de Thea sorriu para mim, e indicou com o olhar Nyssa, um pouco confusa.
— Oi…Nyssa.- Sara a cumprimentou, também desconfortável.
— Sara, Tommy.- meu amigo sorriu, um tanto constrangido.- Olá Felicity, Thea.
— Oi Nyssa.- Thea a abraçou.- Quer se juntar a nós?
— Não, obrigada.- foi direta. Sara arregalou os olhos.- Tenho assuntos para resolver.- entendi no mesmo instante.- Oliver a conta…
— Por conta da casa.- a vi sorrir.- E diga a Tália pra ter juízo. Vou falar com ela.
— Obrigada.
E em um cumprimentou, a vi desaparecer. Tommy a observou até atravessar a porta, e então se virou para mim, curioso.
— Ela não parece bem. Algo com a academia?
— Não. Preocupação de irmã.- foi tudo o que respondi.- Viu o céu hoje?- um sorriso animado se estampou em seu rosto.
— Tive a mesma ideia.
— Que ideia?- perguntou Felicity.
— Ah. Todo ano quando chove muito e tem o aumento dos níveis dos rios eles andam de caiaque.- minha irmã respondeu. Felicity arregalou os olhos.
— Na…Na chuva?
— Algo do tipo.- Tommy respondeu.- É bem legal, Lis. Talvez fosse bom pra você tirar esse bico enciumado por conta da Nyssa.
— Eu não estou com ciúmes seu patife asqueroso!
Todos rimos, inclusive Felicity.
— Pare de perturba-la. Ela já teve que tomar café com Thea hoje.- Sara respondeu.- Temos que fazer um girls night.
— Apoio!- minha irmã disse contente.
Todos se sentaram no balcão e eu, John e Roy os servimos. O movimento foi diminuindo, e no final apenas o nosso grupo havia restado. Entre risadas e mais risada, olhei para Thea, curioso, e ela apenas deu de ombros e piscou.
Eu realmente estava ficando preocupado.
Decidiram que iríamos continuar nossa pequena confraternização no chalé de Felicity e a mesma concordou animadamente. Todos foram para seus carros, menos Felicity, que mentiu ao dizer que havia esquecido algo no bar. Fui com ela, e ao estarmos sozinhos, a puxei para mim em um meio riso.
— Não temos muito tempo.- sussurrou ao me beijar.- Fiquei com saudades hoje.
— Eu também.- levei minha mão até seu rosto, o acariciando.- Como foi o café com Thea?
Felicity gargalhou.
— Eu sabia que você estava louco para ouvir sobre isso.- sorriu sapeca.- Foi bom. Conversamos.
— Sobre…?
— Eu não vou te contar.- Felicity riu da minha cara frustrada.- Mas não se preocupe, foram só coisas boas.
— Só boas, é?- a puxei mais para perto, olhando fixamente para sua boca.- Muito boas?
— Mujto boas.- concordou aérea. Uma buzina nos tirou de nossa bolha.- Ah, eu queria perguntar uma coisa.- assenti.- O que Nyssa queria com você?
Ela realmente havia ficado com ciúmes afinal.
A virei de costas para mim, e a enchi de beijos no pescoço. Felicity riu e tentou se soltar, porém eu não a soltei.
— Você fica uma gracinha enciumada.
— Eu não…Ah, que se dane. O qual era o assunto?
Minha mudança de comportamento a vez se virar para mim, preocupada.
— Tália.- foi tudo o que respondi.- Se envolveu em algo perigoso. Nyssa queria saber se eu sabia de algo.
— Você sabe?
Assenti.
— É muito grave?
— É sim.- Felicity me olhou preocupada.- Mas não vamos falar disso hoje. E eu acho melhor irmos ou os seus convidados- a vi me mostrar a língua- vão desconfiar de nós.
— Vamos lá.
Felicity me deu um beijo rápido e saiu na frente, falando que havia achado seus brincos. Ri de sua encenação e fechei o bar, entrando em minha picape.
Ah, eu estava muito feliz.
Mas o que Felicity havia contado a Thea sobre mim ainda me atormentava.
Talvez eu perguntasse mais tarde.
eu perguntasse mais tarde.
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