The girl from LA
13 Capítulo 13: Esconde-esconde
Notas iniciais
Pov Felicity
Ir a Eureka fora sem sombra de dúvidas uma das melhores noites da minha vida. Rimos, brincamos, dançamos, e claro, havia Oliver.
Sempre havia o Oliver.
Que me desmontava inteira.
Eu conseguia ver seu sorriso travesso aos nos beijarmos escondidos. Até mesmo o brilho de seus olhos, que cintilavam, cheios de carinho. Me recordava com clareza da conversa que tivemos na cidade portuária, onde o mesmo dizia que conseguiria viver com o fato constante de eu poder machuca-lo, e aquela incerteza, agonizante, de não saber se eu o desejava. Ele estava disposto a suportar tudo aquilo por mim.
Oliver merecia mais.
Muito mais.
Suspirei pesadamente, enquanto passava o café. Era cedo e a clínica já estava aberta. Quentin, ao sentir a fragrância doce, logo apareceu ao meu lado, com duas xícaras. Nos servi, e juntos, fomos até a sua sala, olhando para as diversas fichas dispostas em sua mesa. Quentin reclinou a cadeira, se alongando, para só então, bebericar seu café.
— Notifiquei mais dois casos como os de Nicole na região.- comentei, assoprando minha xícara.- É um adolescente de 16 anos, que mora ao norte de Virgin River. A mãe dele veio aqui na semana passada, se queixando dos sintomas do filho.
Sua sobrancelha erguida era o sinal para que eu devesse continuar.
— Ele apresentou febre, crise asmática e espirros. Como um resfriado comum.
— Não sei se é um resfriado comum.- lamentou, arrumando a postura na cadeira.- Temos que investigar a fundo isso. Quantas pessoas temos com estes sintomas e quantas mais irão aparecer nos próximos dias, sem contar com as que se automedicam em casa. Acho que teremos que fazer visitas nas residências.
Assenti e anotei as informações no caderninho.
— Quero que você e Tommy cuidem dessa parte.
Me engasguei.
Assoprei o café com mais pressa, o virando em minha boca para que o pigarreio saísse. Só podia ser brincadeira. Ele…Ele queria mesmo que eu fizesse isso?
— Deixa eu ver se eu entendi.- tossi mais uma vez. Merda.- Você quer que eu e Tommy atenda essas pessoas? Que eu participe?
— É.
Eu não poderia estar mais feliz.
Me levantei, contornando a mesa para abraçá-lo.
— Você não vai se arrepender, eu juro!- continuei a aperta-lo.- Ah, só de saber que não vou precisar ficar somente fazendo café e cuidando de fichas…
— Se não me soltar vai voltar para essas funções imediatamente.
O apertei mais uma vez, saindo saltitante até a porta. Escutei seu riso abafado em minhas costas e eu mesma ri. Se me perguntasse a alguns meses atrás que Lance poderia ser uma pessoa legal eu seria a primeira a responder que não.
Encontrei Tommy pendurando seu casaco. O moreno arqueou as sobrancelhas, em uma pergunta clara por minha alegria.
— Eu estou feliz.
— É, eu percebi.- sorriu ao cruzar os braços.- Oliver tem a ver com isso?
Em parte sim- uma voz sussurrou.
— O que Oliver teria a ver com isso?
E todo o meu ânimo fora por água abaixo.
Lá estava ela, com seu salto fino e olhar marcante. Laurel estava um pouco mais à frente na cozinha, encostada a parede, me encarando de cima a baixo.
Suspirei, tentando parecer simpática.
— Oliver não tem nada a ver com isso.- corrigi Tommy com um olhar feio. O mesmo apenas deu de ombros, divertido com o olhar aborrecido da Lance mais velha.- Quentin quer que investiguemos essa possível epidemia de gripe na cidade. Falou que quer nós dois- apontei para mim e para Tommy- cuidando dessas pessoas, fazendo visitas em suas residências.
— Ele deixou você participar?- perguntou Tommy animado.
— Sim.
Tommy sorriu e me abraçou, me erguendo do chão enquanto rodávamos na sala. Pedi para que me soltasse, já que estava ficando tonta.
— Isso é ótimo, Lis!
— Finalmente vou poder efetivamente cuidar das pessoas. Não vou precisar ficar somente em fichas. Isso é tão bom!
— Ele está pegando confiança em você. Isso é bom.
— É.- concordou Laurel azeda.- Muito bom. Meu pai não deixa qualquer um cuidar de seus pacientes. Talvez ele esteja de bom humor.
Me preparava para respondê-la, até que Tommy colocou uma mão sob meu ombro, em um toque discreto.
Ela está te provocando.
E eu sabia que estava. Mas mesmo assim…
— Se nos der licença, precisamos nos preparar para o dia. Por que você não dá uma volta? Talvez até a represa? Poderia se jogar no rio. Quem sabe assim você não se livra dessa amargura?
Prendi o riso, o disfarçando em uma tosse. Laurel olhava de forma mortífera para Tommy.
— Sabe que se eu cuidasse das coisas, você já estaria demitido, não é?
— Ainda bem que quem cuida da clínica é o seu pai.
Estava na hora de terminar aquilo.
O puxei pelo ombro, pedindo licença a Laurel. Fomos até a sala do ultrassom, e quando fechei a porta, o ouvi resmungar.
— Aquela desgraçada. Como Quentin conseguiu se reproduzir e deixar um ser tão patético?- a xingou.
— Faz tempo que vocês não se dão bem?- perguntei, me sentando na poltrona.
— Faz. Desde que ela e Oliver…- se calou, arregalando os olhos.- Olha, Felicity…
— Tudo bem. Nós já conversamos.- o acalmei.
— E…
— E que continuamos amigos.- menti.- Pode por favor continuar a história?
Tommy suspirou.
— Desde que ela e Oliver começaram a se relacionar. Ela estava a poucos dias na cidade, sempre muito simpática, mas nunca me enganou.- revirou os olhos.- Quando começou a pegar mais confiança, tentou fazer a cabeça de Oliver e Quentin contra mim. Ela queria que eu perdesse o meu emprego e que saísse da cidade.- o olhei chocada.- Felizmente não funcionou.
Fiquei reflexiva por um tempo.
Se ela fez isso por simplesmente não se dar bem com Tommy, imagine quando…
Calma, Felicity. Isso não vai acontecer.
— Seja esperta, Lis. Não se deixe levar pelas provocações. Todos a conhecem, então não fique tão preocupada.
Assenti, forçando um sorriso.
Uma voz conhecida ressoou pelo local. Sara entrou na sala com um sorriso largo, que logo contagiou Tommy. Ambos se observaram com aquela atração explícita, até que a mesma passou por ele e veio me cumprimentar com um beijo na bochecha.
— E eu não ganho nenhum beijinho, Lance?- fez bico. A loira chegou mais perto, passando os braços por seu pescoço.
— Quantos quiser. E muito mais.- o deu um selinho demorado.
Certo, eu estava sobrando aqui.
— Vou continuar na sala de espera. Caso algum paciente chegue eu o atendo e aviso a você. Vocês tem uns minutinhos no paraíso, aproveitem.- ergui as sobrancelhas com um sorriso malicioso.
Ambos sorriram e eu fechei a porta. Balancei a cabeça, divertida, até que avistei uma mulher com um garotinho pequeno.
Hora do trabalho.
***
Atendi dois pacientes hoje.
O primeiro, um garotinho de cinco anos que se queixava de enjoo e falta de ar. Já o segundo, uma senhora de idade, veio apenas fazer seus exames de rotina. Fiz a primeira parte de seu atendimento com Quentin ao meu lado, atento em minhas ações, até que, quando chegou sua vez, o mesmo assumiu sem me dizer uma única palavra.
Se passava um pouco mais das duas horas da tarde. O dia estava calmo hoje e, ao julgar pelo ritmo, não teríamos muitos pacientes ao decorrer do dia. Caminhei até a cozinha, lavando os utensílios que usamos para o café, até que senti alguém atrás de mim. Estava pronta para pegar uma faca, até que seu beijo conhecido em meu pescoço me acalmou. Imediatamente sorri.
Era Oliver.
Claro que era Oliver.
Puxei suas mãos para frente, nos deixando ainda mais abraçados enquanto deitava minha cabeça para trás, o dando livre acesso para continuar sua trilha de beijinhos.
— Não sabia que eu tinha pacientes tão bonzinhos.- murmurei, sorrindo.
— Espero que nem todos sejam bonzinhos.- ri de seu comentário e me virei, nos deixando frente a frente.
Eu estava com tanta saudade, Ah.
Era muito bom tê-lo ali, pertinho.
Meu coração se acelerava, meu humor melhorava. Tudo ficava melhor na presença de Oliver.
Tudo.
Inclusive a minha vida.
Eu tinha receio do quão apaixonada eu estava ficando por ele.
— O que você está fazendo aqui?- cochichei.
— Eu estava com saudades.- fez biquinho. Ri e o dei um beijo rápido.- Quentin me chamou também. Queria me ver para perguntar sobre alguns assuntos. Aproveitei e vim ver você.
— Você é doido. Já pensou se alguém nos visse aqui? Desse jeito?
— Que jeito?- perguntou malicioso, apertando minha cintura. Engoli em seco, sentindo minhas pernas fraquejarem.- Esse aqui?
— É, desse jeito.- murmurei quando nossos lábios se aproximaram e eu o beijei, lentamente.- Principalmente esse aqui.
— É. Esse daria um problemão.- comentou entre beijos, completamente anestesiado.- Esse aqui então…
— Queen!
Sua gargalhada me fez dar risada da situação. O mesmo recolheu sua mão que havia entrado por debaixo da minha blusa. Nos afastamos, ajeitando nossas roupas. Tentei o repreender pelo olhar, mas sem sucesso.
Eu não conseguia ficar brava com ele.
— Você é um perigo.
— Vim te fazer um convite. — disse cruzando os braços ao se encostar no armário.
— Que convite?- ergui as sobrancelhas, curiosa. Ao julgar seu sorriso de menino ele estava aprontando algo.- Oliver…
— É surpresa. Mas vamos supor uma situação.- fingiu pensar.- Digamos que, por ventura, no sábado eu tenha que resolver umas coisas e você foi até eureka fazer compras para Caitlin.
— Afinal, ela não teve tempo de conhecer a cidade, não é?- entrei em sua brincadeira.
— Exatamente. Você sai para resolver suas coisas. Eu as minhas…E por coincidência eu acabo te levando para um lugar.- seu sorriso se ampliou.- Você aceitaria?
— Hipoteticamente falando?
— Hipoteticamente falando.
— Não sei se você seria uma boa companhia.- fingi pesar.- Imagina passar horas com você sozinha…Ah, me parece uma tortura, tenente.— vi seus olhos escurecerem e Oliver morder os lábios.- Mas eu aceitaria sim, por educação.
Oliver sorriu, e ainda com os olhos intensos me observou, calorosamente. Se estivéssemos sozinhos, tenho certeza que eu já teria o agarrado. Eu sentia o calor em meus braços, em minhas pernas…
Engoli em seco, tentando focar.
— E sobre o chalé? Quando Sara vai me mostrar?
Oliver parecia se recuperar, e lentamente, saiamos daqueles bolha energética.
— Ela vai te mostrar neste domingo.- cochichou.- Sei que falei isso outras vezes. Mas aconteceram tantas coisas que a mesma não tinha certeza se era o momento. Faltam os móveis, claro, até domingo estarão prontos. Sara estava preocupada e acha que te mostrar o lugar vai te animar.
Sorri pensando nela. Sara era realmente uma amiga incrível. Seu zelo por mim, seu carinho…Eu não poderia agradecer mais ao universo por colocar pessoas tão boas em minha vida.
— Eu vou amar. Já amei.- sorri para Oliver que ficou sem graça.- Espero que você frequente bastante lá.
— Eu também. Ou você vai ter que ir para Eureka comprar coisas para Caitlin muitas vezes.
Ri de sua desculpa para nos vermos. Oliver me acompanhou.
— Você é um…
— Quanta animação!
Meu sorriso sumiu.
Laurel apareceu com um sorriso falso no rosto. A mesma encarou Oliver, me ignorando quase por completo. Revirei os olhos.
— Não sabia que estava aqui.- disse em tom sedutor.- Escutei sua risada. Parece feliz.
— Eu estou.
— Algum motivo especial?
— Minha vida anda boa, só isso.- piscou para mim. Involuntariamente, sorriso de canto.- Seu pai está? Ele me chamou.
— Ah, sim. Ele está no escritório. Te levo até lá.- pegou em seu braço.- Assim conversamos um pouquinho.
— Certo.
Oliver olhou para trás uma última vez com um olhar de socorro enquanto Laurel o arrastava. Segurei um riso até vê-lo sumir
Estava animada
E extremamente curiosa para descobrir aonde iriamos.
***
A noite não tardou a chegar.
Após um dia tranquilo na clínica, ajudei Quentin a organizar algumas coisas e fui embora. Dirigi até o Queens, que como de costume, se encontrava movimentado. Entrei sorrateira, observando Oliver trabalhar de longe. Sempre sorrindo, contente e animado.
Suspirei pesadamente.
Ele escondia suas dores muito bem.
Não falamos mais de seus problemas com o sono. Todavia, eu ainda estava preocupada. Não sabia muito bem como ajudá-lo, ou se devia ajudar. Eu mesma não havia contado metade de meus traumas para ele…Não seria justo cobrar isso dele.
– Felicity no mundo da luaaa- despertei com uma Lyla animada.- Tudo bem aí?
— Ah, sim. Me desculpe.- ri nervosa.- Acabei me distraindo.
— É, eu percebi para onde você olhava.- me cutucou, maliciosa. — Venha, vamos comer alguma coisa.
A segui. Nos sentamos e Roy veio nos atender.
— Um oi para as mulheres mais bonitas da cidade.- nos cumprimentou.
— Deixe só Thea ouvir isso.
— Ah, eu disse as mulheres mais bonitas. Ela é a mais bonita.- ri e o dei um empurrãozinho.- O que vão querer?
— Ah. eu gostaria de peixe com purê de batatas. John sabe como eu gosto. E um whiskey, por favor.- pediu Lyla.
— Eu gostaria de um caldo quente e uma torta de maçã.- O vi anotar, concentrado.
— Certo. Volto já já.
O vi passar animadamente, cumprimentou outros fregueses pelo lugar. Oliver ainda não havia me visto. Ele estava ali, colocando uma dose de whiskey para dois senhores que conversavam com o mesmo animadamente. Fiquei o observando por mais um tempinho, até que me recordei da presença de Lyla.
— Sarah está bem?- puxei conversa, tentando soar normal.
— Ah, está sim. Hoje ela foi visitar a minha irmã em Eureka.
— Uns dias de folga, então?
— Sim. Mas já sinto saudades. Irei vê-la.- ri. Por mais que crianças fossem umas pestinhas em certos momentos, elas preenchiam um buraco que só percebemos que estava aberto quando elas não estão em casa.- Eu sinto muito.
Eu sabia ao que ela estava se referindo. A história deveria ter se espalhado, até aonde eu não tinha ideia. Apenas assenti e dei de ombros.
— Tudo bem. — sorri sem humor.- Não é fácil.
— Imagino que não.- falou compreensiva.- Você é uma guerreira.- segurou em minha mão.- Tem que se orgulhar disso.- eu não via pena em seu rosto, mas sim…Admiração.- E se precisar de alguma coisa, tem a todos nós.- sorrimos.
— Eu não sou a única guerreira. Você por exemplo. Passou por uma gravidez de risco, John estava nas missões…
— Tempos sombrios.
Bati com os dedos na mesa. até que fiz a pergunta.
— Como foi pra você? Amá-lo depois que ele voltou da guerra?
Lyla levou um tempo até responder.
— Não é fácil amar um soldado, Felicity. Eles tem cicatrizes. Receios. Traumas que nunca vamos entender. Às vezes eles estão aqui fisicamente, mas o pensamento…- suspirou.- É complicado no início.
— Como você ajudou John a superar esses traumas?
— Dei o espaço que ele precisava e, ao mesmo tempo, a atenção. Conversar, ajudar eles a entenderem que aquilo passou…Que eles não estão sozinhos, não mais.
Assenti. Oliver não havia me contado muito sobre a sua vida pós guerra. Mas pelo o pequeno relato de Thea sobre sua dependência química não havia sido fácil para ele de maneira nenhuma.
Retornei de meus pensamentos quando Roy trouxe nossos pedidos. Notei um pequeno bilhete em meu guardanapo. O abri discretamente.
“ Uma comida deliciosa para a mulher mais linda do mundo.
Olhei para trás e lá estava ele, com um sorriso bobo. Balancei a cabeça divertidamente o repreendendo. Logo, terminei meu jantar maravilhoso conversando sobre outros assuntos com Lyla. O bar foi ficando vazio, e após todos irem embora, até mesmo John e Lyla, fui até Oliver.
— Acha que as pessoas vão perceber? Não conversamos muito hoje aqui.- passei meus braços sobre seu pescoço, o trazendo até mim.
— Acha que vão notar se mantermos distância quando todo mundo estiver junto?
— Não tenho ideia.
Oliver riu.
— Eu me sinto um adolescente com você, sabia disso?- Oliver se aproximou, me dando um selinho.- Sara vai mostrar o chalé domingo, não esqueça.
Fiquei animada.
— Qual expressão você acha melhor?- perguntei ao me afastar.- Ai meu Deus! É lindo!- tampei a boca, fingindo emoção. Oliver riu ao cruzar os braços.- Ou…Eu jamais imaginei que vocês estavam fazendo isso. É perfeito.
— Hmmm. Acho que o segundo está mais convincente.- riu.- E não se esqueça do nosso pequeno encontro, doutora Smoak.
— Ah, eu jamais esqueceria. Inclusive, estou super curiosa.- arquei as sobrancelhas, em uma pergunta silenciosa.
Oliver balançou a cabeça negativamente.
— Nem pense nisso. É uma surpresa, Lis.- revirei os olhos.- Só separe uma roupa de banho. O restante eu já arrumei.
Não sei essa fora a sua intenção, mas seu pedido havia me deixado ainda mais curiosa. O puxei pela gola novamente até mim. Oliver me observou com seus azuis, que escureciam à medida em que observava minha boca. Senti o toque de nossos narizes e ao encostar em seus lábios…E de repente, um barulho de um carro estacionando.
Meu coração pulou pela boca.
Oliver arregalou os olhos, alarmado. E eu me afastei. Completamente aterrorizada. Respirei fundo, em uma tentativa falha para me recompor. Oliver fez o mesmo, contornando a bancada do bar e ficando a postos, como se nunca tivesse saído dali.
Um Tommy um tanto cansado entrou pela porta. Ele estava sem o jaleco, apenas com uma blusa azul simples e uma calça preta. Assim que nos viu, um sorriso malicioso preencheu seus lábios.
— Ah, se eu soubesse que estavam sozinhos não teria atrapalhado.
— Não viaja, Tommy.- revirei os olhos.- Oliver está trabalhando.
— Mas só tem você aqui.
— E você agora.- pude ver, de esguelha, Oliver escondendo um sorriso.- Saiu da clinica agora?
— Sim. Estava anotando umas coisas. Fui tirar meu jaleco e Sara apareceu e aí…-arqueou as sobrancelhas, sorrindo.
— Que nojo, Tommy!- o repreendi.- Se eu encontrar alguma coisa sua por aí…
— Pode deixar que eu não transei na sua cadeira. Tive consideração.
— Eu agradeço a sua bondade.- levei minha mão ao peito. O vi rir e olhar para Oliver.
— Não me peça conselhos, Tommy. Já sei o que você vai falar.
— O que ele vai falar?- perguntei a Oliver, curiosa.
Tommy cruzou os braços e o lançou um olhar pidão.
— Ollie, por favor…Qual é!
— Tenha santa paciência. Do que vocês estão falando?- clamei para descobrir.
Oliver riu e se apoiou no balcão.
— Toda vez que volta a sair com a Sara ele tem crises existenciais.- explicou.- Ele gosta de estar com ela, mas tem medo de que Quentin fique chateado e sua relação com o doc se estremeça. Por isso ele sempre vem até mim me pedir a minha casa, um local neutro segundo ele, para se encontrarem.- Tommy sorriu galanteador.- Minha resposta é não.
— Qual é! Por favor!- o moreno segurou em sua mão.- Laurel está no meu pé, e eu não quero dar mais motivos para ela querer me tirar daqui.
— Já pensou na sua casa? Seria um ótimo lugar.
— Eu não levo as mulheres até a minha casa porque isso significa seriedade. Eu vou até a casa delas. Mas Quentin e Laurel moram lá!- choramingou.- Por favor…
Ri de sua situação.
Tommy e o seu mundo invertido.
Oliver lhe ofereceu uma bebida e continuaram a conversar. Vi que ambos estavam precisando de um momento a sós e fui embora, me despedindo. Oliver se ofereceu para me acompanhar até o carro mas neguei, o lançando um olhar que rapidamente entendeu, sorrindo de canto.
Ao chegar na pousada, encontrei com Dinah, já aproveitando para comentar que passaria o sábado fora por conta de Caitlin. Eu sabia como a cidade funcionava, e caso alguém questionasse, eu já teria o álibi perfeito. Quando cheguei ao quarto me deparei encarando a gaveta da penteadeira.
Fazia um tempo que eu não o usava.
Será que ele estava chateado?
Peguei minha antiga aliança e a coloquei em meu dedo, em um sinal de tortura. Às vezes eu me achava masoquista por fazer isso. Meu casamento havia acabado.
Ray não voltaria mais.
Mas ainda sim…Ainda sim eu sentia sua falta, e me sentia culpada por sentir sua falta quando estava prestes a ter um final de semana maravilhoso com Oliver. Meu peito se apertou, e eu coloquei o objeto em seu lugar, fechando a gaveta. me sentei na cama, abraçando os meus joelhos.
Oliver merecia mais do que a metade de uma pessoa.
Sua fala em Eureka havia me deixado muito pensativa, quando ele disse que ficaria despedaçado se eu o machucasse, mas que ainda sim torceria por mim.
Me entenderia.
E eu me senti mal novamente por colocá-lo nessa posição.
Ele era tão cuidadoso. Tão apaixonante…Era quase impossível não nota-lo. E apesar de toda a sua dor em seus momentos de guerra, ele transmitia uma paz inexplicável. Oliver estava mexendo comigo.
Muito.
Seu sorriso bobo, a alegria contagiante…Tudo nele era magnífico. Era quase impossível não se apaixonar.
E eu acho que é exatamente isso que está acontecendo.
Tomei um banho, e após me cobrir com um lençol, adormeci, sem me delongar muito. Talvez fosse isso que eu precisasse.
Descansar.
Até porque, sábado seria, sem sombra de dúvidas, muito energético.
***.
Enfim, sábado chegou. E com ele, mais uma aventura. Eu estava nervosa, bem nervosa. Segui as instruções do Oliver. Peguei uma muda de roupas, biquíni, toalha, alguns cremes, repelente e objetos pessoais. Coloquei uma calça jeans preta rasgada, um coturno da mesma cor e uma camisa de alças da cor branca, e uma jaqueta quentinha por cima. Acredito que, durante a noite, poderia fazer frio e eu queria estar preparada para todas as ocasiões. Passei uma maquiagem leve e um batom nude, preparando o restante das coisas até que ouvi meu celular vibrar.
Oliver.
“ Bom dia, minha doutora. Só para avisar que não vejo a hora de te ver.”
Sorri, e imediatamente o respondi.
“ Bom diaa. Também não vejo a hora de te ver, tenente. “
“ Vc sabe que eu amo quando você me chama assim, não é?”- sorri comigo mesma. Sim eu sabia, Oliver ficava completamente desconcertado toda vez que eu o chamava de tenente .
“ Ah, eu sei, tenente.- o provoquei mais uma vez.-
Um segundo se passou, até que ele respondeu.
“ Felicity…Se continuar a me chamar assim vou ter um pouquinho de resistência e talvez não consigamos chegar aonde quero levar você.”
Tentei fazer com que ele falasse para onde iríamos.
“ E onde exatamente seria esse lugar?”- joguei verde.
Ele não estava comigo, mas eu podia ver, por trás daquelas mensagens, um sorriso divertido em seu rosto. Eu havia sido pega.
“ Quase me pegou, doutora Smoak.- sorri.- Você é diabólica.”
“ Ah eu sei.- brinquei.- Até daqui a pouco, Oliver.”
“ Até daqui a pouco, Lis. Estou te esperando no lugar combinado.”
Peguei minha mala e desci as escadas, encontrando Dinah na recepção. Mais uma vez, reforcei que ficaria em Eureka por conta de Caitlin e então sai, pegando meu carro. Dirigi por alguns minutos até que cheguei a casa de John. Estacionei o carro e desci, retirando o meu óculos de sol e caminhei até a casa.
Eu havia saído com o meu carro. E se eu voltasse sem ele…Pensamos muito aonde poderíamos deixá-lo, até que lembramos de John, o único que sabia de nosso pequeno segredinho.
Por sorte, Lyla estava na cidade vizinha com a pequena Sarah, na casa de sua irmã. Me lembrei de que ela havia comentado algo similar a isso para mim na noite no bar, então o plano era perfeito. Ela voltaria apenas amanhã à noite, um tempo ótimo para mim e para Oliver.
Eu estava extremamente ansiosa para o dia de hoje.
Dei dois toques na porta e aguardei, até que Dig a abriu, sorridente. Indicou que eu entrasse.
A casa dele era linda.
Como o costume da região, era de madeira, tendo a natureza como uma das principais decorações do ambiente. Olhei para a estante, encontrando algumas fotos de sua filha, sempre muito sorridente.
— Ela é linda.- comentei, apaixonada pelo sorriso da menininha.
— É o meu tesouro mais precioso do mundo.- falou Dig atrás de mim, sorrindo de canto.- Mesmo que as vezes eu precise de alguns para descansar de sua energia.
Gargalhei.
Pais e seu amor incondicional pelos filhos.
John me olhava divertido. Suspirei e o abracei.
— Obrigada.- falei em meio ao abraço.
— Não foi difícil notar que vocês estavam juntos. Oliver estava mais sorridente, mais…Feliz.- me deixou sem graça.- E você também.
— Achei que estivéssemos disfarçando bem.
— Eu vejo a maneira que vocês se olham. Os olhos, Felicity- apontou- nunca mentem.
Meu coração se acelerou, mas eu não tive tempo para pensar na razão daquilo. Oliver apareceu da cozinha, trajando uma camisa preta e uma bermuda que o deixou simplesmente…Engoli em seco, especialmente pelos seus olhos, sempre tão intensos, me observarem com a mais pura animação e encanto. Ele veio até mim me dando um beijo na testa e passando a mão em minha cintura, para nos deixar lado a lado.
— Pronta para uma aventura, doutora Smoak?
— Sempre.- brinquei.
— Isso é lindo.- John nos tirou de nossa bolha.- Cada vez mais claro toda a animação de Oliver. Ele não para de falar de você para mim se quer saber, Lis.
— Dig!- Oliver tentou interrompê-lo, o que me fez rir.
— Ah, então vocês andaram conversando sobre mim.- arqueei as sobrancelhas.- Algo bom, Dig?
— Só coisas boas, prometo. Teve um dia que…
— É melhor irmos. Vamos nos atrasar.- ri de Oliver que segurou minha mão e nos guiou até lá fora.- Tchau John.
— Se cuidem. Precisando de algo me liguem.
Oliver pegou minha mala e entregou a chave do carro para John. Vi os dois dando um aperto de mãos forte pelo retrovisor e Dig o dar tapinhas nas costas, o deixando completamente vermelho. O aguardava no banco do passageiro e no momento em que o vi entrar, ergui as sobrancelhas.
— O que Dig disse que o deixou vermelho?- Oliver ligou o carro.
— Você não vai querer saber.- disse segurando o riso.
Oliver se virou para mim, puxou o cinto, e após se certificar de que eu estava segura, me deu um beijo na testa, pegando um boné e o colocando em minha cabeça.
— Linda. Vai precisar para o sol.- Colocou seus óculos.- Pronta?
— Pronta.
***
Oliver dirigiu por pouco mais de uma hora.
Eu não conhecia aquelas vias, muito menos o caminho pelo qual estávamos circulando. De uma coisa eu sabia, não era Virgin River, muito menos Eureka, pelo menos não o centro.
Então aonde estávamos?
Descemos uma serra, e então, quando saímos do declive e continuamos em uma via reta, eu senti aquela brisa de mar. Oliver entrou em uma clareira com vegetação rasteira, longe da via, e então, estacionou.
O encarei, ansiosa.
— Aonde estamos?
— Você já vai ver.
O vi sair, e no momento em que tirei o cinto, Oliver abriu a porta do passageiro, me ajudando a descer. Pegou algumas coisas em seu porta malas, desde sacolas grandes até a minha mala. Peguei algumas outras coisas para ajudá-lo e segurei em sua mão, deixando que nos guiássemos. Saímos da clareira entrando em uma floresta, que mais à frente se encerrava, dando uma das vistas mais lindas que eu já havia conhecido em toda a minha vida.
Era uma espécie de praia secreta, completamente escondida em meio a vegetação. Suas ondas, cristalinas, molhavam a área de forma suave, sem violência, apenas em um leve balançar. Oliver colocou as sacolas em um ponto mais para trás, fiz o mesmo, e então o mesmo me observou, em expectativa.
— Achei que precisássemos de um tempo sozinhos. Primeiramente pensei em Eureka, mas alguém poderia nos ver lá por conta de Lyla, e você quer privacidade. Então lembrei desse lugar, e que poderíamos acampar e passar a noite aqui.- suspirou, um tanto apreensivo.- Você gostou?
Pulei em cima dele, depositando diversos selinhos em seu rosto. Oliver riu, segurou minha perna e me encaixou em sua cintura, me deixando suspensa no ar enquanto me observava.
— Eu amei! Aqui é tão lindo…- encostei nossos lábios outra vez, o dando uma série de beijos a cada palavra.- Sem interrupções. Sem medo de sermos descobertos. Apenas nós dois…- Oliver mordeu levemente meu lábio inferior, e então, envolveu sua língua a minha, me dando um beijo que me deixou de pernas bambas.
— Que bom que gostou.- sussurrou, mordendo meu pescoço. — Um dia só nosso.
— Só nosso.- repeti, completamente embriagada por seu beijo. — Vai precisar de ajuda para montar a barraca?
— Vamos ver se você é uma boa escoteira.
***
Eu sou péssima em montar barracas.
No primeiro momento, tentei ajudar Oliver, mas mais estava o atrapalhando do que ajudando. Deixei que montasse sozinho e fui retirar as outras coisas das sacolas. Haviam pufes, cobertas, uma pequena mesinha e até mesmo, uma garrafa de vinho e comida. Estendemos um enorme tapete em frente aonde dormiríamos e montamos os outros objetos ali, para não sujar com a areia da praia. Para nossa sorte, havia um rio perto de nós, onde poderíamos nos banhar para tirar a água do mar.
Oliver parecia ter pensado em tudo mesmo.
Coloquei o meu biquíni azul escuro e passei um pouco de protetor solar. O observei colocar as chaves e a carteira no tapete e então ir checar a água, que estava bem gelada. Fui ao seu encontro, suspirando ao sentir aquele gelo molhar os meus pés
— Muito gelada…Nem pense nisso Oliver.- vi seu sorrisinho ao me encarar de cima a baixo.- não vai me jogar aí.
— Ah, eu não vou.- sorriu, brincalhão.- Você que vai vir até mim.
— E por que eu faria isso?- cruzei os braços. Parecia que ele aguardava por essa pergunta pois retirou a camisa devagar, mostrando seus músculos. Suspirei com a visão.
Foco felicity, Foco.
— Isso…Isso não muda nada.- gagueiei ao ver que suas mãos desabotoaram a bermuda, o deixando apenas com uma cueca box que definitivamente eu iria sonhar depois.
— Que pena. Adoraria ter você aqui comigo. — entrou de costas para o mar, molhando seu rosto. — Realmente é uma pena. Acho que vou ter que nadar sozinho.
E com seu sorriso mais desgraçado possível, o vi mergulhar naquelas águas calmas. Mordi os lábios, o vendo nadar de um lado para o outro.
Aquele grande filho da mae.
Sabia exatamente o que estava fazendo.
Olhei para os meus pés, que ainda estavam molhados e para a barraca. Depois voltei ao Oliver e fiz o mesmo caminho de novo.
Quer saber, foda-se.
Joguei nossas roupas no tapete e entrei, estremecendo de dor por cada parte do meu corpo ao entrar em contato com aquela água gelada. Oliver sorriu e abriu os braços, me puxando até si. Respirei fundo, me acostumando com a temperatura.
Não estava tão ruim.
— Viu só.- me deu um selinho.
— Você é um grande cretino, sabia disso?- passei minha mão por sua barba.- Um cretino absurdamente sexy e quente.- Oliver gargalhou.
— Quando você veio para cá e nós começamos…Não sei bem o que começamos, mas havia algo. — assenti, mostrando que o compreendi.- Um dos meus maiores tormentos era saber o que você achava de mim.
— Sério?- falei, realmente surpresa.
— As vezes eu escutava os seus burburinhos, mas não era o suficiente. E aquilo me atormentava de uma maneira…Ah, Felicity. Você não tem noção.- sorri um pouco sem graça.- Fui treinado para ler pessoas. Mas você sempre foi um dos meus maiores enigmas.- encarei profundamente aqueles olhos que davam a impressão de ver a minha alma.
E se ele visse e não gostasse?
E se soubesse de Ray?
Oliver, sempre observador, notou minha pequena mudança de pensamentos. O vi suspirar.
— Ainda é pelo visto.- continuou baixinho, entreabri os lábios mas Oliver balançou a cabeça em negativa.- Apenas quando você quiser.
E era nesses momentos que eu via que ele merecia mais. Eu não deixaria que os meus problemas atrapalhassem a nossa viagem.
Não, isso não aconteceria.
— Vamos falar de coisas boas.- disse animada.- Quer dizer então que vamos jantar à luz das estrelas? Não sabia que era romântico.
— Ah, eu sou. Acredito no amor.- brincou, ri de seu tom.
— Sei. As mulheres que você dormiu devem dizer algo contrário a isso também. — Oliver balançou a cabeça, divertido. — Oliver, tenho que te contar uma coisa.
O vi assentir, agora um pouco mais sério.
— Eu não sei nadar muito bem.- seu semblante relaxou.- Então se você pudesse ser o meu professor particular por um dia…- fiz bico.
Oliver riu mais uma vez, balançando a cabeça e mordendo seus lábios.
— Como dizer não a você?
O de um beijo na testa e deixei que Oliver nos levássemos mais ao fundo. A água batia em suas costas, e como eu era bem menor que ele, aquilo definitivamente era fundo para mim. Oliver me segurou apenas pela cintura, me dando instruções para bater os pés. O segui a risca, engolindo água a primeira vez que ele me soltou. Rimos, até que Oliver me mostrou o que fazer com os braços e eu tentei mais vez. O mesmo havia me deixado de bruços na água e segurava a minha cintura, até que novamente me soltou. Engoli menos água desta vez e até consegui sair do lugar, indo diretamente ao seu encontro e o agarrando, em busca de algo seguro.
— Muito bem, Felicity. Isso já foi um grande passo.
— Fala isso pros meus pulmões. Eles vão ter água por dias. — disse ofegante, o loiro riu baixinho. — Vamos tentar algo mais relaxante.
Novamente Oliver me deixou, sem ser de bruços dessa vez. A água gelada molhava meu cabelo e vez ou outra entrava em meu ouvido. Suspirei, mexendo os dedos dos pés, em uma brincadeira gostosa com o mar.
— Feche os olhos.- atendi seu pedido, seus braços me davam apoio ao ficarem embaixo de minhas pernas e das minhas costas.- Muito bem. Agora relaxe.
O senti me mover, balançando meu corpo levemente e aquilo era…Magnífico. Abri meus braços, deixando que toda aquela natureza, cheia de vida e silenciosa me purificarem. Não sei quanto tempo se passou, mas ao abrir os olhos, encontrei com Oliver, que me observava em silêncio.
— Isso é muito bom. sussurrei. Ergui meu braço tocando em seu rosto.- Obrigada.
— Não precisa agradecer.- beijou meus dedos, meu corpo se agitou. — Felicity?
Mudei a posição que eu estava. Suas mãos ainda seguravam minha cintura, me dando o apoio necessário para fazer os movimentos. Encaixei minhas pernas em volta de sua cintura, nos deixando colados. Meus braços passearam por seu corpo, até que uma de minhas mãos desceu por seu abdômen.
—Felicity.- sua voz, agora rouca, estremeceu ao sentir meus dedos lá embaixo.- Lis…
— Shhh. Agora é a minha vez de te fazer relaxar.- O dei um selinho demorado.- Feche os olhos, tenente.
Seus olhos escureceram e ele se arrepiou.
Por fim, obedeceu.
Minhas mãos passavam por seu tecido, e a medida que eu me aprofundava um pouco mais, Invadi o tecido, o sentindo por inteiro. Oliver estava muito excitado, tanto que me deu água na boca. Mordi os lábios e com uma das mãos o acariciei, em um vai e vem delicioso. O vi engolir em seco, e então praguejar baixinho. Uni nossos lábios em um beijo sedutor e profundo, o explorando com a língua em uma lentidão anestesiante. Aumentei a velocidade e Oliver mordeu um de meus lábios, completamente inebriado. Ele ainda continha os olhos fechados, e seu gemido, que tentava a todo custo segurar, escapou quando passei a morder seu pescoço. Ele estava quase lá.
Eu sentia isso.
Joguei baixo, e mexi minha cintura em seu abdômen. Oliver jogou a cabeça para trás, e em questão de segundos o senti desmanchar em minhas mãos. Seu coração estava acelerado e ele ainda continha a cabeça para trás, ofegante. Limpei minha mão na água, e ao encontrar seu olhar caloroso após a onda do pós sexo, não pude deixar de sorrir.
— Você é um perigo, Felicity Smoak.- sua mão em minha cintura fez meu corpo estremecer.
— E o que vai fazer a respeito?- os olhos de Oliver brilhavam, segurando seu instinto primitivo.
— Você vai ver, mais tarde.- mordeu meu lóbulo. Soltei um gemido baixo.- Acho que agora devemos sair. Está começando a ficar frio.
— Realmente. — concordei.- Quero ver o que você vai cozinhar para mim.
Oliver nos levou de volta até o raso, me dando um selinho ao me colocar no chão. Peguei minha muda de roupas e o segui até o lago, onde nos banhamos( algo que demorou mais que o previsto devido a sua língua maravilhosa) e após estarmos devidamente limpos, fomos fazer outras atividades. Oliver me ensinou a pescar, o que foi algo divertido, e depois fizemos uma pequena trilha pela mata, a tempo de ver um por do sol lindo. Tiramos algumas selfies tanto em meu celular quanto no seu, e eu, se tivesse sinal, com certeza mandaria para Caitlin.
Logo escureceu, e Oliver nos cercou de pequenas velas e uma lâmpada fluorescente. A luz da Lua estava alta, e iluminava o horizonte daquele mar imenso. Oliver havia acendido uma fogueira e nos serviu uma taça de vinho e um pequeno banquete, se sentando ao meu lado e propôs uma pequena brincadeira. Tive meus olhos vendados e teria que adivinhar qual comida era apenas pelo meu paladar.
— Oliver…- o chamei, um pouco curiosa e aflita.- Se você me sujar…
— Eu limpo, não tem problema.- escutei seu risinho.- Agora vamos lá. Adivinhe esse aqui.
Algo doce e um pouco melado melou meus lábios e eu ri. Oliver me beijou, limpando o excesso, e então me fez provar mais uma vez. Hmm…Isso parece…
— É mel, não é?
— Isso mesmo. Agora tenta esse aqui.
Um pouco mais difícil. Era um molho agridoce. Provei mais uma vez, sentindo bem o sabor explodir em minha boca.
— É uma geleia. Sei que é.- falei animada.- Mas agora do que é…
— Pimenta.- Respondeu.- Essa foi um pouco mais difícil. Porém a próxima você vai acertar de letra.
Um barulho de algo espumoso ressou e foi direto para a minha boca. Ri ao sentir meu rosto ser melado e tirei a venda, puxando Oliver para um beijo. Melei sua barba e ri ao pegar o frasco de sua mão, o melando mais ainda.
— Lis!- me repreendeu, rindo.- Está me sujando inteiro de chantilly!
— É essa a graça, não é? Sujar para depois limpar.- arqueei as sobrancelhas.
Oliver semicerrou os olhos, entendendo o sentido de minhas palavras e ergueu os braços, em sinal de redenção. Levei meus lábios até seus rosto, passeando até seu pescoço. Oliver retomou o controle da situação, levando sua mão até a minha nuca, nos levando a um beijo que me deixou sem ar. Era como estar viva outra vez. Se sentindo amada. Feliz. Alegre. Era como me atirar em um precipício, sem saber como seria o final.
E no momento, eu não me importava com o final.
Nos separamos, em busca de ar. Me encostei em seu peito e ficamos em silêncio,mas não um silêncio constrangedor.
Um silêncio bom.
Seus olhos, pacíficos como o mar em nossa frente, observavam as estrelas. Me perguntei quantas vezes ele já havia acampado, pois ele tinha um preparo e habilidade excelentes.
— Já acampou muitas vezes?- o despertei.
— Algumas. Sempre gostei da natureza.- sorriu como um menino.- Foi um ponto positivo quando entrei para o exército. Sempre estávamos de mudança.- aguardei que ele falasse mais, ansiosa.- As estrelas eram a minha única companhia em muitas dessas missões. Apenas nós e o desejo de ficar vivo. Esse último não era um dos fatores mais fortes.- riu, sem humor.
Virei meu corpo para observá-lo bem. Me lembrei do que Lyla havia me aconselhado, e do quão difícil era para eles se desvincularem daquilo. As perdas, a dor…Segurei em sua mão. o trazendo de volta a realidade, mostrando que não estava sozinho. Oliver encarou nossas mãos, em silêncio.
— Deve ter sido muito difícil pra você, guardar tudo isso.- Oliver não disse uma palavra.- Eu não sei o que você passou, e nem das suas dores. Mas Ollie…Você não está mais sozinho. Tem John, Tommy, Sara, Thea, Roy, Quentin…- seu olhar encontrou o meu.- e a mim.- sorri, afetada.- Pode contar conosco. Comigo.- o vi engolir em seco.- Quando se sentir pronto.
— Eu…Eu aprecio isso.- Oliver me lançou um sorriso, carregado de um misto de felicidade e dor.- Obrigado.
— Nunca precisa agradecer.- nossos dedos brincavam um com o outro. — E eu não faço isso apenas porque você me ajudou. Faço porque quero fazer. Você…Você tem mexido comigo de uma maneira que eu ainda não entendo.- Oliver me encarava em silêncio. — E tem sido muito compreensivo apesar de eu ter os meus segredos.- meus olhos marejaram.- Céus, compreensivo é eufemismo para o que você tem sido.- olhei no fundo de seus olhos.- Eu não entendo isso ainda, nós.- apontei.- Mas pela primeira vez, depois de muito tempo, eu quero descobrir.
O loiro engoliu em seco e sorriu de canto.
— Fico feliz por isso.
As chamas iluminavam seu rosto, me levando a um deja vu do dia em que fomos sequestrados no acampamento de Slade. Aquele dia eu senti…Ah, senti essa poderosa sensação se espalhando por meu corpo, tão forte, que eu quase o beijei, quase.
Ele parecia se recordar também.
— É muito doido estarmos aqui. Se me perguntassem se eu acabaria numa situação dessas quando cheguei à cidade, eu teria negado loucamente.- Oliver soltou um riso baixo.- Quem diria que o homem que eu quase atropelei me traria para um paraíso na terra.
— Autolar!- ergueu a mão.- “ Quase atropelou”? Eu não me lembro dessa forma.
— Você estava confuso.
— Ah, eu me lembro perfeitamente da mulher de beleza estonteante rezando para que eu não morresse.- brincou. Cruzei os braços e ergui as sobrancelhas.
— Então você não estava tão ruim, seu safado!- o dei um empurrãozinho no ombro.- Apenas fez um charminho.
— Eu disse que não precisava de ajuda. Mas como você insistiu…- um sorriso sacana tomou conta de suas feições.
— Você é um perigo.- brinquei quando suspirei.- Hoje foi um dia incrível. Eu amei.- o vi sorrir.- Fazia tempo que eu não aproveitava o dia assim. Andei tanto tempo só focando nos problemas que esqueci que há diversão.
— Carpe diem.
Ergui as sobrancelhas, em um sinal claro de confusão.
— É uma frase que vem do latim, significa “aproveite o dia”. A conheci através de um filme chamado “Sociedade dos Poetas Mortos”. Um filme incrível, por sinal. Nele somos constantemente lembrados que temos que aproveitar os poucos momentos que temos, até porque “ um dia vamos parar de respirar, ficar frios e morrer" .- o olhei com atenção.- É uma frase do professor John Keating no filme.- se justificou. Acabamos por soltar um riso baixo.
— É bem…Poético. Como o próprio nome do filme já diz. Vou assistir depois.- Olhei em volta e depois Oliver.- Então, tenente.- seus olhos faiscaram.- Carpe diem.
— Carpe diem.
O barulho das ondas se tornaram nossa orquestra de fundo. Estávamos tão próximos e eu me sentia tão bem com ele…Fui levada a outro momento, distante, onde havíamos ficado presos no acampamento de Slade. As chamas da fogueira iluminavam seu rosto, em especial, os olhos, que continham um brilho misterioso.
Oliver parecia também lembrar, pois sua mão agora subia até meu rosto, segurando a ponta de meu queixo. Seu olhar encontrou o meu, em um pedido.
Assenti.
E ele me beijou.
Não em um beijo comum. Era sexy, romântico, carregado de tanta coisa…Suas mãos me exploravam, até segurou na barra de minha camiseta, a tirando em uma velocidade impressionante. Me deixei no tapete, em meio aos pufes, observando Oliver retirar sua camisa com pressa, e de olhar, cada pedaço de meu corpo. Sua língua molhou seus lábios, e eu estremeci com a espera. Ergui meu corpo, apenas para retirar meu sutiã, e quando voltei…Oliver passou suas mãos por meus seios, em um desejo faminto. Sua boca desceu de meu pescoço, e a língua, atrevida, tomou posse de onde suas mãos espertas a pouco estavam. Arqueei o corpo, em uma onda de prazer, mas Oliver me manteve no lugar. Seu olhar, escuro, me encontrou, e eu não pude deixar de ficar ainda mais excitada.
— Eu disse que iria te mostrar algo mais tarde.- sussurrou.- Espero que goste.
Suas mãos, puxaram o shorts que eu vestia para baixo, o retirando por completo de minhas pernas, engoli em seco.
— Eu confio em você, tenente.- e ali, eu o vi perder o controle.- Eu confio em você.
Oliver me beijou novamente, da maneira sincera que eu conhecia. Logo seus lábios me abandonaram novamente, se dirigindo até o meio de minhas pernas. Apertei um dos pufes, por seus beijinhos em minha coxa, virilha. ah…Ele estava me torturando, e sabia disso.
E eu queria muito mais.
Muito mais.
— Oliver…- o chamei involuntariamente, quando sua língua entrou em contato com o meu ponto mais sensível. -Ah, Oliver…
Estremeci, à medida que seus movimentos se revezavam com algumas chupadas. Não demorou muito e eu tremi, sentindo aquela onda quente se espalhar desde embaixo do meu ventre até o meu corpo todo. Soltei um gemido alto, e fiquei ofegante por alguns minutos.
O vi levar seu corpo novamente até minha, e me observar em silêncio. Suas mãos acariciaram o meu cabelo, colocando uma mecha atrás da minha orelha.
— Você é linda.- murmurou.- Linda…- beijou meu pescoço.- Você me tira do sério Felicity. Cada parte do meu corpo clama por você e…- balançou a cabeça em negativa.- Ah, eu não entendo isso também.
Sorri, e levei minhas mãos ao seu rosto.
— Vamos descobrir juntos então.
Sorrimos um para o outro, e pelo beijo de Oliver deduzi que ele não estava cansado. Muito menos eu estava. Quando se tratava de Oliver eu me tornava insaciável.
Me ergui, sentando em seu colo, completamente nua. Oliver ainda trajava uma bermuda, e trincou o maxilar quando remexi nossos quadris, causando uma fricção deliciosa Suas mãos passeavam por meu corpo, como se já conhecesse cada detalhe. Não era apenas sexo e prazer com ele.
Era muito mais que isso.
Tanto que eu me assustava.
Me assustava por notar que ele me conhecia tão bem, desde a forma de me tocar ou me beijar. Ou por seus olhos apaixonantes, que me faziam perder o controle, e suas declarações, que sempre me pegavam de surpresa. Era intenso, sexy, e ao mesmo tempo, romântico. Eu sentia tudo com ele, uma sensação indecifrável, que fazia o meu coração bater mais forte apenas por estar em sua presença.
Era misterioso.
Era bom.
Era alucinante.
Sem aguentar mais, o ajudei a se livrar das últimas peças, retornando a posição anterior. Oliver se deitou, e gemeu baixinho no momento em que me encaixei em si. movimentando nossos quadris. Mordi os lábios, ao senti-lo inteiro em mim, quente, me levando a loucura. As mãos de Oliver desciam por meus seios, passeavam por minhas costas, e seguravam minha cintura com força, me impulsionando cada vez mais para baixo. Coloquei minhas mãos em seu peito e fechei os olhos.
E apenas o senti crescer dentro de mim, assim como o meu próprio prazer.
— Felicity…- disse com a voz entrecortada.- Não aguento…Ah.
Aumentei meus movimentos, sem agora conseguir controlar os gemidos. Toquei em meus seios, sabendo que Oliver estava vendo, e então peguei uma de suas mãos, para acompanhar o que eu fazia. Em um segundo eu estava sentada, quando de repente, nossas posições foram trocadas, e o senti me penetrar profundamente. Nossos lábios se encontraram, e um beijo necessitado se fez presente. Nossos movimentos haviam alcançado a forma mais primitiva, sem mais carinhosos. E a cada momento em que seu quadril se afundava no meu…Eu via estrelas. Meu coração se acelerou, um grito me escapou eu então mordi seu ombro quando senti aquela onda quente levar tudo de mim. Oliver se movimentou algumas vezes até que atingiu seu ápice , enterrando seu rosto em meu pescoço. Seu corpo permaneceu deitado sob o meu, suado. O único barulho era das ondas do mar e de nossas respirações, que se acalmavam aos poucos.
Oliver me arranhou levemente com sua barba, me dando beijinhos, ainda sem sair de mim. Era uma sensação gostosa, e eu estava amando tê-lo assim em mim. Logo nos observamos e o vi me lançar um sorriso.
— Você não estava brincando quando disse que queria me mostrar alguma coisa.- Oliver gargalhou e se arrumou para me observar melhor.- Foi muito bom. Não só isso. Mas de estar com você nesse lugar, olhando para essas estrelas…- suspirei ao encarar o céu acima de nós.- Foi incrível, eu amei.
— Eu adoro te ver assim, sabia?- disse em um tom bobo.
— Assim como? Exausta por ter tido um sexo alucinante com você outra vez?- Oliver mais uma vez riu, aquele mesmo riso que me hipnotizou quando coloquei os meus pés em Virgin River.
— Alucinante, é?- ergueu as sobrancelhas.
— Não seja exibido.
Mas sim, o sexo com Oliver era um dos, se não, melhor que eu já havia experimentado em toda a minha vida. Devo ter balbuciado outra vez já que escutei seu risinho exibido me despertar.
Eu tinha que parar com aquilo.
— Ah, eu adoro as suas divagações. E adoro te ver assim, vermelha. Mas não era sobre isso que eu estava me referindo. Eu ia estava dizendo que gosto de te ver feliz. Seus olhos brilham, e o seu sorriso é encantador.- suspirou.- É lindo.
E o meu coração se apertou, cheio de amores. Coloquei seu rosto entre minhas mãos e o beijei, lentamente, demonstrando todo o meu carinho, tudo o que eu sentia por ele.
Até o que eu não sabia muito bem o que era.
Uma brisa fria arrepio nossos corpos, e então decidimos entrar para a barraca. Coloquei uma camiseta de Oliver e me deitei ao seu lado, sendo puxada até ele por seu braço. Nos cobrimos e contamos algumas histórias, até que em uma delas, minhas pálpebras pesaram, e em um limbo entre o mundo dos sonhos e a vida real eu podia jurar tê-lo ouvido dizer:
— Eu sei o que estou sentindo. Realmente estou apaixonado por você.
***
Raios solares me despertaram.
Me alonguei, levantando meu braço para encontrá-lo, no entanto, o canto ao meu lado estava vazio. Cocei os olhos e então ergui meu corpo, o apoiando com o cotovelo para olhar a porta da barraca aberta. Sai, encontrando uma mesa de café da manhã repleta de coisas gostosas. Desde queijos, pães e claro, uma torta de limão.
Sorri, me recordando imediatamente quando Oliver me acompanhou para ver um paciente.
Aquela torta havia se transformado em algo nosso, afinal.
Continuei a procurá-lo, até que o encontrei, sentado em um pano perto do mar, reflexivo. Peguei a garrafa térmica de café e preparei duas xícaras, indo em sua direção. O mesmo pareceu notar minha presença, pois sorriu, batendo com a mão no espaço ao seu lado. O entreguei o café, para só então, o dar um bom dia.
— Não quis te acordar. Você estava dormindo um sono tão gostoso.- comentou, acariciei sua mão que estava no chão.
— Eu esqueço que você é inquieto. Sempre está fazendo mil coisas.- brinquei.- Eu sou completamente o oposto. Se me deixarem, eu passo o dia dormindo.- Oliver sorriu.- Você dormiu bem?
O vi assentir.
Sem pesadelos, afinal.
Isso era algo bom.
— Foi uma noite ótima. Eu amei.- disse, encontrando seu olhar.- Obrigada.
Eu havia amado mesmo. Tudo.
A praia, a natureza, nossa pequena trilha, os toques…Eu me senti completa de novo e por incrível que pareça, feliz.
— Eu amei também.- me lançou seu sorriso tímido.- Tudo. Mas amei mais ainda te ver feliz.- e lá vinha ele novamente, me deixando sem graça.- Sim, eu gosto de te ver vermelha.- fechei os olhos, notando que havia balbuciado mais uma vez.- É uma gracinha.
— Pare de ser irritante.- o dei um empurrãozinho no ombro, Oliver riu.- Nem acredito que já vamos ter que ir embora hoje.- lamentei.
— É. Vai ser difícil eu fingir que não sinto nada por você depois desse final de semana.
— Você é um bom ator.
— Ah, eu sou sim.- disse exibido.- Mas minhas atuações não são dignas de um Oscar ainda. Alguém pode desconfiar.
Encarei nossas mãos entrelaçadas, pensativa. Acho que não seria um problema as pessoas saberem. Mas havia Laurel e Quentin. Eu…Eu não sabia como eles reagiriam e não estava pronta ainda para saber.
Oliver pareceu notar o meu desconforto pois abandonou sua xícara ao seu lado e se virou completamente para mim, colocando uma mecha rebelde atrás da minha orelha.
— Não se preocupe, Lis. Eu até estou gostando de ter esse segredinho nosso.- sorriu.- Só quando você estiver pronta, ok?
— Você é compreensivo demais, sabia? É tão compreensivo, tão lindo…- o vi sorrir sem graça.- Mas obrigada por estar tendo paciência comigo e por…Tudo mais.- por ter me apoiado com a perca do bebê, em meus momentos de crise, por tudo.- Você é especial.
— Não fiz nada demais.- foi tudo o que respondeu.
E lá estava a sua típica mania de não reconhecer os seus atos.
Levei minha mão até o seu rosto, passando meus dedos por sua barba que eu tanto gostava. Oliver segurou minha mão e a beijou, para em seguida, em um movimento rápido, me levantar em seu colo.
— O que está fazendo?- perguntei, sem conseguir conter o riso.
— Te levando para tomar café. Quero fazer nossos últimos instantes aqui especiais.
Sorri e deixei que me carregasse, até chegarmos à mesa novamente. Oliver nos serviu, e me lançou um sorriso tímido quando peguei a torta, que como sempre, estava divina. Logo uma agonia se instalou em mim ao notar que não poderíamos postergar mais o nosso momento, e que realmente teríamos que ir embora. Oliver pareceu notar, pois me abraçou por trás, dando um beijo no topo da minha cabeça.
— Teremos mais momentos assim, não se preocupe. E acredito que você esteja animada para finalmente conhecer o seu chalé.
Caramba, eu havia esquecido do chalé!
Oliver riu quando me virei para ele, completamente surpresa. O ajudei a recolher tudo, e após definitivamente não restar nada, voltamos pela trilha. Colocamos as coisas na camionete e então, partimos rumo a Virgin River. Em todo o caminho fui de mãos dadas com Oliver, e notei, depois de muito medo, não estar tão tensa dentro de um carro.
Acho que isso estava melhorando também.
***
Meu dia estava sendo uma correria.
Após chegarmos na casa de John e eu pegar o meu carro, corri para a pousada e tomei um banho. Como estava sem sinal, recebi diversas mensagens de Sara perguntando se eu já havia voltado pois queria me mostrar uma coisa. Caitlin havia me ligado também, e para acalmá-la, mandei uma foto de visualização única minha e de Oliver fazendo uma trilha perto da praia.
“ reagiu a sua mensagem ”
“ Ah, foi isso que você foi comprar para mim, né?— eu podia sentir seu riso por trás da mensagem. Eu tive que contar para ela já que, se Sara ou Thea perguntassem, eu teria um álibi perfeito. Claro que Caitlin amou.- Espero que tenha se divertido.”
“— Foi incrível.- respondi.- Mas estou exausta.”
“ — Transou muito?”
Ri e balancei com a cabeça, indignada com sua ousadia.
“ Sim. E vai ser tudo o que você vai saber. Tchau.”
“ Felicity!”
Segurei o riso, escutando uma buzina. Olhei pela janela e notei que Sara já havia chegado. Peguei minha bolsa e desci, já me preparando para fingir surpresa.
— Foi bom em Eureka?- perguntou quando me abraçou.
— Ah, foi ótimo. Aproveitei e mandei as coisas de Caitlin pelo correio.- respondi.- Então, para onde vamos?
— Você já vai ver.
Sara deu partida no carro, e após fazer uma manobra arriscada( que eu a repreendi) fomos até esse local misterioso. Fui instruída a colocar uma venda, o que me fez rir.
Era a segunda vez que eu era vendada em dois dias seguidos.
Mal podia esperar pela terceira…
— Do que está rindo?- sua voz me despertou de meu delírio.
— Da situação. É engraçado estar vendada.- menti.- Deixa a minha curiosidade aguçada.
— Sei.- disse desconfiada. Mesmo sem vê-la, eu sentia seu sorriso em seus lábios.- Já estamos chegando.
Senti o carro se mover por mais alguns minutos até que paramos. Sara abriu a porta para mim e me guiou. Passamos por um portão, algo que eu não me recordava. Será que estávamos mesmo no chalé?
— Pode tirar.
Levei minhas mãos até a parte de trás da minha cabeça e desatei o nó. Minha respiração falhou e de repente…De repente eu não conseguia falar mais nada. Estava tão lindo.
Tão maravilhosa.
Levei as mãos à boca, abafando um grito de animação. Haviam cercado a parte de fora no que deviam ser os limites do terreno, e aproveitando a área verde, construíram no chão um pouco mais para trás, um lugar próprio para fazer uma fogueira, com duas cadeiras charmosas em madeira trançada e estofado branco. Um caminho de pedras havia sido feito até a entrada da casa, dando para os pequenos dois degraus que nos levava a varanda, perfeitamente mobiliada com cadeiras e uma mesinha de centro. Sara me incentivou a abrir a porta e assim que a empurrei levei um susto. Havia uma faixa estendida com um “bem-vida ao lar” que Tommy segurava enquanto gritavam surpresa. Thea, John, Lyla, Roy e Oliver estavam ao seu lado e bateram palmas e assovios frenéticos. Até mesmo Quentin estava ali. Meus olhos marejaram e Sara me abraçou.
— Bem-vinda ao lar, Lis.- me deu um beijo na bochecha.- Olha, só para constar, quem escolheu os móveis foi a Thea. Mas se quiser trocar algo…
Olhei em volta, notando o sofá de couro branco em frente a enorme parede de pedras cinzas, que havia uma lareira embaixo, qual eu me recordava quando vim aqui com Oliver. Andei um pouco mais, observando desde os lustres aos tapetes e, até mesmo, o armário da cozinha. Uma súbita lembrança me ocorreu e olhei para Oliver, que sorriu de canto, também se recordando. Haviam três paredes brancas, uma na sala, uma no quarto e outra no banheiro. Voltei animada, sem saber ao certo o que dizer.
Eu falei que iria fingir estar surpresa, mas eles realmente haviam me deixado sem palavras. Todos.
— Isso…Isso é…-minha voz falhou e os escutei rir diante do meu choro.- Acho que nunca fizeram algo assim para mim. É perfeito.
— Você merece.- Thea me abraçou.- Não te contamos porque queríamos que fosse surpresa. E já estava na hora de você ter um lugar só seu, né, Lis? Chega de pousadas e de ter que fugir da Dinah toda vez que sai.- ri.
— Seu filho da mãe desgraçado.- xinguei Tommy.- Sabia de tudo isso! Vocês dois!- Acusei Quentin que deu de ombros.
— Sabe o significado de surpresa, não é doutora Smoak?- o mostrei a língua.- E você merecia um lugar bom para ficar. Faz parte da comunidade e…- tomou um suspiro e me lançou um sorriso de canto.- Faz parte da família também.
Sua declaração discreta encheram o meu coração. No começo, em meus primeiros dias em Virgin River, achei que eu e Quentin nunca nos daremos bem. E agora…Agora ele estava ali, dizendo que me aceitava e participando de um dos dias mais felizes da minha vida. O abracei e agradeci.
— Obrigada, doc.- encarei seus olhos.- Por tudo.
O mesmo deu um aceno de cabeça, sempre reservado, e deu lugar a Tommy, que passou um de seus braços no entorno de meus ombros.
— Oliver que deu a ideia e convenceu Pollard. Devia agradecer a ele também.- me cutucou.
Notei que as pessoas nos olhavam em expectativa. Fui até Oliver e o abracei, tão forte que nem parecia que faziam apenas algumas horas que não estávamos juntos.
— Você finge muito bem.- sussurrou em meio de um sorriso. Ri baixinho- Estou chocado.
— Não viu nada.- falei no mesmo tom quando nos afastamos.- Vem você também, Roy!- o puxei para um abraço.
— Minhas mãos ficaram cheias de filetes de madeira, mas foi por uma boa causa.- o apertei mais ainda.- Deixamos algumas paredes brancas no caso de você querer pintar.
— Está tudo…Lindo. Vão me fazer chorar de novo.- todos riram. Olhei para Lyla e John.- Todos vocês fizeram isso pelas minhas costas?
— Foi por uma boa causa.- Lyla brincou.- Agora vamos comemorar! Os meninos trouxeram algumas coisas do bar. Meu amor fez o seu jantar comemorativo.
Olhei para John e o abracei, o agradecendo mais uma vez. Nos sentamos na sala, alguns no chão com pufes e jogamos conversa fora. Uma hora ou outra meu olhar encontrava com o de Oliver e eu me perdia ali, em seu sorriso bobo. Observei todos em volta, agradecendo a família que eu havia encontrado há pouco tempo naquela cidadezinha.
Parecia, afinal, que mudar havia sido bom.
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