The girl at midnight
3 Primas
A garota de cabelo rosa me olhou, arregalou os olhos e pareceu surpresa por apenas meio segundo, depois conseguiu se recompor e agiu normalmente, ou o que eu imaginei ser o comum, ao nos cumprimentar.
— Prima! Quanto tempo! — Abraçou Hinata com entusiasmo e foi a minha vez de arregalar os olhos. A garota me reconheceu, assustou-se comigo por um tempo e então agia daquela maneira? Como pode uma pessoa ser tão dissimulada?
Pensei que talvez ela não soubesse quem eu era, ou porque acompanhava Hinata naquele momento. Bom, ela talvez não soubesse realmente quem eu era, a probabilidade é muito pequena que ela adivinhasse que beijou namorado da prima, nunca havíamos nos visto até então. Por esse motivo, acredito que a reação dela foi até mesmo razoável, ainda que fosse uma completa mentira de minha parte, o que de qualquer maneira pode ser facilmente resolvido.
Por conhecer Hinata perfeitamente bem e por tanto tempo, sabia que eu poderia contar aquela situação engraçada e ela simplesmente esqueceria o problema… Talvez até achasse engraçadinho depois de um tempo. Sabia que eu deveria contar o mais rápido possível, Hinata gostava das coisas imediatamente no geral, o que era ótimo, a resolução de nossos problemas sempre foi muito fácil.
O único problema, porém, é que eu observava os cumprimentos e não conseguia deixar de notar a garota de cabelo rosa, lembrando-me do nosso beijo completamente aleatório. Talvez contar para Hinata aquela experiência não fosse a melhor das soluções no fim das contas. A coisa é que Hinata saberia da minha mudança de comportamento se eu começasse a esconder algo importante dela, e esse era o maior problema de namorar uma psicóloga comportamental. De certa forma, era maravilhoso porque ela sempre me compreendia quando eu menos me entendia, ainda que nosso acordo é que ela nunca tentasse demais me observar para não acabar começando um processo de tratamento. Deu certo até agora.
— … E esse é Sasuke, meu namorado. — Apresentou Hinata, continuando o assunto que os três iniciaram, sem prestar atenção, meneei com a cabeça. Ambos me observaram com curiosidade.
Reparei como eles eram diferentes, bem diferentes. O garoto que acompanhava as duas era idêntico a Hinata, os mesmos olhos perolados e o mesmo cabelo escuro longo e liso, mudando apenas na cor, enquanto o de Hinata era escuro como petróleo, o de seu primo era acastanhado. A garota de cabelo rosa se destacava entre os dois, o cabelo colorido e os olhos brilhantes de um verde esmeralda único, era impossível não observar aquela figura extremamente singular, era como se toda a atenção do local residisse naqueles olhos, penetrantes e hipnotizadores. Percebi que a encarava sem falar nada, algo foi direcionado para mim, pois esperavam por uma resposta enquanto me observavam, Hinata não deixaria passar despercebido aquele olhar.
— Vocês são bem diferentes. — Foi a única coisa, a mais estúpida pelo visto, que eu consegui pensar e dizer em voz alta. O garoto arqueou a sobrancelha e a garota arregalou os olhos surpresa, e a julgar pela testa franzida de Hinata, aquele assunto não era muito comentado.
— Sakura na realidade é adotada e mora com Neji como um irmão de sangue, querido… Comentei com você antes. — Hinata sussurrou de maneira que apenas eu a ouvisse, corei um pouco com aquilo, eu realmente não me lembrava.
— Desculpe. — Falei para os dois irmãos. Neji apenas bufou, mas Sakura respondeu.
— Sem problemas! Não é como se essa não fosse uma constatação óbvia… A nossa pele é bem diferente. — E então ela riu. Simplesmente riu. Arregalei os olhos.
A família de Hinata costumava ser tão séria, serena e fechada, que em uma situação como aquela, eu esperava as reações de incômodo e desconforto que Hinata demonstrou, assim como Neji, demonstrando a completa falta de educação de minha parte. Eu não os culpava por isso, era uma tradição da família e eu já estava acostumado, afinal, a minha própria era fechada e mais séria. No entanto, Sakura, como eu pude notar, não estava sendo tão convencional assim, falava um pouco mais alto que os outros dois e realmente não parecia se incomodar com a minha constatação, a piada dela foi a forma mais tranquila de simplesmente esquecer o assunto, pois o irmão sorriu brevemente e iniciou outro assunto com Hinata, que parecia agora menos afobada.
Sakura, pensei naquele nome, uma sonoridade diferente, distinto como a sua aparência… O nome seria uma homenagem aos fios cor de rosa? Fiquei intrigado com a possibilidade, de repente, queria saber mais sobre a misteriosa prima de Hinata. estava imerso em seus movimentos, enquanto ela conversava com Hinata e Neji, deixando a prima em dia com as notícias e o motivo de sua vinda…
— O congresso será muito interessante, é verdade. Neji falará no terceiro dia, se quiserem assistir…
— Querida irmã, isso é presunçoso. — A voz dele era grave e profunda, mas não parecia em nada abalado pela abordagem de Sakura, sorria discretamente enquanto ela falava no caminho de casa, que era próxima dali e por algum motivo, decidiram que andar era simplesmente a melhor opção. Eu estava tão absorto nas falas de Sakura que deixei de reparar na concepção de tempo, algo que certamente me deixou desconfortável de uma maneira divertida, se é que isso é possível.
— Ora! — Ela falou um pouco mais alto que o normal, mas nem Hinata pareceu se importar com a abordagem da prima. — É claro que é importante quando o seu irmão fala para toda a comunidade ortopedista sobre próteses não invasivas.
— Acredito que dissertar sobre corações também é algo importante. — Rebateu o irmão de maneira terna. Hinata engasgou.
— Você irá falar também? — Sakura franziu o cenho.
— A minha apresentação é em conjunto, e no quinto dia… Certamente não tão importante quanto a de Neji.
— Os dois são médicos? — Perguntei abruptamente, percebendo uma certa decepção no olhar de Hinata, provavelmente ela já havia comentado qualquer coisa sobre aquilo também. Pude sentir o olhar dela triste porque eu simplesmente não prestei atenção no que ela me disse anteriormente, esse era um aspecto que Hinata desgostava em mim, visto que se sentia negligenciada nesses momentos. Meu estômago se embrulhou com a possibilidade de simplesmente magoá-la naquela noite, especialmente naquela noite.
— Somos sim. Como pode imaginar, Neji é ortopedista e eu sou cardiologista, Naruto, por outro lado, é neurologista.
Naruto?
— Naruto? — Hinata perguntou. Bom, dessa vez eu não fui o único que não prestou atenção em algo. Fiquei feliz por aquele tópico surgir. — Ele está aqui também? — Percebi Hinata corando.
— Ah, sim! Ele deve chegar na cidade semana que vem… Acho que ele ficará em algum hotel aqui por perto. — Sakura respondeu de maneira casual, mas Hinata ficou ainda mais vermelha e Neji mudou de assunto, não sei para qual tópico, mas foi uma longa discussão que durou todo o resto do caminho.
Na casa, ninguém se falou muito, Hinata arrumou os quartos e acomodou os primos de maneira amistosa. A vergonha que sentira alguns momentos antes, não estava mais ali. Ainda assim, não consegui deixar de reparar que ela parecia um pouco mais agitada que o normal desde a menção de Naruto. Quem era ele?
Quando ficamos sozinhos em nosso quarto, pensei muito sobre a possibilidade de ser algum amante de Hinata. Contudo, repensei a possibilidade de alguma coisa assim ocorrer, o garoto não parecia ser da cidade e Hinata não saia nunca, a menos que ele fosse até o escritório dela em algum momento, não teria como existir um amante em sua vida. A ideia, porém, não deixava minha mente e Hinata percebeu que eu estava perturbado com algo:
— O que ocorreu, meu bem?
— Quem é Naruto? — Perguntei sem rodeios.
Ela corou um pouco antes de responder:
— É coisa de Sakura… Namoramos durante a faculdade e ela nunca mais esqueceu esse assunto. — de repente, ela olhou para mim profundamente. — Sakura é perigosa e articulada nesses assuntos, não acredite em tudo o que ela fala. Por onde ela passa, há confusão. Sempre confusão.
Olhei profundamente para Hinata, que parecia transtornada naquele momento. Estava realmente irritada com o tópico de nossa conversa, então pensei em desviar o assunto, mas sua mente estava tão distante que eu sabia: qualquer esforço seria em vão.
— Você e Sakura não se dão muito bem? — Perguntei com cautela, tentando lembrar de qualquer história, qualquer uma, que demonstrasse uma confusão de família alarmante e que Sakura estivesse envolvida. Hinata negou com a cabeça, corando um pouco.
— Não é isso exatamente. — Ela balançou a cabeça uma vez mais, espantando qualquer pensamento. — Só não se aproxime muito, está bem?
Concordei lentamente e me arrumei junto de Hinata para dormir, ou ao menos para deitar. Hinata dormiu imediatamente, enquanto eu olhei para o teto a noite inteira pensando em suas palavras, matutando sobre a distância que eu deveria manter de Sakura e como, por algum motivo muito oculto, eu não conseguia parar de desejar os lábios da prima de minha namorada. Hinata jamais riria daquela situação.
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