The ghost of you

1 Capítulo Único


Dezenas de garrafas estavam espalhadas pela casa minimamente mobiliada, onde a pouca iluminação e o cheiro de mofo predominavam. Os espelhos estavam todos quebrados, consequências de seus constantes acessos de raiva. A que ponto uma pessoa pode chegar por um coração partido? Todos se questionavam quando visitavam Aioros, especialmente seu irmão Aioria.

—Vá embora. -Aioros disse tentando colocar o irmão mais novo pra fora.

—Até quando vai viver desse jeito? Já se passaram cinco anos. Questionou Aioria. -Acha mesmo que é isso o que ela queria?

I never said I'd lie and wait forever
If I died we'd be together now
I can't always just forget her
But she could try

Aioria olhava preocupado pelo chão da casa, repleto de garrafas vazias e poeira. As paredes estavam cobertas por fotos de Nina, amazona de Serpentário e falecida esposa de seu irmão. Ele suspirou com tristeza ao observar uma foto do dia do casamento deles.

—Aquela egoísta tomou essa decisão sem sequer me consultar. Como ela poderia achar que eu seria capaz de viver num mundo em que ela não existe? -Aioros disse enquanto abria outra garrafa de bebida. -Malditos sejam os deuses.

—Olha só pra você. Foi pra isso que tivemos uma segunda chance? -Aioria olhava com pesar para o irmão mais velho, que não dava a mínima. -Meu irmão, que criatura patética e digna de pena você se tornou?

—Cale a boca! -Aioros disse transtornado, desferindo um soco em Aioria. -Eu não preciso de você ou de qualquer outra pessoa. Agora dê o fora daqui.

At the end of the world or the last thing I see
You are never coming home
Never coming home
Could I? Should I?
And all the things that you never ever told me
And all the smiles that are ever ever ever

Não era a primeira vez que o sagitariano agredia o irmão assim, mas tudo tem um limite. Profundamente magoado e decepcionado, o leonino desferiu um soco no estômago do irmão mais velho, que caiu desacordado.

—Eu espero sinceramente que você ainda caia na real, e repense a sua vida. -Aioria disse entre lágrimas, vendo Aioros caído no chão. -Nina não se sacrificou pra você viver como um moribundo depressivo.

Get the feeling that you're never
All alone and I remember now
At the top of my lungs in my arms
She dies
She dies

Desacordado, Aioros sonhou com Nina. Eles estavam passeando num campo florido que havia atrás do campo de treinamento, local favorito da amazona no santuário. Seus longos cabelos brancos voavam ao vento enquanto brincava com as flores, e Aioros só observava. Ele se aproximou dela lentamente, e quanto estava prestes a beijá-la…

—Nina! -Aioros acordou num sobressalto, sem saber direito distinguir fantasia de realidade. -Onde você está está? Por que me deixou...

At the end of the world or the last thing I see
You are never coming home
Never coming home
Could I? Should I?
And all the things that you never ever told me
And all the smiles that are ever gonna haunt me
Never coming home
Never coming home
Could I? Should I?
And all the wounds that are ever gonna scar me
For all the ghosts that are never gonna catch me

O choro desenfreado de desespero e angústia tomara conta de sua face. Ele já havia tentado todas as formas possíveis de suicídio, mas nenhuma funcionou. Saiu chutando as garrafas em seu caminho, pensando em uma última possibilidade.

—Essa é minha última tentativa… -Murmurou para si mesmo, saindo da casa.

If I fall
If I fall

Cerca de duas horas depois ele voltou pra casa, trazendo nas mãos galões de gasolina e fósforos. Estava decidido a pôr um fim em sua vida, e o fogo era sua última alternativa.

—Hefesto, se estiver me ouvindo… -Aioros disse em voz alta enquanto jogava a gasolina pela casa. -Queime até o último fio minha imortalidade, que os deuses desapareçam pra sempre com minha existência.

Ele se sentou no meio da casa e acendeu um fósforo, dando início a um enorme show de chamas ardentes.

At the end of the world or the last thing I see
You are never coming home
Never coming home
Never coming home
Never coming home

O sagitariano fechou os olhos e respirou fundo, sorrindo. Quando abriu viu Nina em sua frente, que o observava perplexa.

—Seu idiota, o que pensa estar fazendo? -A prateada perguntou com os olhos arregalados. -Eu te dou uma nova chance de viver, e é assim que me agradece?

—Minha vida só tem sentido se eu estiver com você, meu amor… -Aioros disse sorridente, puxando a amada para seus braços. -Vamos ficar juntos para toda a eternidade.

—Eu não posso, querido. Faz parte do acordo que fiz com papai. -Nina disse em meio às lagrimas. -Abri mão de você para que pudesse ter uma nova, e assim ser feliz. Me desculpe.

—Mas Nina… -Aioros viu lentamente sua amada desaparecer em meio a neblina. Tentou segurá-la, mas em vão. -NINA!

And all the things that you never ever told me
And all the smiles that are ever gonna haunt me
Never coming home
Never coming home
Could I? Should I?
And all the wounds that are ever gonna scar me
For all the ghosts that are never gonna

Lentamente recobrou a consciência, vendo a casa totalmente em cinzas. Se levantou com dificuldade e saiu andando até um velho carvalho que havia nos fundos da casa. Aioros finalmente percebera que era inútil continuar tentando. O sol estava se pondo, colorindo o céu com tonalidades de laranja, amarelo e vermelho. Num breve delírio pode ver a face de Nina no céu. Que parecia sorrir.

“Viva por nós dois, sinta meu coração bater junto. Eu sempre serei uma parte sua, meu amor.”

—Você nunca vai parar de me assombrar, maldita. -Aioros riu, respirando fundo. -Eu sempre vou te amar, sua cretina egoísta.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!