The first snow

12 Ser um exorcista


Notas iniciais
Boa leitura ; )

Abro a bolsa à procura de minha garrafa, hunf, eu acabei com minha água, constato voltando a fecha-la.

Quer água? Pergunta Marie, levanto os olhos e sorrio, aceitando a garrafa que ele me oferece.

Obrigada. Digo ao devolvê-la.

Não consegue dormir? Ele pergunta se sentando ao meu lado.

Estávamos em um quarto num hotel perto da torre de Londres esperando dar o horário, o general Tiedoll estava a muito adormecido, Kanda estava sentado no batente da janela olhando para fora, e eu horas andava de um lado para o outro, horas sentava e encarava o vazio.

Estou nervosa, parece que o tempo não passa. Falo olhando o relógio, 12:28, da última vez era 12:25, por que o tempo se arrasta tanto.

Não se preocupe logo vocês se encontrarão. Olho para o moreno, que me sorri tranquilo.

Você acha que vamos conseguir salvá-la? Pergunto sem conseguir me conter.

Você não? Meus olhos se arregalam e ele ri.

Eu acho, não sei, quer dizer, eu espero que sim, mas são Noahs e também tem a armadilha e…

Respire entre uma frase e outra ou vai ficar sem ar. Percebo que desatei a falar, isso acontece quando estou nervosa ou simplesmente não sei como me explicar.

Desculpe. Murmuro me sentindo constrangida, respiro fundo.

É normal que você esteja preocupada, ela é sua melhor amiga, certo? Concordo com a cabeça, mas tem mais que isso, penso olhando para baixo. — O que foi?

Você tem ordem de ficar de olho em mim se começar um ataque, né? Ele aquiesce. — A missão é salvar Layla, mas se as coisas ficarem perigosas, a prioridade é me tirar de lá.

Ele espera em silêncio enquanto organizo meus pensamentos, quando saímos da Ordem, todos se organizavam para ficar de olho em mim, agora que voltei, eu posso sair em missões, mas todos tem que continuar de olho em mim. Não importa aonde eu vá ou o que eu faça, sempre sou a prioridade, sempre precisam estar de olho em mim e me proteger, faz sentido já que não consigo fazer isso sozinha, mas é bem ridículo, eu sou a compatível ao coração e tudo que faço é dar trabalho aos exorcistas e fazer com que se arranjem para cuidar de mim.

Eu sempre estou dependendo dos outros. Olho na direção da janela. - Principalmente de Kanda. Não consigo destruir akumas, não sou capaz de lutar contra os Noahs, nem mesmo tenho vontade de tentar…

Assumo sentindo um enorme peso sair de meus ombros, acho que o que mais me incomoda não é a minha incapacidade, mas sim o fato de que não tenho verdadeira vontade de mudar, não gosto de violência e não importa o quanto mal eles causem, não consigo me obrigar a querer destruí-los.

É ridículo que eu seja denominada uma exorcista, não sei o que estou fazendo na Ordem. Coloco os pés no sofá, abraçando meus joelhos, eu vinha me perguntando muito isso recentemente.

Para você, o que significa ser um exorcista? Olho para Marie que mantém a expressão tranquila.

Hum… Coço a cabeça, só me vem uma explicação a mente. — Exorcista é alguém apto a sincronizar com a inocência, sendo assim capaz de destruir akumas.

Ele ri, sinto meus olhos se arregalarem, será que falei algo errado?

Da onde tirou esta resposta? Inclino a cabeça, me sentindo confusa, o que ele quer dizer? — Não estou pedindo que me explique o que é um exorcista, isso eu sei. Eu quero dizer, qual o seu sentimento em relação a ser uma exorcista.

Pisco diversas vezes, sentindo um sorriso genuíno se formar em meu rosto, eu gosto de ser uma exorcista, mesmo com todas as batalhas e todas as dificuldades, gosto de estar ao lado dos meus amigos, de fazer parte de uma família, de ser capaz de proteger alguém. Volto os olhos para ele e sinto-me culpada, olho para Kanda e suspiro, não tem nada de bonito e feliz em ser um exorcista, eles foram forçados a isso, é tão egoísta de minha parte ficar feliz.

Eu gosto de ser um exorcista. Olho surpresa para Marie, ele encara o teto, porém sua mente parece longe. — Eu criei laços com todos os meus companheiros na Ordem e todos aqueles que lutam ao nosso lado, por essa razão, gosto de ser um exorcista.

Eu também gosto de ser uma exorcista. Murmuro apertando mais os braços em volta de minhas pernas. — Gosto de pensar em todos nós como uma família, lutamos juntos, vivemos juntos, rimos e choramos, gosto deste sentimento.

Marie me oferece um sorriso gentil, ao que também sorrio, jamais imaginei que ele se sentisse como eu, a maioria dos exorcistas odeia a Ordem e a inocência.

Agora me diga, por que você luta Fuyuki? Esta pergunta me pega completamente desprevenida, fazendo com que um enorme silêncio caia entre nós. — Você luta por seus amigos? Luta para proteger as pessoas? Luta para se manter viva?

Acho que nunca pensei a fundo sobre isso, por que eu estou lutando? Eu não gosto de lutar e na verdade não luto quase, na maior parte do tempo deixo tudo por conta de Kanda, então até poderia se dizer que eu não luto, mas sei que ele não se refere ao combate propriamente dito.

Você sabe, há muito tempo atrás, eu achava que não havia mais motivo para viver. Meus olhos se arregalam e sinto meu coração se apertar, ele ri. — Calma. Eu pensava isso, pois havia perdido muitos companheiros e também a visão, me perguntava o que ainda havia para perder, por que eu já não ligava mais.

Foi quando conheci Kanda, na época eu odiava a Ordem e em minha visão a única maneira de me livrar dela era morrendo, já que ser exorcista é um trabalho para a vida toda. Mordo meu lábio sentido vontade de chorar, isto parece tão horrível. — Porém eu percebi o como estava errado, enquanto ainda pudesse me levantar e lutar, deveria continuar tentando, por que eu não estava sozinho. Descobri que enquanto você está vivo, algo bom sempre pode te acontecer, então voltei a Ordem, fiz novos amigos e hoje luto para poder protegê-los.

Eu não sabia… Murmuro sentido lágrimas correrem por minha bochecha, mesmo que eu tente evitar, as cenas de seu passado estão muito nítidas em minha mente.

É assim que todos nos sentimos. Levanto os olhos para o general Tiedoll, eu não o vira se aproximar.

Sinto-me confusa, sobre o que exatamente ele está falando?

Sobre você. Também não notara a aproximação de Kanda, ahm? Como assim sobre mim?

A inocência coração, uma exorcista, a chefe da família Ichinose, isto não faz diferença. Volto meus olhos para o general Tiedoll.

Não estamos protegendo nada disso. Diz Marie sorrindo para mim.

A Fuyu-chan que conhecemos, é a ela que estamos protegendo. Sinto ainda mais vontade de chorar, mas agora de felicidade.

Por que somos todos companheiros, certo? Indaga Marie, ao que aquiesço.

Me desculpem. Murmuro enterrando meu rosto em minhas mãos, o tempo todo eu pensei que estava apenas atrasando a vida de todos e nunca levei em consideração o como se sentiam em relação a mim.

Ouço-os rir, e me encolho ainda mais em minha posição de bola, estou tão feliz.

Acho que agora temos que ir salvar outra de nossas companheiras, não? Fala Marie, olho o relógio, 1:40.

Vamos. Digo saltando do sofá, encaminho-me para a porta, contudo paro e me viro para eles. — Obrigada!