The first snow
15 Sentimentos incompreensíveis
Notas iniciais
— Yuu! Finalmente minha boca é destapada e sou solta, viro-me para trás e meu sangue gela. — Ty...
— Yuu? Tampo minha boca com as duas mãos, não foi pensado, saiu tão sem querer, quer dizer, estou tão acostumada a ser salva por Kanda, e quando me senti segura, só pensei que poderia ser ele. — Kanda Yuu?
Engulo em seco dando alguns passos para trás, ele sabe, porém sua expressão me aperta o coração, ele parece tão triste, sinto-me culpada, ele me salvou afinal.
— Desculpe. Murmuro me sentindo constrangida, fui tão insensível.
— Quem é você? Levanto os olhos, ele me encara firmemente, meu coração se aperta, ele está bravo. — Qual o seu nome, de verdade?
— Fuyuki... Digo suspirando, não posso mais mentir para ele.
- Ichinose!? Aquiesço, o moreno parece surpreso, então ele abaixa o rosto e ri. — Eu devia ter imaginado.
— Por quê? Indago sem entender, ele levanta os olhos e se aproxima, fazendo com que eu recue até acertar a parede, Tyki então coloca um braço da cada lado do meu corpo, me prendendo.
— Porque está aqui? Desvio os olhos. — Bookman?
Volto a acenar com a cabeça, estranhamente não estou com medo, ainda não consigo deixar de me sentir culpada, mesmo agora, ele ainda parece magoado. Olho novamente para ele e sua expressão me surpreende, Tyki parece confuso, como se tentasse resolver um problema muito complicado e não estivesse chegando a lugar nenhum.
— Porque? Ele sussurra se aproximando, aperto-me mais contra a parede. — Porque não consigo odiar você?
Rio nervosa, que tipo de pergunta é essa, viro o rosto, ele está a menos de um metro de distância, e essa distância não me deixa nada confortável, novamente, não pelo motivo óbvio de que ele é um Noah, ma por que ele faz meu coração disparar e minha cabeça girar.
— Fuyuki. Ouvi-lo dizer meu nome faz meu coração bater tão rápido que dói.
Por que ele está tão perto, penso começando a sentir dificuldade de respirar, a cada momento seu rosto se aproxima mais e mais, contudo não consigo desviar os olhos.
— Saia! Surpreendo-me completamente quando de repente o empurro para trás, eu não fiz isso.
— Não cometa este erro. Não tenho como descrever o choque que sinto ao ouvir a voz de Lizzy. — Ande logo, saia daí.
Demora alguns minutos até que eu me recupere, olho para os dois lados, porém estamos de volta ao mesmo corredor, provavelmente Tyki só havia usado sua habilidade de atravessar objetos para nos fazer atravessar a parede enquanto os gêmeos passavam.
Olho para o Noah e meu coração se parte, sua expressão é tão agoniante, por que não consigo ignora-lo, por que me sinto tão atraída a ele?
— Tyk…
— Você veio em uma missão, não? Ele desvia os olhos, seu tom é tão frio. — Vá fazer o que tem que fazer.
Ele se vira e some na entrada do corredor, continuo olhando fixamente o local para onde ele foi, até que sinto um súbito mal estar, respiro fundo e percebo que não o estava fazendo, tento me acalmar, mas não consigo deixar de tremer, levo a mão ao rosto para tirar a máscara e noto que estou chorando.
Balanço a cabeça me recusando a ficar em um estado tão deplorável, ele tem razão, tenho uma missão e vou cumpri-la, forço minha mente a se lembrar da coordenada de Wisely, terceira à direita no primeiro corredor…
— É terceira à esquerda! Paro e viro-me, por pouco não entrei no corredor errado, me pergunto por que ele esteve tão quieto até agora? — Na verdade você que não estava me ouvindo, não sei o que tem de errado com você e o Tyki, mas vocês ficam completamente inacessíveis quando estão perto um do outro.
Novamente sinto um peso em meu coração a menção de Tyki, chacoalho a cabeça, tem algo muito errado comigo.
— Não é você.
— Lizzy?! Ela suspira, sua voz parece cansada.
— É muito complicado. Sou toda ouvidos, mais complicado que eu ficar em estado catatônico por causa de um Noah, não pode ser. — Acredite em mim, pode sim.
— Então não vai me explicar?
— Tudo que você precisa saber é que não é você propriamente dita e que de jeito nenhum você deve se envolver com ele.
— Você tem moral para falar.
No momento em que as palavras veem a minha mente, me arrependo, entretanto não tenho como retira-las.
— É justamente por isso que te digo. Ela soa triste, o que me faz sentir terrível. — Experiência própria.
Termino de seguir as indicações de Wisely e chego a uma porta de aparência bem normal, respiro fundo e a abro, de acordo com ele, não haveria ninguém ali.
No centro da sala há duas poltronas, e nelas se encontram Bookman e Lavi, uma náusea repentina toma conta de mim, levo a mão à boca, o estado deles quase me faz cair de joelhos, não acredito que alguém seria capaz disso.
Forço-me a permanecer firme, ando até onde eles estão, prendo a respiração para não chorar, tenho coisas mais importantes a fazer primeiro, pego o Bookman, ele nem se mexe quando o retiro do sofá, volto ao corredor, olho para os dois lados, ótimo, abro a janela e invoco minhas asas.
Entro novamente na sala e não consigo evitar que algumas lágrimas escapem, me perdoe Lavi, demoramos tanto para vir te ajudar. O ruivo é alto e pesado o que dificulta um pouco meu trabalho, passo seu braço por meu ombro e volto para o corredor, cambaleando sobre seu peso, abro minhas asas novamente e salto pela janela.
Uma vez no chão, pego o Bookman com o outro braço e faço o melhor possível para carregar os dois através do portal, assim que o atravesso, vejo Kanda e Wisely, o primeiro retira Lavi de mim, o carregando com muito mais facilidade.
— Obrigada. Digo ao Noah, me curvando.
— Você deu sorte. Suspiro, sorte? É uma maneira de ver as coisas. — Este portal vai deixa-los perto de um dos portais da Ordem.
Fala Wisely quando outro portal se abre ao nosso lado, de fato, ele e Road já tinham tudo planejado, sorrio e lhe agradeço novamente, que maravilha, já estou até confraternizando com Noahs.
— Fuyuki. Eu estava prestes a atravessar o portal quando ele me chamou, paro e me viro. — Elizabeth era uma boa mulher, Road me pediu para dizer isto.
Meus olhos se arregalam, abro a boca, porém ele já se virou e segue em direção a mansão, só consigo observa-lo se afastando, o que isto quer dizer?
— Vamos. Diz Kanda, aquiesço olhando uma última vez para trás e depois seguindo para dentro do portal.
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