Notas iniciais
Boa leitura =^.^=

Kanda Yuu POV

Você já deve saber o que está para acontecer, ainda assim, vou explicar. Cross se aproxima de Fuyu, ajoelhando ao seu lado e tocando seu rosto. — Com tamanho machucado, ela precisará absorver bastante energia para se curar, até por que, ela veio gastando muita energia nos últimos tempos e não a tem reposto. Obviamente a melhor fonte é a inocência coração, é energia pura e está ao alcance de Fuyuki, mas seu controle já está fraco, se ela tomar mais energia da inocência, terminará sucumbindo a mesma.

E como pretende evitar isso? Pergunto desconfiado, não é como se pudéssemos controlar de onde Fuyuki retirará energia.

Simples, vamos dar-lhe outra fonte de energia, mas isso abre novas possibilidades. Ele se levanta e retira a cruz que carrega em seu pescoço. — A maioria dos dons da família Ichinose é passável para objetos, assim como o de Fuyuki. Este foi um presente de Lizzy e mesmo eu já o tendo usado, ainda contém bastante energia.

Ela usava energia? Não é um dom proibido e extremamente raro?

Não, seu dom era de cura, mas não deixa de ser energia, tudo é. Cross se aproxima e me entrega o colar. — Vou montar uma barreira, não sei o quão eficaz será contra ela, porém deve evitar proporções catastróficas, espero. Deixe-me lhe citar as possibilidades, a primeira é que de fato a inocência se aproveite deste momento de fraqueza e tome conta, não é instantaneamente perigoso, mas é o pior quadro. A segunda é que Fuyuki não consiga se contentar com a energia de Lizzy, nós seremos seus próximos alvos e não existe um modo de para-la. A última é também a mais destrutiva, se o poder for demais e ela não conseguir controla-lo, tudo vai pelos ares, obviamente a barreira vai "diminuir" o estrago, porém, não conte muito que você vai sair vivo. Pronto?

Fuyuki vai conseguir. Digo pegando a cruz. — O que devo fazer?

Quanta confiança, chega a ser tocante. Fala de modo sarcástico. — Vou criar a barreira, você deve colocar o colar nela e sair, então irei liberar o poder de Lizzy contido no mesmo.

O ruivo se concentra e começa a entoar estranhas palavras, depois de alguns instantes, ele da um aceno com a cabeça, sigo até Fuyu e passo a corrente por sua cabeça, ela continua desmaiada e a quantidade de sangue que sai de seu ferimento é preocupante, volto a deita-la no sofá, Fuyuki se remexe, viro-me para Cross.

Pode continuar. Seus olhos se arregalam por um instante, ele tenta disfarçar rindo e dando de ombros.

Escolha sua. Com um novo cântico esquisito ele levanta a mão, volto os olhos para Fuyuki a tempo de ver o colar brilhar e no instante seguinte sinto uma poderosa energia, se parece a que ela usa para curar, porém a cor é avermelhada, logo porém vejo a luz perolada típica dos poderes de Fuyu aparecer, entretanto, desta vez ela está fria e parece sugar toda a luz avermelhada da cruz, por algum tempo ambas brilham intensamente, até que a vermelha começa a falhar e sumir. — É agora que começa o perigo.

Assim que a luz avermelhada se extingue, sinto uma forte "onda energética", Fuyuki está envolta na luz perolada, que só aumenta mais a cada momento, sua mente então volta a ser acessível, porém não é a sua mente, algo cruel e sedento de sangue, agora a luz perolada parece oscilar, trocando de lugar com uma aura maligna. Fuyu começa a se debater, parece que ambas as energias estão a sobrecarregando, como dito por Cross, é difícil imaginar um final favorável, há energia demais e ambas com uma força descomunal, sua mente está completamente bagunçada, não consigo distinguir mais do que as duas forças e a dor que a causam.

Rolando de um lado para o outro, a morena termina por cair do sofá, a seguro e ela se encolhe, as duas forças parecem aumentar e ouço Cross praguejar, de fato a proporção de seus poderes é incomensurável, a inocência começa a emergir mais e com isso a luz perolada vai se tornando cada vez mais pálida, Fuyuki está sucumbindo. Uma nova sensação surge, se parece a mesma que senti na luz avermelhada, provavelmente é a tal Lizzy, me pergunto se irá ajudar ou atrapalhar, e recebo a resposta, quando num momento em que as três energias aumentam ao máximo, todos os vidros da sala estouram.

Seguro Fuyuki evitando que os estilhaços a acertem, as três energias parecem estar se descontrolando, o escudo não parece ser capaz de aguentar por muito mais tempo, então a luz perolada aumenta de proporção o quebrando de vez, as outras duas tentam se opor, mas são oprimidas, sumindo por completo, e por último, esta também desaparece.

O que aconteceu? Fuyuki abre os olhos, vira a cabeça para os dois lados e depois volta os olhos para mim, esticando a mão e tocando minha bochecha. — Você está sangrando.

Você está bem? Pergunto incerto, com tudo que acabou de acontecer, parece surreal que ela simplesmente acorde e se preocupe com um ínfimo corte.

Acho que sim, mas e você? O que houve? Ela volta a olhar para os lados, parecendo muito confusa com a cena, suspiro aliviado, ela realmente conseguiu.

Você tem razão. Cross fala se aproximando, ele está bem acabado. — Ela é mais forte do que eu pensava.

Sorrio, eu sabia que era. Timcanpy aparece e Fuyuki parece se lembrar dos outros, mas antes que possa se desesperar, ele voltam para dentro.

Consigo evitar lhe explicar o que aconteceu e Mãe surge com uma explicação razoável, que até parece agrada-la. Fuyu tenta se oferecer para ajudar a arrumar a bagunça que causou, mas é dispensada, mesmo tendo absorvido energia, ela ainda precisa de descanso, então sugiro isso a ela, que acaba por aceitar.

Ah, Fuyuki. Ela para no meio da escada e se vira para Cross. — Por que não escreve uma carta e a manda por Tim?

Para Catherine. Digo vendo seu olhar confuso, ela sorri e aquiesce.

Farei isso, obrigada general.

Voltamos a subir e seguimos até o quarto, Fuyuki entra e vai direto para a mesa, pega uma pena e a molha no tinteiro, começando a escrever a carta. Sento-me na cama, novamente sua mente estava desfocada, desde que decidira usar 40% da inocência, ela ainda não conseguira voltar a encontra-la e a cada vez mais a ligação entre nossa mente enfraquecia, atualmente era estranho ter tanto silêncio em minha mente, eu já havia me acostumado à presença constante dos pensamentos e sentimentos de Fuyu…

Yuu. Pisco surpreso, Fuyuki havia se levantado e estava parada a minha frente, ela ri e se senta ao meu lado. — Estava sonhando acordado, é?

Tch. Novamente ela ri e se joga para trás, deitando na cama. — O que foi?

Eu te devo desculpas. Olho para ela pronto para lhe cortar, porém ela sorri e levanta a mão, sinalizando que eu espere, suspiro. — Não estou falando de todas as bagunças que sempre causo, você já está acostumado.

Ela me da uma piscadela sorrindo, mesmo não sendo capaz de ver sua mente, sei que ela está melhor, é visível em sua expressão, seu sorriso parece mais relaxado e tranquilo, muito mais parecido com quando a conheci.

Estou lhe pedindo desculpas, pois não vou cumprir o que lhe prometi. Fuyuki me encara seriamente. — Você só me permitiu acompanha-lo, por que eu era a única capaz de ajudar Allen, mas se ajudá-lo significa acabar com Nea, então não posso ajudar Allen. Me perdoe.

Suspiro aliviado, eu realmente temia que se Fuyu recuperasse seu poder ela tentasse curar o Moyashi, então sua constatação apenas me acalma, sorrio, me deixando cair na cama, estranhamente, me sinto cansado.

Ah, ainda está machucado. Fuyuki se levanta. — Nessas horas eu realmente queria a inocência.

Ela caça por algo dentro do armário e volta com um curativo.

É só um corte. Digo afastando-me, ela suspira.

Por isso mesmo, deixe-me fazer um curativo, não dói nada. Olho-a incrédulo, ela tenta novamente se aproximar, sento e ela me encara seriamente. — Kanda!

Estou com sono. Falo puxando o curativo de sua mão e o colocando no móvel ao lado da cama, empurro-a para o lado da parede e me deito fechando os olhos, porém sei que ela continua a me fuzilar com os olhos.

Boa noite! Fala a morena após longos minutos, finalmente desistindo e se deitando também.