Notas iniciais
Boa leitura = D

Você sabia?! Meu tom acaba não soando como uma pergunta, mas não me importo.

Aki olha de mim para Bak e depois para Kanda, como se quisesse confirmar que falo com ele mesmo.

Sinto muito, Fuyu, mas não sei do que você está falando. Estico o livro que tenho em mãos.

Nea D. Campbell. Seus olhos se arregalam, ele sabia, volto a abraçar o livro. — Foi por isso que não me disseram nada sobre Lizzy, ou deveria dizer, sobre minha avó?

Fuyu…

Pretendiam me contar? Ele baixa os olhos, suspiro, eu já imaginava.

Sigo para fora da biblioteca, ninguém tenta me impedir, o que agradeço, não estou exatamente no humor para conversa, logo Kanda me alcança, paro e viro-me para ele.

Você sabia? Indago estreitando os olhos.

Não. Continuo a lhe encarar por alguns segundos, depois me viro e volto a andar, ele está sendo honesto.

Vagamos por um bom tempo, não presto atenção ao caminho, sei que Kanda conhece a Ordem então não tem perigo de nos perdermos. Nea e Lizzy são os pais de minha mãe, eu achei que nada mais podia me surpreender, mas parece que estava errada. Eu sou neta de um Noah, porém não um Noah qualquer, sou neta logo do Noah que tentou destruir todos os outros e tomar o lugar do conde, isto faz algum sentido?

Eu sou meio Noah? Ou um terço Noah? Bom, eu tenho sangue Noah, que maravilha, o que se passava na cabeça de Lizzy, hein? Eu até fiquei meio boba pelo Tyki, mas isto já é totalmente… Espera, será que é algo de família, ah não, aquilo foi humilhante demais, sem contar que ele se parece ao Nea. Ele se parece ao Nea! Não fui eu quem ficou boba pelo Tyki, ufa, foi Lizzy, de alguma maneira muito estranha, uma vez que eu nem mesmo estava conseguindo contata-la, porém, ah… Meu cérebro não consegue mais fazer sentido!

Agora você parece louca. Abaixo as mãos e espio o general, que parece achar muita graça do meu estado.

Vejo por seus olhos que de fato, estou parecendo louca, parei no meio do corredor, coloquei uma mão de cada lado da cabeça e a estava chacoalhando de um lado para o outro, desato a rir.

Você sabe onde fica meu quarto? Indago quando finalmente consigo parar de rir. — Acho que já tive o suficiente por hoje.

O moreno me guia até onde ficam as acomodações, nos despedimos uma vez que recebemos quartos separados, e eu entro no meu, minha mala está ao lado da cama, porém a ignoro, me jogo na cama olhando para o teto.

Tantos pensamentos passam por minha mente que mal dou conta de registra-los, não sei o que sentir sobre isso, não tenho a mínima ideia, eu gostaria de falar com Lizzy, mas ela andava cada vez menos falante e agora em especial me ignorava completamente. Levanto o livro o segurando com as duas mãos em frente ao meu rosto, o que mais será que há nesse livro, será que nele eu descobriria os mistérios que rondam meu passado, suspiro.

Sento-me e abraço meus joelhos colocando o livro sobre eles, abro e procuro por Aki, parece seguro, ao menos acho que não terei nenhuma grande revelação e poderei ao menos ver que tipo de informações esse livro revela. Chego a página dedicada a Ichinose Akihiko, nela contém uma foto de corpo inteiro, diferente das outras, onde haviam apenas os rostos. Fala sua idade, dados sobre a família e sobre ele mesmo, me pergunto por que colocaram coisas como peso e altura. Abaixo fala sobre seu dom, há varias classificações estranhas que não entendo, parecem “medidas”, como a taxa de sincronização de um exorcista. Depois há um pequeno resumo sobre seu cargo na família e sua história pessoal.

“Akihiko é o segundo filho de Louise e Takehiko, tendo uma irmã gêmea mais nova, Fuyuki. Foi escolhido para ser o acomodador da inocência coração, contudo, sua irmã tomou seu lugar, desaparecendo logo em seguida. Devido à morte de seus pais recebeu o título de chefe da família ainda com oito anos, mantendo-o até hoje.”

Engulo em seco, quero ler a minha página, quero saber o que está escrito, porém não tenho uma boa sensação, sou tão covarde que estou até com medo de virar uma folha, mas se Kanda não quis me contar o que sabe só posso acreditar que eu não deveria mesmo saber, quer dizer, não deve ser algo que eu gostaria de ouvir. Ah, por que eu estou procurando desculpa, eu deveria ler, procurei tanto por essas informações, eu…

Salto da cama com uma ideia em mente, saio do quarto e procuro pela presença de Mugen, encontro-a a poucos quartos de distancia, sigo até o quarto e bato na porta, Kanda abre a porta, estico o livro para ele.

Leia a minha página, por favor. Peço percebendo o quanto isto deve soar estúpido, porém sei que o moreno entende meus motivos.

Ele indica com a cabeça que eu entre, sento-me na cadeira enquanto ele se senta na cama, encaro-o enquanto ele lê, percebo que não consigo parar sentada na cadeira, será que ele dirá que está tudo bem eu ler, ou será que tem algo que eu não devo saber?

Antes de qualquer coisa, eu acho que você deveria tomar um calmante. Olho-o ultrajada, o que o faz sorrir, rio balançando a cabeça, obviamente ele iria fazer algo para melhorar meu humor.

E quanto ao livro? Pergunto sem conseguir me conter, ele se levanta e me entrega.

Não te aconselho a ler. Sinto meu estômago gelar, então de fato tem algo aqui, penso pegando o livro de suas mãos. — Fuyu?

Ahm? Eu estava tão concentrada no livro que ele teve estalar os dedos em meu ouvido para que eu o ouvisse.

Você vai acabar fazendo um buraco no livro. Reparo que de fato o estou apertando com toda a força, largo-o sobre a mesa.

Guarde para mim. Peço, me virando e seguindo para a porta do quarto, acho que eu simplesmente não conseguiria dormir sabendo que o livro estava ao meu alcance. — Obrigada e boa noite!