Notas iniciais
Boa leitura ; D

Não é óbvio, Ichinose Fuyuki? Levanto meus olhos para o Apocrypho que sorri maldosamente.

Você é o responsável por isso? Indago tentando amparar Kanda e Allen, sinto uma mão em meu ombro, Link se agacha ao meu lado e pega os dois. — Cuide deles, por favor!

Volto a sentir um nó na garganta e lágrimas ameaçam forçar seu caminho, nunca os vi sofrendo tanto e não há nada que eu possa fazer, me sinto tão impotente.

Você também. Olho para o supervisor que ostenta um sorriso encorajador. — Tome cuidado!

Sorrio me sentindo um pouco aliviada e aquiesço, vejo Link se afastar e viro-me para o Apocrypho, já empunhando minha lança.

Parece que não está disposta a conversar. Debocha ele.

Se quisesse conversar, não teria raptado meus amigos e os estaria torturando. Já passamos muito do ponto de conversar.

Você tem razão... Levanto minha lança bem a tempo de bloquear seu soco. — Já passamos muito do ponto de conversar.

Partimos então para um intenso combate corpo-a-corpo, agradeço mentalmente todo o pesado treinamento que recebi, apesar dos roxos constantes, eu agora podia facilmente aguentar um oponente com o dobro de força.

Bloqueio facilmente a maioria dos ataques e uso o escudo para as bolas de energia. Tento usar ataques mágicos dos menos nocivos, porém ele os bloqueia facilmente.

Isso é tudo que você é capaz de fazer? O Apocrypho tenta um soco diretor, o bloqueio com a lança, contudo ele aumenta seu poder, quebrando-a ao meio. — Então parece que seus amigos estão perdidos.

Sem nada entre nós, o soco pega diretamente em meu abdômen e me arremessa longe, voo uns bons metros até finalmente cair em uma pilha de destroços.

Fuyuki! Tenho a impressão de ouvir meu nome ao longe.

Sabe, é patético ver o como os exorcistas são fracos. Pairando sobre mim está o Apocrypho, acompanho seu olhar, ele encara os outros que continuam a se contorcer em dor, preciso desesperadamente de um plano. – Quando sublimar você, garantirei que se tornem armas dignas de minha mestra.

Um trovão corta o céu, rolo para o lado no momento exato em que ele atinge meu adversário.

Nunca mais... Digo me levantando, sinto que a raiva me da forças para continuar. – Ouse chamar meus amigos de armas!

Ele se levanta com um sorriso no rosto, e os gritos de agonia pioram, sinto meu maxilar doer tamanha a força que estou travando meus dentes. Concentro-me novamente no ar, tornando-o um furacão e fazendo o mesmo engolir o protetor da inocência.

Ele consegue se livrar do tornado, porém um novo raio o atinge em cheio, lanço uma rajada de ar, ele desvia, mas é pego pelos destroços que arremessei. Alterno entre os ataques, contudo, nada parece ter um grande efeito contra ele.

Isso é tudo que sabe fazer, Fuyuki? De alguma maneira ele conseguira atravessar a rajada de vento que lancei contra ele, sem conseguir bloquear seu chute sou arremessada longe.

Vejo a borda da construção passando por mim, e novamente o vento acoitando minha pele anuncia uma queda assustadora, tento controlar o ar novamente, entretanto parece que cheguei ao meu limite, isso também explica o porquê o Apocrypho não foi atingido por meu ataque, eu não quero morrer, penso ouvindo meu coração pulsar em meu ouvido, não posso perder, ainda não, eu não posso desistir agora.

Fuyu-chan! Estico minha mão e sinto-a sendo agarrada, abro os olhos que não notei ter fechado e para meu total espanto, vejo Lenalee. — Segure-se.

Diz ela aterrissando suavemente no chão e logo em seguida saltando de volta para o telhado. Assim que chegamos nele deparo-me com todos recuperados, uma lágrima teimosa escorre por meu rosto, dou um passo em direção a eles colocando ambas as mãos sobre meu coração.

Me desculpem! Falo com a voz embargada, contudo, ao contrário do que eu esperava, todos estão sorrindo.

Está chorando e se desculpando por quê? Indaga Lavi em seu tom sempre descontraído.

Por não ter conseguido lutar, por não ser capaz de protegê-los, eu...

— Fuyuki, nós ainda estamos vivos. Comenta Kanda.

Eh! Lavi faz uma cara de espanto. – Você achou que nós éramos fantasmas. Assustador!

— Ainda não são! Link estava agachado ao lado de Miranda, ambos examinando a garota estranha que ainda não havia despertado, se aproveitando disto o Apocrypho se joga contra eles com uma bola de energia em mãos.

Cuidado! Ouço alguém gritar e então tudo é recoberto por poeira.

A surpresa vem quando ao abaixar a poeira, os três já não se encontram mais ali, tendo o Apocrypho acertado o chão. Um barulho atrás de nós chama minha atenção, viro-me e encontro Link, Miranda e a outra garota caídos no chão.

Eu, Lenalee e Marie corremos para acudi-los, de alguma maneira eles estão ilesos.

O que aconteceu? Questiona Marie ajudando Miranda a ficar de pé.

Eu não sei. Responde a morena. — Mas o que quer que tenha feito, salvou nossas vidas Link-san.

Eu? Indaga o loiro confuso. — Eu não fiz nada, achei que tivesse sido você.

Todos trocamos olhares confusos, como eles podem simplesmente ter mudado de lugar em uma fração de segundo e nem ao menos saber como o fizeram?

Você realmente é um incômodo, garota Ichinose. Diz o Apocrypho se reerguendo, olho para os outros, confusa, do que ele está falando? — Nem mesmo se deu conta do que fez, não é?

Será que ele acha que fui eu que os salvei? Mas não faz nenhum sentido, eu estou completamente sem poder, por sinal, como os outros vieram a se recuperar? Não acho que o Apocrypho simplesmente os “liberou”, o que está acontecendo?

A arca de Noé, um artefato criado pelo próprio Conde do milênio, uma arma inimiga e ainda assim, você a controla inconscientemente. Sua expressão é de puro desprezo. — Você não passa de uma aberração.

Sinto meus olhos se arregalarem, então de fato fui eu, o alívio é tão grande que simplesmente rio. Jamais imaginei que meu controle sobre a arca fosse tão aprimorado, olho para Link que ainda segura à garota e depois para Miranda, se isso serviu para salvá-los, então não me importo nem um pouco em ser uma aberração.