Notas iniciais
Boa leitura >.

Seguro a espada com as duas mãos concentrando-me profundamente, eu já havia conseguido encantar as flechas de Layla com elementos, porém a minha própria energia era um pouco mais difícil de mensurar, ao menos o princípio é o mesmo, digo a mim mesma tentando pensar positivo.

Fecho os olhos e imagino a Mugen, tento recria-la o mais detalhadamente possível, quando concluo que é o mais próximo que vou chegar da real, recubro-a com uma camada mágica, assim como fiz com meus amigos, abro os olhos e não vejo nada diferente, suspiro e recomeço o processo.

Novamente imagino Mugen e a recubro de magia, abro os olhos e nada, começo a me sentir despontada, respiro fundo e repito o processo. Abro os olhos e pela terceira vez não há diferença na espada, sinto como se um peso se depositasse em meu estômago, será que eu não tenho capacidade o suficiente para isso?

Uma luz perolada. Olho para Yuu, sem entender. — É assim que costuma se manifestar seu poder.

Pisco algumas vezes, de fato me lembro de ver uma luz perolada em diversas situações, mas sempre achei que fosse a inocência. Fecho os olhos novamente, desta vez mantenho a luz perolada em minha mente, volto a imaginar a Mugen ao mesmo tempo em que a mesclo com a luz, aos poucos vou sentindo uma enorme leveza, primeiro minha respiração se regulariza, minhas mãos param de tremer e meu coração desacelera, abro os olhos já com um sorriso no rosto, desta vez deu certo.

A espada emite um suave brilho perolado, suspiro aliviada e viro-me para Yuu, agora vem a pior parte.

Já tem um plano? Nego com a cabeça e voltamos os olhos para o campo de batalha.

O Apocrypho leva a melhor contra meus amigos, seus movimentos são rápidos e sua força incomparável, não vou conseguir atingi-lo facilmente. Desço os olhos para a Mugen, na verdade, não consigo me imaginar atingindo ninguém com uma espada, mas não posso pensar assim, não importa como, tenho que para-lo.

Se o mantiverem parado, você consegue acerta-lo? Indaga Yuu, meus olhos viajam da Mugen, para a batalha e depois para ele, aquiesço.

Aproximamo-nos de Marie que está mais distante da batalha e lhe falamos o plano, logo em seguida Lena é arremessada longe, corro para ajuda-la e aproveito para lhe informar a estratégia, ela se oferece para compartilhar com Allen e Lavi, ao que concordo.

Logo noto uma diferente formação, o combate que antes consistia em meus amigos tentando acertar o Apocrypho a todo custo, agora está mais organizado, eles parecem cerca-lo, tentando prende-lo em uma armadilha. Aperto o cabo de Mugen com mais força, eu não posso vacilar, Lenalee chuta o Apocrypho para dentro de um tornado de fogo criado por Lavi, na pressa de sair das chamas, ele acaba dando de cara com a capa de Allen e ao tentar recuar, repara que seus braços foram presos pelo Noel Organon, tendo logo em seguida suas pernas presas pela Crown Clown.

Fuyuki-chan! Ouço meus amigos gritarem e desembainho a espada partindo para cima do Apocrypho.

Ele agarra as cordas que predem seus braços e se aproveita para arremessar Marie contra Allen, eu demorei demais, é tudo que consigo pensar quando ele se joga contra mim, uso Mugen para diminuir o impacto, mas sou arremessada longe uma vez que não há como apoiar uma espada.

Você está bem? Rio ao sentir-me sendo puxada para fora dos entulhos.

Creio que sim, desculpe espada não é minha especialidade. Digo ao que Kanda me coloca de pé e me olha de cima a baixo.

Se for usa-la para reduzir um impacto vire a lâmina e apoie-a com seu braço, assim. Yuu me coloca em posição, de fato daquele jeito seria mais fácil aguentar o ataque.

Você não faz isso. Digo quando ele me solta.

Eu evito impactos. Suspiro, ele tem razão, estou tomando a maior parte dos ataques, desse jeito não terei nenhuma chance. — A espada é mais fácil.

Jura? Indago meio incrédula.

Você disse que prefere lutar a mão livre, pois controla melhor seu corpo do que uma arma, mas a espada é como uma extensão de seu corpo. Arqueio uma sobrancelha, ele disse o mesmo sobre a lança. — A lança é muito comprida, útil para ataques a distância, porém obviamente manterá seu inimigo longe…

Yuu!? Ele agarrara minha mão e me puxara, parando a espada a milímetros de seu peito.

Com a espada a distância é reduzida, traga o inimigo para o seu território e garanta que irá acerta-lo. Se você hesitar a essa distância, está acabada. Kanda me encara firmemente, meu coração bate muito acelerado, estou com medo.

Só quando o moreno me larga, solto o ar que não tinha notado estar segurando, uma leve sensação de tontura se apodera de mim, não sei se estou pronta para isso.

Se acha que não vai conseguir é melhor dizer agora. Recuo um passo, sentindo meus olhos se arregalarem.

E-eu…

Está vacilando. Engulo em seco e luto para me acalmar, por alguma razão quero chorar de novo e isso me irrita.

EU CONSIGO! Grito muito brava comigo mesma, levanto os olhos e me deparo com uma expressão surpresa no rosto de Yuu, mas logo é substituída por um sorriso irônico.

Agora sim você consegue. Rio constrangida e coloco uma mecha de cabelo para trás da orelha. — Você não terá mais o elemento surpresa.

Sei disso. Ele aquiesce, sorrio inclinando a cabeça para o lado. — Obrigada Yuu.

Volto meus olhos para a batalha, obviamente meus amigos estavam tentando manter o Apocrypho ocupado para que ele não viesse atrás de mim, e estavam fazendo um ótimo trabalho, porém eu não podia mais deixar que os outros lutassem minhas batalhas, já tinha passado muito da hora de eu tomar uma atitude.

Seguro a Mugen com as duas mãos, meus ataques não são muito fortes, nem sou muito veloz, mas há algumas vantagens em ser baixa, sorrio com esse pensamento em mente, está na hora de tentar algo novo.

Lanço-me contra o Apocrypho que está momentaneamente distraído segurando um ataque de Lavi, quando estou perto o suficiente dobro os joelhos começando o ataque o mais de baixo que consigo, ele pula para longe, porém o sigo, Kanda tem razão, para lutar com espadas você precisa estar perto do inimigo, o que para mim é uma vantagem.

Com a proximidade o Apocrypho não consegue atirar suas bolas de energia, então engajamos em um combate de força e técnica, percebo rapidamente que a esta distância é mais fácil esquivar, já que eu naturalmente estou fora de seu alcance, basta me abaixar um pouco e ele erra o ataque. Tento me lembrar de todas as técnicas de espada que estudei a muito tempo com Lizzy, de alguma maneira preciso atingi-lo. Noto porém que me esqueci completamente de um detalhe, dessa vez não estou lutando sozinha, mesmo agora, meus companheiros ainda atacam o Apocrypho, sorrio, sem dúvida assim serei capaz de acerta-lo.