The fall and the rise
1 Ato I - Paper Doll

"Não pertenço a esse lugar, desde aquele dia tudo virou um pesadelo do qual não consigo acordar"
passei a gostar da dor... pois era a única que me fazia companhia quando não havia mais ninguém, no entanto, haviam momentos em que parecia haver alguém lá além dela, alguém que eu ainda não podia ver com clareza...
~~
Só faltam quatro horas para a tortura começar.
A escola é o pior lugar do mundo, todos os dias eu tinha que me esconder no armário na hora do recreio, para que os garotos da escola não me agredissem, felizmente esse ano encontrei um esconderijo seguro, uma sala velha de música que foi abandonada desde que a professora faleceu, nunca soube porque não continuaram a usar a sala, eu gostava de ouvir o som do piano, este instrumento é o único que consegue expressar o que eu sinto, cada nota, cada som que provém dele me faz sentir menos sozinho...
O Sinal toca
O som que me faz lembrar que preciso voltar para a tortura novamente.
— Aquele garoto é tão esquisito... — ouço as garotas cochichando e olhando em minha direção enquanto atravesso o corredor em direção a sala.
— Não é aquele garoto que mat- — A amiga tampa a boca dela antes que possa terminar a frase sobre mim, a advertindo de que o diretor havia proibido a escola de tocar naquele assunto...
Aquele assunto... Há dois anos atrás um garoto novo chegou na escola, foi quando tudo começou, naquela época eu ainda tinha amigos...
Dois anos Antes
"Ren vamos, o sinal ja bateu." Yoshino me puxou e fomos correndo, sempre acabávamos chegando atrasados depois do recreio.
"A culpa é sua." Sorri, apesar das situações em que ele nos metia sempre nos divertíamos.
Chegamos na sala e por sorte a aula ainda não havia começado, portanto recebemos apenas um olhar de reprovação da professora. Fomos correndo para as carteiras e quando me sentei foi que eu o vi...
"Este é Vincent, aluno novo da Inglaterra, mas fala fluentemente o nosso japonês" a professora sorriu orgulhosa parecia ja ter arrumado um aluno preferido.
" Muito prazer em conhece-los espero poder ser amigo de todos" ele sorriu e parecia ser muito simpático.
"Pode sentar-se Vincent, há uma cadeira vazia ali ao lado de Ren" Ela apontou na minha direção e sorri acenando.
Ele sentou-se ao meu lado, falando:
" Prazer Ren, espero que possamos ser bons amigos" Ele sorriu pra mim.
"Espero que sim" Sorri de volta, e nos dias que se sucederam nos tornamos amigos bem rápido.
Vincent era um menino de cabelos brancos, pele bem pálida e olhos azuis um tanto quanto enigmáticos, porém tinha grande facilidade de fazer amizade.
Os dias se passaram e Vincent foi virando um amigo muito próximo, estávamos sempre juntos depois das aulas. Embora Vincent fosse o tipo de pessoa que todos ao redor gostavam por ser simpático e sociável e fazer todos se sentirem a vontade, não demorei muito para perceber um aspecto não tão atraente.
"Hey Vincent-chan" Haruka se aproximou de Vincent enquanto estávamos conversando no recreio e segurou as mão dele, eu sabia que ele começaria a "caçada”
A caçada foi como apelidei, ele tinha a mania de “estar” com várias meninas ao mesmo tempo e parecia nunca parar, e era mestre em não ser descoberto, como todos gostavam dele tinham medo de perder sua amizade, e por isso nunca falavam nada a respeito . Eu não era um desses, já havia tentado conversar com ele antes porém sem sucesso, por isso decidi que precisava fazer algo e se não conseguisse por mais que gostasse de sua amizade me afastaria.
"Pode falar senhorita" Vincent sorriu para ela o que me deixou indignado, já era a terceira na semana.
" N-não vi você ontem " Haruka disse tímida e eu apertava meus punhos cada vez mais, incrédulo pela postura de vincent...
"Desculpe tive que ir ao médico" Ele continuou sorrindo e segurando as mão dela, como ele conseguia ser tão natural a respeito disso?
"Pode sentar-se junto comigo hoje?" Ela ficou corada e já não pude me conter.
" Mas é claro" Ele pegou a mão dela e a levou a seu rosto.
Puxei Vincente abruptamente.
" Qual o problema Ren"? Vincent perguntou confuso.
" Precisamos conversar" – Puxei-o pelo braço e o levei até a quadra, que estava vazia naquele horário.
“O que é tudo isso Ren?” Ele me olhou sem entender
“Eu é que pergunto, o que você tá pensando? Desde que você chegou não para de seduzir as meninas da escola e do bairro, você é um bom amigo mas sinceramente não posso aguentar calado, exatamente por isso, não é certo, você precisa parar.
Por um momento houve silêncio da parte de Vincent e então ele deu um suspiro e olhou sério para mim de volta, não havia visto aquele olhar, aquela era a primeira vez, algo dentro de mim gelou, uma sensação ruim, seria apenas minha imaginação?
"Você acha que elas não sabem?" Disse em um tom calmo.
" Como assim?" Disse confuso
"Você é a primeira pessoa que me repreendeu por isso" ele se apoiou no muro olhando para cima "interessante"
"Não estou te entendendo" Insisti na minha pergunta
"Elas são gentis comigo e tudo o que faço é ser gentil de volta, elas vem falar comigo primeiro, o que eu deveria fazer? Ignorar?" Ele deu um sorriso. "Nada disso é real, elas só vem até mim pela minha aparência” ele virou se apoiando no muro como se observasse a rua. “são todas bonecas de papel”
"Você não está fazendo sentido" – disse perplexo, não sabia o que responder.
“Você tem sido um bom amigo, me surpreendeu me repreendendo quando ninguém tinha coragem, não tem medo de perder minha amizade como todos os outros? — Ele me indagou, parecia sinceramente interessado em saber minha resposta.
“Bem, um verdadeiro amigo não fala o que queremos ouvir, ele fala o que precisamos ouvir, por algum motivo viramos bons amigos e eu acredito que exista a possibilidade de você viver de uma forma melhor.”
“Hum…” — Ele levou a mão ao queixo como se estivesse refletindo sobre o que falei, então ele sorriu como alguém que havia encontrado uma solução. “Está bem, acho que tem razão, vou tentar”
“sério? Irei te ajudar a melhorar, eu prometo!” — Disse animado "Eu sei que não é fácil largar um hábito, mas é possível" En quanto falava Yoshino me chamou para irmos para a aula extra de artes e tive que sair “Então depois nos falamos melhor” Acenei para vincent, enquanto me afastava achei ouvir algo
“… vamos começar”
Olhei para traz, Vincent estava de costas olhando para a cesta de basquete da quadra e não havia mais ninguém, deveria ser coisa da minha cabeça.
Fale com o autor