The death is the key for destiny
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Notas iniciais
Já se passou uma semana, mesmo assim, continuo ouvindo a voz dela...implorando para não ser morta, ainda vejo o corpo dela, sem vida, banhado a uma mistura de sangue e chuva, a chuva que tanto odeio...
E aqui estou eu, em frente a minha “prisão”, o lugar onde terei que viver por três anos, Mais sabe ? isso é realmente uma ironia, a uma semana atrás eu era uma humana sem nada de incomum, apenas com um passado estranho a mim mesma, perdi minha memoria quando tinha seis anos de idade, acordei em um hospital, sem lembrar-me de nada, nem meu próprio nome, fui encaminhada a um orfanato, onde passei dez anos, saindo somente com dezesseis, indo brevemente morar sozinha, com uma vida comum e normal, então ela foi destruída, tudo que eu tinha foi por terra...matei a única pessoa em quem confiava.
Em apenas um dia minha vida, meu passado e tudo foram destruídos, meu presente tornando-se algo estranho a mim e meu futuro...o futuro que talvez eu nem tenha mais. A chuva caia sobre meu rosto e em minha mão, fazendo acordar as lembranças ainda vividas daquele dia.
Homem- Senhorita ? Seria melhor entrarmos, se ficarmos muito tempo aqui será ruim a sua saúde, seu corpo ainda esta frágil.
Yumiko- Não me importo..talvez seja melhor assim.
Homem- Talvez tudo tenha sido muito rápido, a questão de ter descoberto sua “falta de humanidade”...mais saiba, isso não é o fim, apenas um começo. – ele fez uma pausa – E é para e por isso que este lugar existe, para ajudar pessoas como a senhorita.
Yumiko- Pessoas ? gentil porem não é melhor dizer monstros como eu ?
Homem- Bom, talvez, sim...talvez sejamos como você disse, monstros. Mais até monstros tem sentimentos sabia ? – outra pausa – vamos entrar ?
O homem de terno polido a quem eu tinha conhecido a apenas algumas horas começou a caminhar para a entrada sendo seguido lentamente por mim. Quem é este homem ? o que ele é ? eram as únicas questões em minha mente neste segundo.
Enquanto adentrávamos no local eu comecei a reparar ao redor, a chuva reduzia sensivelmente minha visão, a única coisa que conseguia ver era um colégio, porem não um colégio normal, e sim um internato, lembrava-me daqueles que eu costumava ver na tv, velho e assustador, a chuva o deixava com uma aparência pior ainda.
Yumiko- um internato ?
Homem- Acho que é como os mortais chamariam, mais é muito diferente do que eles estão acostumados...aqui dentro residem apenas como você disse ? Ah, “monstros” – ele irradiava escarnio e desprezo, com tudo isso e o jeito frio tive até pena dos mortais. Medo. É acho que seria definido assim.
Homem- estamos quase chegando.
Yumiko- onde ? – eu estava um pouco curiosa quanto a isso.
Homem- Em seu dormitório, onde espero que passe os próximos três anos.
Yumiko- espera ?
Homem- claro, espero, se não for morta antes – falou com um toque de escarnio .
Quando ele terminou esta frase, senti um sentimento me invadir, desespero. O que ele queria dizer com “não for morta antes” ? Que TIPO de lugar era aquele ? um internato para monstros...tudo bem, mais...POR QUE ?! Por que criarem um lugar assim ?
Após andarmos por mais um tempo ele parou na frente de um grande prédio, velho, grande...não...enorme, como todos naquele maldito lugar.
Homem- Cá estamos.
Yumiko- este será meu dormitório ?
Homem- Sim, bem, aqui nos despedimos, só posso lhe acompanhar até aqui, espero que consiga as respostas que tanto quer aqui, e claro...que continue viva.- ele deu meia volta e caminhou lentamente, sumindo de repente....sumindo do nada ou com a chuva...não sei.
Após entrar no lugar, a primeira coisa que vi foi uma mulher com longos cabelos negros como a noite e olhos vermelhos como sangue, sentada lendo um livro qualquer, porem isso não era o mais chamativo nela, e sim suas orelhas, grande orelhas de gato se projetavam de sua cabeça, quando me viu ela imediatamente se levantou apoiando o livro na mesa.
Mulher- Você deve ser Yumiko certo ? – sua identificação dizia “Shizuki”
Yumiko- S-Sim – gaguejei.
Shizuki- Me acompanhe, irei a encaminhar para seu quarto, você ira conhecer sua colega de quarto, e bem enquanto caminhamos deixe-me lhe explicar as regras do lugar.
Yumiko– Sim, senhora.
Shizuki- siga-me.
Segui a garota com orelhas de gato e logo percebi que ela também possuía uma cauda de gato, nada mais normal ,não ? Neste exato momento tenho em minha frente uma “mulher-gato”...belo começo.
Shizuki- Bom em primeiro lugar entenda uma coisa, JAMAIS desobedeça as regras, entendeu ? NUNCA em NENHUMA circunstancia – ela falou com ênfase.
Yumiko- Entendido
Shizuki- numero um de nenhum modo nenhum mortal é permitido neste internato ou em qualquer dependência do campus, caso seja encontrado será executado junto com seu assessor — ela pausou, novamente o desprezo, frieza e escarnio, como o do homem de terno – numero dois, nenhum aluno pode ou deve sair do internato antes da formatura sem a permissão da diretora, caso aconteça o aluno será devidamente punido, e por ultimo, nenhum aluno tem permissão de assassinar outro, por nenhum motivo ou circunstancia, caso aconteça a punição será severa. – ela terminou, parando em frente a uma porta de mogno comum.
Shizuki- chegamos, pode entrar, espero que obedeça as regras, Srt. Yumiko – quando encerrou a frase com meu nome seu olhar ganhou um brilho avermelhado peculiar.
Yumiko- Entendido
Shizuki – Okay, até a próxima – ela andou lentamente até desaparecer no corredor, olhei algum segundos a maçaneta e então a abri lentamente acompanhada de um barulho de velhas fechaduras sendo usadas, assim que adentrei o quarto uma voz fria chegou até mim, cortante como gelo.
– Esses shinigamis de hoje em dia...sem educação...simplesmente abrem as portas com um barulho insuportável e nem se importam se tem gente dormindo !
Olhei na direção da voz e me deparei com uma garota de cabelos tão pretos quase azuis e olhos claros de um azul aguado cujo brilho me lembrou da lua.
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