The cute one

6 Capítulo 6


Notas iniciais
Mano, não sei se vocês já viram o desafio do pocky, no pocky day e bla bla bla. Mas sempre é uma coisa fofinha. Eu imagino que BakuJirou raramente seja fofo e doce assim. Isso seria uma paródia do desafio do pocky.

Estava quase no meio do semestre na UA. Haviam se passado três semanas desde que Bakugou literalmente ordenou que Kyouka superasse o “idiota covarde”. Agora que todos sabiam sobre a amizade dos dois, eles faziam mais coisas juntos porque os garotos convidavam Kyouka mais vezes e as garotas não se importavam de ter Katsuki com elas algumas vezes na semana.

O problema era que, agora que Bakugou desenvolveu certa intimidade com Jirou, ele literalmente invadiu sua vida. Algumas vezes, quando ele queria tocar bateria, ele simplesmente entrava no quarto de Jirou sem ao menos bater na porta; ele também a intimava a fazer algumas coisas com ele; COMIA A COMIDA DELA sem nem mesmo pedir! E, como se não fosse o suficiente, as garotas (também conhecidas como Ashido e Hakagure) não a deixava em paz, elas sempre estavam sugerindo que Bakugou e Jirou eram mais do que apenas amigos.

Kyouka odiava falar sobre isso. Ela corava, gaguejava e ficava nervosa, não por realmente haver alguma coisa, porém, o simples fato de alguém estar discutindo sua vida amorosa (essa parte especificamente fracassada) a deixava envergonhada.

Depois de três semanas, Jirou estava tentando evitar Bakugou. Uma tarefa particularmente difícil, desde que eles moram no mesmo prédio, tem os mesmos amigos e sentam um ao lado do outro na sala. Ela gostava de Katsuki, sério, mas as vezes ele podia ser irritante. E ela não era tinha ideia de como Ashido conseguia imaginar que ser rude e grosseiro poderia ser uma demonstração de afeto (é aqui que a ironia manda um olá para Jirou).

E no fim, aqui estava ela, sentada no sofá, entre Momo e Kaminari, assistindo Kirishima e Bakugou discutirem sobre uma estúpida análise dos estudantes da turma B. Jirou estava comendo um pocky que Mina dividiu com eles antes de deixar a sala, Ashido havia deixado dois pockys para cada um, Jirou ainda estava terminando o primeiro porque ficou conversando com Momo sobre um álbum ótimo que ela ouviu essa manhã.

Quando Kyouka estendeu a mão para pegar seu último pocky, uma mão tomou-o primeiro. Era Bakugou, ele levantou do sofá e estava comendo. A comida. Dela. DE NOVO. (Não importa se era só um pocky, era dela!).

— Ei! Isso é meu – Jirou protestou do sofá.

— Tch. Agora é meu – Bakugou respondeu com um meio sorriso.

— Me devolve – Não foi um pedido, foi uma ordem, com ameaças.

Bakugou bufou uma risada e olhou para ela com desafio nos olhos.

— Me obrigue.

É isso. Ele ultrapassou todos os limites. Kyouka não se importou se ele era seu amigo ou quão doce ele foi antes. Bakugou Katsuki não pode fazer o que quiser.

Ela avançou no garoto tentando recuperar o doce com as próprias mãos. Jirou foi surpreendentemente rápida, só não rápida o suficiente para Bakugou, que segurou-a pelos pulsos e ergueu o rosto para impedir a garota de tomar o pocky.

— Me dá a porra do pocky! – Jirou rosnou, literalmente escalando Katsuki com uma ferocidade que deixou até Bakugou confuso e surpreso.

— Jirou, é só um pocky estúpido, deixa para lá – Kaminari pediu com a voz trêmula. Ninguém esperava essa reação da garota punk.

— ´Sim. MEU Pocky estúpido! – Ela retrucou remexendo-se para se livrar do garoto explosivo.

Quando Kyouka percebeu que Bakugou não soltaria seus pulsos, ela mordeu o doce e o puxou com toda a força que conseguiu. O Pocky veio para a boca da garota e ela mastigou-o até não restar nada para tomar de volta.

Bakugou piscou duas vezes em surpresa. Ela tomou o pocky!

— Cuspa! – Ele ordenou segurando-a pela camisa.

Jirou negou com a cabeça, os olhos assustados e o rosto redondo pela boca cheia. Agora ela lembrou porque Bakugou Katsuki faz o que quer.

O garoto soltou duas explosões e estava prestes a fazer isso no rosto de Kyouka se não fosse Kirishima interromper.

— Bakugou! O que você está fazendo?! – O ruivo puxou seu amigo pelo braço e soltou Jirou.

— Morre! – Katsuki gritou explodindo novamente.

Kyouka correu e escondeu-se atrás do sofá (e Momo), engolindo o pocky completamente.

— Cara, Jirou riu na cara do perigo – Kaminari brincou tentando esconder uma risada.

— Não é engraçado, Kaminari-san – Momo repreendeu-o protegendo sua amiga com seus braços erguidos.

— Qual o seu problema, Orelha?! – Bakugou rosnou irritado.

— Meu problema? Meu problema?! Qual o SEU problema?! – Ela retrucou furiosa.

— Gente, se acalmem — Kirishima implorou – Está tudo bem, é só um pocky. Ninguém precisa lutar por isso.

Por um segundo todos se entreolharam com uma pitada de culpa.

— Não – Jirou disse com as sobrancelhas franzidas – Não, Kiri, não é só um pocky. Eu não sou um tapete vermelho para o Rei do Ego pisar em mim.

Jirou estava cansada, irritada e chateada. Bakugou podia ser seu amigo, contudo ela não era como Kirishima, que aceitava tudo em prol da amizade.

Kyouka deixou a sala com a cabeça baixa. Ela não queria falar com nenhum dos garotos agora. Então ela foi tocar um pouco de guitarra e esperar pelo toque de recolher. Ela não estava com fome, talvez ela pulasse o jantar e fosse dormir.

O dia seguinte foi estranho. Kyouka não fez nada diferente, entretanto seu amigos fizeram. Começando pelo café da manhã, onde todo mundo simplesmente a encarou por dois segundos antes que ela sentasse ao lado de Momo, e aí de novo, quando Bakugou lavou sua louça entre ela e Kirishima.

Parecia que toda a classe sabia sobre a briga do pocky. Ashido tentou perguntar sobre isso, contudo Kyouka simplesmente disse que não era nada importante.

Kaminari e Kirishima convidaram-na para jogar baralho e treinar, separadamente. Sim, eles fizeram o mesmo convite individualmente. Isso fez Kyouka refletir. Ela não pensou que a briga com Bakugou fosse assim. Ela brigava com todo mundo, honestamente, ela só não agredia Bakugou tanto quanto Kaminari porque ele a mataria, do contrário, ele sofreria todas as vezes que ele a fez corar de raiva ou vergonha.

Bem, não é como se Bakugou estivesse acostumado com pessoas o contradizendo. Talvez ele estivesse mais irritado do que o habitual. Ela deveria se desculpar? Porra nenhuma, não! Kyouka pensou. Era culpa DELE por ter começado isso. Se alguém tinha que se desculpar, é ele.

No terceiro dia, Kyouka chamou Kaminari para tocar, sem Bakugou, só Kamiari. Nesse jogo duas pessoas podem jogar. Não foi tão divertido. Jirou gostava de Kaminari, ele era um idiota, é verdade, mas também era seu amigo. O problema era que o garoto era muito lento! Jirou não podia tocar o baixo mais rápido ou ele perderia o ritmo. No fim, ela decidiu fazer seu dever de casa mais cedo.

Jirou estava acabando de terminar o último problema de matemática quando ela ouviu o elevador abrir no final do corredor. Ela levantou uma sobrancelha e esperou por uma batida na porta até que ela percebeu quem era.

— Você só chamou o Pikachu para tocar?! – Bakugou perguntou ofendido.

— Não é tão difícil, Bakugou – Jirou suspirou apoiando a cabeça em uma mão e gesticulando com a outra – Tudo o que você tem que fazer é fechar seu punho assim e bater na madeira.

— Tch. Você é irritante – Ele rolou seus olhos e virou as costas.

— Eu? Diz o cara que ameaça todo mundo, nunca bate em um única porta e rouba. A minha. Comida. – Kyouka soou entediada no começo, porém não conseguiu conter a frustração até o final.

— Você ainda está chorando por causa de uma porra de um pocky?! – Ele berrou exasperado.

— Não é sobre o pocky, Bakugou! É sobre limites! – Ela berrou de volta, erguendo-se da cadeira – Você vem aqui, você dita suas ordens, trata todo mundo como merda... Porra! Kirishima deve ser um santo para te aguentar. E sabe de uma coisa? Eu não sou. Eu fico irritada. Fico brava, e mal-humorada e entediada. Eu não posso ignorar toda merda que você faz. É por isso que eu não te chamei. Por que eu não sou sua mãe e você não é uma criança.

O discurso de Kyouka estava tão cheio de veneno, descontentamento e sarcasmo que Bakugou não sabia se ficava irritado, surpreso, furioso ou confuso. Ele optou pela escolha “furioso” e suas mãos começaram a fumegar quando seu rosto tornou-se uma visão demoníaca.

— Viu? É disso que eu estou falando – Kyouka torceu o nariz e apontou para ele de cima abaixo – Eu não posso lidar com isso o tempo todo. Eu tenho vilões para me preocupar, eu não posso ter medo dos meus amigos também.

Isso fez Bakugou piscar. A garota não parecia assustada, era mais como se estivesse entediada. E ainda assim, ela estava dizendo que tinha medo dele? Era isso que ele queria, certo? Ela deveria fazer o que ele quer, não... isso. O que ele quer mesmo?

— Pff. Você é muito imbecil às vezes – Ele disse com um sorriso sarcástico.

— E você é um pé no saco todas as vezes. – Ela retrucou aliviada – Eu não estou dizendo para você “seja um cara legal”. Eu só estou dizendo para respeitar algumas coisa, ok? Tipo quando nós tocamos death metal e você odeia que eu toque o solo do baixo na guitarra.

— É um som fodidamente escroto – Ele argumentou – Você não pode tocar o solo do baixo E o rift da guitarra ao mesmo tempo. É como ver um bebê fazendo um gutural, não parece certo.

— Eu acho fofo – Ela brincou mudando seu peso de uma perna para a outra – Imagina só, um corpinho gritando um gutural como o do Corpsegrinder – Bakugou fez uma careta e Kyouka cobriu a boca com as mãos para segurar a risada – Poderia ser meu filho, eu ia amar – Ela debochou.

— Ou o filho da Sirene de bombeiro – Ele apontou cruzando os braços.

Foi a vez de Kyouka fazer uma careta. Ela sabia que Sirene de Bombeiro era Present Mic, e subitamente um bebê gritando “Yeeeaaah” preencheu sua mente e lhe deu calafrios.

— Então, nós estamos ok? – Bakugou perguntou abrindo a porta.

— É. Estamos ok.

— Bom, porque eu preciso de alguém que possa jogar poker decentemente. Aqueles perdedores são muito fáceis de ler – Ele disse antes de deixar o quarto e fechar a porta atrás de si.

Notas finais
A propósito, eu não revise. Então...