The cute one

33 Capítulo 33


Notas iniciais
Lembrando que, como dito no início, eles estão no segundo ano. Ou seja, outro festival esportivo, outro cultural, etc.

O momento mais esperado do ano iria começar. Kyouka não queria admitir, mas o festival cultural era sua maior diversão. Era onde ela podia se soltar ao máximo. No ano passado ela não conseguiu fazer isso completamente, suas amarras da timidez só foram desfeitas no dia da apresentação. Esse ano ela queria aproveitar cada segundo com a mesma liberdade.

Antes mesmo de ser anunciado, Kyouka já tinha separado uma lista de músicas para eles tocarem nesse ano. Não que ela tenha mostrado para ninguém, afinal, não havia como saber se todos realmente iriam querer fazer o show novamente. Entretanto, quando ficou decidido que eles fariam um show ainda mais animado esse ano, Jirou retirou três cadernos completamente rabiscados da bolsa e mostrou as dezessete sugestões diferentes de show que ela havia feito ao longo do ano.

Algumas delas eram bem... inadequadas. Um pouco depressivas e pesadas demais para ela até mesmo apresentar como sugestão. No fim, lembrando que havia o grupo de dança e a ambientação, eles fizeram muitas adequações.

Dois dias depois do anúncio do festival cultural, Jirou havia conseguido uma sala a parte e preparado todos os instrumentos para ficarem sempre a postos e eles treinarem a qualquer momento. Ela até pediu para seu pai deixar um baixo e mais uma guitarra extra na escola. Assim ela, Kaminari e Tokoyami poderiam treinar mesmo depois das nove, cada um em seu quarto. Ela pediu não uma bateria porque 1) Ela já havia trazido a sua, a outra era do seu pai e se ele deixasse na escola, não teria bateria na casa dos Jirou; 2) Bakugou era perfeito em tudo, ele não precisava de treino extra.

Esse ano eles fariam um show mais longo. Com mais de meia hora de duração, seis músicas e dança específica para cada uma. Depois da primeira semana de treino, Kaminari sugeriu por brincadeira que eles deveriam ter uma música original no repertório. Todos acharam divertido, porém Bakugou levou a sério. O loiro explosivo fez um discurso tão empolgado e orgulhoso que inspirou os outros e os convenceu a fazer uma música para o festival.

No dia seguinte eles já estavam há quase duas horas na sala de música tentando compor alguma coisa e não avançaram quase nada. A banda já havia decidido um ritmo, um tema e um solo introdutório que Kyouka começou e Tokoyami continuou. Ainda assim, estavam longe de terminar e Kaminari começou a achar que não era uma ideia tão boa assim.

— Pare de reclamar e começa a trabalhar nessa merda! – Bakugou gritou com o punho erguido.

— Calem a boca! – Jirou repreendeu-os – Não é assim que vocês vão fazer alguma coisa. Criar uma música dá trabalho, então parem de brigar e se concentrem na porcaria do tema.

— Desculpe, Kyouka-chan, mas eu acho que nenhum de nós fez isso antes – Momo manifestou-se – E não acho que eu tenha talento para ajudar com isso.

— Não esquenta, Momo. Música é inspiração e inspiração vem para todos. – Jirou sorriu calmamente.

— Eu estou com a Yaomomo – Kaminari gemeu – Nós não somos muito musicais com você, Jirou. Seus pais são compositores, a inspiração te visita desde bebê. Já a gente, a inspiração nos vê e faz um desvio.

— Claro que não. Tokoyami já dedilhou a introdução, não foi? – Kyouka argumentou repassando o solo no baixo – Vocês só precisam relaxar e focar no tema.

— Eu só continuei o que você começou, Jirou-san. – Fumikage contrariou – concordo com eles sobre você ser escolhida pela inspiração.

— Então o que vocês idiotas ainda estão fazendo aqui?! – Bakugou gritou da bateria – Se vocês não vão ajudar, não atrapalhem e deem o fora daqui – Ele batucou um pouco antes de virar-se para Jirou – Orelha, toca a introdução de novo, eu acho que peguei alguma coisa na penúltima nota.

Jirou obedeceu e Bakugou explodiu com o som da bateria antes de suavizar a batida. Jirou sorriu levemente antes de estender um pouco o solo e acrescentar mais algumas notas.

— Bom, isso é bom – Ela sorriu satisfeita, ainda tocando – Momo, escalona um ré menor e um dó para mim. Espera... espera... agora.

Yaomomo entrou com o teclado quando lhe foi pedido e eles avançaram um pouco mais na música. Eles repetiram o som um par de vezes antes de pararem e Jirou anotar tudo rapidamente em uma folha solta que ela alcançou.

— Ok, travamos de novo. Mas se ficarmos mais algum tempo talvez algo novo apareça – Jirou disse empolgada.

— Jirou, eu estou cansado! – Kaminari gemeu jogando-se em uma cadeira e abraçando a guitarra.

— Então saia! Você não está servindo de nada mesmo, Pikachu!

— Bakugou, se acalma – Jirou pediu um pouco envergonhada pelo comportamento do namorado – Mas é verdade. Momo, você também, está ficando tarde. Quem estiver cansado, pode ir, eu vou ficar mais um pouco, talvez testar algumas outras músicas para desenvolver mais a nossa.

Surpreendentemente os três levantaram-se rápido demais. Um “boa noite” foi ouvido com pressa, antes que Jirou mudasse de ideia. No fim, ficaram apenas ela e Bakugou na sala de música.

— Parece que é só você e eu, Orelha – Ele reiniciou a bateria e Kyouka o acompanhou no baixo.

Eles continuaram assim por mais algum tempo até que foram praticamente expulsos dali. Já era tarde e eles precisavam dormir.

No dia seguinte, durante o almoço, a banda se reuniu novamente. Jirou e Bakugou tinham feito uma evolução surpreendente na música. Kyouka tinha até rabiscado alguma coisa para a letra. Depois que eles treinaram um pouco, Tokoyami sugeriu que eles deixassem os dois para continuar o trabalho da composição, já que eles pareciam fluir melhor quando não tinham tanta interferência externa. Ele até fez um comentário sobre a deusa da inspiração não aparecer na frente de mortais indignos como ele e Kaminari.

Nenhum dos dois fez objeção e quando todos saíram, eles voltaram para os rabiscos de Jirou e tentaram ver o que se adequava melhor. Bakugou sabia um pouco de guitarra também, então, quando Jirou precisava de um acompanhamento ali, ele dedilhava para clarear a mente da namorada. Jirou cuidava do piano e da segunda guitarra, além do baixo quando precisavam.

— Ei, você consegue reproduzir um ré com sétima a nona na bateria? – Ela pediu fazendo um esforço mental para encaixar a nota no instrumento.

— Isso é uma bateria, orelha, não uma guitarra.

— Eu sei, eu sei – Ela estalou frustrada – Mas Ré não parece certo, e se fizer uma sequência com um sustenido vai desarmonizar tudo. Espera um pouco – Ela levantou-se e foi até ele e encarando a bateria com a mão no queixo – Qual dos pratos que a gente menos usa nessas outras músicas? – Ela perguntou analisando o instrumento por todos os ângulos.

— Esse – Bakugou apontou com as baquetas para os pratos ao seu lado – Eu nem me lembro de ter usado ele em alguma música.

— Perfeito! – Ela exclamou inclinando-se sobre Katsuki para alcançar os pratos – Talvez se eu regular ele um pouco, abrindo a distância... ele fique harmônico... Cadê o pedal dessa coisa? – Jirou bufou vasculhando a estante da bateria.

Bakugou ficou hiperconsciente da posição de Jirou de imediato. A garota estava praticamente deitada em seu colo enquanto procurava ajustar os pratos. Katsuki inclinou-se um pouco de lado para ter uma visão privilegiada dos quadris de sua namorada. Eles estavam no intervalo do almoço, então eles estavam de uniforme, uma vestimenta que Bakugou particularmente apreciava quando Jirou vestia.

Kyouka pulou com um susto, quase derrubando metade da bateria, quando sentiu as mãos de Bakugou em seus quadris. Katsuki apenas riu da reação da garota e a puxou para uma posição mais confortável em seu colo.

— Katsuki, isso não é hora e nem lugar – Ela o repreendeu com um beicinho irritado e cruzando os braços.

— Não tem ninguém aqui, esse bloco da escola é isolado e nós temos quase meia hora ainda – Ele argumentou com a voz rouca roçando os lábios na orelha de Kyouka.

— É, mas nós devíamos terminar a música – Jirou retrucou encolhendo o pescoço para desencorajá-lo – Para, sério. Se nós terminamos logo, então depois da aula vamos ter tempo para ficarmos juntos.

— Ou nós podemos aproveitar agora e terminar isso depois – Ele sugeriu deslizando as mãos pela garota e mordiscando seu maxilar.

— Talvez só um pouco não vá atrapalhar – Jirou cedeu com um suspiro carregado.

Bakugou bufou uma risada antes de beijá-la com calma. Ele tinha um plano bem elaborado para aproveitar essa oportunidade e sabia que teria que ser sutil, ou Jirou perceberia e o afastaria rapidamente.

Katsuki encontrou um botão do colete de Jirou e discretamente o desabotoou, inserindo sua mão ali e a apertando delicadamente. Kyouka não teve nenhuma reação adversa a esse movimento, pelo contrário, com um pouco de pressa, Jirou se ajustou no colo de Bakugou e aprofundou o beijo quando o encaixou entre suas pernas.

A garota só percebeu que o que Katsuki estava fazendo quando sentiu o colete muito solto para ainda estar fechado.

— Porra, o uniforme – Ela se amaldiçoou por ter esquecido esse detalhe.

— É só o colete, Kyo, nada demais – Ele argumentou beijando seu pescoço – A camisa continua ali. Sem pele exposta.

Jirou suspirou para prender um gemido. Era golpe baixo usar seu nome, Katsuki sabia que era um gatilho para fazê-la ceder. Kyouka sabia que o garoto tinha uma coisa pelo uniforme da escola. Por quê? Bem, não tem uma explicação muito lógica, talvez fosse por passar a impressão de garota responsável, sendo Jirou completamente punk rock; ou talvez fosse pela saia. Kyouka raramente usava saia.

O que importa era que ela realmente evitou usar o uniforme quando estavam sozinhos. Geralmente acabava com ela cedendo mais do que queria e envergonhada por isso. Ok, talvez fosse só o orgulho ferido por ter saído tão fácil, porque eles realmente aproveitaram bem esses momentos.

Bem até demais. Se não fosse pelo sinal soar na escola inteira, indicando o início da primeira aula vespertina, quem sabe quanto tempo mais eles iam se manter só nos beijos? Porque, honestamente, eles já estavam atrasados, mas não podiam sair dali naquele estado deplorável. Quando foi que eles perderam as gravatas?! Jirou não tinha certeza se aqueles botões da camisa de Bakugou abriram sozinhos ou se ela foi a responsável.

Os dois desligaram os aparelhos de qualquer jeito e correram para a sala de aula. Argh, se o horário tolerável de atraso não fosse tão curto Jirou iria até o banheiro. Sinceramente, ela sentia que deveria tomar um banho, pelo menos da cintura para baixo.

— Pelo menos disfarça, orelha. Você parece um tomate – Bakugou sussurrou quando eles estavam a cinco passos da porta.

Ótimo, porque isso ajudou muito a afugentar o rubor.

— Vocês estão atrasados – Aizawa constatou altivo.

— Culpe o Pikachu, ele que começou com a história de fazer uma música – Bakugou entrou e sentou-se em sua cadeira – Nós perdemos a hora.

Como ele conseguia ser tão cara de pau?! Jirou estava fazendo um esforço enorme para não se encolher, pedir desculpas do seu sensei e prometer que não iria acontecer de novo. Ela contou suas respirações e enrolou o indicador em seu fone para ter algum senso de normalidade e seguir com o rosto inexpressivo.

Ambos sentaram em suas carteiras e nem sequer se olharam durante as aulas. Eles não precisavam levantar nenhuma suspeita do real motivo de estarem atrasados.

Notas finais
Eu realmente sou muito chegada em música (um dos motivos de gostar tanto da Jirou) e seria muito divertido vê-los fazendo uma música para o festival. Algo no estilo Queen ou talvez até um pouco mais metálico como Pink floyd ou até mesmo Black Sabbath. Algo em Dó ou Sol para deixar a voz da Kyouka ainda mais sexy e.e