The cute one

28 Capítulo 28


Kyouka estava desconfortavelmente descendo no elevador. Seu pai estava no telefone e, desde que no dia anterior Bakugou deixou bem claro que queria que todos soubessem do namoro, ela teve que contar para os seus pais. Para a sua infelicidade, seu pai pediu para falar com Katsuki. Jirou protestou, dizendo que isso era estúpido e desnecessário. Contudo seu pai a convenceu com a promessa de que apareceria na escola se ela não entregasse o aparelho para o garoto.

Para piorar a situação, Bakugou estava na sala comum com o Bakusquad ao redor dele. O que não facilitou a missão de Kyouka.

— Ahn... Bakugou, você pode vir aqui um minuto? – Jirou pediu envergonhada, enrolando o dedo indicador nos fones.

Por que está demorando, Kyo?— Jirou ouviu a voz de seu pai pelo celular. Sua peculiaridade permitia que ela ouvisse mesmo sem estar no viva-voz.

— Espera, droga, eu ainda estou avisando! – Kyouka sibilou pondo o telefone na orelha.

— O que foi, Orelha? – Bakugou perguntou erguendo uma sobrancelha.

— Toma – Ela entregou o celular com pressa e vergonha – É meu velho, ele quer falar com você.

— O quê? Não, eu não quero – Bakugou empurrou de volta franzindo o cenho.

— Você precisa – Ela sussurrou batendo o aparelho no peito de Bakugou.

Katsuki grunhiu irritado antes de segurar o celular e colocar na orelha sempre encarando Kyouka com raiva.

— Sou eu, Bakugou – Ele resmungou mal-humorado.

Bem, finalmente— Kyoutoku desdenhou, a voz sempre mostrando o desprezo – Nós temos que discutir algumas coisas antes de eu aprovar esse namoro com a minha filha.

— Quem tem que aprovar é ela, velho rabugento! – Bakugou berrou irritado.

— Não piore as coisas! – Jirou sussurrou ao lado dele.

Humf, e eu pensei que Kyouka nunca fosse me decepcionar— Kyoutoku suspirou decepcionado.

— Não escute o que ele diz – Jirou engoliu em seco e corou ao ouvir o que seu pai disse ao telefone – Ele só quer te irritar.

— Então porque você me deu a porra do telefone? – Bakugou rosnou cobrindo o aparelho com a mão para que Kyoutoku não o ouvisse.

Katsuki levantou rapidamente do sofá. Jirou palpitando não estava ajudando, ele precisava de paz para aguentar toda a merda do pai dela ou ele iria gritar com o velho. E querendo ou não, Bakugou sabia que era importante para a garota que os dois se dessem bem.

Jirou sentou no sofá ao lado de Kirishima e Ashido e observou Katsuki andar para o extremo da sala comum. Com a distância, ela não conseguia mais ouvir o que seu pai dizia. Contudo, a frustração de Bakugou deixava claro que não era nada amigável.

As brincadeiras de Kaminari, Ashido e Sero não ajudaram os nervos de Kyouka. Ela ficou observando enquanto Bakugou se contorcia para não gritar com seu pai no telefone. O garoto tinha as mãos fumegantes e por duas vezes estapeou a própria cara para conter a irritação.

Jirou ficou pálida quando Bakugou estourou e gritou com seu pai.

— MAS QUE PORRA? Que tipo de pervertido você acha que eu sou, caralho?! – Ele gritou de frente para o telefone. Jirou pulou do sofá e correu até seu namorado – Escuta aqui seu velho rabugento, eu...

— Ok, chega de conversa! – Kyouka interrompeu tirando o telefone das mãos de Bakugou e caminhando para longe desligando a chamada.

— Me dá isso aqui, orelha! – Bakugou exigiu a seguindo – Eu não quero saber quem esse idiota pensa que é, ninguém me ofende assim e sai livre!

Kyouka caminhou rapidamente para o elevador mais próximo, que acabou sendo o do lado masculino do prédio. Bakugou a alcançou e tentou pegar o celular de volta enquanto Jirou apertou os botões do elevador e a porta se fechou.

— Desculpa, desculpa, desculpa – Ela começou segurando-o carinhosamente – Eu sei que meu pai é um idiota, mas eu prometo que eu sou tudo material da minha mãe – Ela brincou um pouco nervosa.

Kyouka deu vários beijinhos curtos enquanto se desculpava para acalmar a fúria de Katsuki. Ela suspirou aliviada ao perceber que estava funcionando. Por alguns minutos ela pensou que seu pai seria o fim do seu namoro tão recente, e ela percebeu que se importava mais com Bakugou do que pensava. Jirou ficou aflita só de imaginar ele a ignorando como naquela semana antes deles se acertarem.

— Eu vou mata-lo – Bakugou balbuciou em meio ao beijo. Jirou sorriu, ele sabia que Katsuki não estava mais irritado.

Ela segurou o rosto dele com as duas mãos enquanto Bakugou aprofundava o beijo com as mãos em sua cintura e a fazendo curvar para trás de tanto buscar seus lábios. Os dois pularam de susto quando o elevador apitou e a porta abriu antes do previsto.

— D-Desculpe! – Midoriya chiou envergonhado e dando um passo para trás – E-eu estava tentando descer – Ele explicou cobrindo o rosto com as mãos.

— Dá o fora, Deku! Tá subindo. – Bakugou reclamou irritado e apertou o botão para fechar as portas novamente.

Jirou se encolheu com a vergonha e prendeu os lábios na boca com um dos olhos fechados para fingir que Midoriya não a tinha visto com Katsuki no elevador. Bakugou a puxou pela cintura e tentou retomar o beijo, porém Jirou desviou o rosto corado.

— M-melhor esperar até chegar no seu quarto – Ela sugeriu, o rosto corando ainda mais.

Ela percebeu que acabou de sugerir que estava indo para o quarto de Bakugou para dar uns amassos. Isso a deixou em um estado de nervos embaraçoso.

— Tch. Você vai falar com a bruxa velha – Ele informou soltando-a quando a porta do elevador abriu novamente, agora no andar certo – Eu ainda não contei para ela.

Ok, isso a acalmou um pouco. Apenas por alguns segundos até perceber o que isso realmente queria dizer. Agora ela teria que falar com Mitsuki-san. E se ela não gostasse da ideia do filho dela namorando-a? A mulher era bem assustadora quando queria ser. Tudo bem que ela parecia gostar de Kyouka, agora como namorada de Katsuki? Não havia como saber.

Jirou engoliu em seco quando eles entraram no quarto de Bakugou e ele puxou o celular e discou o número de sua mãe.

O que foi, pirralho?— Mitsuki atendeu calmamente.

— Orelha tem uma coisa para te contar – Bakugou disparou estendendo o celular para Kyouka.

— O quê? Não! É sua mãe, você conta! – Ela sussurrou afastando-se do telefone.

— Eu falei com seu velho, não falei?! Sua vez – Ele insistiu empurrando o aparelho contra Jirou.

— Mas eu já tinha contado para ele! Você tem que fazer isso! – Ela recusou nervosa.

— Que porra está acontecendo aí, Katsuki?!— Jirou ouviu a voz de Mitsuki no celular e sentiu o calor de seu sangue se esvaziar pelas pontas dos pés.

— Vai logo! – Bakugou rosnou.

— O-o-oi, Mitsuki-san – Jirou engoliu em seco, a voz trêmula.

— O que foi, roxinha? Você não parece normal— Mitsuki comentou desconfiada.

— Eu... Ahem, bem, eu e... – sua garganta parecia com um nó que não havia como limpar – Eu e Bakugou, quer dizer, seu filho, nós anh, bem, eu e ele.

— Desembucha, cabeça roxa!— Mitsuki ordenou fazendo Kyouka enrijecer.

— Estamos namorando! – Ela gritou com uma voz aguda, fechou os olhos e afastou o celular do rosto, como se esperasse uma explosão violenta do aparelho.

Tudo o que ela ouviu foi a gargalhada de Mitsuki-san.

— Finalmente!— Ela continuou gargalhando – Vocês deviam ter ligado no fim de semana, é uma pena Masaru não estar aqui para ouvir comigo— Ela suspirou com uma risada divertida – Bem, vou ter que esperar até ele chegar para contar.

— você não está zangada? – Kyouka se viu perguntando.

Por quê?— Mitsuki pareceu surpresa – Eu já estava perdendo a paciência com vocês. Demoraram tanto que quase desisti.

— O que ela está dizendo? – Bakugou apareceu ao lado de Jirou curioso.

Ele não queria admitir, mas também não sabia muito bem como a bruxa velha ia reagir.

Me deixe falar com o meu pirralho— Mitsuki pediu e Jirou entregou o celular para Bakugou – Por que demorou tanto, pivete?! Você é tão lerdo assim?!

— Morre, bruxa velha! — Bakugou berrou corando – Eu não sou lerdo! Já vai fazer três semanas!

— E você só está me contando agora por quê?!

— Eu...! – Bakugou tentou achar um motivo melhor do que “Eu estava com vergonha” e não conseguiu, então bufou irritado – Eu contei agora, não contei? Agora me deixa em paz – Ele resmungou antes de desligar bruscamente.

— Bakugou! – Ela o repreendeu por ser mal educado com sua mãe.

— Já está na hora de você me chamar pelo meu primeiro nome – Ele resmungou desviando o olhar.

Já fazia um tempo que ele pensou sobre isso. Ele viu Deku e Uraraka se chamando pelo primeiro nome, Cabelo de Merda também só chamava a Alien Rosa pelo primeiro nome e até o Meio a Meio estava chamando a Rabo de Cavalo pelo apelido mesmo não sendo oficialmente alguma coisa (eles eram uma bagunça que Katsuki nem tentava entender).

— Você me chama de Orelha – Jirou revirou os olhos – Não é como se você tivesse alguma moral para falar.

— Talvez seja hora de mudar algumas coisa por aqui – Ele se aproximou dela com um sorriso que bugou algumas áreas do cérebro de Kyouka.

Ele estava muito perto e Jirou corou quando lambeu os lábios. Bakugou a beijou com força rapidamente e a encarou para ver sua reação. Ele abriu ainda mais o sorriso debochado ao perceber que Jirou se inclinou para frente em busca de seus lábios quando ele se afastou. Katsuki a beijou de novo e segurou seu rosto com a mão direta enquanto a outra a puxou pela cintura. Kyouka soltou um suspiro quando apoiou suas mãos nos ombros de Bakugou e o deixou aprofundar ainda mais o beijo.

Os dois começaram a ficar com a respiração apertada quando Bakugou começou a se inclinar para ela, guiando para a cama. Ele a ergueu e a colocou sentada de lado em seu colo e Kyouka arrastou os dedos pelo cabelo do garoto.

De repente, Katsuki a afastou segurando-a pelos ombros. Kyouka ergueu uma sobrancelha em confusão antes que Katsuki a colocasse bruscamente do lado da cama e levantasse apressado.

— Eu vou pegar comida – Ele disse antes de sair pela porta.

Jirou não tinha ideia do que havia acontecido, ela apenas ficou ali, atordoada e olhando para os lados, esperando alguma explicação. Especialmente porque ela ouviu os passos de Bakugou descendo a escada. Ele realmente foi embora!

Ela foi atrás dele pelo elevador. Quando chegou na sala comum, nenhum dos garotos o tinha visto e disseram que Bakugou não desceu. Jirou ficou confusa e pegou seu celular para ligar para Katsuki. Entretando, Yaomomo surgiu no elevador do lado feminino e perguntou se ela queria tomar algum chá. Kyouka imaginou que Bakugou aparecia quando estivesse com vontade e acompanhou sua amiga.