The cute one

26 Capítulo 26


Notas iniciais
Hueihuehue A resolução da aposta

Jirou estava um pouco dolorida. O treino da tarde foi realmente intenso. Nada de novo nos treinamentos de herói, especialmente no período das férias, quando não há provas e todos basicamente treinam o físico. Eles haviam novamente lutado contra a turma B, o que foi muito bom, porque ela teve a oportunidade de falar com Awase.

Jirou precisou puxá-lo à parte da turma para explicar para ele sobre o motivo de Bakugou tê-lo ameaçado de morte aparentemente sem razão alguma. Ela pediu timidamente para o garoto guardar segredo sobre o namoro dela e de Bakugou antes de se reaproximar do grupo de estudantes.

Ainda restavam quinze minutos para a segunda aula da tarde quando Jirou saiu do vestiário feminino com seu uniforme da escola. Ela mal teve tempo de reagir quando percebeu Bakugou a esperando do lado de fora da porta. Jirou tinha planos de esperar as outras garotas terminarem de se trocar, porém Katsuki a puxou pelo pulso pedindo que a acompanhasse.

Kyouka apenas obedeceu com uma sobrancelha erguida. Não havia muito o que fazer, o loiro a estava praticamente arrastando pelos corredores enquanto ela perguntava o que havia acontecido.

Katsuki não respondeu às perguntas de Kyouka, e ela não deu muita importância, pelo menos não até o garoto abrir arbitrariamente uma porta, a qual dava em um armário de limpeza com duas estantes uma em frente da outra e uma pequena mesa com um livro de ata e alguns materiais de limpeza.

No segundo em que ele a puxou para dentro Jirou sentiu os lábios do loiro nos seus, as mãos dele correndo seu corpo tão rapidamente que assustaram a garota. Kyouka tentou acompanhar o ritmo de Bakugou, porém o loiro a estava beijando tão desesperadamente que nem sequer tinha um.

Katsuki a ergueu e a sentou sobre a mesa, correndo as mãos pelas suas coxas e se encaixando entre suas pernas.

— Woa, ei, devagar. – Jirou pediu quebrando o beijo.

Não surtiu muito efeito, o loiro desceu para o seu pescoço e começou a apertá-la nos quadris com as mãos.

— Bakugou, calma. O que foi? – Ela perguntou preocupada. Bakugou nunca tinha agido assim antes, nem mesmo no primeiro dia juntos.

— Nada – Ele bufou no pescoço da garota antes de sugar a base da orelha dela.

Jirou ofegou mordendo o lábio para suprimir um gemido que surgiu em sua garganta antes de puxar o garoto pelos cabelos.

— Sério. O que deu em você? – Ela pediu com as sobrancelhas franzidas em confusão.

— Eu não posso querer beijar você? – Ele bufou impaciente – Você não é minha namorada?

— Sim, mas, agora? Aqui? Desse jeito?

— Por que não?

— Isso é um armário de limpeza. Da ESCOLA. – Ela enfatizou com uma sobrancelha erguida – Nós estamos quebrando as regras.

— Foda-se as regras.

Ele a beijou de novo, com a mesma força e com o mesmo desespero. E novamente ela o puxou.

— Isso é por que eu falei com o Awase?

Bingo.

— Esquece aquele merda! Ninguém falou dele aqui!

— Eu estava me desculpando! – ela explicou um gemido agudo – Você sabe, por coloca-lo no meio do nosso drama adolescente – ela debochou com um revirar de olhos.

— Não é a porra de um drama adolescente – ele resmungou ofendido, afastando-se um pouco dela.

— Nós somos adolescentes e você está fazendo drama – ela apontou erguendo os dedos.

— Não precisava se desculpar daquele jeito! – ele fez beicinho. — Você é minha...

— Bakugou, não seja paranoico. Eu falo com ele como falo com o Kaminari.

— Ótimo – ele a interrompeu – Agora são dois que vão ter que morrer.

— Pare com isso – Ela ordenou irritada, Kyouka agarrou a camisa dele com as duas mãos e o puxou delicadamente para mais perto — Ninguém vai morrer. Olha, não surte por coisas idiotas, ok? Eles não gostam de mim desse jeito. E mesmo que gostassem, o que não gostam – Ela enfatizou erguendo o indicador – Não importa nem um pouco. Por que eu só gosto de você. – Ela fez beicinho e ajeitou a gravata do uniforme dele.

Bakugou bufou incrédulo.

— Continuo não gostando dele.

— Você realmente acha que eles podem competir com você? – Começou ela com um sorriso brincalhão, apelando para o orgulho do garoto – Quer dizer, é você. Você vai ser sempre o número um, certo?

— É, eu vou – Ele sorriu confiante antes de puxá-la para um beijo.

O beijo ainda era firme, porém estava mais lento, mais calmo. Kyouka não recuou desta vez, ela sabia que já estava tudo bem e que essa seria uma boa oportunidade de estabelecer um equilíbrio para os beijos extremados de Katsuki. Então ela lentamente passou as mãos pelos cabelos do garoto e cruzou as pernas nos quadris dele. Bakugou deslizou com calma as mãos para a cintura de Jirou e grunhiu quando a menina mordeu o lábio dele.

— O que vocês pensam que estão fazendo?

Os dois pularam ao ouvir a voz de Aizawa. Com o susto, Kyouka derrubou tudo o que estava na mesa e começou a juntar, desesperada. Bakugou a ajudou, desviando os olhos ao perceber que Present Mic e Eraser Head estavam parados na porta da sala.

Jirou queria morrer, não havia nenhuma saída dali a não ser a porta onde os professores estavam. Seu rosto estava tão vermelho que poderia ser decoração de Natal e ela se resignou a olhar para o chão. Bakugou tinha uma postura mais altiva, contudo também evitou contato visual com os dois adultos.

— E então? – Aizawa-sensei continuou quando ambos terminaram de arrumar a mesa e pararam lado a lado, envergonhados – Eu estou esperando uma explicação.

— Não foi nada – Bakugou respondeu, ainda olhando para o lado.

— Jirou? – Aizawa chamou tão sério que fez a garota engolir.

— E-eu... E-ele... Nós... Não... – Kyouka tentou formar alguma frase coerente e falhou miseravelmente, então limitou-se a aceitar a punição que viesse – Desculpe, Sensei.

Bakugou remexeu-se desconfortavelmente, até mesmo ele tinha o rosto corado, embora a expressão enfezada amenizasse o semblante de culpa. Kyouka, por outro lado, parecia condenada à pena de morte. Seus fones não paravam quietos, buscando um lugar para se esconderem, suas mãos estavam brancas de tão apertadas contra o peito, a cabeça baixa e pés tão juntos que as pontas dos sapatos se sobrepunham.

— Há quanto tempo vocês dois vem se esgueirando pelas dependências da escola e quebrando as regras de comportamento?

— Nós não...! – Jirou começou exaltada, porém não ousou encarar seus professores e conteve-se novamente e continuou em um murmúrio – Essa... é a primeira...

— Não é da porra da sua con... – Bakugou a havia interrompido. Contudo, a garota não o deixou terminar suas ofensas e o acertou com um dos fones bem no ombro.

Não foi algo que machucasse Bakugou, mas garantiu que o garoto a olhasse irritado. Jirou o estava encarando com o canto dos olhos, a cabeça baixa e um olhar que gritava tantas ameaças quantos seus fones apontados na direção de Katsuki.

Bakugou mordeu a língua para mantê-la quieta. Ele sabia que não poderia formar uma única frase sem prejudicar ainda mais a situação em que estavam.

— Qual é, não seja tão duro assim com eles... – Present Mic finalmente se pronunciou apoiando o cotovelo no ombro de Aizawa. – Me digam, crianças, há quanto tempo vocês estão namorando?

Ele foi tão suave em sua pergunta que Kyouka criou coragem para olhá-lo discretamente.

— Duas semanas – Foi Bakugou quem respondeu.

No mesmo instante, Present Mic suspirou decepcionado e Shota gemeu um leve sorriso. Nem Jirou, nem Bakugou entenderam bem essas reações. Que seja, eles só queriam sair dessa situação constrangedora.

— Escutem, eu não vou falar duas vezes – Começou Eraser imponente – Vocês são dois dos meus melhores alunos e, apesar do seu comportamento ser imprudente, Bakugou, eu não tenho o que reclamar do de Jirou. Considerando que as notas de vocês não caíram por causa disso – Ele gesticulou entre os dois – E essa é a primeira vez que isso acontece, eu vou deixar vocês saírem com um aviso: Se eu pegar vocês de novo ou as notas de vocês reduzirem um décimo que seja, eu vou colocar os dois para limpar o campus inteiro, entenderam?!

— Sim, senhor. – Jirou concordou aliviada. Bakugou apenas acenou com a cabeça firmemente.

Até ele estava aliviado de ter escapado dessa. Honestamente, a posição que eles foram encontrados era particularmente comprometedora.

— Bom, agora saiam daqui – Aizawa ordenou, dando passagem para eles.

Jirou praticamente correu pela porta, ainda de cabeça baixa, tentando ao máximo evitar os professores. Bakugou saiu mais petulante, contudo, na mesma velocidade.

— Mais uma coisa – Eraser os chamou a alguns passos no corredor. – Eu não estou dizendo que os dormitórios são uma zona livre. Mas, desde que agora eles são a casa de vocês, as regras lá são mais flexíveis.

Jirou e Bakugou arregalaram os olhos surpresos. Isso era uma permissão para namorarem na escola?

— Eu não estou permitindo aquele tipo de coisa – Ele apontou para dentro do armário de limpeza (mais especificamente a mesa onde Jirou tinha Bakugou entre as pernas) – Não façam eu me arrepender disso.

Os dois acenaram várias vezes com a cabeça concordando antes de andarem o mais rápido que podiam pelo corredor. Os garotos mal saíram da vista e Aizawa estendeu a mão aberta na direção de Present Mic.

— Me pague.

— O quê? Não! – Present Mic recusou-se gesticulando muito – Eles estão mentindo! Você viu aquilo? Eu duvido tenha só duas semanas!

Aizawa estava acompanhando os dois nos últimos dias. Ele já tinha planos para o dinheiro da aposta, então quando ele viu Bakugou encostado impacientemente do lado de fora do vestiário feminino, ele desconfiou de uma boa oportunidade para comprovar sua tese. Com isso, Shota procurou por Present Mic (o “curador” das apostas) para acompanha-lo e servir de testemunha para seus relatos.

— Eu disse a você. – Continuou Aizawa, sem baixar a mão – E Bakugou não teria motivos para mentir. Ele é orgulhoso demais para isso.

Present Mic grunhiu tirando o dinheiro do bolso e colocou-o nas mãos de Aizawa.

— Não é possível que você tenha acertado – ele chorou – Eu tinha certeza que eles estavam juntos há muito mais tempo.

— Eu conheço meus alunos – Aizawa disse monotonamente – Agora vamos pegar o resto do meu dinheiro com os outros professores. Depois eu acho que vou ter que conversar com a velha. Talvez a gente tenha que adiantar um ano aquelas palestras de sexualidade.