The cute one
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Ok, Bakugou teve que admitir, Kirishima estava certo. Ele estava fodidamente certo. Katsuki estava com ciúmes. DE JIROU. Porra, ele estava tão fodido. No momento em Bakugou percebeu isso ele entrou em pânico. Isso aconteceu na festa, quando aquele idiota covarde beijou Kyouka daquele jeito e depois ela disse que estava tudo bem.
Tudo bem o caralho. Katsuki estava realmente confuso com o que estava sentindo, ele teria matado Kazuo se não tivesse tido esse momento de descoberta tão assustador. Bakugou acabou saindo da festa e indo dormir antes mesmo da banda voltar a tocar. Ele estava exausto e não sabia o que fazer com essa nova informação.
Fazia uma semana que isso aconteceu e Katsuki ainda não conseguiu dizer uma palavra na frente de Jirou. Kirishima percebeu (todo mundo percebeu, mas pensaram que fosse um dos momentos de raiva de Katsuki, tão comuns no dia a dia) e tentou conversar com ele. Não deu muito certo.
E agora, aqui estava ele, querendo matar Awase por estar conversando com ela tão descaradamente. A turma A e B foram postas juntas para treinar durante a segunda semana das férias de verão e no primeiro dia esse intrometido começou a falar com a Orelha como se a conhecesse há anos.
Ok, não era tanto assim. Porém o ciúme de Bakugou aumentou a história. A verdade era que, durante o festival esportivo desse ano, Jirou e Awase formaram uma dupla durante a segunda etapa do evento. Eles fizeram um bom trabalho e conseguiram passar para a fase de batalhas. Infelizmente, a primeira rodada de Jirou foi contra Bakugou, ou seja, sem a permissão para usar equipamentos de suporte a garota teve chances negativas de ganhar.
O ponto era que ninguém além dele parecia se importar com o fato daquele cabelo espetado estar falando com Jirou. Bakugou pensou que se ele simplesmente ignorasse seu ciúme ele iria embora. Não é com se Katsuki tivesse tempo para essa merda romântica, ele tem um objetivo muito ambicioso para perder o foco com coisas tão estúpidas como namoro. Ainda assim, lá estava ele, encarando Kyouka e Awase com um olhar tão penetrante que poderia abrir dois furos na cabeça do garoto.
Kirishima percebeu o olhar assassino de seu amigo e, já sabendo o motivo, pediu para Kaminari conversar com Awase sobre qualquer coisa. O loiro elétrico sempre teve facilidade em fazer amigos, com Awase não foi diferente. Ao mesmo tempo, Kirishima aproximou-se de Bakugou.
— Mano, eles só estão conversando – Kirishima falou tentando acalmar o amigo.
— E daí? Eu não me importo com o que a orelha faz ou deixa de fazer – Bakugou rosnou olhando para o amigo.
— Eu nem falei da Jirou, bro – Kirishima prendeu uma risada. Ele sabia que isso só cutucaria a onça.
— Tch. Tanto faz – Bakugou começou a andar para longe.
— Ei, Bakugou, espera – Kirishima chamou, seguindo o amigo – Você não pode continuar fazendo isso, ignorando Jirou, você ia gostar se ela te ignorasse?
— Eu não estou ignorando ninguém!
— Não é isso que ela acha. – Isso fez Katsuki parar e virar-se para Kirishima – Sim, ela acha que você está bravo com ela.
Bakugou ia começar a falar, porém Kaminari apareceu antes disso.
— Ei, pessoal! O que vocês vão fazer hoje à noite? – Ele perguntou aproximando-se com Awase à reboque – Claro, se vocês não forem dormir oito da noite. – Ele provocou Bakugou.
— Nada, por quê? – Kirishima respondeu.
— Awase comprou um filme de terror muito legal e quer ver com alguém – Kaminari explicou – Oh, espera, vou chamar o Sero! – Ele exclamou antes de sair correndo.
— Pois é – Awase esfregou a nuca – Eu comprei pela internet, mas o pessoal da minha turma quer esperar até o fim de semana para ver. Eu ia convidar Jirou, mas Kaminari disse que ela não gosta de filmes de terror.
Ok, agora foi demais. Esse pedaço de merda vem do quinto dos infernos para chamar a SUA garota para ver filmes de terror? Katsuki sabe muito bem o que ele quer com a porra desse filme. Bakugou decidiu chutar o balde dos limites.
— Escuta aqui, seu inútil – Bakugou rosnou segurando Awase pela camisa – Se eu pegar você respirando perto da Orelha de novo, eu vou explodir você até não sobrar nada, entendeu?!
— Cara, o que...?
— Bakugou, se acalma! – Kirishima pediu.
Katsuki soltou Awase bruscamente, ainda o encarando irritado. Ele grunhiu antes de continuar andando. Bakugou sabia que havia perdido a paciência, mas porra! Jirou era dele, e só dele!
Oh, porra, não era não. Ela não era nem um pouco dele. Katsuki precisava resolver isso, e logo. Por que, do jeito que agora parecia estar tendo uma epidemia de casais na turma A, alguém ia tentar alguma coisa com Kyouka, e ele não tinha saúde mental para lidar com isso. Foda-se a falta de tempo, ele não iria conseguir focar em seus objetivos se ele tivesse que ver alguém sequer flertando com Jirou. Não deve ser tão difícil, certo? Só falar com ela, dizer que não quer ninguém perto dela e é isso.
Não era só isso. Não era só isso de jeito nenhum! Era tão estranho, ele tentou falar com ela, e no momento em que ele diria exatamente o que queria para ela, ele travou, corou, gaguejou e mudou de assunto. Ao menos Kyouka não pensava mais que ele a estava ignorando, porque Bakugou não a deixou sozinha por um segundo. Ele até estava dormindo mais tarde do que seu horário habitual porque ficava muito tempo no quarto da garota.
Depois de três dias tentando falar com ela sobre isso, Bakugou desistiu e bateu a porta do seu quarto frustrado. Ele não sabia como fazer isso e começou a explodir suas mãos no alto para extravasar sua raiva. Kirishima ouviu e entrou no quarto do amigo com preocupação. Bakugou acabou por contar à Kirishima o que estava acontecendo, fazendo o ruivo sorrir de orelha a orelha.
Eles passaram boa parte da noite elaborando um plano para que Bakugou pudesse contar a ela, Kirishima até fez Bakugou fingir que ele era Jirou e treinasse o que iria falar. No dia seguinte, Katsuki bateu na porta de Jirou antes mesmo de sua corrida matinal, ele queria fazer isso enquanto não tinha ninguém por perto, assim ninguém mais saberia de sua miséria se tudo desse errado.
Quando Kyouka abriu a porta Bakugou percebeu todas as falhas em seu plano. Primeiro que Jirou não era como Kirishima, que se ele simplesmente dissesse tudo o pensa, ele aceitaria tranquilamente. Ele viu como os amigos de infância de Jirou são carinhosos com ela, era estupidez achar que ela aceitaria algo menos que isso. Segundo que ele havia esquecido as roupas, ou melhor, os trapos indecorosos em que Jirou dormia. Só de vê-la assim seu cérebro entrou em pânico de novo.
Bakugou corou de vergonha e culpa ao perceber os pensamentos nada amigáveis que ele estava tendo ao ver Kyouka. Ele deu uma desculpa qualquer de que estava atrás de um apetrecho e pensou que estivesse com ela e depois praticamente correu pela escada de volta ao seu quarto.
Durante a aula, Bakugou voltou ao estado de ignorância total. Não havia uma viva alma que conseguisse falar com ele sem receber uma ameaça da morte um pouco mais forte do que a verbal. No fim do dia ele se enfiou em seu quarto e tentou focar a mente em outra coisa além de Jirou, por isso conseguiu fazer todo o seu dever de casa em menos de 20 minutos.
Pouco depois disso, ele ouviu uma batida forte em sua porta, a qual ele retribuiu com um “Morre” em busca de paz e ouviu a voz de Kyouka do lado de fora.
— Abre a porcaria dessa porta, Bakugou! – Ela gritou.
Porra, ela estava irritada, e ele não tinha ideia do que tinha sido. Vasculhando sua mente pelas merdas que ele fez que a poderiam irritar, a primeira delas foi os pensamentos sujos da manhã. Ela não teria como saber disso, porra! Ou teria? Caralho, se ela soubesse, Katsuki poderia dar adeus a qualquer chance com a garota punk.
— Abre logo! – Ela gritou de novo.
— O que você quer, porra?! – Ele gritou de volta.
— Que história é essa de você proibir as pessoas de falar comigo?! – Ela perguntou batendo na porta novamente. – Quem você acha que é? Meu pai?!
Mas o quê? Bakugou tentou descobrir do que se tratava em vão. Ele não lembrava nem de ter realmente falado com alguém hoje. Com mais duas batidas de Jirou, Katsuki abriu a porta.
— Do que você está falando? – Ele piscou em confusão.
Jirou demorou um pouco para se orientar que Bakugou realmente havia aberto a porta. Honestamente, ela imaginou que teria que bater pelo resto da noite.
— Awase-san – Ela respondeu entrando no quarto – Ele me disse uma coisa estúpida sobre você o proibindo de sequer falar comigo. No que você estava pensando?!
— Ah, é isso – Bakugou lembrou-se vagamente – Mas isso já faz tempo – Ele encolheu os ombros.
— E você acha isso ok?! – Ela arfou ofendida.
— Eu não gosto dele – Bakugou respondeu irritado, rapidamente buscando uma desculpa para odiá-lo, ele sabia que Jirou não ia gostar desse tipo de intromissão sem um bom motivo – ele não vai ser bom para você.
Oh, parabéns, idiota. Por que essa explicação vai servir e muito para ela.
— E você é o melhor amigo de todos os tempos, não é? – Ela debochou abrindo os braços – Você me ignorou por quase uma semana, depois começou a agir estranho, e que porra foi aquela de bater no meu quarto cinco da manhã?
— Eu... Eu só... – Ele tentou se explicar e bufou irritado – Eu não tenho ideia de como falar isso – Ele esfregou os olhos frustrado.
Kyouka suspirou cansada e deixou os ombros caírem.
— Por que você tem que ser assim? Por que você faz esse tipo de coisa? – Ela perguntou saturada.
— Do que você está falando? – Ele ergueu uma sobrancelha para ela.
— Eu não consigo entender como você consegue ser tão legal às vezes e depois tão insensível. – Ela começou, mais para si do que para Bakugou — Uma hora você está trazendo sorvete no meio da noite por que me viu chorando, depois você está ameaçando um garoto sem motivo nenhum! – Ela virou para ele irritada e confusa — O mundo vai desabar se você deixar de lutar contra o seu lado bom?!
— Eu não tenho um lado bom! — Ele a segurou pelos braços e gritou ofegante — É você! Você e aquele cabelo de merda. Vocês são meu lado bom. – Ele engoliu em seco e respirou fundo antes de seguir em frente, tinha que ser agora, antes que ele mudasse de ideia – Kirishima não tá nem aí se eu xingar, bater ou ignorar ele por dias, eu não preciso dizer que eu me importo com ele. Eu sei que ele vai estar lá, e ele sabe que eu vou chutar a cara de qualquer um que se meter com ele. Mas você... Você não. – Ele segurou o rosto dela com as duas mãos, respirando pesado para conter a irritação, o rosto perto demais para a sanidade de Jirou – Você tem a porra dos limites! Eu sei que se eu fizer alguma merda você simplesmente vai embora, e eu não posso lidar com isso. Eu não sou um cara legal, Kyouka. E eu estou bem com isso, mas eu preciso que você fique.
Houve um silêncio intenso. Jirou estava encarando Bakugou com surpresa, os olhares trancados, coração batendo na garganta e o rosto dos dois pareciam tomates.
— Bakugou... E-eu... eu não sabia, — Jirou começou culpada. Estava óbvio que ela acertou o lado inseguro dele novamente – eu... eu sinto muito. Eu não vou deixar você – Ela prometeu com o coração apertado – Eu vou estar lá por você, do mesmo jeito que Kirishima vai estar. – Ela acrescentou como uma forma de proteção, ela ouviu as palavras de Bakugou e não queria bagunçar seus sentimentos pelo garoto mais do que já estavam.
— Puta merda, eu me apaixonei por uma idiota – Ele suspirou descendo as mãos do rosto para o ombro dela e abaixando a cabeça em frustração. Kyouka piscou em confusão — Eu não quero você como o Kirishima. – Ele explicou o óbvio — Eu quero namorar você.
— O quê?
— Namorar. – ele explicou impaciente – Como minha namorada, sair juntos, beijar, abraçar, e o que quer que seja que namorados fazem juntos.
Ok, esse devia ser o momento em que Jirou diz alguma coisa. O silêncio da garota estava deixando tudo um pouco constrangedor para Bakugou.
— Isso é um sim ou não? – Ele perguntou desconfiado — Eu espero que seja um sim, por que se não eu vou ter que sair do meu próprio quarto.
— Você está realmente me pedindo em namoro? – Ela duvidou com a voz um tom mais alto que o normal.
— É tão difícil assim de acreditar? – Bakugou ergueu uma sobrancelha.
— Na verdade, é. – Jirou começou a devanear — Eu tinha certeza que você nunca ia me notar e eu provavelmente ia ter que ver você namorando alguma garota perf...
Ele a interrompeu com um beijo, apenas um toque dos lábios, mas demorado.
— E agora, acredita? – Ele repetiu ainda muito próximo, os narizes se tocando.
— Sim. – Ela arfou com um meio sorriso.
— Então... Você é minha namorada ou não?
— Sim – Ela riu antes de alcança-lo para mais um beijo.
Era hora do almoço quando Aizawa entrou na sala dos professores, sem seu casulo amarelo ou sua comida, sentou-se na mesa onde seus colegas estavam almoçando e suspirou cansado.
— Ok, eu quero mudar minha aposta – Ele declarou completamente largado na cadeira – Bakugou e Jirou são oficialmente um casal.
— O quê? Já descobriu? E aí quem ganhou a aposta? – Vlad perguntou enquanto Present Mic engasgava com a comida e todos os professores esperavam pelo seu dinheiro.
— Ninguém. Eles começaram hoje – Aizawa respondeu monotonamente.
Todos riram calmamente da piada do amigo.
— Agora, sério, Shota, desde quando? – Midnight perguntou colocando mais uma porção de comida na boca.
— Hoje. Talvez ontem à noite, duvido que alguém em sã consciência peça outra pessoa em namoro antes das 8h da manhã – Shota bocejou, sentiu-se cansado só de pensar na energia dispensada.
— Como você pode ter tanta certeza? – Ectoplasma duvidou.
— Fora os olhares furtivos e o rubor sem motivo? – Aizawa debochou – Bakugou não é do tipo que sorri quando vê uma amiga entrando na sala como fez hoje de manhã. Ontem ele parecia uma bomba relógio prestes a explodir tudo e todos. E hoje ele mal gritou com os colegas de turma.
— Tem um jeito fácil de resolver isso – Present Mic levantou-se com as mãos apoiadas na mesa – Vamos perguntar!
— Eles vão negar – Toshinori manifestou-se – o Jovem Bakugou não é do tipo que esconde alguma coisa, se ele não anunciou para todos, eles devem ter decidido manter segredo.
— Oh, eu resolvo isso – Shota desdenhou – Adolescentes não são particularmente discretos. Eles não podem negar o óbvio.
Com isso, Aizawa levantou-se. Agora que seu dinheiro estava garantido, ele precisava pegar seu almoço e tirar uma soneca antes da aula da tarde ou ele não aguentaria seus alunos adolescentes e seus hormônios.
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