The cursed life of the Greens
3 Capítulo III - A marca
Notas iniciais
Depois de alguns segundos Ruby percebeu que estava abraçando Dorian e então com muita vergonha o empurrou com tanta força que ele bateu as costas na geladeira.
– Ei, o que eu fiz? – Disse ele assustado.
– O que você pensa que tá fazendo? – Se levantou correndo e virou de costas para que ele não visse que seu rosto estava completamente vermelho.
– Eu não estava fazendo nada, você que veio me agarrando. – Falou com ar de deboche.
– Eu não agarrei ninguém! – Se virou tão rápido que se não fosse à mesa da cozinha tinha caído no chão.
– Olha então você é daquelas que não admitem o que fazem? Isso é interessante – Colocou a mão no queixo e começou a analisá-la.
– Eu não sou assim.
–Então admite que você veio para cima de mim? – Assim que foi retrucar Ruby se virou para o relógio e viu que estava muito atrasada para o serviço.
– Ai meu deus, estou atrasada Teddy vai me matar por chegar muito tarde! – Saiu correndo para pegar seus sapatos que estavam no quarto de Dorian. Voltou até a sala e pegou sua bolsa e assim que abriu a porta para sair foi impedida por Dorian que estava com as chaves da sua moto na mão.
– Você não acha melhor eu te dar uma carona?
– Não acho uma boa ideia, as pessoas podem entender errado. Até eu entendi errado quando acordei e vi que estava na sua casa. – Soltou uma risada de deboche.
– Porque eles pensariam uma coisa dessas, eu nunca ficaria com uma pessoa como você. Pode ficar tranquila que eles nunca iram pensar uma coisa dessas. – Pegou uma camiseta branca que estava em cima do sofá e vestiu e logo em seguida pegou sua jaqueta de couro preta.
– Nossa que engraçado, estou morrendo de rir com você agora. Já se esqueceu de que você tem muitas tietês por aqui? Tenho certeza que elas irão pensar outra coisa disso, e todos ficaram me julgando e me dando apelidos.
– Nossa pela sua atitude ontem eu imaginava que você não ligasse para o que as pessoas pensam de você. Já vi que me enganei. – Dorian abaixou a cabeça e virou para colocar a chave de volta na mesa, quando foi surpreendido por Ruby.
– E eu não ligo, se você quer tanto me dar uma carona pode ser. Mas fique ciente que se começarem a me perseguir por sua causa eu venho até aqui e mato você. – Então Dorian com um sorriso malicioso abre a porta e ela sai batendo os pés.
Assim que a moto parou em frente à lanchonete, Ruby deu um pulo e jogou o capacete para Dorian, que quase não conseguiu pegar e já entrou se desculpando e correu para a cozinha para fazer os outros pedidos. Lucy e Teddy que atendiam os clientes ficaram boquiabertos quando olharam para fora e viram Dorian sentado em sua moto com as mãos no bolço. Lucy foi a primeira que correu para a cozinha para saber o que estava acontecendo.
– Ruby, o que o Dorian tá fazendo lá fora? – Falou com um ar de surpresa.
– Ele só me deu uma carona até aqui.
– Desde quando ele sabe onde você mora?
–Ele não sabe, eu dormi na casa dele. – Falou num tom bem baixo para que ninguém mais ouvisse, mas foi em vão.
– VOCÊ DORMIU NA CASA DO DORIAN?
Assim que Lucy gritou, deu para ouvir várias xícaras baterem forte nos pires e muitas pessoas começaram a comentar sobre o assunto.
– Espera, não é o que você está pensando. Eu apenas passei mal e ele me levou para a casa dele só isso. – Ela se virou rápido para a pia e começou a lavar os pratos achando que já tinha explicado o mal entendido.
– Ah Ruby, você passou mal. – Lucy colocou as mãos na cintura. — Essa história está muito mal contada, pode me falar a verdade. Você sabe que minha boca é um túmulo, não sabe? – Lucy juntou as mãos implorando por mais detalhes, mas Ruby sabia que não poderia falar nada. Ela não entenderia, nem mesmo Ruby entendia direito.
– Lucy eu já falei que não foi nada disso, você não tem trabalho para fazer?
– Tá bom, tá bom, depois do trabalho você me conta. – Saiu com um prato de ovos mexidos e logo voltou. – Tem visita para você.
Ruby franziu a sobrancelha tentando imaginar quem poderia ser não tinha amigos na cidade, só Teddy e Lucy. Então assim que saiu da cozinha Dorian a esperava no balcão com sua bolsa, todos da lanchonete ficaram olhando com ar de curiosidade para saber o que estava acontecendo. E Dorian como sempre com seus óculos escuros e jaqueta de couro que tirava o fôlego das garotas e matava os homens de ciúmes. Ruby não acreditava que tinha esquecido a bolsa na moto dele, assim que se aproximou para pegar a bolsa, ele falou.
– Querida você esqueceu sua bolsa, vou vim te buscar depois do trabalho. Não quero que você ande por ai sozinha, é muito perigoso. – Sorriu e assim que virou olhou para um grupo de homens que olhavam para Ruby com ar de desaprovação e falou – O mundo é dos espertos, não se esqueçam disso. – Apontou para os pratos de ovos mexidos que estavam em cima da mesa e falou. – Vocês não vão comer, ovos gelados são ruins. – Riu e foi embora.
Todos que acompanharam Dorian com a cabeça até a saída da lanchonete agora olhavam para Ruby que ainda tentava entender o que estava acontecendo. Então Lucy a empurrou até a cozinha e começou a rir.
– É você tinha razão, realmente não aconteceu nada. – Falou num tom de afirmação e então voltou a rir.
Ruby recobrou a consciência e olhou para Lucy que ainda ria do que havia acontecido. Caminhou até a pia e continuou a lavar os pratos que estava lavando e então perguntou.
– Por que só acreditou agora? – Estava se segurando para não rir junto com Lucy, que tinha uma risada muito engraçada.
– Pelo amor de deus, quando Dorian faz esse tipo de coisa pode ter certeza de que ele só está brincando. Só as pessoas que não o conhecem direito pensam que é verdade, mas a mim ele não engana. – Então colocou a mão no ombro de Ruby e saiu para continuar o seu trabalho.
Assim que Dorian chegou em casa foi direto para a sua estante de livros e puxou uma enciclopédia grossa que ocupava o espaço de dois livros e do fundo puxou um livro velho de capa dura com um rubi vermelho no centro. Abriu o livro e começou a folhar, lá constavam todos os tipos de maldição e suas respectivas marcas. Então foi até a maldição que perseguia sua família, ele a conhecia de trás para frente, mas queria saber como Ruby fora amaldiçoada se ela não era da sua linhagem. Então começou a ler novamente.
“A marca de X com um círculo no centro é o resultado de uma maldição poderosa que não será desfeita por xamãs, bruxos brancos e até mesmo bruxos negros. Essa atinge toda a linhagem da pessoa causando a extinção deste. Considerada a maldição mais poderosa e devastadora dos tempos antigos, matou inúmeras pessoas sem deixar esperança de como ser desfeita. Porém, um caçador de bruxas, cujo nome fora temido por muitos bruxos e bruxas, fora capaz de descobrir uma forma de acabar com ela. Sammuel Backers descobriu que a marca só era desfeita com o derramar da última gota de sangue do último membro da linhagem do bruxo, sendo este derramado no local de inicio da maldição em dia de eclipse lunar.”
– Merda! – Fechou o livro com raiva e foi até a geladeira e pegou uma cerveja, não conseguia entender o porquê Ruby fora amaldiçoada se ela não tinha nenhum parentesco com ele e não tinha feito nada que pudesse ter deixado uma bruxa tão irritada a ponto de ser amaldiçoada. Foi até a janela e enquanto relembrava do ocorrido percebeu que tinha se esquecido de ver a marca dela. No momento em que ele a socorreu a marca ainda estava em formação, ela tinha um formato exato ainda.
– Como não pensei nisso antes! – Pegou as chaves da sua moto e correu para a lanchonete.
Chegando lá entrou correndo, nem cumprimentou Teddy que estava no caixa e foi logo procurando Ruby. Chegando à cozinha se deparou com Lucy que estava preparando os pedidos.
– Dorian, o que foi? Pareci assustado. – Disse com um olhar de preocupação.
– Nada, cadê a Ruby? – Passou a mão no cabelo, coisa que ele sempre fazia quando estava nervoso.
– Ela saiu mais cedo, disse que tinha alguma coisa para fazer e saiu que nem um foguete. Por quê? – Deu um sorriso com ar de curiosidade.
– Nada. – Nesse momento passou a mão na boca, coisa que Lucy só o via fazer quando estava preocupado com alguma coisa.
– Nossa, faz muito tempo que não o vejo desse jeito. – Na tentativa de acalma ló disse. — Você está gostando da Ruby, não tá? – Colocou a mão na boca e deu uma risada de leve para que as pessoas não percebessem o que estavam falando. – Eu sabia que tinha alguma coisa acontecendo entre vocês, dá para ver de longe isso, mas tenho que admitir que depois daquela sua encenação de hoje cedo pensei que era só minha imaginação, mas agora. — Voltou a rir. – Descobri seu segredo, pode deixa que minha boca é um túmulo.
– PARA DE BINCADEIRA E ME ESCUTA! – Não tinha a intenção de gritar com Lucy, mas as palavras saíram por conta própria. – Desculpe, eu não estou no momento certo para escutar piadas sua. Então se você me fizer o favor de dizer onde fica a casa dela eu ficaria muito grato e também te deixaria terminar o seu serviço. – Olhou para Lucy, que estava com os olhos arregalados por ele ter gritado com ela.
– A casa dela fica de frente a escola abandonada. – Disse com a voz tremula.
– Muito obrigado Lucy. – Deu um beijo na testa de Lucy e no momento que saiu da lanchonete, Teddy o pegou pelo braço.
– Ruby não está correndo perigo, não é? – Teddy olhou dentro dos olhos de Dorian, uma coisa que ele odiava. – Você não mostrou nada que não devia mostrar, não é?
– Porque você não para de falar? Só dessa vez, para de falar. – Puxou o braço, subiu na sua moto e em seguida foi embora.
Ruby tinha acabado de sair do banho quando sentiu uma dor terrível no peito, uma dor tão forte que não conseguia mover nenhum músculo, a única coisa que pode fazer foi olhar para o espelho. Então percebeu que a marca, que antes era vermelha e formava um X com um circulo no centro, estava sendo preenchida e revelando o seu verdadeiro formato. Isso fazia com que a dor ficasse cada vez mais forte. Com os olhos cheios de lágrimas Ruby não sabia o que fazer, estava completamente sozinha e sua casa era muito afastada dos vizinhos, ninguém a ajudaria naquele momento terrível. O sentimento de desespero começou a tomar conta de seu corpo e mesmo com muita dor conseguiu pegar uma toalha. Assim que abriu a porta do banheiro sua visão começou a escurecer. Ela fechava os olhos com força na tentativa de faze lós voltar ao normal, mas seus esforços foram em vão. Em questão de segundos perdeu completamente a visão e em seguida seu começou a bater descontroladamente. Ruby caiu com as mãos no peito. Fazia muita força para voltar ao normal, às lágrimas corriam descontroladas pelo seu rosto já frio. Foi então que suas memórias vieram à tona, agora ela estava revivendo todas elas, porém de uma forma perturbadora. Ruby estava fora de seu corpo e assistia seu próprio sofrimento, enquanto todos em sua volta riam. Seus amigos, seus familiares, todos apareciam diante dela e riam de sua interminável agonia enquanto ela mesma implorava por ajuda. Não tinha mais esperança, sabia que morreria lá, ninguém a ajudaria por mais que ela pedisse ninguém a ajudaria, sabia que estava sozinha e sempre estaria. Assim que estava prestes a desistir da luta, pode ouvir a voz de Dorian. Sua voz estava agitada e muito distante, mas para Ruby era confortante.
Ele tentava faze lá abrir os olhos, mas Ruby está muito fria e não respirava. Temendo a situação começou a fazer massagem cardíaca, mas não estava tendo nenhum resultado Ruby continuava sem pulso. O desespero já estava tomando conta dele, não queria que a morte estivesse presente em sua vida novamente.
– MERDA RUBY, NÃO FAZ ISSO COMIGO, VOLTA! – Então deu um soco com toda sua força para tentar faze lá levantar.
Nesse momento Ruby respirou com muita força deixando Dorian muito aliviado. Porém assim que ela abriu seus olhos, eles estavam vermelho sangue e sua pupila estava dilatada. Dorian sentiu a mesma sensação que teve no acidente que matará sua mãe, assustado deu um pulo para trás. Então Ruby se virou para ele com um sorriso estampado no rosto, mas não era um sorriso amigável e sim um sorriso sedento de sangue e então fechou os olhos novamente. Dorian ficou petrificado, nunca tinha visto algo parecido antes. Depois de alguns segundos voltou a si e correu para verificou os pulsos de Ruby, que já estava fora de perigo. Ele a levou para o quanto ainda desacordada e a deitou na cama, assim que a cobriu pode ver a marca que agora revelava seu verdadeiro formato. O que antes era um X com um pequeno círculo agora tinha se transformado em um V com um círculo no centro. Dorian não entendia o que estava acontecendo, ele nunca tinha visto esse símbolo antes. O que ele significava e porque Ruby fora amaldiçoado com ele, era um mistério que ele sozinho não era capaz de resolver.
Foi até a cozinha abriu a geladeira pegou uma cerveja e se sentou no sofá.
–Droga, já está na hora de visitar o meu velho. – E riu.
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