The cursed life of the Greens
2 Capítulo II - Amaldiçoados
Notas iniciais
Ruby olhou nos olhos de Dorian e com um ar de indignação indagou:
– Teddy tinha toda razão, você é problema – Dorian deu de ombros num sinal de concordância se virou. Assim que ele deu dois passos se virou para ela, começou a andar de costas e abriu seus braços:
– Desculpe te desapontar, agora se eu fosse você iria para casa – Riu e em seguida se virou novamente. Ruby retrucou:
– Você não manda em mim, seu metido de merda.
– Então fica ai, não dou a mínima para você, Ruby – Levantou um de seus braços mostrando o dedo do meio para ela.
Ela o encarou até quando ele virou a esquina, depois disso ela soltou um suspiro de tristeza. Queria muito saber da história de Dorian, mas acontecia que ele era muito arrogante para falar no assunto. Então uma ideia, um tanto perigosa, passou por sua cabeça.
– Bom se ninguém quer me contar o que aconteceu com ele, então eu vou descobrir sozinha. – Ruby deu um sorriso malicioso e foi caminhando em direção à porta da frente, rezando para que a porta estivesse aberta. Mexeu na maçaneta sem esperança de encontra-la aberta, mas para sua surpresa ela estava. Abriu a porta e entrou, o hall da casa era bem grande e de frente a porta tinha uma escada enorme que levava para o segundo andar. Do lado esquerdo ficava a sala de jantar com uma mesa enorme e uma segunda porta que levava para a cozinha. Do lado direito tinha uma sala de estar muito espaçosa. Ruby estava maravilhada com a casa e se perguntava por que ninguém morava lá. A poeira tomava conta da casa assim como as teias de aranhas. Subiu no segundo andar onde se encontrava um quarto de casal com um bainheiro enorme, um quarto de criança, que supostamente pertencia a Dorian, um quarto de hospedes com um banheiro médio. E no enorme corredor tinha muitas fotos da família, a mãe e o pai de Dorian no dia do seu casamento, fotos em família e muitas outras. Todas faziam Ruby se lembrar da sua infância, de seus pais e seus amigos. Isso fez com que as lágrimas escorressem de seus olhos sem parar. Então reparou que no fim do corredor ainda tinha uma sala, assim que abriu a porta se deparou com um enorme escritório, com certeza devia ter alguma coisa por lá. Tirou a poeira da cadeira e começou a mexer nas gavetas, sem sucesso, todas elas estavam fechadas. Então foi ver os livros que estavam na estante, para sua sorte achou um que estava escrito, “O diário de Green”. Ruby o tirou da estante sentou-se novamente na cadeira e começou a ler.
1 de outubro de 1987
Desde o dia que essa mulher se mudou para cá coisas estranhas começaram a acontecer. Ninguém sabe explicar o que está acontecendo, crianças estão nascendo sem olhos, nariz ou então sem a abertura da boca. Já estão falando em bruxas, não podemos deixar que esse boato se espalhe.
4 de outubro de 1987
Tarde de mais, muitos estão abandonando a cidade e cada vez menos comerciantes aparecem por aqui. A cidade já está ficando com pouca comida. Não sei se vai dar para todos.
10 de outubro de 1987
Estamos sem comida e quase todos estão partindo. Os rumores já se espalharam e agora a cidade é conhecida como a cidade das bruxas. Quase todos os animais estão mortos e as crianças continuam desaparecendo, não sei mais o que fazer. Não posso deixar as coisas como estão, devo tomar uma atitude.
20 de outubro de 1987
Juntei todos os moradores na antiga igreja para fazermos uma reunião. Todos nós votamos e devemos tirar essa bruxa da cidade para que as coisas voltem ao normal. Vamos matar essa bruxa maldita no dia 31 de outubro.
25 de outubro de 1987
Muitos já desistiram da caça. Não posso voltar com minha palavra, não deixarei que minha família continue vivendo na escuridão. Vou proteger minha cidade com unhas e dentes. Não deixarei uma bruxa acabar com ela tão rápido assim. Lembro-me como se fosse ontem, de meu pai e seus homens construindo essa cidade, eles deram seu sangue e seu suor para que ela crescesse e é meu dever não deixa-la acabar assim. Vou matar essa bruxa mesmo que tenha que o fazer sozinho.
31 de outubro de 1987
Como o esperado, ninguém apareceu para a caçada, tive que fazer sozinho. Demorou a achar o covil do monstro mais achei. E também vários esqueletos de animais e de pessoas. Os desaparecimentos estavam mesmo sendo obra daquela coisa horrenda. Assim que olhei pela a janela, não vi ninguém. Então entrei e esperei com uma estaca de madeira para matá-la. Assim que ela entrou, reparei que era apenas uma mulher de aparência velha, nada mais. Tive um pouco de medo, mas sabia que tinha que ser feito. Então pulei na frente dela e sem demora lhe enfiei a estaca na barriga. Ela soltou um grito de dor terrível, e nesse momento descobri que tinha dado um passo muito errado. Ela não morreu na hora, ela teve tempo de sussurrar palavras destorcidas que não pude entender muito bem, logo em seguida me tocou. Nesse momento, senti que meu peito estava queimando. Era uma dor muito forte, tirei a camisa correndo para ver o que era, foi então que vi que uma marca fora queimada na minha pele. Perguntei para a criatura diabólica, o que era aquilo. Ela soltou uma gargalhada e disse que tinha amaldiçoado toda a minha linhagem. Ela tiraria tudo de mais precioso que os Greens viriam a ter e então, deu seu último suspiro. Levei seu corpo para a cidade e o queimei na frente de todos, que me aplaudiam com lágrimas de felicidade nos olhos. Mas não sentia felicidade nenhuma, tinha acabado com minha vida e de toda a minha família. Filho me perdoe, me perdoe por ter tirado a felicidade da sua vida, me perdoe.
1 de novembro de 1987
Minha mulher está morta e a culpa é minha. A bruxa veio atrás dela por minha causa, nunca vou me perdoar por isso, NUNCA. Filho, não consigo mais ficar com você me desculpe, toda vez que olho para você penso em como sofrerá por minha causa. Não posso mais viver com essa maldição. Perdoe-me.
Então o diário terminava com algumas gotas de sangue.
Ruby fechou o livro assustada pensando se isso poderia ser verdade, colocou de volta no lugar e continuou a mexer, foi quando encontrou uma chave de uma das gavetas. Ao abrir se deparou com vários papeis então começou a olhar cada um deles. Então no fundo da gaveta tinha um papel dobrado, ela o pegou e abriu. Era uma certidão de nascimento e para sua surpresa lá estava escrito Dorian Green. Agora tudo fazia sentido, todos tinham medo dele por ele ser descendente de Green, o homem que foi amaldiçoado por uma bruxa. Nesse momento Ruby sabia que a história era verdadeira. Mas então veio em sua cabeça, Lucy falou que ocorreu um incêndio na casa de Dorian, mas a casa estava inteira. Ela nunca tinha sentido o medo que estava sentindo agora, tinha que sair correndo de lá, não queria mais saber da história da cidade e muito menos a de Dorian.
Ao chegar à frente da escada para descer, ela escutou um barulho vindo de um dos quartos. Ficou paralisada não conseguia se mover por mais que quisesse, então de dentro do quarto de criança saiu uma mão meio pálida. As lágrimas começaram a descer, ela não conseguia se mexer, o medo tinha tomado totalmente o controle, não tinha mais volta. Então ela pode ver a forma de uma mulher, sua pele estava toda queimada e parecia que queria alcança-la. Ruby gritou e conseguiu tomar o controle de seu corpo novamente e então desceu a escada correndo o mais rápido que podia e assim que alcançou a porta da frente, se virou para ver onde a criatura estava. Mas já era tarde de mais, a mulher já estava na sua frente e a tocou no braço. No momento em que foi tocada Ruby sentiu uma dor muito forte, sentia que seu peito estava queimando. Abriu a porta e correu, assim que chegou à rua a dor começou a amentar, aumentou de uma forma monstruosa que ela mal conseguia respirar e nesse momento sentiu que alguém pegou em seu braço. Era Dorian:
– Ruby! O que aconteceu?! – Não sabia o que estava acontecendo
– Tá queimando! Tira isso de mim, por favor!
– O que tá queimando? – A voz de Dorian estava ficando cada vez mais longe, até o momento em que Ruby desmaiou – Ruby, você está me ouvindo? Ruby!
Então na tentativa de procurar o culpado olhou para a casa e viu a figura da mulher, se assustou e olhou novamente para Ruby. Puxou a gola da blusa e lá estava a marca. Mas por que ela foi amaldiçoada? Ela não fazia parte da família Green ou fazia? Quem era essa garota? Essas perguntas passaram pela cabeça de Dorian num piscar de olhos. Precisava saber disso o mais rápido possível.
Ruby acordou num pulo e ao olhar para o lado viu que não estava em casa, então ao sair do quarto viu que Dorian dormia no sofá da sala. Voltou assustada para o quarto e pensou.
– Mas o que aconteceu? – Então sentiu uma pequena pressão no peito, ao puxar a gola da blusa viu aquela marca. Era um círculo com um X no meio – Não foi um sonho? Meu deus, o que aquela coisa fez comigo? O que isso significa?
– Significa que você é muito enxerida e isso é o que enxeridos como você ganham por querer meter o bedelho onde não são chamados. – Essa era a voz de Dorian que estava de braços cruzados na frente da porta do quarto. Ele estava sem camisa e com o botão da calça aberto – Sabe Ruby eu pensei que você era uma menina esperta, mas estou vendo que as aparências enganam, não é mesmo?
– O quê?
– Por que você entrou naquela casa? – Sua voz estava mudando parecia que estava ficando bravo.
– Eu só queria saber o que tinha acontecido com você, me desculpe – Ruby abaixou a cabeça, se sentindo muito mal pelo que fez.
– Você não entende o que você fez, não é? Você acabou com a sua vida agora, você está feliz agora? – Ele estava gritando com ela, o que a deixou com medo – Sabe por que ninguém queria te contar a verdade? – Ela olhou assustada para ele – Porque para você saber a história da cidade você deve pagar um preço muito alto, sua própria liberdade, ou seja, você nunca mais vai poder sair dessa cidade. Você se amarrou aqui para sempre, era isso que você queria?
– Isso não é problema para mim, eu não pretendia sair dessa cidade mesmo – Disse no mesmo tom que ele estava falando com ela – Então é por isso que apareceu essa marca? – Dorian a olhou por alguns instantes e depois foi direto para a cozinha.
– Será que dá para você me responder? – Ele pegou a garrafa de suco de laranja e colocou um pouco no copo e bebeu.
– A marca não tem nada a ver com isso – Colocou mais suco no copo e quando foi beber Ruby tomou o copo de sua mão e disse:
– Eu sei o que significa essa marca! – Ela falou com lágrimas nos olhos – Eu fui amaldiçoada não fui? Vai fala – Deu um tapa no ombro de Dorian, que só abaixou a cabeça – Anda pode falar, eu sei que você vai adorar dizer isso, FALA! – Começou a bater nele, até que ele segurou seu braço com força, não podia fazer nada sabia que ela estava apavorada porque ele também se sentiu assim quando descobriu a maldição. Então ela cai no chão e desabou, não conseguia mais controlar as lágrimas, só pensava que estava sozinha e morreria sozinha. Dorian sentou do seu lado e colocou a mãe no joelho dela e disse:
– Não se preocupe – Ele deu um sorriso carinhoso, um sorriso que há muito tempo tinha abandonado – Estamos juntos nisso, eu não vou deixar nada acontecer com você, eu prometo – E naquele momento ela entendeu o comportamento de Dorian quando se conheceram. Ele estava com medo, sozinho e sabia que ninguém abriria mão de toda sua vida para ficar com ele. Ficaria sozinho até o fim de sua vida, carregando esse fardo. Mas agora ele tinha alguém para conversar, para dividir a carga então não se sentia arrependida pelo que tinha feito e sim feliz porque ela também estava sozinha no mundo e sabia que isso era uma coisa muito dolorosa de se carregar sozinho. Então ela o abraçou com toda a força que tinha em seu corpo e disse:
– Obrigada por não me fazer sentir isso novamente — Voltou a chorar.
– A sentir o quê? – Disse ele rindo.
– A solidão. – Ela olhou para ele com o rosto todo molhado com suas lágrimas, mas não pode dizer isso sem soltar um sorriso que só ela tinha, o tipo que te dá esperança e força para continuar. — E como forma de agradecimento eu vou te ajudar a acabar com a escuridão que adentrou seu coração, eu prometo – Ela o olhou fixamente, o que fez Dorian perceber o quão linda Ruby era. Ele fechou os olhos e retribuiu o abraço. Nesse momento ele ficou sem palavras, mas em sua mente não pode deixar de dizer:
– Obrigado!
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