The beginning of the end.

1 Capítulo único - Estou de volta.


Notas iniciais
Eu não me recordo se foi dado algum nome para os filhos da Yuuki, então eu mesma dei um a eles, então lembrem-se que não são oficiais.

Por quanto tempo teria que observar em completa solidão as estrelas tão radiantes no céu? Ele prometeu encontra-la aquela noite, estavam cheios de problemas, principalmente ele que estava chegando à fase final. Ela não se arrependia nem um pouco de tê-lo escolhido, demorou tanto para perceber que o amavam tinha desperdiçado tanto tempo e no final não pode salva-lo de seu terrível destino. Tudo o que queria agora era ficar ao lado dele enquanto ainda podia pensar que ele poderia morrer a qualquer momento dilacerava seu coração, então ele aparecia e o curava, tal tortura tinha se perpetuado durante anos e ambos estavam casados, mas eufóricos por finalmente estarem juntos.

—Cheguei Yuuki.

Rapidamente a morena se ergueu no sofá e correu para a porta, mas o pequeno concorrente era bem mais rápido e pulou nos braços de Zero, ela soltou um longo suspiro e colocou ambas as mãos no quadril enquanto observava seu filho girando em círculos, segurando a mão do pai. Era de certa forma engraçado ver Zero, alguém extremamente sério, rir daquele jeito enquanto mantinha uma criança em seu colo.

—Seja bem vindo Zero.

Ao ouvi-la, ele segurou a criança com um braço e puxou a mão de Yuuki, fazendo-a cambalear e ir de encontro ao seu peitoral. Ele a beijou na testa e logo depois uma mão minúscula em sua cabeça, enrolando pequenas mechas de seu cabelo e assim ficou por um tempo, não era preciso que ele sentisse o peito dela subindo e descendo mais rapidamente para perceber que estava chorando, então a soltou e bagunçou o cabelo dela. Sem dizer uma única palavra, ele caminhou lentamente em direção aos quartos, em especial o da criança, voltando só alguns minutos depois.

—Yuuki.

—Não estou chorando, um botão da sua camisa esbarrou no meu olho...

Mesmo falando isso a quantidade de lagrimas que rolavam por seu rosto sempre a denunciava, ela tentou freneticamente dar um fim a elas, mas era algo impossível de ser feito. Nunca gostou de chorar e não gostava de que ele a visse chorando, acima disso odiava ser fraca e demonstrar essa fraqueza para ele, ainda que ela só conseguisse mostrar seu lado frágil somente para ele.

—Sei, você não queria ver as estrelas? Mas seu olho deve estar tão machucado que é imp—

—MELHOREI! VAMOS LÁ!

Segurou a mão dele e correu para o jardim. Podem pensar que por ser vampiro, um imortal, toda a diversão do mundo estará a sua mercê ou que o tédio simplesmente deixara de existir. Pura ilusão. Eles não se permitiam chegar perto dos humanos, não porque não queriam fazer algo de ruim a eles, mas porque eles próprios eram o verdadeiro mal. Diga, você mora ao lado de um leão ou algum animal feroz? Para Yuuki não era vampiros os culpados da perversidade no mundo, os humanos podiam muito bem se destruir sozinhos, eles só precisavam do sangue de humanos, isso não o tornavam exatamente ruins. Se for assim os humanos são tão ruins quanto, afinal não viviam mantando animais para se alimentar? E ainda matam uns aos outros somente para ter algo que queria muito, por pura cobiça. Isso também existia nos vampiros, mas em menor escala, afinal toda sociedade tinha falhas. Não tem como fugir da maldade, mas tem como escolher em que grau será ferido. Zero e Yuuki escolheram manter os filhos longe dos humanos e deixa-los entre os vampiros, eles ainda teriam Yuuki e o irmão, Kaname, para se apoiar, caso os dois não morressem. Kaname. Pensar nele eliminou todos os medos e deu lugar a frustração, não concordava com a decisão que ele tinha escolhido junto a Zero. Ela amava o irmão, disso nunca ia duvidar, mas pensar que ele concordou em matar Zero antes que ele se tornasse um “monstro” era simplesmente inaceitável. Assim que Zero morresse, ela e os filhos ficariam na mansão Kuran, onde Kaname dormia num sono profundo e inquebrável. Como estaria segura ao lado de um irmão inerte? A imagem dele deitado e alheio ao que acontecia ao mundo enquanto estava preso aquele sono, tinha a deixado perturbada. Eram tantas coisas com que se preocupar!

—Pare de pensar Yuuki, sei quando está dando voltas com seus problemas, foram 10 minutos desperdiçados.

—Ah não, pare com isso.

Ela tornou a limpar as últimas gotas que insistiam em sair e o abraçou com força enquanto ele a pegava no colo e a deitar no chão, onde ficavam com frequência, o local era repleto de flores de várias formas, mas todas brancas. Zero quis fazer aquele jardim para Yuuki, dizem que aquele era um novo significado para seu nome que de “Neve branca” foi para “flores brancas”.

—Já conversarmos sobre isso, deixe para Hanabusa a questão de acorda Kuran.

— Eu não estava pensando nisso.

Delicada e lentamente, ela ergueu os braços e entrelaçou os dedos no cabelo dele, fazendo-o se abaixar enquanto apoiava as duas mãos no chão. Não pode conter mais um suspiro ao senti-lo tão perto, agora que era vampira conseguia dar atenção a coisas que o sentido de humana nunca fora capaz de oferecer. O cabelo sedoso e fino cortado de qualquer jeito entre seus dedos, os não tão longos cílios que conseguiam acariciar seu pescoço quando ele o beijava, a textura dos lábios dele contra os dela, o gosto delicioso do sangue dele quando ela mordia forte demais os lábios dele enquanto se beijam e o cheiro dele, era o que ela mais gostava, tão doce e sedutor que era mais tentador do que o de um humano, ao menos era o que ela sentia. Ela o amava tanto que chegava a doer, mas era uma dor tão desejada e necessária que ela não se importava, precisava dele e ele precisava dela, era algo muito simples e complicado.

—Eu odeio isso.

—Eu também, mas não podemos fazer mais nada. Estou cansado, seu pai realmente é um maluco obsessivo pela filha, e agora pelos netos, poderíamos deixar essa questão de lado e apenas aproveitar.

—Acho que a é coisa mais sensata que já ouvi essa semana.

Ele apenas riu e deitou ao lado de Yuuki, a puxou para mais perto e segurou a cabeça dela como tinha sido feito com ele, então deixou o nariz roçar levemente no pescoço alvo dela enquanto mantinha os olhos fechados.

—Esse tempo com você Yuuki, não tem preço. Cada segundo que passei longe de você, cada batalha que travei, tudo valeu a pena. Estou em casa.

Ele não precisava de resposta, assim como não precisava ter dito novamente aquelas palavras, então Yuuki decidiu deixar que ele dessa vez fizesse um monologo e o deixou pular para o próximo ato. Ao invés da costumeira calma, ela perfurou o pescoço dela com rapidez, assim como sugou o sangue. Um filete carmesim fez uma trilha pelo pescoço dela até pingar no chão, mas ela tinha certeza que depois ele limparia a bagunça, então só o abraçou como sempre fazia. Entreabriu a boca ao sentir a língua dele percorrer o mesmo caminho que o sangue tinha feito e ele aproveitou a oportunidade para beija-la, o gosto do próprio sangue parecia indiferente em sua boca, mas sabia que para ele era algo prazeroso. Ela retribuiu o beijo com intensidade e força, ambos lutando para sentir o outro. Ela sempre foi grata a resistência vampírica que a fazia ter muito mais folego do que quando era humana, não precisavam se preocupar em separar logo o beijo porque os pulmões estavam gritando em alto e bom tom o quanto precisavam de ar. Ele a apertou ainda mais contra si e se sentou sem dificuldade alguma, proeza que não era dada pelo lado vampiro, mas sim pelo numero de repetições que aquilo acontecia. Yuuki passou as pernas em volta da cintura dele e continuou beijando-o com vontade, já não sentia mais vergonha de ama-lo com tudo o que tinha, ainda mais depois que tiveram um filho juntos, um beijo tornou-se algo menos pesado para ela, que sentia vergonha até, mesmo de olha-lo nos olhos. Ela parou o beijo aos poucos, com direito a selinhos e mordidas, mas manteve o rosto colado no dele por um longo tempo depois daquilo, ele a encarava com a típica serenidade nos olhos, coisa que só se permitiu mostrar depois de ter certeza que ela era somente dele. Aquela seria mais uma noite memorável para os dois se o rosto dele não tivesse sido contorcido por dor, ele afastou-se de Yuuki e levantou o mais depressa que a tontura lhe permitia, a mão direita segurava a garganta com força, a esquerda apertava o tecido da camisa bem no peito. Ele não suportou ver o rosto dela mudando gradativamente de pura felicidade para o terror, os olhos se arregalado e o corpo já se inclinando para frente com a mão esticada ansiosa para alcançar seu objetivo. Mesmo que a dor nos olhos dos dois fossem diferentes, eram simpáticas entre si, pois os dois estavam sofrendo um pelo outro. O corpo de Zero pendeu para trás antes que Yuuki conseguisse alcança-lo, ele queria lhe dizer que estava tudo bem e que aquilo não doía, mas quase não conseguiu ouvir a voz apavorada dela gritando, quanto mais pode falar alguma coisa para consola-la. Assim que ela conseguiu segurar o corpo dele entre os braços, ficou debruçada e começou a chorar compulsivamente, fazendo com que a filha mais velha olhasse pela janela e percebesse a situação. A filha de Kaname. A pobrezinha não tinha mais que 10 anos, mas já entendia muito bem a situação do pai biológico e do adotivo e amava os dois com a mesma intensidade. Ver a mãe chorando desesperadamente enquanto tentava recobrar a consciência do amado a colocou em um desespero sutil e aterrorizador, ela correu para o telefone e discou o número do padrinho que tanto amava, pode escutar os barulhos vindo do lado de fora, os gritos da mãe e urros do pai, ela também estava chorando enquanto relatava o que estava acontecendo e assim que desligou correu para o quarto do irmão, sabia que ele estaria com tanto medo quanto ela. E ela ficou lá, sentada na cama e abraçada ao irmão de cabelos albinos.

▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪ 13 anos depois ▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪

—Lia! Liiiiaaaa! Liadan Cross Kuran! Se não aparecer por vontade própria eu vou sugar todo o seu sangue!

Ter o silêncio quebrado por um grito exageradamente alto é de fato perturbador, ainda mais quando você não se assusta nem um pouco porque já está acostumada. Lia não era muito de rezar, já que não acreditava em Deus era difícil ter alguém para redirecionar a sua prece, e quando o fazia geralmente a interrompiam. Com aquela proposta amigável e tentadora, ela decidiu observar mais um pouco o desespero do meio irmão enquanto mantinha um sorriso de canto nos lábios, vê-lo procurando por ela com tanta avidez a deixava tranquila, e por mais estranho que aquilo fosse ela não ligava. Gostava de saber que ele precisava dela, mesmo que o motivo da procura não fosse bem a necessidade de ter a irmã por perto. Afinal ele não era do tipo frágil que procurava por ajuda, longe daquilo, ele era exatamente até nos mínimos detalhes parecido com o pai. Mas ela se lembrava de quando ele era pequeno e de como ele às vezes chorava e puxava o vestido de Lia, procurando por conforto. Chegou a um ponto que os gritos dele a deixou com uma leve dor de cabeça, então não teve escolha a não ser pular da janela, no terceiro andar, e se entregar.

—Oh meu Deus Cole, cale a boca.

—Ora sua, hoje temos que ir visitar o tumulo do papai e você fica sumindo?!

—Seu pai, o meu está na sala tendo a gravata arrumada pela mamãe.

Cole ficou em silêncio por um tempo enquanto encarava a irmã e tentava recuperar a sanidade que ela tinha a habilidade de mandar pro espaço, enquanto isso Lia observava as rugas formadas na testa franzida e soltou mais uma risada baixa ao observa-lo.

—Qual é a graça?

—Você... Sua expressão vai ficar travada algum dia se não suaviza-la mais.

Lentamente ela se aproximou até o corpo do dois estarem a centímetros um do outro e levou ambas as mãos até a testa dele, que começou a ficar menos tensa a medida que ela massageava-a. Porém quanto mais relaxada a expressão ficava, mais tenso o seu corpo ficava, reação que Lia odiava e amava causar nele. Amava porque aquela era uma reação que somente uma mulher, e não uma irmã, podia causar em um homem e odiava pelo mesmo motivo, não era para ele ficar tão tenso como se a Lia fosse devora-lo, ela não o faria no sentido tão literal. Mas para sua surpresa, ele pegou o rosto da irmã e ergueu até que pudesse olha-la nos olhos.

—Você fica especialmente irritante nesses dias, os dias que rodeiam a morte do no- do meu pai. Pode se fazer de forte, a futura líder da família qual nunca chora na frente dos outros, mas não na minha.

Lia o encarou com os olhos levemente arregalados, sempre soube daquilo, mas essa era uma das várias coisas que os dois sabiam e nunca falavam em voz alta. Ela se lembrava do dia em que o pai morreu, era uma noite tão estrelada que o céu parecia uma pintura de tão bela. Porém as coisas belas tendem a ser uma sinal ruim, era o que ela pensava. Na mesma noite a transformação de seu pai adotivo para o pior nível dos vampiros foi completa e ele foi preso num local isolado onde nem mesmo sua mãe teve acesso. Depois disso ela entrou em profunda depressão e ficou longe deles durante um ano e meio. Um ano e meio sem ver a mãe e tendo que cuidar do irmão, que estava quase inconsolável pela perda, era somente a presença da irmã que o acalmava. Um ano e meio em que os sangue puro se aproveitaram da situação e usaram o corpo de Lia para testes e mais testes sem a permissão dela ou de qualquer um. Um ano e meio em que ela ficou completamente louca.

—Chegou o dia em que podemos falar livremente de assunto importantes? Tenho muito sério pendente com você.

—Sem brincadeiras Lia! É por essa atitude-

—Cole? Liadan? Podemos ir?

Não muito longe os dois viram Kaname e sua mãe, vestidos como se fossem ceifadores prestes a fazer uma socialização com outros membros do grupo. Mas Lia e Cole não estavam diferentes e ela pensava que o luto lhe trajava muito melhor do que qualquer outra roupa. A viagem até o cemitério foi desagradável e silenciosa e não era bem uma viagem já que a antiga mansão que passou a infância não era muito longe da mansão Kuran. Foi ali que seu amado pai adotivo fora enterrado, Yuuki fez questão que assim fosse para que assim que ela morresse fosse enterrada ali e assim os dois poderiam continuar de onde tinham parado naquela terrível noite, algo doentio até mesmo para Lia. Mas ela compartilhava da doença de sua mãe, visto que uma vez jogou água sanitária em um dos “cientistas” que cuidavam dela e gritou por Cole, foi a primeira e última vez que blefaram sobre terem prendido o irmão dela. Mas Yuuki não era sempre assim, durante 360 dias do ano ela era tão alegre que chegava a quase irritar, sempre sorrindo e espalhando amor para os filhos e para o atual marido, seu irmão. Nem precisou lançar um olhar irritado para Cole e ele já percebeu qual era a linha de raciocínio da irmã. Quando finalmente chegaram, ela não conseguiu manter a mascara de sempre e apertou os lírios brancos que carregava no colo. Zero comprava sempre que voltava de uma viagem de negócios e dava um enorme buque para ela, até que começaram a cultivar as flores no jardim. Lia ficou de joelhos ao lado da mãe e de frente para a lapide de mármore, onde estava com letras curvilíneas e charmosas o nome e dados dele. Yuuki estava de cabeça baixa, só podia se ver as lagrimas caindo no chão e os lábios trêmulos, ela depositou o buque e no chão e com um sorriso fraco e uma voz baixa falou:

—Estou de volta Zero.

Notas finais
É possível que tenha uma continuação desta One-shot, mas é só uma ideia que eu tive, a principio vai ficar somente nisso.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!