Maresia

Eu mergulho profundamente...

Procurando me esconder dos raios solares.

O sol queima quente, e me sinto temente...

Quando ele brilha lá no céu intensamente.

Por isso, eu me deixo afundar...

Não estou à deriva, não procuro me salvar;

Só gostaria que essa água salgada me levasse a algum lugar.

Oceanos que gostaria de mergulhar.

Em outros anos, eu já amei o mar,

E já amei à mar,

Mas nunca amei amar.

Algo pífio me fazia sempre recuar dessa ideia,

Mesmo quando afundado me encontrava nela.

As luzes e cores tornam-se raras...

À medida que meu corpo desaba como cascata.

Como águas, como catarata.

Os olhos não podem enxergar no completo breu,

Serenamente, escurece-se tudo à volta e perco a ideia do meu.

O que sou eu?

O que soou eu?

Acredito no mais tolo destino que sela,

A pressão da profundidade destruindo meus tímpanos.

Se não vejo e não ouço, não sinto...

Se não sinto, eu minto sobre meus pensamentos sucintos.

Tateando mitos enquanto não sinto sentidos.

Ao abrir meus olhos agora,

Talvez encontre sereias, seres místicos, baleias.

Ao destampar meus ouvidos,

Talvez ouça o inaudível, ou o baque de minha surdez surda.

Há mar e estou à deriva...

Do mar estou à deriva.

Amar em sutil sintonia...

À mar eu senti maresia.

~Gabriel.