The World in Their Own Way
1 Down to the Market
“Como dois marginais” sorrio com o pensamento. Amarro o coturno e enfio qualquer camisa larga que estava na minha frente. Pete terminava seu cigarro na janela do outro lado da sala/quarto/cozinha/banheiro absenta de luz; Estávamos juntos desde que consigo me lembrar; sempre fomos do tipo anarquistas, que não dão a mínima para a sociedade e seus estereótipos. Entramos para a faculdade juntos e, fomos expulsos juntos... uma boa história de amor moderna. Nossos pais já haviam desistido de tentar “dar um jeito na nossa vida” em suas próprias palavras. O que eu acho um erro; a vida é diferente em pontos de vista, vida pra mim, era fumar maconha o dia inteiro, em algum canto com cheiro de mofo, roubar coisas insignificantes e... transar. Basicamente isso. Para eles era se formar bem sucedida em alguma escola do ensino médio, entrar para uma boa faculdade e seguir uma carreira mísera, infeliz e sem graça.
“Prefiro fumar até morrer” sinto sua mão áspera em meu rosto, apertando com os dedos a minha nuca e bochecha, me dando um beijo rude. Depois de todos esses anos, já não sentia mais o cheiro de cigarro. Ele se curvava sobre mim, seus cabelos ruivos desgrenhados roçavam no meu rosto, me levantou em uma tentativa só; curvada sobre seu ombro, com o cigarro e a vodka em uma mão.
“all of us, we’re going out tonight, we’re gonna walk all…” ele balança meus pés. “ALL OVER YOUR CAAAAAAAARS!” grito, sorrindo. Uma noite de domingo normal em Brighton, criar caos em algum lugar perto. Meu fantasma desfalece lentamente, sentindo meu coração sangrar. Prometemos que seríamos assim até o fim da vida e estávamos cumprindo indubitavelmente a promessa; Romeo e Juliet inclusive eram nossos secretos apelidos, dormiríamos viciosamente no final das contas. Colocamos os gorros pretos e corremos. Corremos.
“Oh my Juliet, I'll never betray you my loooove” Sobe na lataria velha de um carro abandonado e quebra sua janela. “All of us, we're going ooooout tonight. We're gonna walk all over your cars.” Minha garganta dói, já estava frágil de nicotina… depois de todo esse tempo, não poderia esperar que estivesse cem por cento, e inclusive acho que o tumor deve ter crescido. Seus braços fortes me rodeiam e pressionam o final das minhas costas. Quebramos o pescoço da garrafa no volante da lata-velha e nos afogamos no entorpecente dilúvio. Saíndo do beco, escutamos as batidas solitárias do nosso coração à meia noite de um domingo.
“For you, you and him, him and you, you know my heart bleeds” Pete andava na frente com um cigarro aceso na mão, sua mão sangrava por causa da garrafa quebrada. Eu admirava aquela pessoa à dois metros de mim, o caos em pessoa, o succubus que se alimentava da paz dos lugares. A única luz mais forte vinha do pequeno mercado da esquina, com apenas uma atendente gorda no caixa com aquele uniformezinho ridículo. Eram inútil mercados abertos domingo de noite, nenhum trabalhador ia sair essa hora para comprar um miojo para o filho mimado que não para de chorar. “Pessoas escrotas” reviro os olhos com a ideia. Pete me guia pela mão e entramos no estabelecimento.
“I'm gonna take you down to the market, lover, cuz that's where the trouble staaaarts” sorri. Corre puxando o carrinho comigo dentro; drift pelos corredores. Explodimos uma champagne e a atendente cheia de espinhas já liga pro nine one one. Engulo três pílulas vermelhas. “But I'm getting so tired of people always crossing my wireeeeees, life's just far too short for miscommunication” Pete corre, jogando tudo dentro do carrinho e atravessa direto a porta de saída, cruza as ruas vazias e nos dirije à um outro beco. Entorno o resto da garrafa enquanto ele gira absurdamente o carrinho, me seguro nas bordas.
“There are people out there to make you feel good, but don't you listen, baby, don't you listen, because you know they want it all” já caímos no meio-fio, pensando em nossas lápides. Meu rosto recosta em seu rijo peitoral, a rápida batida do coração dele ecoava no meu tímpano. Olhava no azul insípido de sua íris, tinha quase certeza que conseguia ver sua alma. Estávamos enrolados em nossos braços. Cantava o mais verdadeiro sentimento que existia em seu corpo, com a última rodada de voz que agora tinha. “Say whatever you have to say, I'll stand by you, and do whatever you have to do to get it out and not become a reactionary, to hurt the ones you love.” ele segurava uma mexa do meu cabelo, agarrado ao meu pulso de uma forma rigorosa. “Still I need your sway. Cause you always pay for it and I, and I need your soul. Cause you're always soulful, and I, and I need your heart , cause you're always in the right places” trago o cigarro “Take whatever you have to take. You know I love you, and come however you have to come and get it out, and get it out, take it out on me” com o ultimo gole da vodka, corto meu lábio e uma porção de sangue se espalha pela minha boca. “And take it out on me. I give it you all, I give it you all, I give it, I give it you all, and I give it you all… Yes I would give you all” sorri, seu cabelo cacheado caía sobre sua testa suada. “Oh yes! you know, I would give you all…”
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