Notas iniciais
- como sempre..
boa leitura ;D [Capitulo Revisado]

Os dois garotos caminhavam calmamente pela rua de suas casas, mas o único incômodo era aquele silêncio que estava matando o moreno.

- Então Kouyou... Por que estava chorando...? – Sim, a curiosidade de Yuu, superava seu constrangimento.

- Me chame de Kou ou Uruha... Yuu-san. Me chamando pelo nome inteiro, parece que está bravo comigo... – Disse o loiro, sentando-se na calçada enfrente à sua casa.

- Só se você prometer me chamar apenas de Yuu ou Aoi! – Disse o moreno se sentando ao lado do outro, fazendo o mesmo sorrir.

- Ok... Eu prometo Aoi. – Disse com o rosto levemente baixo, mas o moreno podia perceber muito bem em como o maisnovo estava envergonhado, e estava achando isso uma graça.

- E então... Não vai me contar mesmo...? – Se alguém estivesse do lado desses dois, obviamente iria dar um beliscão no moreno por se tão persistente.

- Contar...?

- Não tente me enganar Kou, eu sei que estava chorando...

- Eu... – Mas o loiro foi interrompido por um barulho que vinha da direção da casa de Uruha, Yuu se virou para ver o que estava acontecendo, vendo um casal sair da casa.

- Eu já disse Shinji! NÃO VOU FICAR NESSA CIDADE!

- Mayumi, você sabe que é pro bem do nosso filho!!

- BEM? SHINJI ELE NEM AMIGOS TEM AQUI! A DOENÇA DELE NÃO TEM CURA! – Disse a mulher que estava rubra de tão nervosa que se encontrava.

- CALA A SUA BOCA! MAS É CLARO QUE TEM CURA SIM! QUE TIPO DE MÃE É VOCÊ? SE NÃO QUER FICAR AQUI VÁ EMBORA E... – O homem que parecia a versão mais velha de Kouyou parou ao fitar o olhar espantado de Yuu e ver seu filho do lado, cabisbaixo.

- Kouyou...

A mulher se aproximou de Uruha, dando-lhe um breve cafuné.

- Kouyou, mamãe vai voltar pra nossa velha cidade, ta bom? Você vai ficar aqui com seu papai ok...?

Kouyou não levantou o rosto, apenas afirmou com a cabeça, sentindo os dedos de sua mãe abandonar suas madeixas, logo ouvindo o som do carro que ia aos poucos se distanciando.

Yuu estava imóvel, não sabia o que fazer, uma discussão dessas nunca aconteceu na sua frente. Seus pensamentos sumiram quando o pai de Uruha se aproximou do filho.

- Vamos entrar Kou...? – O loiro alto se aproximava dos adolescentes, passando seus finos dedos pelas mechas loiras do filho. — Sua mãe logo vai voltar e..

- ... Pai...

- O que foi...?

- Me deixa aqui com meu amigo... Por favor...

O homem suspirou, se levantando em seguida, sorrindo gentilmente para Yuu que sentiu um ar quente de aconchego no olhar daquele homem, lhe correspondendo o sorriso, acompanhando senhor Takashima com o olhar, até que este adentrou em sua casa.

Ficaram um tempo sem silêncio, Uruha não se mexia, era como se estivesse congelado, a rua estava começando a ficar escura, pelo jeito iria chover de noite. Então finalmente o loiro quebrou aquele silêncio falando em um tom fraco e baixo.

- Desculpe... Yuu...

O moreno suspirou, fitando a rua vazia.

- Se desculpar? Você não fez nada pra mim...E... – Mas Yuu paralisou, ouviu um forte soluço de Uruha, o loiro começou a tremer e a soluçar, Yuu nunca iria querer alguém como Uruha chorando tão desesperadamente, juntou coragem e o abraçou forte. Uruha deve ter se surpreendido com a ação de Aoi, porque ao receber o toque do moreno estremeceu tentando se acalmar.

Após alguns minutos, Yuu se afastou de Uruha, fazendo-o erguer o rosto, vendo que ainda caiam muitas lágrimas grossas em sua linda face.

- Não pense mal da minha mãe Yuu... – Foi a primeira coisa que conseguiu pronunciar, depois que o soluço foi embora.

- Não irei pensar...

- Ela só está chateada comigo...

- Chateada...? – disse em pausas e interrogativo, fitando o loiro que sorria tristemente.

- Quando nasci, foi uma felicidade imensa para toda a minha família, sou o único neto dos dois lados da minha família, o parto foi complicado e infelizmente as chances da minha mãe ter novamente um filho, são pequenas...Mas estava tudo bem, já tinham o filho que tanto queriam... Mas não sou perfeito sabe...

- CLARO QUE É! – o moreno disse um tanto alto, tirando um sorriso sincero do loiro.

- Não sou, nasci com um doença que me deixou cego... Nasci cego para ser mais exato. Minha doença Yuu, não tem cura. Ela apenas irá evoluindo, vou perdendo todos meus sentidos, até ser apenas um corpo com o coração batendo dentro dele...

- Kou... Você vai se curar, seu pai sabe que você vai se curar! – Insistia o moreno sentindo os olhos arderem levemente.

- Não Aoi... Nos mudamos para essa cidade, porque meu pai sabe que existe um médico que está tentando inverter minha doença, mas a operação é arriscada e pode ter efeito contrário, posso piorar e chegar a falecer mais rápido.

Yuu sentiu um aperto no peito ao ouvir aquilo, a morte é uma coisa que ele não desejava à ninguém.

- Por isso eu não culpo minha mãe, ela quer apenas me proteger, quer me poupar dor... E meu pai, quer o sonho dele realizado, quer seu único filho, curado...

- ... E você Kouyou? O que você quer? Você tem que ter a sua opinião também!!

O loiro arregalou os olhos, ficou espantado, ninguém nunca havia lhe perguntado sua opnião.

- Por mim... tanto faz Yuu..

- Tanto faz??? É a sua vida, você tem que ver o que você quer!

-... Eu não tenho motivos para querer viver mais ... – Sorriu levemente, deixando a palma da mão aperta e apoiada na perna, deixando algumas lágrimas caírem. – Viu Yuu...? Nem a minha próprio tristeza eu posso ver, apenas sentir... – Disse desfazendo o sorriso e apertando a mão em que haviam caído as lágrimas.

Yuu se levantou, obrigando o loiro a se levantar ao puxá-lo pelos ombros, fitou o mais novo, que estava com o rosto interrogativo.

- Eu vou te mostrar como é bom viver, vou fazer você querer sua vida! E não simplesmente joga-la pelo ar! E agradeça por sentir sua tristeza Kou, pois tem pessoas que sabem avaliar os outros ou a si próprio apenas pela imagem, e não pelo sentimento que os cercam. – Disse o moreno decidido, sorrindo em seguida.

Uruha ficou assustado, ninguém nunca havia lhe dito uma coisa dessas,estremeceu ao ouvir um trovão que havia caído perto deles, logo sentindo grossas gostas d’água caírem sobre seu rosto, mas logo sentiu um calor aconchegante, um abraço. Sorriu novamente sussurrando ao esconder o rosto sobre o peito do moreno.

- Arigatou, Aoi...

Continua...

Notas finais
reviews?