Notas iniciais
Yo minna o/
Como vocês estão??
Desculpem pelo atraso de dois dias, é que eu voltei pra casa, não deu tempo de escrever.
Mas aqui está!
Boa leitura.

Consegui esquecer Kaito e tudo que tinha lembrado. Preocuparia-me com aquilo depois. Dancei sem errar um passo. Alcançara a perfeição.

Fui aplaudida de pé.

Sorri enquanto recebia os aplausos. Não foi verdadeiro. Fazia balé como forma de ficar mais perto de minha mãe, não era como se eu gostasse.

Porém, só me afastava.

Eu me sentia mais vazia ainda. Cada vez mais.

E foi aí que escutei os gritos no fundo do teatro.

- Miku! – gritavam Len, Rin, Gakupo, Luka e Kaito.

Pela primeira vez sorri de verdade depois de ter feito uma apresentação. Acenei para eles antes de as cortinas se abaixarem e eu entrar na coxia. Troquei de roupa e sai sem me despedir dos outros integrantes. Simplesmente não havia necessidade, já que eles não gostavam de mim.

Ao chegar ao lado de fora do teatro, encontrei todos à espera. Corei e olhei para o chão por um momento.

Eu estava grata. Grata por tê-los, por terem me visto dançar. Grata por eles existirem.

- Miku! Você dançou muito bem! – gritou Rin, segurando uma das minhas mãos.

- Miku, nunca houve Clara tão bonita. – berrou Len, tentando imitar meus passos, ou melhor, os de Clara. Comecei a rir.

- Concordo com todos eles, parabéns Miku. – parabenizou Gakupo.

- Você foi perfeita Miku! – afirmou Luka. Seus olhos brilhavam.

Eles olhavam para Kaito e voltavam a olhar para mim. Eu o analisei. Parecia o garoto tímido daquele primeiro dia de aula. A primeira vez que eu o vi... Não, espera.

Não foi a primeira vez.

Balancei a cabeça. Estava sendo ridícula como usualmente.

- Apesar de não ser isso que você quer, você foi até bem. – informou Kaito. Todos, menos eu, ficaram de queixo caído.

- Kaito, você tem que saber fechar a boca. – Len falou bravo.

- Kaito, como pode dizer uma coisa dessas? – questionou Gakupo.

- Peça desculpas. – murmurou Luka.

Kaito não olhava para os outros, ele olhava diretamente para mim, me pressionando. Estava aguardando uma reação.

Comecei a chorar. A última vez que chorei foi há seis meses, mas enquanto eu chorava parecia que eu chorava todo dia. Eu estava sendo fraca, em minha opinião.

Sentei no chão e chorei baixinho enquanto todos se aproximaram. Rin passava as mãos em meu cabelo, Luka me abraçou, Len afagava minhas costas, Gakupo brigava com Kaito por ter, supostamente, me feito chorar.

Fiquei chorando lá, até que Kaito se ajoelhou e pediu desculpas.

Acenei rapidamente. Não era por isso que estava chorando.

- Obrigada. – murmurei, enquanto as lágrimas caiam. Penetravam fundo. – Muito, muito, muito obrigada!

Levantei e sorri. Dei o melhor sorriso que já dera, apesar de estar em prantos.

Eles me abraçaram.

Pela primeira vez não me senti inferior a ninguém, não senti que não existia uma pessoa na Terra que não se importasse comigo. Pelo contrário, me senti amada e, pela primeira vez, pareceu que eu tinha uma família.

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Fizeram de tudo para tentar me convencer a sair para comemorar. Neguei, falando que tinha um compromisso. E tinha mesmo.

Ir para o cemitério a pé não demoraria muito. E eu precisava ser mais livre.

Andei o tempo todo pensando em minha mãe.

Entrei no cemitério e optei passar pelas árvores perto do túmulo de minha mãe. Escutei vozes e me escondi atrás de uma das imensas árvores.

- Ela dançou em nossa peça, querida. – Reconheci a voz de meu pai. Ele não estava viajando? Coloquei as mãos na boca para abafar um grito. Meu pai realmente estava aqui. – Ela deve ter representado bem, afinal, é uma Hatsune, não foi mais que a obrigação dela.

Nada era mais do que obrigação. Aprendi isso ao longo dos anos.

- Eu não fui. De novo. Responderia-me, Yuu, se sou ou não um bom pai? Você diria a verdade? Acho que sim, mas... Ela está ficando cada vez mais parecida com você.

No quadro de nossa sala onde ficava o piano, lá estava mamãe. Pela pintura, ela não era nem alta nem baixa, segurava um livro. Vestia um vestido enorme e rodado, vermelho. Seu longo cabelo verde-água caia em uma cascata verde-água lisa nas suas costas. Seus olhos, de um verde intenso, emanavam bondade, sabedoria e mistério. Mas era seu sorriso que fazia com que fosse a mulher mais bonita que eu já vira.

Nem de longe parecia com ela.

- Não quero que ela cometa os mesmos erros que nós cometemos. E Miku lembra demais você, Yuu... Dói vê-la, pois eu me lembro de você, e consequentemente da sua morte.

Fechei os olhos. Era tudo culpa minha.

- Mas independentemente de suas vontades, Yuu, eu não deixarei que ela se envolva com música. – Alguém me segurou firme e colocou a mão sobre minha boca. Entrei em pânico.

- Não faça nenhum barulho. – Pediu Kaito, sussurrando em meu ouvido. Ele me apertava mais forte.

- Yuu, você era frágil, porém isso não a impediu de seguir em frente com a música. Você foi morrendo aos poucos, iludida com os sons. Eu te amo até hoje por isso. – concluiu meu pai.

Ouvi-o indo embora enquanto as lágrimas caiam com velocidade.

Minha mãe... Ela cantava?

Kaito me soltou e deixou que eu batesse nele por um longo tempo. Estava com raiva dele. De onde ele surgira? Por que não me deixou tirar satisfações com meu pai? Quando Kaito se entediou com os soquinhos, pegou minha mão e me arrastou para o túmulo de minha mãe.

Desvencilhei-me.

- Por que está fazendo isso, seu idiota? – gritei.

Ele apenas me encarou.

- Fica calma. – pediu.

- Não vou ficar calma! – berrei. – Isso é tudo uma mentira!

Kaito ficou aguardando.

- Miku... – começou, depois de certo tempo. – Você tem que parar.

Ele estava sério.

- Parar com o quê? – questionei cinicamente.

- Parar de fazer isso consigo mesma. Você tem que parar de tentar ser perfeita, ninguém é perfeito, você apenas vai se decepcionar continuando com isso. Você tem que parar de criar essas barreiras invisíveis que você cria para se defender. – Kaito vinha chegando mais perto. – Tem que parar de fazer o que não gosta só porque as pessoas querem. Tem que parar de ser infeliz. – Cada vez mais próximo. – Mas principalmente, tem que parar de se destruir, pois é isso que está fazendo.

Recuei alguns passos.

- Se sou e faço tudo isso, por que continua aqui? – perguntei.

Kaito ficou confuso.

- Eu não sei. – disse.

Ele não sabia.

- Isso é tudo uma mentira. Minha mãe não tinha nada com a música. Eu a matei. – sussurrei olhando o túmulo.

- Não foi sua culpa. – sussurrou Kaito, em resposta.

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Kaito me levou para casa em seguida. Já estava bem escuro, e como eu viera a pé, era perigoso voltar sozinha. Não falamos uma única palavra. Kaito jogou um dos dois capacetes para mim e entendi o mudo convite de carona.

Aquele dia foi mais que nós dois poderíamos aguentar.

Quando cheguei a casa, Kaito também desceu da moto. Ficamos nos olhando na frente da porta.

- Obrigada pela carona. – murmurei e virei. Kaito segurou minha mão.

- Miku, espera aí. – murmurou Kaito, me puxando e dando um abraço. – Não nade no campeonato, eu sei que está exausta. E não se importa com isso. Mas eu sim, então, por favor, não vá.

- Por que está preocupado comigo? – perguntei, e olhei para cima. Kaito era alto. Ele me olhava também.

- Porque... eu... – murmurou Kaito. Ele me soltou e piscou algumas vezes. Mexeu no cabelo. – Da-daisuki*, Miku.

Fiquei sem reação.

Ahn?

- Daisuki, Kaito. – respondi rapidamente. Era a verdade. E eu estava nervosa, quente de tão corada que fiquei. Kaito também estava vermelho.

Ele sorriu. Aproximou-se e deu um beijo na minha testa.

- Boa noite. – sussurrou. Sorri.

Observei-o desaparecer com a moto, entrei e fechei a porta.