Notas iniciais
Yo minna o/
Está... acabando ;-;
Não me matem depois de ler esse capítulo, tá? É pra fazer o último ficar bom (>-<)!!
Boa leitura xD
Ahhh, um aviso. O último capítulo eu vou postar no dia trinta, é um dia especial pra mim ^-^.
Agora sim, boa leitura *-*

Quando a ambulância chegou, eu fui com Kaito para o hospital. Nossa diretora nos acompanhou. Ele ainda estava apagado, mas respirava. Mordi os lábios. O que acontecera?

A diretora entrou em contato com os pais do Kaito, que, pelo que descobri, moravam longe. Kaito era emancipado e nunca tinha me falado.

Não consegui ficar irritada com ele. Sempre soube que ele guardava segredos, porém não imaginava que fossem tantos.

Fiquei na recepção. Os médicos falaram para a diretora o que tinha acontecido, mas não me falaram nada apesar de eu perguntar várias e várias vezes.

Sentei em uma das cadeiras e me abracei. Como estava Kaito? Onde os outros estavam? Por que não vieram vê-lo? Por que Luka chorava desesperada? Por que não me diziam o que ele tem?

Não me permiti chorar. Kaito não iria morrer, ou algo do tipo, ficaria tudo bem. As horas se arrastavam.

Finalmente amanhecera e eu não tinha dormido ainda. Meus amigos chegaram. Meiko também tinha vindo. Quando ela me viu, baixou os olhos para o chão.

- Desculpa. – pediu. Não sabia muito bem porquê, e não estava querendo descobrir.

- Miku, você não foi para casa? – Rin perguntou.

Neguei com a cabeça.

- Vamos, Miku, você precisa ir para casa. – Luka disse. Seus olhos estavam inchados.

- Não. Não vou. – fiquei emburrada como uma garotinha.

- O Kaito não vai acordar tão cedo assim. Você tem que se arrumar por ele. – Len comentou. Foi o gatilho que me fez ir para casa. Gakupo me levou e disse que esperaria. Corri e tomei um banho rápido, escovei os dentes e coloquei uma roupa qualquer. Queria vê-lo logo. Precisava disso.

Desci as escadas e encontrei meu pai na porta.

- Otou-san! – exclamei.

Ele deveria estar viajando. O que estava fazendo em casa?

Meu pai me fuzilou com o olhar.

- Posso saber o que você está fazendo aqui? – perguntou. Ele mostrou o iPad pra mim. No vídeo Luka e eu cantávamos.

Engoli a seco.

- Perdão! – pedi.

- Quais são as regras dessa casa, Miku? – meu pai gritou.

Fiquei olhando para o chão.

- Nunca se envolver com música. – murmurei.

- E o que isso significa? – Todos na casa poderiam escutar os berros de meu pai.

- Eu estou me envolvendo com música. – murmurei.

Meu pai respirou fundo.

- Você, garotinha, vai aprender a obedecer às regras do pior jeito possível. Vim aqui pra te levar a um internato. – disse meu pai, em um tom sombrio.

Isso me fez olhá-lo.

- Não. – falei.

- Como é?

- Não. Não vou para um internato. Não vou. Você mente pra mim. – Quando dei por mim, estava gritando. – Você manda não se envolver com música porque a mamãe cantava não é? Ela cantava não é?

Papai me olhou assustado. Eu o pegara. Definitivamente. Logo se recompôs.

- Miku... seus modos são horrendos. Uma Hatsune não deveria ser assim.

Ficamos um tempo em silêncio.

- Você não vai tirar de mim tudo o que eu conquistei. – Eu estava chorando. – Não vai!

Sai de casa correndo e bati a porta com toda a força que tinha. Gakupo ficou assustado quando entrei no carro. Ele perguntou se estava tudo bem.

- Só me tire daqui. – pedi, limpando as lágrimas.

Gakupo me levou para o hospital. Entramos e não encontramos ninguém.

- Eles já foram. – comunicou Gakupo.

Um médico com jaleco branco perguntou o que estávamos fazendo.

- Eu preciso ver... – comecei. – Eu preciso muito ver Kaito Shion.

O médico me olhou bem.

- O senhor Shion está se recuperando, mas acho que você pode visitá-lo. Afinal, outros já o viram. – o médico assentiu. Corri até o quarto de Kaito. Gakupo iria embora. Ele não iria me interromper.

Kaito estava de olhos fechados, o soro pingava e entrava em suas veias. O cabelo bagunçado, e a coberta desarrumada. Peguei a coberta e o cobri devidamente. Ele abriu os olhos.

Quase gritei.

Ele procurou algo e me viu. Sorriu. Estava o mesmo Kaito de sempre, tirando o fato de estar no hospital. E de estar fraco.

- Oi. – ele começou, estava fraco.

Comecei a chorar. O que estava acontecendo comigo? Kaito tentou se sentar mas não conseguiu. Ele passou a mão em meu rosto.

- Está tudo bem. – sussurrou.

Assenti, tentando parar de chorar.

- Ei, ei, Miku. Eu não estou morto. Veja. Continuo o mesmo galã. – Comecei a rir.

- O que você tem? – perguntei depois de um tempo.

- Beleza, talento e inteligência. – sorri e bati fraquinho nele. – Brincadeira, na verdade foi – ele suspirou. – foi porque eu tive arritmia cardíaca.

- Espera... seu coração parou de funcionar? – perguntei, desesperada.

Ele assentiu.

- Só um pouco. – Suspirou e desviou o olhar.

- Kaito... eu... eu fiquei preocupada. – observei-o.

- Não precisava se preocupar. – Kaito não me olhava.

Depois de um tempo resolvi contar sobre meu pai. Kaito escutou atento. Esperou que eu terminasse para dar sua opinião.

- Vá ao internato, Miku. Seu pai te arrastará de qualquer maneira. Só... lide com isso. – Kaito fez uma careta. – Afinal de contas, é só um ano.

Mordi os lábios.

- Mas é um ano sem te ver... sem ver os outros. Não quero isso. – balancei a cabeça. Ele mexeu no meu cabelo.

- Todos vão estar aqui quando você voltar. – Kaito disse. – E... Bem, vou receber alta daqui a dois dias. Não vou poder me despedir.

Eu odiava admitir, mas Kaito estava certo. Meu pai me arrastaria até o internato de um jeito ou de outro.

- Não tem problema. – me inclinei e dei um beijo em Kaito.

- Devo ficar doente mais vezes. – Eu ri.

- Não brinque com isso. – falei.

- Desculpe. – pediu.

Dei mais alguns beijos nele, mas meu celular tocou. Não atendi. Era papai. Alguém entrou no quarto.

Yuki estava vestido com seu uniforme. Olhei para Kaito. Ele me fitava intensamente.

- Yuki, eu já estou indo. – avisei.

Yuki saiu do quarto. Kaito se esforçou para sentar direito. Ele deu um beijo em minha testa.

- Você é a pessoa mais forte que conheci, Miku Hatsune. – sussurrou. – Você vai aguentar isso. Eu sei que vai.

Segurei-me para não chorar.

- E eu aviso os outros. – murmurou Kaito. Ele também suspeitava que eu iria direto para o aeroporto.

Assenti. Segurei seu rosto por um momento.

- Eu te amo. Fique bem. – pedi.

- Eu também te amo, Miku. Seja forte. – Kaito se deitou. Assenti. Não queria sair dali.

Só um ano. Só um ano. Só um ano.

Esse ano seria muito longo.

Yuki me levou até o aeroporto. Não troquei uma palavra com meu pai. Enquanto embarcava no avião, vi Tóquio outra vez.

É só um ano. E eu teria tudo de volta.