The Woods
10 Pronto Socorro
Notas iniciais
Luke pulou a janela da cozinha assim que viu que os pais de Lucy chegaram em casa, não queria ter que explicar quem era para eles e também não podia se arriscar caso eles o reconhecessem. Os pais de Lucy podiam ser apenas como outras pessoas comuns, mas eles sabiam de tudo. Inclusive quem ele era. Só não sabia se eles seriam capazes de reconhecê-lo.
Entrar e sair de lugares despercebido, sem fazer nenhum barulho e mais rápido do que algumas pessoas julgariam ser possível, era outra de suas habilidades.
Andou de volta para a pequena casa abandonada perto da floresta onde estava morando atualmente naquela cidade, absorto em pensamentos. Estava incomodado com o fato de Lucy parecer ser imune ao seu poder de confiabilidade, não estava conseguindo fazê-la gostar dele, não conseguia manipula-la. Isso nunca havia acontecido.
Finalmente chegou em sua casa, onde ele poderia pensar melhor. Tomou um banho, comeu alguma coisa, mas não conseguia tira-la da cabeça de jeito nenhum. Ele tinha que conseguir a confiança dela. Ele iria conquista-la... De qualquer forma.
~’’~
Minha mãe me olhou séria e meu pai fitava o chão. Afastei-me um pouco deles e minha mãe viu pela primeira vez meu tornozelo enfaixado.
— Meu Deus filha, o que houve com seu tornozelo??- Perguntou franzindo a testa de preocupação.
— Ah não foi nada de mais, eu estava voltando da escola, começou a chover bastante e eu escorreguei na rua, foi só isso. – Ok, eu não precisava contar toda a participação do Luke nisso.
Meus pais continuaram preocupados, o que me fez questionar se eles acreditaram em mim ou não, então minha mãe disse:
— Tudo bem filha, mas eu vou leva-la ao médico.
— Mãe! Não! Tá tudo bem, mesmo, nem ta doendo mais. – Ok isso eu sabia que eles não tinham acreditado.
— Filha, isso não está aberto à discussão. Eu vou leva-la ao pronto socorro agora. – Com isso pegou as chaves do carro e eu me dei conta de que não havia saída, eu teria mesmo que ir ao médico e nossa conversa seria novamente adiada.
Chegamos ao pronto socorro e por sorte estava meio vazio, então fui conduzida para uma maca separada por cortinas umas das outras e uma enfermeira desenfaixou meu pé para ver o estrago, enquanto minha mãe estava na sala de espera. Meu pai achou melhor vir só minha mãe comigo.
— Hum... Isso não está bonito mesmo. – Disse olhando pro meu pé inchado agora num tom roxo escuro. – Você andou muito após a torção?
Ok, eu de fato havia andado muito pra quem torceu o pé e eu sabia que isso era errado, coisa que me deixou envergonhada.
—Sim... Acredito que eu tenha andado bastante. – A enfermeira manteve sua expressão neutra e anotou alguma coisa na minha ficha.
— Ok Srta. Blackwood, por favor, aguarde aqui até o doutor chegar para examinar seu pé, vou levar este formulário para sua mãe preencher, não saia daí e nem pise no chão com seu pé torcido em hipótese alguma. – Deu um sorriso simpático e saiu do meu “quarto”. Ela aparentava ser bem nova, como se tivesse acabado de sair da faculdade e era bem bonita.
Ao que me pareceu se passaram horas que eu fiquei olhando para o teto sem nem me mexer dali até que o doutor aparecesse.
— Boa tarde Srta. Blackwood, eu sou o doutor Rivers e sou eu quem vai cuidar do seu tornozelo. – Sorriu e eu quase tive um infarto. Ele era simplesmente lindo. Ele era moreno com olhos azuis claros e era musculoso. Qual é a desse pronto socorro que só tem gente bonita?
— Me diz, por favor, exatamente onde dói. – Perguntou olhando para minha ficha que estava em cima da maca.
Apontei no lugar mais obvio do meu pé que estava roxo quase preto e ele me perguntou se era só naquele local. Eu disse que era. Ele apalpou meu tornozelo no lugar onde eu tinha torcido e disse:
— Muito bem Srta. Blackwood, preciso de uma radiografia, vou pedir para te encaminharem para a sala. – E com isso saiu da sala e eu fiquei sozinha novamente.
Depois de um curto tempo da saída do médico, uma moça também nova, com os cabelos presos em um rabo e uma cara de quem não dormia há dois dias, trouxe uma cadeira de rodas para mim e me levou até a sala da radiografia. Achei a cadeira de rodas um pouco exagerada mas o médico deve ter achado necessário.
Tirei minha radiografia e voltei para a ala do pronto socorro separada por cortinas a qual eu estava antes. Não sei bem ao certo quanto mais tempo se passou até o médico voltar com o resultado da minha radiografia. Ele analisou por um tempo e disse:
— Srta. Blackwood, sinto lhe informar que isto é uma entorse de tornozelo grau dois: uma lesão parcial do ligamento talo-fibular anterior e por muita sorte sua, considerando o tanto que você andou depois de torcê-lo, não evoluiu para uma lesão no ligamento calcâneo-fibular. – Sua feição era extremamente séria e eu não precisava ter entendido tudo do que ele disse para entender que meu pé estava bem fodido.
— E o que exatamente eu preciso fazer agora?
— Bem vai ser preciso que você passe essa noite aqui para acompanharmos o progresso do inchaço e a estabilização da sua musculatura. Não podemos arriscar que você rompa seu ligamento ou que progrida para uma lesão do ligamento calcâneo-fibular, vamos transferi-la para um quarto e veremos como estará seu pé pela manhã.
Ah não...
Simplesmente assenti já que não tinha nada mais a ser feito, então o doutor saiu e foi dar as notícias para minha mãe. Ela veio me ver e disse que voltaria para casa para que eu pudesse descansar melhor esta noite, mas que voltaria para me visitar logo cedo. Então me levaram para um pequeno quarto que tinha uma cama hospitalar e uma poltrona ao lado da cama. Alguns aparelhos médicos como um monitor cardíaco e outras coisas que não soube identificar, foram ligados a mim por várias agulhas e depois tubos, que por sua vez, terminavam na minha veia. Também havia uma espécie de pregador de plástico no meu dedo. A enfermeira me deu alguns analgésicos e eu comecei a ficar com muito sono. Mas antes dos meus olhos se fecharem completamente, olhei vagamente para o lado e vi um par de olhos azuis me encarando, mas essa foi a ultima coisa que vi antes de apagar completamente.
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