Notas iniciais
Minha primeira fic de A Seleção... Fandom novo... Realmente espero que gostem :)

Véspera dos meus dezoito anos. Segundo meu pai, eu já deveria ter me casado antes, mas eu recusei. Não queria que aquilo fosse um casamento arranjado, não queria ser controlada por um homem a minha vida inteira. Já bastava o total controle de meu pai sobre mim por todos esses anos. Eu queria escolher o meu marido, queria ter o direito de amar.

E, mais ainda, queria ser a rainha que o povo desejava. Aquela que governaria da melhor maneira possível, que não precisaria de um homem para poder tomar as decisões.

Encarava o teto do meu quarto, deitada na grande e macia cama que havia no quarto da princesa de Illéa, o meu quarto.

Ia ser tão complicado... papai não costumava ceder. O rei Clarkson Schreave nunca cedia.

E eu tinha herdado essa característica dele. Eu não ia ceder, não ia deixar que me controlassem.

Ouvi uma batida na porta. Mamãe entrou, sem esperar que eu dissesse alguma coisa.

– Aghaté, precisamos conversar...

– Sobre o meu casamento? — perguntei, revirando os olhos. Ela era a rainha e minha mãe, eu sei que devia respeito para ela, mas naquele momento eu não estava com a mínima vontade de conversar sobre isso novamente. As últimas cinco vezes tinham acabado em discussão.

Amberly balançou a cabeça, de forma negativa. Não como uma resposta para a minha pergunta, mas uma objeção ao meu comportamento.

– Aghaté, seu pai...

– Meu pai quer que meu casamento seja arranjado, eu sei. Mas mãe, não é isso que eu quero... se ele pôde escolher, por que eu não posso?

– Filha, nós já conversamos sobre isso...

– Mãe, sem discussão... Eu não quero que meu pai escolha com quem eu vou casar, é tão difícil para vocês entenderem isso?

– Você realmente está sugerindo que façamos uma Seleção?

– São os costumes do reino, não são? Como herdeira legítima, acho que eu deveria seguir esses costumes...

Ouvi o suspiro da rainha.

– Vou conversar com seu pai sobre isso. — falou, com uma piscadela. Ela se levantou e se virou em direção à porta. Seu vestido azul claro arrastando pelo chão e seu cabelo loiro preso em um coque desaparecendo em poucos segundos.

Quando ouvi a porta se fechar, levantei-me e fui em direção à uma escrivaninha. Abri a gaveta e vi uma foto... um rapaz de cabelos loiro-escuros cacheados e olhos muitos azuis sorria para a câmera. Seu sorriso branco era maravilhoso, confortável para observar. Meus olhos se fixaram no garoto. Fazia tantos anos...

"Será que vou te ver de novo?", me perguntei. Eu não saberia responder a essa pergunta...

Continuava olhando para a foto de Anthony Dinovid, a primeira pessoa de quem realmente gostei, o príncipe da Rússia. O conheci em uma das diversas reuniões do meu pai, da qual tive que participar. Aquela foto era a única coisa que ainda tinha dele. Provavelmente já estava casado, e eu nunca mais o veria.

...

– Senhorita Aghaté, hora do jantar. — Mika, uma das minhas criadas, anunciou.

– Já estou indo, Mika. — falei, calçando meus sapatos e tentando desamassar o meu vestido. Teria que aturar o falatório do meu pai novamente...

Andei até a sala de jantar de cabeça erguida e coluna ereta, como se nada pudesse me atingir, me preparando para o que estava por vir.

– Aghaté, sente-se. — falou o rei Clarkson, assim que cheguei. Fiz o que ele mandou, e então continuou: — Filha, sua mãe conversou muito comigo e nós chegamos a uma decisão.

Engoli em seco, nervosa para o que estava por vir.

–O que... o que vocês decidiram? — perguntei. Minha tentativa de manter a voz firme falhou completamente.

– Há uma enorme dificuldade em fazer o que você nos pede, Aghaté. — ele me encarou e eu desviei os olhos para o meu prato. — Isso é algo completamente inédito para nós. Eu permitirei que o faça, mas se se arrepender depois, não venha reclamar para mim.

Voltei a olhar para ele. Ele tinha realmente permitido? Eu não conseguia acreditar.

– Nós anunciaremos a Seleção amanhã, no Jornal Oficial. — falou, ainda firme. — Tem certeza que quer fazer isso?

Apenas concordei com a cabeça. Estava sem palavras por conta do choque.

– Isso é um sim? — perguntou papai. Confirmei novamente. — Que assim seja. Espero que não se arrependa disso depois, Aghaté.

Voltei a olhar para o meu prato e brincar com a comida. O nervosismo não permitia que eu comesse alguma coisa.

Mamãe e papai logo se levantaram e saíram, provavelmente ainda tinham coisas para resolver. Encarei meu prato por mais alguns minutos, e uma das criadas veio perguntar se eu estava bem. Confirmei com a cabeça e ela levou o meu prato. Voltei para o quarto e fui para a minha mesa de trabalho, tentando continuar algo que eu tinha começado.

...

– Senhorita Aghaté, fique parada, por favor. — Mika falou, enquanto ajustava meu vestido. — Isso tudo é nervosismo?

– Talvez seja... — falei, olhando para o grande espelho em minha frente. Aquele vestido era justo na cintura, fazendo com que minha coluna ficasse completamente ereta. A saia se abria na cintura, extremamente rodada. Ele não possuía muitos detalhes, além do tecido franzido na parte de cima. Mas era elegante.

– Você está linda, princesa. — falou Megan, outra criada, enquanto prendia meu cabelo em um coque bem arrumado.

Suspirei. Em poucos minutos estaria na televisão, sendo vista por todo o país, anunciando algo que provavelmente 90% da população iria considerar repugnante.

– Senhorita Aghaté, vai dar tudo certo... — Mika murmurou, olhando em meus olhos.

– Espero que esteja certa... — sussurrei, me virando e saindo do quarto, agora que já tinham terminado meu cabelo e minha maquiagem. Fui para a sala onde estariam gravando o Jornal Oficial.

– Está tudo bem, filha? — perguntou minha mãe, entrando com um pesado vestido vermelho-escuro.

– Só estou um pouco nervosa... — murmurei, com um suspiro, sentando-me em meu trono.

Papai chegou logo e sentou-se em seu trono. Não sorri nenhuma vez. Gavril chegou e ligou as câmeras, e continuei com uma expressão severa no rosto.

– Bem-vindos ao Jornal Oficial de Illéa desta semana! — Gavril anunciou, sorrindo. — A princesa Aghaté tem um grande anúncio para fazer nesta noite.

Senti que a câmera havia sido direcionada para mim. Meus olhos não tinham brilho nenhum.

Um silêncio tomou conta, esperando que eu falasse. Levantei-me, com o rosto erguido e anunciei:

– Como todos vocês já sabem, meu aniversário de dezoito anos está para chegar. E as leis do reino ordenam que eu me case. O normal seria que meu pai escolhesse meu marido, mas devido ao fato de que sou a única herdeira do reino, decidimos seguir as tradições da Seleção.

Pude ver que Gavril olhou para mim com os olhos arregalados. Provavelmente era assim que estava o resto da população do país.

– Por isso, peço que os homens do reino entre 18 e 22 anos preencham o formulário que receberão. Os 30 escolhidos serão revelados em uma semana. — fiz de tudo para manter a voz firme, enquanto todos me encaravam. — Era isso. Obrigada.

Sentei-me novamente e meu pai começou a dar as notícias sobre o país. Não prestei atenção em mais nada, poderia ver isso depois. Apenas imaginava o quão distorcida a minha imagem tinha parecido para o resto da população.

POV Jared

A princesa terminou o anúncio e minha família desaprovou completamente. Para eles, uma mulher não deveria fazer algo desse gênero. Como escritores, eu esperava que tivessem a mente mais aberta, mas aparentemente eu estava errado.

Mas se tinha uma coisa que eu tinha certeza, era de que a princesa Aghaté era inteligente. Isso era possível perceber em todas as vezes que ela aparecia na tela de nossas televisões. Ela sabia o que estava fazendo. Senão, o rei sequer teria permitido isso.

Eu tinha tomado minha decisão. Iria preencher o formulário. Não tinha motivos para não fazê-lo. Minha família podia discordar, mas eu o faria mesmo assim. A possibilidade de me escolherem era pequena, mas o que custava tentar?

A princesa era linda. Realmente linda. Ela parecia uma rocha quando eu a via na TV, mesmo com um vestido gigantesco e o cabelo preso delicadamente. Francamente, que homem não gostaria de se casar com ela?

Saí da sala enquanto meus pais falavam sobre a falta de discrição de Aghaté. Não me importava. Fui até a caixa de correio e, incrivelmente, encontrei lá o tal formulário. Provavelmente o rei tinha um controle de idade e gênero de todas as pessoas do reino, e deviam ter marcado para enviar os formulários assim que passasse o Jornal daquela noite.

Peguei-o e o levei escondido até meu quarto, onde peguei uma caneta e o preenchi, sem avisar para ninguém. Certamente me julgariam por muito tempo. Guardei-o para levar na manhã seguinte.

Nome: Jared Moore

Casta: 3

Idade: 19 anos

Informações de contato: 5492 — 2582

Peso: 76 kg

Altura: 1,80 m

Cor do cabelo: Loiro-escuro

Cor dos olhos: Azuis

Cor da pele: Branca

Idiomas: Inglês, francês, espanhol e italiano

Escolaridade: Já completei os estudos

Habilidades especiais: Escrever

POV Aghaté

– Senhorita Aghaté — Chamou Megan — Seu pai está lhe chamando. Acho que ele quer falar sobre a Seleção.

– Diga a ele que já estou indo. — falei, calçando meus sapatos.

Ela saiu e eu levantei, desamassando a saia do meu vestido. Andei o mais rapidamente possível até o escritório do meu pai, para saber o que ele queria.

– Recebemos 324 fichas de pretendentes. Eu considero que nem 10% deles estejam próximos de serem dignos de você, mas acho que deve dar uma olhada nisso.

Sentei-me em sua frente, pegando o monte de papéis com informações e fotos de rapazes.

Olhei para um que não me agradou, então logo o descartei. Outro parecia bonito, mas arrogante, descartei-o também. Continuei olhando as fichas, até ter descartado cerca de 60% delas.

– Ainda sobraram 129 fichas. — falou, enquanto olhava para o monte que eu deixara. — Nenhuma das outras 195 poderá mais voltar para este monte, entendido?

– Sim. Mas agora precisamos descartar mais 99 rapazes. — falei, deixando a postura ainda mais ereta. Comecei a ler todas as fichas novamente. Teoricamente, deveríamos fazer um sorteio para a Seleção, mas na prática isso estava longe de acontecer. No início, eram apenas selecionados os mais aptos, mais ou menos como na Lei da Seleção Natural de Darwin.

– Este é um Cinco, mas parece mais habilidoso e bonito do que muitos Dois por aqui. — comentei, pegando uma ficha. — Sem contar que temos que selecionar alguns de castas mais inferiores.

Meu pai concordou, pegando mais uma.

– Este parece bom. É um Três, de uma família de escritores. — disse meu pai, mostrando uma ficha que exibia um garoto de dezenove anos, muito bonito por sinal. De alguma forma estranha, ele me lembrava Anthony. Concordei imediatamente e coloquei a ficha no monte. Ele viria para o castelo.

– Um Dois. — anunciei, pegando uma folha, depois de ter descartado mais cinco. — É modelo, bem influente, acho que é uma boa escolha. — O rei apenas concordou com a cabeça.

– Um Quatro, os pais são donos de hotéis. — comentou, mostrando um rapaz de dezoito anos, olhos verdes e cabelos ruivos.

Continuamos selecionando, até no fim ficarmos com 30 candidatos.

– Anunciaremos os selecionados esta noite. — papai comentou, por fim. — Vá se arrumar agora, Aghaté.

Saí do escritório, voltando ao meu quarto. Mika e Megan me esperavam com um banho de espuma e pétalas de rosa já pronto. Me despi e entrei na banheira, enquanto ouvia o leve som de Mozart vindo do quarto. Megan passou uma máscara vermelha em meu rosto e fiquei ali por um tempo. Quando saí, elas me esperava com um vestido verde-claro, bem elaborado. Ele era tomara-que-caia, acinturado, com detalhes em dourado. Sua saia era bem rodada, com uma barra bem franzida e uma cauda longa. Nos pés, sandálias de salto.

Mika pediu que eu sentasse e começou a mexer habilidosamente em meus cabelos castanhos. Começou com uma trança elaborada e foi enrolando-a, formando um coque no final. Megan fazia uma maquiagem não muito pesada, mas realmente bonita.

O tempo passou voando, e logo eu estava sentada em meu trono, com o Jornal Oficial prestes a começar.

– Boa noite, população de Illéa! — exclamou Gavril para a câmera em sua frente. — Estamos aqui para mais um Jornal Oficial! E esta noite, iremos conhecer os selecionados!

A câmera voltou-se para mim, e mantive o rosto em uma expressão vazia, sem expressar emoção alguma. Parte do meu futuro estava prestes a chegar ali, mas eu não poderia parecer fraca na frente de todo o país.

Fotos começaram a passar na tela, acompanhadas de nomes e castas. Vicent Derose, casta 2, Tyler Rossve, casta 3, Jared Moore, casta 3...

Eu conheceria todos aqueles rapazes em menos de uma semana. Tanto a minha vida quanto a deles mudaria completamente.

Notas finais
O que acharam? >