The Wolf on The BilgeWater
1 Capítulo 1- Os mortos não contam histórias.
Notas iniciais
A lua jazia alta, e seu brilho refletia sobre o oceano, parecia uma noite calma, e a maré estava tranquila, mas sobre ela, velejava o que anos mais tarde, tomaria para si o titulo de terror dos mares. Um navio de velas negras, velejava silenciosamente, uma parede de canhões dourados abriam buracos vermelhos em seu casco negro, o acrostólio de lobo, erguia se imponente na proa.
— Senhor, Galeão a vista, é a maldita marinha real. Esbravejou um dos marujos.
Atrás do timão, uma leve fumaça subia, e uma voz grave resmunga ao quartel-mestre " Assuma o Timão querida" e uma jovem de cachos rubros assume o leme. Descendo as escadas que dão acesso ao timão, um homem surge, Tragando lentamente seu cachimbo, branco com um crânio esculpido, os boatos que circulavam pela tripulação era que o cachimbo fora entalhado a partir dos ossos do antigo capitão do navio. Trajava botas de couro gastas, calças pretas e um manto negro repleto de adornos, circulando sua cintura uma grande faixa vermelha, um coldre descia sobre seu peito, dando espaço a 4 pistolas, sua barba era grande e negra, assim como seus cabelos, seus olhos acinzentados pareciam brilhar em prateado quase tão intensamente como o brilho da lua cheia que os observava, uma cicatriz cortava sua sobrancelha esquerda e sobre sua cabeça um grande chapéu de couro, adornado por penas longas e pretas.
— Certo rapazes, preparem os canhões, carreguem suas pistolas e ergam suas espadas, e que essa noite nos de mais sorte, sobre o paradeiro de nosso companheiro Jack.
— Ma..as, senhor, olhe o tamanho daquele galeão, ele pode nos reduzir a coral com poucos tiros senhor. Disse um dos marujos.
O capitão faz uma pausa de poucos segundos, e analisa o marujo que o dirigia a palavra olhando-o de cima a baixo, ele pergunta:
— Não me recordo de seu nome nem de seu rosto ainda marujo, isso quer dizer que és um novato em minha tripulação, estou certo disso Sophie? Parado no meio da escada o capitão vira seu rosto em direção ao leme, para aqueles que olhavam da proa a popa, a impressão que se tinha era de que o timão se movia por conta própria, mas atrás dele para quem conseguisse a enxergar, uma garota ruiva, de aproximadamente 20 anos controlava o leme imponentemente, apesar de sua pouca idade, era quase tão temível em combate quando o capitão, ela volta seu par de olhos azuis para o homem e o responde:
— Sim meu senhor, estás certo, ele veio até nós em nossa ultima parada em terra, o senhor não deve tê-lo notado, pois estava ocupado demais retirando informações do ultimo corsário juntamente ao Ghost senhor, seu nome é George meu capitão. Ao ouvir seu nome, Ghost se põe de pé, um grande lobo branco, de olhos amarelados caminha até o capitão, e parecia evidente ao marujo que o capitão agora o fitava, estava aflito quando a imagem do lobo se pós ao lado do capitão, e se os dois já eram intimidadores sozinhos, juntos era de uma pressão quase angustiante.
— George é como atendes então. O capitão caminhava em direção ao homem, tragando lentamente o cachimbo, seu olhar agora estava fixo em seus olhos, já o marujo não sabia se olhava o capitão ou cuidava para que o lobo não o atacasse, já que não era muito comum lobos ou cães em alto mar. Havia passado pouco tempo que se juntou á tripulação e nunca dera a sorte de ver a fera antes, se recordava de ouvir alguns uivos durante a noite, porém sempre julgara ser peças pregadas por sua mente logo após algumas canecas de rum.
— Devo então, mestre George, ignorar uma possível pista do paradeiro de nosso irmão pirata e deixa-lo ser enforcado, porque tens medo de afundar em uma batalha naval ? Dizia o capitão enquanto soprava uma longa baforada contra o rosto do marujo, que lacrimejava e tossia.
— Não... é isso senhor*Coff*. O marujo tentando responder, deixa de cuidar do animal e encontra os olhos do capitão relativamente perto, os olhos cinzentos pareciam olhar para dentro de sua alma, e se alimentar do pavor que eles mesmos provocavam.
— Só estou dizendo que vai colocar em risco a vida de toda sua tripulação, pela incerteza de achar ou não vosso homem capitão, e senhor eu ouvi conversas de alguns homens, e o que eu ouvi é que os demais capitães se recusaram a ir atrás do capitão Jack senhor.
O marujo se encolhia e buscava tomar distancia com o olhar do capitão sobre si, o maldito não alterava sua expressão ouvia atentamente as palavras do homem com um olhar frio e penetrante. George continuou:
— Disseram que não valia o risco e o trabalho para resgatar um bêbado imprestável, e por isso me questiono, se os outros capitães não irão fazer, porque deveríamos ?
Ao ouvir as palavras do marujo, o capitão pendeu sua cabeça para o lado e retirou o cachimbo de seus lábios com um semblante incrédulo. George notou a mudança de postura do homem imponente a sua frente e se amaldiçoou por repetir as palavras dos outros marujos que chamavam o amigo do capitão de bêbado imprestável.
—Porque fazer se outros não irão fazer? o capitão repete as palavras com um olhar perdido, buscando sentido nelas. Com veemência ele branda para toda a tripulação.
— Oras essa homem, justamente porque os outros não irão fazer! Grave bem estas palavras marujo. Eu não me tornei um pirata para ser conhecido como o Capitão que faria o que outros piratas fariam, me tornei capitão para justamente ser conhecido como o infame lobo do mar, aquele que fez tudo o que os outros capitães não tiveram coragem para fazer, minha tribulação é minha matilha de cães temíveis que se alimentam de confusão e desordem. Ao olhar para os lados, buscando desviar dos olhos que vigiavam sua alma, George vê os outros marujos olhe encarando, e sorriam ao ouvir o discurso do capitão, pareciam estranhamente confortáveis com aquilo como se compartilhassem esse estranho instinto suicida.
— Lutamos como demônios e aos que sobrevivem as nossas investidas, nos tornamos seu pesadelo mais terrível.
— Ouçam o que lhes digo homens, viemos a este mundo contra nossa vontade, gritando, cobertos de sangue e outras coisas e não me importo de sair deste mundo da mesma forma! Somos piratas George, o que nos espera não é uma vida longa e pacifica, é uma vida curta, mas repleta de sangue, espólios, rum e qualquer outro prazer carnal que desejarmos nós não pedimos permissão e muito menos perdão. O capitão puxa sua espada e a ergue para o alto, esbravejando as palavras que fariam a tripulação toda gritar em uma única voz. E NÃO HÁ DIABO QUE NOS ACUSE OU SANTO QUE NOS CONDENE PORQUE SOMOS PIRATAS SIM!!! AHAHAHAHA.
A tripulação inflamada com o discurso do capitão, gargalhavam e gritavam como loucos, até que o capitão ergue sua mão esquerda pedindo silêncio.
— Mas veja bem mestre George, como piratas, prezamos a liberdade e o livre arbítrio, você veio até nós, por livre e espontânea vontade, e por livre e espontânea vontade podes nos deixar, pois para navegar neste navio sob nossa bandeira não podes ter um coração fraco, então me responda, George, tendes um coração fraco ? Seria melhor para ti, se seguíssemos nosso caminho por águas distintas?
— Não tenho certeza se serei útil em sua tripulação senhor, talvez ... seja melhor... George evitava o olhar do capitão um sorriso constrangido aparecia em seu rosto. O Capitão caminha ao redor do marujo que olhava aflito ao lobo que agora rosnava em sua frente.
—Certo rapazes, vocês ouviram o mestre George, ele se arrepende de se tornar nosso companheiro, e deseja ir embora, desejem todos á ele uma boa viajem.
Levantando a mão o capitão da a ordem, e um dos marujos que permanecia empoleirado nas velas, longe da visão de todos desce atrás de George, o rosto deste estava coberto por um turbante e mascara, carregava de um lado do cinto uma cimitarra do outro uma pistola, cruzando seu peito dois cintos, munidos de diversas adagas. George sente algo acertar a dobradiça de suas pernas o fazendo cair de joelhos, outros dois marujos vem até o homem mascarado, com uma corrente de aparentemente dois metros, e passam envolta do corpo de George e a prendem a um cadeado.
— Paremos por um instante o navio recolham as velas e lancem a ancora ao mar, sabem o que fazer rapazes.
E sem ouvir as palavras exatas da ordem do capitão, os marujos recolhem as velas, a ancora é lançada e um grupo de marujos prepara a prancha. Feita de madeira escura, havia entalhes por entre toda a sua extremidade. George é escoltado pela ponta da espada do Mascarado, que o deixa de frente para a prancha, ao seu lado esquerdo, estava o Capitão acompanhado por sua quartel-mestre que afagava Ghost como se nada demais estivesse prestes a acontecer.
— Certo George, já pode começar a andar, rumo a liberdade. Dizia o Capitão, com um semblante sério.
— Ouviste o capitão rato, comece a andar ou teu corpo servirá de bainha para minha lamina. Esbravejou o mascarado empurrando George com a ponta da espada.
— Ora homem, então faça logo de uma vez, qualquer morte é melhor do que ir de encontro ao Titã das Profundezas. Disse George em uma voz tremula.
— Criou coragem justo agora marujo, precisaste nos dar tanto trabalho para encontrar sua bravura. Ao dizer estas palavras o homem tirou risos da tripulação, que se divertiam com a situação.
— Isso não é coragem Khalil, isso é covardia, é medo da morte, mas se a espada não o fazer andar, a fera o fará, certo garoto, pegue seu jantar. Disse o Capitão voltando sua atenção para o lobo que fazia companhia a ruiva.
Acatando a ordem de seu mestre o lobo caminha em direção do marujo acorrentado, que encima da prancha não via escolha alem de caminhar para longe do lobo, que a cada passo parecia mais próximo de si. George estava em pânico, não saberia dizer o que seria pior, o desespero da morte pela água, ou a dor de seus membros sendo dilacerados pelo animal, caminhando hora olhando para o mar, hora olhando para a besta que se aproximava, George sente a taboa entalhada cada vez menos firme, e quando vacilou a atenção ao olhar se ainda havia madeira para pisar, Ghost investe contra o marujo que por desespero escorrega e cai no oceano, afundando devido o peso das correntes, sua ultima visão é do lobo o observando afundar em meio a gélida e esmagadora escuridão do oceano.
— Guardem isso em seus íntimos rapazes, o lobo não se importa com os fracos. Diz o capitão com certa melancolia em sua voz, observando as ultimas bolhas subirem, trazendo consigo os suspiros finais de George. Em uma súbita mudança de humor, o capitão se agarrando nas cordas e se empoleirando na borda do navio, fitando agora o galeão imponente a bombordo.
— Agora mecham-se homens, com ou sem a informação que queremos, tomaremos nosso premio. Quero todas as lanternas e lamparinas apagadas, Sophie, nos aproxime sorrateiramente de nossa presa, quando estivermos perto o suficiente, quero que Khalil suba a bordo do navio inimigo, e lave seus mastros com nosso melhor óleo de baleia, pode fazer isso marujo?
— Será fácil meu senhor, mas o que farei quando estiver pronto ?
— Quero que acenda as velas para nosso jantar esse será nosso sinal para avançarmos, uma vez que tudo esteja em chamas, desça a procura de prisioneiros, não deixe que nenhum deles vejam a causa de suas morte, fiquei claro marujo? O capitão dá a ordem, voltando sua atenção para Khalil, ainda se apoiando nas cordas, as luzes iluminavam parcialmente seu rosto, tomado pelo êxtase da caçada.
—Sim senhor capitão!
E em dentro de alguns minutos de que Khalil partiu, os marujos puderam ver as colunas em chamas no galeão real, era possível ouvir a confusão no navio inimigo.
— Agora é a hora homens, preparem os canhões, carreguem os morteiros e esperem pelo meu sinal. E em pouco tempo depois da ordem do capitão, podia se ouvir o som dos sinos e cornetas anunciando que o inimigo havia notado a presença do navio que se misturava na escuridão da noite. Nas primeiras badaladas dos sinos, a ordem ecoou pelo navio.
— Tragam até eles o inferno rapazes, FOOOGOO!!! HAHAHA. Então Khalil pode ouvir o trovejar do morteiro, seguido da chuva de balas flamejantes sobre o galeão, em pouco tempo podia se ouvir o tilintar das espadas.
— Até o ultimo homem rapazes! O discurso do capitão foi interrompido no momento em que invadiu o navio inimigo, por um marinheiro que buscava um combate direto, caindo logo após o som seco da pistola.
— Sophie! anote a bravura daquele homem.
— Bravura ou tolice? na verdade não importa, estou sem tinta para a pena.
—Pode usar o sangue dele, não irá mais fazer falta a ele!. Quem me trouxer mais cabeças desses porcos terá uma bela noite em bilgewater por conta do capitão. Esbravejava o lobo do mar, já em meio ao navio inimigo.
— Quem pisar aqui morrerá! bradava a garota com animação, após Ghost rasgar um marujo audacioso ou estúpido de tentar invadir o navio. Ao julgar que o Capitão estava distraído com a sua quartel-mestre, um dos marinheiros reais tenta estocar o capitão com um mosquete brown bess, mas é surpreendido quando o homem esquiva e segura no cano do mosquete, puxando seu agressor e o acertando com a cabeça, o homem recua alguns passos com o nariz estourado para logo em seguida sentir as botas do capitão em seu abdômen o lançando para o mar.
Ao vasculhar as celas, ouvindo as promessas do capitão para com as apostas, Khalil sorri ao seus olhos irem de encontro com uma das celas, " O capitão irá gostar disso, o premio já é meu". Ao subir para o convés Khalil se depara com a imagem de vários corpos pelo convés do galeão, alguns deles eram de marujos que navegaram com ele, seus irmão de convés estavam a empilhar os corpos de seus companheiros, enquanto outros estavam levando o saque para o navio, com Sophie dando ordens ao lado de Ghost. Amarrados ao mastro do navio negro o capitão do navio agora tomado e seu quartel-mestre ouvindo o Capitão pirata discursar.
— Rapazes eis as minhas opções, vocês podem me dar a informação que desejo e assim posso obriga-los a me servirem ou posso mata-los, vocês podem me ajudar a escolher, mas tenho pressa e logo tomarei minha decisão e a farei sem remorso.
— Pro inferno com seu teatro pirata, a única coisa que ira arrancar de mim, é a informação de que provavelmente seu amante já deve estar pendurado pelos pés, e logo você irá estar também. Diz o capitão do galeão, terminando cuspindo sobre os pés do Pirata.
— Ahahaha, disso eu não tenho dúvidas meu caro, e acrescento, eles vão me pendurar bem alto, e o próprio Deus me jogará do céu e me deixará balançar um pouco. As palavras do capitão saíram com sarcasmo e profunda amargura, como se aquele fosse seu destino inevitável. Contudo com a rapidez com a qual a maré muda, as palavras frias deram lugar a um discurso sanguinário e de certo modo sábio.
— Vejo que os cavalheiro querem morrer como heróis, mas direi uma verdade a vocês rapazes! Neste mundo não existe heróis, apenas reis sedentos por poder, carrascos sedentos por sangue, e malditos piratas, sedentos por riquezas, soltem os vermes, e deem a cada um deles um barco, deixem que remem em busca de sua liberdade.
E prontamente os marujos cortam as cordas e preparam um barco.
—Senhor, tem alguém na cela do galeão que o senhor gostaria de ver. Diz Khalil se aproximando.
— É bom que valha a pena Khalil, estou sem paciência para mais recrutas chorões e vermes jurados sobre uma bandeira.
— Irá valer senhor, e irei cobrar minha recompensa por ter achado.
Ao descer as escadas, os degraus rangiam sob as botas do Capitão e seu amigo, mesmo antes de chegar ao final das escadas, era possível notar a falta de higiene e iluminação do lugar, ao andar era notável o numero de correntes, chibatas e toda sorte de instrumentos de açoite.
— Então era isso que queria me mostrar? um maldito navio negreiro usando a fachada da marinha real? não pensei que fosse ficar feliz em encontrar um desses Khalil. Disse o capitão de forma maliciosa, algo comum entre os dois ao longo de sua amizade.
—De longe essa foi sua provocação mais fraco que já me fizeste hoje, estaria o capitão perdendo o fio nas palavras?Quando as pessoas entenderem que um homem só é escravo da sua própria mente, independente da cor de sua pele, coisas como essa deixarão de ter importância.
— Falaste como um sábio, algo incomum de se ver, me pergunto se anos atrás quando nos encontramos pensava assim enquanto acorrentado.
—Tomei uma generosa quantidade de rum, enquanto assistia as velas queimarem. Mas de fato não pensava assim quando nos conhecemos, mas naquela noite não só me ofertaste a liberdade como também me fez entender que a liberdade é algo que apenas nós mesmos podemos nos dar.
— Sem mais rum pra você amigo, não quero um homem desse tamanho chorando pelo convés. Ambos riem despreocupadamente, sem nem ao menos notarem que haviam chegado em seu destino, e uma terceira risada desperta os dois, chamando a atenção dos dois para si.
— Hahaha, estava imaginando quem a maré iria trazer até mim e de todas as opções a mais improvável resolveu aparecer, se não é o Capitão Robert Wolf acertei ?
Robert sorri, como raramente seus marujos veem.
—Vejo que minha reputação me procede, já que fui reconhecido pela infame capitã Fortune, não parece estar em uma situação muito boa boneca.
Robert Wolf, histórias sobre o temível lobo do mar surgiram de repente em Bilgewater, vindo de longe, o lobo e sua tripulação de bucaneiros selvagens e hostis navegavam por todos os 13 mares saqueando e recrutando, mas nunca se soube se era rumor ou verdade, uma vez que jamais viram o navio atracado.
—Acredite em mim Capitão Wolf, eu sei muito bem o que estou fazendo. Diz a ruiva em um tom provocativo.
— E acredito que estava prestes a tomar esse navio pouco antes que meu colega a encontrasse eu presumo, porque não me conta como faria isso acorrenta pelas mãos em uma cela?
— Olha essa boca garoto ou irei...
— Irá o que ? Me sufocar com seus peitos? posso gostar disso. Disse o capitão sorrindo ao se segurar nas grades da cela, analisava o corpo da ruiva presa pelos braços por correntes, estava jogada no canto da sala, e a única iluminação era da lua que invadia por uma pequena janela arredondada que mostrava parcialmente seu rosto e o busto. Robert analisava o lugar, provavelmente a procura das chaves da cela, Khalil estava longe, na outra extremidade do lugar examinando as demais celas, procurando possíveis recrutas para tomarem o lugar dos mortos no combate. Sem muita paciência para uma "caça ao tesouro" o capitão saca uma de suas pistolas e dispara contra o cadeado que trancava as grades.
— Acha sensato me soltar marujo? posso muito bem te matar e tomar seu navio para mim.
—Você poderia tentar, e mesmo que me matasse, não passaria pela minha quartel-mestre.
Robert se encontrava imponente a frente da ruiva.
— Está muito confiante, isso poderá trazer sua ruína
— Ora, então venha me pegar e reclame para si meus tesouros e tripulação. Desafia o capitão sorrindo enquanto analisava cada curva da ruiva. Vamos Sarah, me mostre o quão temível é a Caçadora de recompensas. Ao se aproximar do rosto da ruiva, em um movimento brusco, Wolf a segura pelos pulsos, aparentemente a ruiva já havia se libertado das correntes e esperava o momento em que um desavisado se aproximasse o suficiente, em suas mãos havia uma espécie de agulha transparente mirando no meio dos olhos do homem.
—Isso foi perigoso, és uma mulher cheia de truques garota, mas acredito que essa seja uma péssima maneira de dar seus comprimentos ao homem que a libertou.
— Sua reputação não é de quem liberta e sim de quem condena. O olhar esverdeado da ruiva se fazia tão penetrante quando o acinzentados olhos do lobo, mas repentinamente sua visão turva e suas mãos vacilam, deixando o espeto transparente cair mas antes que ela encontrasse o chão ela sente seu tronco se encontrar com algo, e por reflexo, se apoia naquilo. Ao se recuperar da tontura Fortune se encontra abraçada com suas mãos no peitoral de Robert que a olhava de cima, fixamente.
— Certo, me perdoe pela indelicadeza, deixe-me compensa-la, tenho comida e bebida em meu navio, venha cear comigo e recupere suas forças poderá navegar comigo se quiser.
— E qual a minha escolha ? Diz a ruiva com o semblante irritado porém fadigado fitando o capitão.
— Nenhuma na verdade, eu poderia dizer que seria afundar juntamente ao navio de seus carrascos, mas seria um desperdício um tesouro tão belo perdido no fundo do mar, e também, já paguei meu dizimo.
— Talvez amanhã então?
— Ele se contentará com uma moeda.
Robert a pega no colo e anda em direção a saída.
— O que acha que está fazendo? me coloque no chão. Disse a ruiva erguendo a sobrancelha direita em sinal de surpresa com a atitude do homem a sua frente, chegava a ser engraçado um homem sujo de sangue demonstrando atos de um suposto cavalheirismo logo depois de tantas respostas ásperas.
— O que estou fazendo? Te carregando não é obvio? poderia te soltar se você aguentasse caminhar. Wolf dizia enquanto mantinha a sua linha de visão pouco abaixo dos olhos da ruiva.
— Se tem que fazer isso, pelo menos me olhe nos olhos enquanto fala comigo, eles estão aqui em cima.
— Sinto em te dizer ruiva, que já fiz minha escolha. Disse o homem com um sorriso perverso no rosto.
—Cafajeste, és um cachorro sabia ?
—Sim e com orgulho, tal qual acusa meu nome!
—Khalil, mande o cozinheiro preparar uma bela ceia, teremos mais uma companhia feminina para embelezar o convés essa noite, comemoremos nosso saque com boa comida, música e muito rum.
—Como quiser capitão, terei o premio que estávamos discutindo antes de chegarmos aqui ?
— Conversaremos sobre isso mais tarde, mas estou inclinado a te fazer esse agrado, levando em consideração o belo trabalho que fez essa noite.
Ao chegar no navio, a ruiva analisa a embarcação negra a sua frente.
—É uma bela fragata. Porém a bandeira lhe chama a atenção, ao invés da clássica caveira adornada, típica entre os piratas Robert ostentava o desenho da cabeça de um lobo uivando.
— Não estava brincando ao dizer que se orgulhava.
Ao embarcar no navio de velas negras, o capitão é abordado por um dos marujos.
— Tudo pronto senhor, os prisioneiro já tem seu bote e estão remando para longe do navio senhor, um deles está a nossa frente, outro foi para estibordo.
— Ótimo, ao meu sinal rapazes. E ao comando do Capitão, o Navio cuspiu fogo em direção ao capitão que remava em frente que só teve tempo de enxergar a silhueta da fragata atrás das chamas que o acertava.
— O capitão deixou um sobrevivente, os rumores é que nenhum homem vivia para contar histórias.
—Se nenhum homem viveu para contar história, quem as contava ?
— Você tem um belo lugar no inferno a sua espera Capitão.
—De fato eu tenho, e é um trono comandando todo os sete infernos o que me espera, tenho certeza que o Diabo me aguarda com as luzes acesas.
Enquanto conversavam a quartel-mestre se aproximava, com seus cachos rubros saltitando a cada passo ela pergunta.
— Quem és essa que carregas, MEU PAI O ciúme se fazia evidente nos olhos azuis e nas bochechas coradas da garota, que se aproximava pisando duro, enquanto os marujos davam passagem.
—Pai ? a ruiva em seus braços perguntara em surpresa, arqueando a sobrancelha direita.
— Certo garotas, acho que há muito a se conversar, e todas as perguntas serão respondidas, mas apenas na companhia de boa musica e rum, ergam suas vozes marujos, não encontramos nosso companheiro, mas o saque foi bom comemoremos.
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