Notas iniciais
Boa Leitura ^~^

Cambridge, Massachusetts

Flashback on

Foi o cheiro que começou a enlouquecer Hayley pouco a pouco. Não o fato de estar sozinha em um porão totalmente escuro. Levavam a mesmíssima refeição três vezes por dia. Jamais falavam com ela. Jamais tinham permitido a presença de outra pessoa no cômodo. Sem livros, sem jogos, sem diversão.

Isolamento por completo, por mais de três semanas – embora começasse a duvidar da contagem do tempo, que se baseava puramente em seu instinto. Tentava adivinhar da melhor maneira possível quando a noite caía; certificava-se de dormir apenas o que achava ser o número normal de horas de sono. As refeições ajudavam, apesar de não parecerem vir regularmente. Como se o objetivo fosse mesmo deixá-la desorientada.

Sozinha. Em um quarto desprovido de cor. Só em meio um silêncio insuportável, com um tempo ilimitado sobre o quanto precisava urgente da coisa silenciosa que lentamente ia destruindo todas as características humanas que a restava. Sangue.

Mas ela fedia, e, por alguma razão, isso a deixava com os nervos à flor da pele. Não haviam permitido que tomasse banho, assim usando suas roupas encharcadas com o sangue de algum inocente e o rosto marcado por olheiras e machucados. Não haviam lhe dado sequer uma muda de roupa limpa desde que havia sido presa ali, ou qualquer coisa com a qual pudesse se higienizar. Não tinha sequer um colchão e roupas de cama – dormia toda encolhida, com os braços enlaçados tentando conseguir algum calor em si mesmo.

Não sabia por que o fedor do próprio corpo era o que mais a apavorava. Talvez esse fato, em si, fosse um sinal de que havia perdido totalmente o controle sobre ela.

Era isso que a preocupava, por mais irracional que pudesse parecer. Recebia alimento e água suficiente para dissipar a sede; conseguia descansar bastante e se exercitava o máximo que podia naquele espaço limitado.

Alguns momentos de tédio a fizeram refletir sobre o real por que de estar ali. Recordou-se de todos os inocentes da Aldeia do Novo Mundo que matou, de sua sede por sangue humano. Também se recordava da dor de sentir todos seus ossos se quebrando para assim se tornar uma lobisomem, e saciar toda a sede que sentia dês de a manhã em que acordava até a noite. Ela sempre preferira a lua cheia, pois assim ficava mais forte. Mesmo sabendo que os pobres e vulneráveis humanos não teriam nenhuma forma de se defender.

Todas essas coisas passavam por sua mente quando se sentou com as costas contra a parede, encarando a porta com uma escrivaninha ao lado, no que supunha ser o final da manhã do seu vigésimo segundo dia como cativa no porão.

Já havia tentado incontáveis vezes abri-la a força. Também tinha verificado as gavetas da escrivaninha: vazias; nada ali, exceto o cheiro de mofo e cedro.

Continuou a olhar fixamente pela porta. Esperando. Talvez a raiva de quem é que fosse que a tinha colocado ali fosse o último fio que a ligasse à sanidade durante aquela espera interminável.

Comer. Dormir. Exercitar-se. Sede de vingança – e de sangue — . Foi essa a vida de Hayley Reed durante mais três dias. Sozinha.

No vigésimo sexto dia, a porta se abriu.

Aliviada – e ao mesmo tempo planejando sua vingança -, olhava fixamente para a brecha que se abria na grande porta de ferro reforçado. Sentiu apenas uma ligeira surpresa à entrada de seu pai – o sujeito que havia a tornado, junto com sua mãe, uma monstro – seguida por um jovem garoto elegante. Ela e seu pai trocaram olhares por vários minutos.

– Bom dia, Hayley. – ele quebrou o silêncio. A garota se levantou do chão frio, indo em direção ao pai. O garoto que antes estava ao seu lado, havia desaparecido. Talvez fugido do olhar penetrante e vingativo que havia nos olhos dela.

– Tchau, Hayley. – a voz que, provavelmente, seria do mesmo garoto que havia desaparecido soou por trás da mesma. Quando fez menção de se virar e o encarar, sentiu algo a penetrar na espinha. A dor era insuportável, se sentia como se várias agulhas estivessem perfurando sua pele de todos os ângulos possíveis. A escuridão teimava em puxá-la, e a garota teimava em não ir com ela. Mas uma hora, ela não conseguiu mais lutar, caindo no chão ecoando um baque forte pelo quarto vazio.

Notas finais
Por favor, comente o que achou do capítulo. É super importante para mim saber sua opinião ^~^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.