Ouvi uma buzina na rua. Rebecka.Peguei minha bolsa preta e corri até a porta. Eu ia para a escola com Rebecka desde da semana passada,já que meu carro estava em conserto.

Vovó ficou na varanda acenando para a gente.

– E então o que fez de bom nas férias?-perguntou Becka,já que havia passado o verão na casa do pai.

–Nada de mais-respondi encostando a cabeça na janela.

– Bom eu fiz muitas coisas legais....-ela começou a falar sobre o que havia feito nas férias,mas minha cabeça estava longe,pensando nos sonhos e nas palavras de minha avó. Mas o que aquele sonho esquisito poderia significar?

–Haley,Haley está me ouvindo?-perguntou balançando a mão livre em frente ao meu rosto.

–Sobre o que estava falando,mesmo?-perguntei

–Sobre como você esta agindo estranho,nos últimos meses.-respondeu olhando para mim.

–Não é nada,só estou um pouco cansada-menti e eu tenho certeza que ela percebeu,mas não disse nada e agradeci mentalmente por isso. O resto do caminho fomos conversando sobre coisas aleatórias,mas o assunto acabou quando Rebecka passou a reparar em um carinha que estava passando na rua.

–Uhn,que gatinho-elogiou.

–Ei,Becka,olhe pra frente.

Mas ela não ergueu o olhar ,e com o canto do olho,vi um estranho carro passar a frente do nosso...

Por um segundo,os sons da rua se dissolveram no silêncio,e era como se tudo estivesse se movendo em câmera lenta.Eu não conseguia desgrudar os olhos do carro,era só uma sensação,não uma coisa que eu conseguisse descrever. Então ele passou por nós,virando em outra direção.

Não reconheci o carro,nunca o tinha visto antes,mas não devia ser turista,pois os turistas não vem aqui nessa época do ano.

O carro era preto e tinha cara de ser esportivo,como uma ferrari,na verdade,eu estava certa de que era uma ferrari.Quando Rebecka voltou a olhar para frente o carro já havia ido embora.

–Você viu aquele carro?-perguntei para ela.

–Que carro?-respondeu com outra pergunta.

–O que acabou de passar aqui-respondi.

–Não vi nenhum carro passando por aqui.-respondeu

Mas havia um carro,não havia? Ou eu pensei que tivesse? Eu só posso estar ficando maluca!

Talvez fosse um presságio. Talvez esse ano fosse ser mais estranho do eu esperava.