Notas iniciais
E eu voltei, faltando um dia pra fazer um mês desde a última atualização! O/ *todoscomemoram* -soqn Primeiramente, eu gostaria de dizer que: FELIZ DIA DOS PROFESSORES PRO PROFESSOR MAIS LINDO E SEXY DE TODOS: N-SENSEI! ♥ ♥ ♥ Ok, agora eu começarei a falar como uma pessoa civilizada (?) Esse capítulo, na minha opinião, está meio parado. Eu usei ele mais pra fazer alguns pequenos desenvolvimentos que considero importantes mas que vocês só vão entender mais pra frente. Então não me xinguem nem me matem se esse capítulo ficou ruim, ok?! Eu me esforcei!! uwu E bom, dessa vez eu demorei (de novo) porque eu entrei em época de provas e ficou realmente complicado de sequer pensar na fic. Mas aí a minha faculdade linda me deu um feriado de 3 dias, que se tornou de 5 com o fim de semana e foi aí que eu consegui pensar em escrever isso que trago para vocês! :3 Apesar de tudo, eu espero que vocês gostem e que sacie as saudades de vocês da fic. Aproveito para avisar que se o próximo capítulo demorar mais de um mês pra sair não me persigam com tochas em chamas ;w; Porque agora, falta tipo um mês e meio pro meu período na faculdade acabar, e vocês sabem tanto quanto eu que durante as aulas a criatividade fica meio tensa e me faz escrever caps como o de hoje uwu' Então, se eu só postar depois do dia 27 de novembro *morre* (dia que eu entro de férias) DON'T KILL ME, MY COOKIES!! ಥ◡ಥ Ok, é isso aí. Boa leitura!! ~

O sinal de início das aulas soou.

Eu estava com tanto sono que quase não conseguia ficar em pé direito. Seria preciso que algo muito bom acontecesse para recuperar as minhas energias.

Saí do banheiro, e fui literalmente me arrastando até a sala de aula, onde eu pretendia me aconchegar na minha carteira e passar o resto do dia dormindo. E assim eu fiz. Abaixei o meu rosto na superfície da mesa e o envolvi com os meus braços, a fim de diminuir a claridade local.

Eu estava me saindo muito bem. Já estava prestes a mergulhar em um sonho. Contudo, minha mente é acordada por um grito estridente e muito familiar:

– TOU, TOOOU!! E-eu, ga-ga-ganhei!! I-ingressos! – Bianca não dizia coisa com coisa, apenas se sacudia aleatoriamente que nem uma maluca com dois pedaços de papel na mão.

Eu, que já estava sem paciência por conta do sono, puxei o seu braço bruscamente, a fim de ver o que ela estava segurando. Aparentemente, eram ingressos para algum evento que aconteceria hoje na casa de eventos Black City, que ao começar a ler o título em letras douradas, dizendo “Golden Johto”, já me fez entender o motivo da felicidade da loira, e algo me dizia, que a coisa boa para recuperar as minhas energias, acabava de acontecer.

– V-V-VOCÊ C-CONSEGIU I-INGRESSOS PRO SHOW DOS GOLDEN JOHTO?!!?!?! – exclamei, sem conseguir conter a minha felicidade.

– Na verdade foi o papai que conseguiu!! Ele ganhou ontem no escritório! E como ele sabe que é a nossa banda favorita, decidiu nos presentear com os ingressos! – ela respondeu com um sorriso de orelha a orelha.

Abracei a Bianca com toda a força que restava em meu corpo. Eu e ela irmos assistir a um show dos Golden Johto ao vivo, era como um sonho. Eu e a Bianca sempre fomos apaixonadas pelas músicas dessa banda desde a nossa pré adolescência, e jamais poderíamos imaginar que iríamos ter a chance de assisti-los tocar ao vivo! Pelo simples fato deles serem músicos da região de Johto já nos tirava as esperanças. Mas agora... isso! Os Golden Johto vindo para Unova é como um acontecimento único em nossas vidas que nós precisamos viver juntas!!

– Mas... Bianca... – hesitei um pouco antes de continuar – o Black não vai se incomodar de você sair à noite... sabe... sem ele, para um show?

– Ah, Tou, não esquenta com isso! Por algum motivo estranho da humanidade o Black não gosta dos Golden Johto. – ela comentou sem jeito.

– O quê?! Quem não gosta dos Golden Johto?! Pessoas com o gosto musical do Black devem ser raridades no mundo! – brinquei.

– Haha! É verdade! – a loira riu – Se eu ainda namorasse o Cheren, tenho certeza que ele ia ficar tão doido ou até mais que você se soubesse desses ingressos. Ele tem todos os CDs dos Golden Johto que já saíram até hoje!

Estranhamente essa era a primeira vez desde que a Bianca e o Black começaram a namorar que ela falava sobre o Cheren. Bom, isso significa que ela ao menos ainda pensa nele com carinho. Mas confesso que o seu jeito de sorrir ao falar sobre ele foi um tanto suspeito.

– Mas, deixando isso de lado... O quê aconteceu com você, Tou? Você está com uma cara de sono horrível! Não dormiu bem essa noite?

– Entããão... – comecei sorrindo sem jeito – Essa é uma longa história que depois eu te conto... É melhor eu dormir agora para ter energias mais tarde! – comentei encabulada.

– Ah, certo! Vou pra educação física então! Nos vemos mais tarde! – ela finalizou sorrindo.

Abaixei a cabeça mais uma vez e suspirei.

x-x-x

Luzes de holofotes apontam para a banda que toca no centro do palco uma das minhas músicas favoritas. Ao meu redor, todos ali presentes dançavam, sorriam e conseguiam ser felizes com o poder da música penetrando e percorrendo suas veias, como se tomasse o lugar de seu sangue.

O ambiente estava muito iluminado e colorido, mas ao mesmo tempo, conseguia me sentir próxima da escuridão. Logo atrás de mim, uma escuridão infinita me assistia, como se estivesse esperando por mim. Me desejando. Me provocando.

Sinto um enorme calafrio me percorrer pela espinha. Volto a olhar pra frente, onde a parte colorida daquele show estava. De repente, começo a ver pessoas conhecidas, Bianca, Mei, Cheren, Black e até mesmo a mamãe. O que todos eles estão fazendo aqui? Afinal, não estou no show do Golden Johto...?

A música para. Um silêncio terrível penetra os meus tímpanos. E paulatinamente, é como se a opacidade das pessoas ali presentes começasse a diminuir, junto com a minha visão delas. A cor, e a luminosidade do local também decidem começar a seguir o mesmo rumo. E, ao mesmo tempo, é como se a escuridão ficasse cada vez mais forte.

Subitamente, sinto uma mão quente tocar no meu ombro por trás. Me assusto, e o calafrio que percorre a espinha volta a tona como um choque elétrico pelo meu corpo. Rapidamente, me viro para trás, e lá estava ele, imerso na escuridão, e ao mesmo tempo, tão próximo de mim.

N? O que ele está fazendo aqui?

Tento abrir a minha boca para falar. Mas nada sai. E quando me dou por percebida, não consigo mais me mexer. Apenas consigo assistir a imagem do homem que faz meu coração bater mais forte, se aproximando cada vez mais, e levando suas mãos ao encontro do meu rosto.

Por quê ele está tão sombrio desse jeito? N-n-ão! Eu não quero beijá-lo desse jeito!

– AAAH! – abro os olhos assustada, quase caindo para trás.

– Ah, finalmente você acordou. Pensei que teria que fazer isso eu mesmo. – uma voz familiar comentou, em um tom de deboche.

Cabelos verdes presos em um rabo de cavalo. Olhos da mesma cor. Um olhar sereno e um sorriso provocante estava bem à diante.

Sinto o meu rosto esquentar, e a minha maior vontade no momento era de desaparecer. Ouço risadas alheias vindo da turma ao meu redor e alguns cochichos ao meu respeito.

– P-poxa vida! P-por que v-você não me deixou dormir?! – sussurrei raivosamente.

– Na minha aula eu quero você bem acordada. – ele comentou, lançando-me mais um de seus sorrisos serenos, ao voltar-se para direção do quadro.

Me espreguiço.

Então... foi um sonho? E o que isso quis dizer? Foi um sonho tão esquisito... Como se... todos fossem ir para longe de mim... Não, não! Até parece que isso tem alguma chance de acontecer! Hahahaha!

Bom, de qualquer forma, essa já é a última aula do dia mesmo. Quero dizer, além da minha aula de recuperação. Mas eu pretendo falar com o N que não vai dar para eu assistir a aula hoje. Afinal, eu tenho que me preparar para o show!

Durante o restante da aula, aproveitei para admirá-lo um pouco, já que por hoje não o veria mais. Enquanto ele explicava o conteúdo, seu olhar passava por todos os alunos da turma, e por algum motivo, quando nossos olhos se encontravam, seu sorriso aumentava. Isso me deixava um tanto nervosa e fazia com que eu me questionasse incansavelmente sobre o assunto. No final das contas, acabou como sempre, com suas palavras entrando por um ouvido e saindo pelo outro, para que eu pudesse dedicar 100% da minha concentração na minha visão, a qual estava completamente voltada para ele.

Pouco tempo depois, para a minha felicidade, o sinal soou, declarando o término da aula. Assim, me levantei na mesma hora, já me dirigindo na sua direção. Mas antes que pudesse chamá-lo, ele foi mais rápido, arqueando a sobrancelha, e fazendo um sinal com a mão para que eu me aproximasse.

Como eu já estava no caminho, apenas continuei. E, ao ficar paralela a ele, assinto para que fale.

– Sei que isso vai ser irresponsabilidade minha como professor, mas... Eu realmente não poderei te dar aula hoje. Tenho um compromisso muito importante. Sinto muito. Podemos repor essa aula depois, está bem?

Não consegui esconder o sorriso que brotou instantaneamente no meu rosto, e algo me dizia, que ele havia percebido isso.

N abriu a boca para começar a falar, mas logo a fechou, mudando de ideia, e estampou um sorriso.

– Nesse caso... Eu vou indo então. E não se preocupe sobre a minha aula! Até amanhã! – respondi, esbanjando felicidade, ao sair o mais rápido possível de dentro daquele lugar.

Ao pisar com o pé para fora da escola, saquei o celular da bolsa, avisando a Bianca que passaria em casa me arrumar e logo depois, iria para casa dela.

E assim eu fiz. Chegando em casa, decidi tomar um banho, e logo depois, com o corpo e os cabelos enrolados em duas toalhas, fui para o meu quarto a fim de decidir o que usar numa noite tão especial.

Eu nunca havia ido em um show, e na realidade eu não sabia que tipo de roupa eu deveria usar e nem como seria o ambiente do evento. Mas, como é um evento especial, e eu sempre gosto de me arrumar para eventos especiais... Por que não ousar um... vestido?

A ideia me constrangia um pouco. Não era e nunca foi do meu feitio usar vestidos. Eu só usava saias diariamente pela obrigação do uniforme escolar. Mas, ao mesmo tempo em que me sentia envergonhada pela ideia, eu também gostava. Gostava da ideia de poder me sentir bonita para ir no show da minha banda favorita.

Sem pensar muito, antes que eu mudasse de ideia, abri o armário e peguei o primeiro vestido que vi. Era apenas um vestido azul escuro casual, porém um pouco sexy, de apenas uma manga e com uma saia evasê, justa em cima e bem aberta embaixo, indo até a altura dos joelhos. Nos pés, coloquei uma sapatilha preta, e nos cabelos, amarrei-os como de costume, com um laço da mesma cor do vestido.

Ao me olhar no espelho, não pude evitar de sorrir. Eu estava me achando realmente linda, e feliz por estar pensando dessa forma.

Puxa vida... quando eu quero, eu realmente consigo me arrumar bem... Como eu queria que o N pudesse me ver desse jeito... Aposto que ele iria me achar ainda mais bonita................ O-o-oquê e-e-estou d-d-dizendo?!

Sacudi o rosto para os lados a fim de me afastar da vergonha. No fundo eu sabia que o que eu tinha pensado era verdade, eu só não queria admitir isso.

Sem mais delongas, peguei a minha pequena bolsa de couro preta, com apenas meu celular dentro, e parti para a casa da Bianca.

O caminho até lá, foi o suficiente para me tranquilizar para o show. O leve toque da brisa de final da tarde no meu rosto me proporcionava uma sensação de serenidade completa, fazendo-me sentir incrivelmente feliz. É incrível como a felicidade pode bater na nossa porta nas horas mais inusitadas. E eu gostava disso.

DONG.

O soar da campainha me retirava do mundo dos sonhos. E em questão de segundos, a minha loira favorita aparece bem diante dos meus olhos, radiante e esbanjando a sua beleza como uma verdadeira rosa branca.

– Hoooy, Tooou! Animada? – ela perguntou, sorrindo ao inclinar a cabeça levemente para o lado.

– Animada? Eu nasci animada para esse momento. – brinquei, adentrando a residência.

Bianca estava realmente linda. Eu sei que já comentei isso, mas ela estava mesmo! A loira usava um vestido verde escuro de mangas curtas, colado no corpo, contornando todas as suas curvas, e com a sua saia atingindo a altura dos joelhos. No pescoço, um colar de esmeraldas a adornava, e nos pés, um par de sapatilhas pretas, similares, porém não iguais, as minhas.

– B... você não está muito... han... chique para um show? – perguntei um pouco sem graça, ao subir às escadas que dariam para o quarto da loira, visto que a tomboy aqui estava de vestido.

Bianca corou no ato. Ficou sem reação por alguns segundos e balbuciou algumas palavras, que após refletir um pouco, consegui entender o que estava sendo dito:

– Vv-v-você a-a-cha m-mesmo...? E-eu não sabia o que usar... N-nunca fui num show!

Apenas consegui encarar a situação e gargalhar. Gargalhar até que não conseguisse mais. Na realidade, eu não estava rindo pelo jeito como a Bianca reagiu a minha pergunta. Eu estava rindo porque aconteceu o mesmo comigo. E é por essas e outras que o sentimento forte de amizade e de identificação que eu tenho pela Bianca, por mais que ao mesmo tempo sejamos bem diferentes, volta à tona, fazendo-me sentir no mínimo sortuda por ter alguém assim do meu lado.

– D-d-d-oque v-v-ocê está rindo?!?! – ela indagou com maçãs explodindo nas suas bochechas.

– Hahaha! Não é nada não! É só que eu apenas me divirto com esse seu jeito bobo de ser! – comentei, tentando conter as risadas com os dedos sobre a boca.

– Hunf! Tudo bem... – ela bufou, ao fechar a porta do quarto – Mas afinal, o que aconteceu para você ter estado tão cansada o dia todo?

Ironicamente, dessa vez, foi a sua pergunta que fez com que o meu rosto se camuflasse em tons escarlates, deixando a loira ainda mais intrigada pelo o que estava prestes a ouvir.

– Digamos que... eeerrmm... Eu tenha ficado presa... Não... não presa... – dei uma pausa, me perdendo com as palavras e os pensamentos – Eu passei a noite na escola com o N.

Bianca começou a tossir adoidadamente, quase caindo no chão branquinho do seu quarto.

– O que foi?! O que foi que eu disse de errado?! – exclamei, sentindo as minhas bochechas esquentarem ainda mais com a reação da loira.

– Tou... vocês já... avançaram tanto assim? – ela perguntou, corada, com os olhos arregalados.

– P-P-POR QUÊ V-V-OCÊ SS-EMPRE A-A-ACHA QUE EU F-F-IZ ESSAS COISAS?!?!?!?! – explodi com um misto de vergonha e raiva para cima dela.

– Ermm... – ela murmurou – É só que de vez em quando me parece ser do seu feitio fazer esse tipo de coisa... – ela comentou sem jeito, admitindo as barbaridades que ela pensava ao meu respeito.

– Do meu feitio?! – indaguei — Quero dizer... eu só... toquei nele enquanto ele estava dormind-

– VOCÊ O QUÊ?!?! – Bianca exclamou ainda mais alto, tão vermelha quanto eu.

– B-B-B-IANCA!! O QUE VOCÊ ANDA PENSANDO HEIN?!?!

– E-eu não estou pensando nada de errado!! Você que tem que tomar mais cuidado com as suas palavras, Tou! Caso o contrário... vai ser mal interpretada!

Um minuto de silêncio se fez entre nós. Um minuto de silêncio dramático, o qual eu passei refletindo sobre as palavras que eu dissera.

– B-b-bianca, por quê não me falou isso antes?!?!?! – exclamei, com o rosto em chamas.

– M-m-mas, eu tentei te avisar!! – a loira retrucou, também esbanjando vermelhidão.

Por sorte, o nosso mico coletivo que ficou entre quatro paredes foi interrompido pelas três batidas que foram dadas na porta do quarto da Bianca. Breves segundos depois, a porta se abre, e podemos ver o rosto do pai da loira, que sorri para nós:

– Desculpe interromper meninas, mas... está na hora de levá-las para o show, caso não queiram se atrás-

– SIM, POR FAVOR, NOS LEVE!!! – exclamamos em coro, conseguindo sentir os fogos de artifício que deviam estar explodindo dentro dos nossos olhos.

O pai da Bianca riu, abrindo caminho para que nós passássemos.

x-x-x

Entramos no carro e saímos da garagem. Diante de nós, uma noite, com toda a certeza, marcante e inesquecível estava prestes a começar. O caminho noturno até a Black City parecia até mesmo mais bonito. Dava a impressão de que as estrelas e a lua brilhavam mais do que nunca, e que todas as nuvens tinham decidido tirar um cochilo longe dali. Acho que a magia da felicidade é realmente capaz de fazer esse tipo de coisa.

O tempo que passamos no carro foi bem relaxante. Eu e Bianca ficamos, na verdade, bem quietas, apenas apreciando a paisagem e descansando ao som das músicas do rádio, muito provavelmente, para termos toda a nossa energia na hora do show.

Chegando já perto do local, o pai de Bianca nos deu algumas instruções e alertas de segurança para nos precavemos, dentre elas, o fato de que deveríamos ficar juntas o evento inteiro, e avisou que à meia-noite em ponto estaria na porta da Black City para nos levar de volta pra casa. Nós estávamos tão animadas que acho que nem prestamos tanta atenção nos detalhes, mas tudo bem, valeu a intenção.

Saindo do carro, tudo ao nosso redor parecia um sonho, ou até mais do que isso, um conto de fadas. Parecia que pela primeira vez na vida o tal do mundinho cor de rosa se tornava realidade, nos fazendo acreditar que só por estarmos realmente vivendo esse momento, tudo seria possível. Simplesmente tudo, daqui pra frente.

– Vamos, Tou! Vamos concretizar esse sonho! – afirmou a loira sorrindo, ao me puxar pela mão direita.

– Certo! – assenti, devolvendo-a um sorriso tão belo quanto o seu, seguindo os seus passos em direção à entrada do evento.

Após alguns minutos na fila, que, paradoxalmente, parecia que ficava cada vez maior conforme as pessoas iam entrando na casa, nós finalmente conseguimos adentrar a Black City.

Lá dentro, não havia ainda nenhum sinal dos Golden Johto, mas ao nosso redor, pelo menos em relação às pessoas que já tinham entrado, todos estavam bem vestidos e elegantes, e havia também muitos grupos de amigos, todos animados e ansiosos por essa noite. O ambiente era bem similar com o que eu conhecia de uma boate no universo cinematográfico, com um globo espelhado no centro do teto, inúmeras luzes de holofotes espalhadas pelo salão e duas enormes mesas de comes e bebes nas duas extremidades do local.

Eram seis e quarenta e cinco, o início do show estava previsto para às sete horas, e eu realmente me perguntava se conseguiriam colocar todo o público dentro do evento em tão pouco tempo. Mas parece que o tempo conspirou ao nosso favor, e quando faltavam poucos segundos para às sete horas, já conseguia ver a casa lotada e com as luzes já começando a diminuir, anunciando que a estreia dos Golden Johto em Unova estava próxima.

– Senhoras e senhores, com vocês, os Golden Johto!!! – uma voz estridente soando pelos enormes alto falantes tomava conta de todo o salão.

No exato momento em que a voz conclui sua fala, todos ao nosso redor começaram a vibrar, balançar suas luzes de neon portáteis e clamar pelos nomes dos componentes da banda.

Os Golden Johto eram realmente incríveis, compostos por seis participantes extremamente talentosos e fundamentais para o equilíbrio e a harmonia sonora do grupo. Dentre eles, Falkner, o baixista, Bugsy, o baterista, Whitney, a tecladista, Morty, o guitarrista, Jasmine, a violinista, e por último, mas não menos importante, Clair, a vocal, que por vezes fazia duetos com o Morty.

A música começou a tocar, tomando conta de nossos ouvidos, e explodindo dentro dos nossos corações. Todos começaram a cantar em coro e a dançar ritmadamente em conjunto. A festa mal havia começado e já estava espetacular!

Falando em espetacular... o meu senso de direção era uma coisa! Bastou o ambiente inteiro se agitar que eu já consegui perder a Bianca de vista. Eu mereço uma salva de palmas por isso.

Com isso, eu acabei ficando dividida entre curtir o show e a ficar obsecada procurando a loira com os olhos, e parecia que quanto mais eu me esforçava mais parecia ser em vão os meus esforços. Algo me dizia que eu não iria encontrá-la tão cedo, e se encontrasse, seria pura sorte.

– Touko! – ouço uma voz familiar me chamando bem no ouvido, e quando me viro para trás, me surpreendo.

– Cheren! – exclamo bem alto ao sorrir – Há quanto tempo! Que surpresa te encontrar por aqui! Na verdade, nem deveria ser, Bianca comentou o quanto você é fã dos Golden Johto! Eu estava até precisando te agradecer, graças à você as minhas not-

– Você está linda. – ele me cortou, me pegando de surpresa, e fazendo minhas bochechas esquentarem.

– Ahahaha! Obrigada! Mas você precisava ver a Bianca! Ela sim está incrív-

– Você está realmente linda. – ele reforçou, me deixando ainda mais sem graça que antes.

O que deu nele? Eu não conseguia entender. Tudo bem que eu realmente acreditava sobre eu estar bonita, mas... Ouvir o Cheren falando isso para mim me deixava com uma pulga atrás da orelha. Afinal, não é todo dia que você vê o ex da sua melhor amiga te elogiando assim.

– O-obrigada.... errmm... – o que mais eu poderia dizer?

De repente, sinto a sua mão tocando as minhas costas, e subitamente, ele me puxa ao seu encontro. Posso sentir a sua respiração no meu rosto, e nossos corpos se encostando com pequenos movimentos. Minhas bochechas ardem de surpresa. O que está acontecendo? Por que ele está agindo assim?

– Essa é a minha música favorita... por favor... dance comigo. – ele sussurrou em um dos meus ouvidos.

Eu fiquei muda, apenas conseguindo prestar atenção na música ambiente, que dominava o local. Mas... mas... essa também é a música favorita da Bianca...

Antes que eu pudesse respondê-lo, Cheren já me conduzia para a dança. Mas eu sabia mais do que ninguém que isso estava errado.

– Cheren, não! Eu não posso! – exclamei – Você sabe tanto quanto eu que isso é errado! E além disso, a Bianca também está aqui! Se ela ver isso, não quero nem imaginar o que pode acontec-

– Ela me chutou, Touko. Ela me chutou para ficar com aquele amiguinho de infância dela idiota. Ela não tem mais absolutamente nada a ver com a minha vida e eu com a dela. Se ela me ver com outra garota, independente de quem seja, não importa! Não é como se eu já não tivesse sofrido o suficiente vendo ela com aquele imbecil! – ele falou raivosamente em um dos meus ouvidos, segurando com força o meu braço esquerdo.

Ele estava tremendo. Eu conseguia sentir.

No fundo, eu também sabia que o Cheren estava certo. Mas, ao mesmo tempo, é praticamente um consenso entre amigos do mundo todo de que não se deve agir de modo suspeito com o ex ou a ex dos seus amigos. E eu sei que estou certa em relação aos meus sentimentos e que eu definitivamente nunca faria nada com o Cheren. Mas confesso que ele está agindo de forma estranha, parece estar um pouco fora de si, e o fato de tremer e sentir-se inseguro só comprova que no fundo, no fundo, a loira ainda deve ter um lugar especial no seu coração. Mas fatos são fatos, e ele com certeza criou um vazio dentro dele, um vazio que ele parece querer preencher desesperadamente.

– Agora que você entende... – ele comentou, ao me puxar mais uma vez para uma dança.

– Não Cheren! Acho que foi você que não entendeu! Eu não posso preencher o seu vazio! – exclamei irritada, ao me soltar do moreno, que arregalou os olhos com a minha reação.

Assim, dei de costas, e sai dali, voltando a tentar encontrar a loira, que pelos meus cálculos já estava sumida por uma hora. Por mais que eu quisesse encontrá-la para curtirmos o show dos nossos sonhos juntas, uma voz dentro de mim também me dizia para desistir e aproveitar logo por mim mesma antes que fosse tarde demais.

E parecia que essa voz estava certa. Eu só poderia estar vivendo mesmo um sonho. E um sonho bem inusitado.

Cabelos verdes presos em um rabo de cavalo. Olhos da mesma cor, que me encaravam, arregalados. Pele branquinha e lisa, com as bochechas escarlates me provocando.

Ironicamente, eu também estava assim. Meu rosto explodia em chamas e os meus olhos não conseguiam acreditar no que estavam vendo, que ele estava realmente ali. O homem dos meus sonhos, no show dos meus sonhos.

Ele é realmente lindo. E estava realmente lindo. Com sua camisa social verde escura, acompanhada de uma gravata cumprida preta, da mesma cor da calça e dos sapatos sociais, ele conseguia prender completamente a minha atenção. Era como se a música ambiente tivesse parado de tocar no momento em que o vi, para que eu pudesse apenas apreciá-lo, admirá-lo. Quero dizer, tirando a garrafa de álcool na sua mão.

Subitamente, a música volta à tona nos meus ouvidos. O N havia sumido. Parecia que varias pessoas haviam se metido no nosso caminho, impedindo-nos de nos ver.

Aproveito o momento para respirar e tentar me acalmar. Meu rosto ainda estava pegando fogo, e a minha respiração estava ofegante. Como ele consegue fazer isso comigo?! E q-quer dizer que esse era o compromisso tão importante que ele tinha?!

Eu precisava me acalmar, precisava me acalmar de algum jeito. Tudo era bom demais para ser verdade, e no momento, me senti até mal por agradecer mentalmente pela Bianca ter sumido.

Agora, eu não sabia mais por quem eu devia procurar.

– Gracinha, está sozinha? – ouço uma voz falar próxima a minha orelha esquerda.

Me viro assustada, e me deparo com dois caras jovens e bonitos, mas ao mesmo tempo com uma aura assustadora, que deviam ter mais ou menos a mesma idade do N.

Nem os respondi. Me virei de costas, a fim de dar o fora dali.

– Ei! Onde você pensa que vai?! — um deles exclamou, segurando o meu braço esquerdo com muita força – Se está sozinha, venha se divertir conosco. Sabe, nós temos uma reserva em um motel aqui perto para depois do show... – ele finalizou, segurando o riso.

Tento me soltar. Mas sem resultados, apenas consigo exclamar, com toda a raiva dos meus pulmões:

– Saiam daqui! Apenas me soltem, e me deixem encontrar a minha amiga!!

Eles riram. Eles riram de modo sarcástico e nojento.

– Ué, se estava acompanhada de uma amiga por que não disse antes? – outro deles perguntou ironicamente.

– Se quer tanto encontrá-la, podemos ajudá-la, e depois ela pode ir se divertir com a gente também. – o primeiro comentou rindo.

Acho que foi com esse tipo de coisa que o pai da Bianca mandou a gente ter cuidado. E algo me dizia, que eu acabava de me meter numa encrenca das grandes. Eu precisava dar um jeito de me soltar daqueles caras e fugir. Não entendo como o tipo de gente deles é capaz de vir em um show dos Golden Johto. Mas eu devia saber que esse tipo está em todos os lugares.

O desespero estava batendo a porta, fazendo-me lembrar da experiência horrível que tive mês passado. Mas que daquela vez, ele tinha aparecido para me salvar.

É, isso mesmo, ele me salvou.

Como mágica, sinto uma mão quente, e bem familiar, pousar na minha cintura, puxando-me para seu encontro.

Cabelos verdes presos em um rabo de cavalo. Olhos da mesma cor. Lindo e elegante, fazendo o meu rosto esquentar. Ele definitivamente tinha aparecido para me salvar.

– Algum problema? – ele perguntou, encarando furiosamente os dois sujeitos, ainda segurando a maldita garrafa de bebida na sua mão livre.

– Ih, qual foi. Por acaso ouviu nossos planos e quer se juntar a nós depois do show? – o mais alto deles indagou sarcasticamente.

– Só fique sabendo que não vai ter mulher pra você. – o outro comentou, ainda entre risadas.

– Eu só vim aqui ensinar a dois idiotas que eles não devem se meter com a namorada dos outros. – ele comentou seriamente.

Namorada? Na-na-namorada? N-N-N-N-AMORADA?!?!?!

O q-q-que d-deu no N?!?!

Meu rosto estava em erupção vulcânica. E eu havia paralisado por completo. Eu não conseguia entender mais nada do que estava acontecendo. A única coisa que eu sabia era como eu estava incrivelmente nervosa e com o coração quase pulando para fora do peito.

– Ah, então quer dizer que ela é sua garota? Desculpa aí, mas não acredito não. Vai ter que provar. – o idiota mais alto falou.

P-p-provar?!?!?!

Olhei timidamente de relance para o N. O mesmo estava com um leve sorriso estampado no rosto, o que me deixou ainda mais nervosa. Assim, rapidamente, ele levou a garrafa até a boca, bebendo todo o restante do líquido que ela ainda continha, largando-a, logo depois no chão, onde se espatifou em cacos. E, em súbito, me levantou no colo, com uma mão me segurando nas pernas, e a outra nas costas, como se fossemos recém casados, me levando ao encontro do seu rosto.

Meu coração definitivamente iria explodir, assim como o resto do meu corpo. Prensei os meus olhos com força, o suficiente para eles ficarem enrugados, aguardando pelo seu beijo que eu tanto esperei, mesmo que eu não sonhasse com ele sendo dessa forma, ou nesse tipo de situação.

E assim, sinto um toque de lábios quentes, macios, delicados e quase agradáveis, por culpa do odor alcoólico, entrando em contato com o meu... nariz?

Permanecemos assim por algum tempo, ainda de olhos fechados, esperando pelo o que poderia vir depois.

– Eeermm... Tudo bem, tudo bem, cara... A gente já entendeu que vocês estão juntos... P-podem parar de se beijar agora... Foi mal... – o mais baixo dos idiotas comentou sem graça, saindo de perto de nós com o seu amigo.

Parece que do ângulo que eles nos viram, eles acreditaram mesmo que o N estava me dando um longo beijo na boca. Quem me dera!

Ao olhar para seu rosto, mais uma dez, de relance, percebo que ele também estava me olhando, o que me constrangeu um pouco, fazendo com que eu precisasse cortar o clima:

– N-n-n-n! O-o-oque d-deu em v-você?! – indaguei com as bochechas em chamas ao fitar o chão.

Ele sorriu. Ele sorriu de um jeito muito bobo.

– Eu apenas não consegui resistir, afinal, você tem ideia do quão está linda vestida desse jeito?

Minhas bochechas arderam ainda mais. No fundo eu sabia que era isso o que eu mais queria ouvir: o N me elogiando pelo jeito que eu me arrumei para esse show. Mas eu não suportava a ideia de ficar um silencio dramático depois disso, por mais que eu não soubesse o que responder.

– Então... quer dizer que você gosta dos Golden Johto? – perguntei, para mudar de assunto.

– Quem não gosta? – ele respondeu brincando.

Eu ri. Feliz por descobrir mais alguma coisa ao seu respeito. Nós gostamos da mesma banda. E uma banda incrível.

Minha mente então estala para a realidade, fazendo-me perceber que mesmo depois de tudo que aconteceu eu ainda não tinha encontrado a Bianca, e o show já devia estar quase acabando.

Eu não tinha outra escolha:

– N! Você pode me ajudar? Eu estava com a Bianca, mas nós perdemos uma a outra de vista bem no começo do show, e nós ainda não nos encontramos! Estou preocupada que caras como aqueles resolvam fazer algo com ela! Ela está sozinha!

– Claro, mas só se você me conceder essa dança primeiro. – ele declarou, ao estender uma de suas mãos na minha direção.

– M-m-mas...!! – corei – Eu sou sua aluna... não seria perigoso fazer isso...? Ainda mais num lugar tão cheio como esse?

Ele sorriu.

– Você é minha aluna na escola, aqui não.

Sua resposta fez o meu coração acelerar. E assim, timidamente, segurei a sua mão, olhando envergonhada para os lados, e por fim, lançando-lhe um sorriso encabulado.

Ele como esperado, me devolveu um sorriso.

Um sorriso lindo.

Continua...

Notas finais
Se você leu o capítulo até aqui, muito obrigada! E por favor, não se esqueça de comentar, a sua opinião é muito importante pra mim! ♥ P.S: Continuem acompanhando a fic, não vão se arrepender!! ♥ ♥ ♥