The Wiltshire' Mission
3 Capítulo 3 - Hermione Granger
Sai da sala do Director com a cabeça feita em água. Tinham sido duas horas fechadas naquele gabinete a falar apenas da família Malfoy e no que consistia a missão, que resumidamente e fazendo das palavras de Pansy as minhas, seriamos amas do filho de Narcisa Malfoy.
O director pediu-nos sigilo da missão e que não comentássemos com mais ninguém. Ninguém podia saber que íamos viver para a Mansão Malfoy. Toda a informação da missão estava codificada no tablet que trazíamos nas mãos, no qual deveríamos estudar, desde as plantas da Mansão, filiações e negócios. Queria saber quem era o rapaz, mas não havia muitas fotos da família, nem Mrs. Narcisa facultou, mas uma das fotos, onde estavam os três, o rapaz devia ter dez, onze anos.
Outra informação que estava lá era sobre a família Parkison. Eu sabia que ela vinha de uma família muito abastada com grandes cargos na política, ela sempre quis deixar isso bem claro naqueles anos, e era tudo o que sabia sobre ela, tirando a parte de que era uma mimada com mania das grandezas. Quando li sobre a morte do irmão e sobre as circunstâncias, as notícias seguintes sobre a família, o internamento da mãe num hospital psiquiátrico, percebi-me que havia muito mais por trás daquela imagem de menina mimada e arrogante. O Director pediu para ficar a falar com ela, dispensando-me. Avisou que teríamos uma semana para tratar de tudo para partir.
Eu olhei para o relógio, eram quase nove da noite mas ainda liguei para minha casa para saber como estavam os meus pais, se havia novidades e se tinha corrido bem o dia, um pequeno ritual que não demorava mais que 5 minutos, era só para me certificar que estava tudo bem com eles.
Luna vinha a sair do Salão Nobre quando me viu – Hermione! Por favor, diz-me que está tudo bem contigo e que já tens uma missão, porque, por deus, Ginny está pronta para começar uma revolução se não tiveres sido seleccionada para alguma!
Eu ri e agradeci pelas duas estarem na minha vida – Fui, mas não posso falar sobre isso… Além disso, estou a morrer de fome! – puxei Luna comigo de volta ao salão Nobre – O que ela ia realmente fazer? – perguntei curiosa e Luna riu, contando-me sobre o plano maligno de Ginny.
Era meia-noite e eu continuava sem sono, olhando para todas as informações que precisava de saber sobre a minha missão. Parecia ser a coisa mais fácil de sempre, não parecendo uma missão que nos levasse a ter muitos problemas. Estava à espera de uma coisa mais do género uma revolta com a máfia italiana. Pelo menos seria menos entediante.
O telemóvel vibrou ao meu lado e sem olhar realmente para ele peguei-o, enquando terminava de ler uma notícia recente sobre Narcisa. Ela era das mulheres mais bonitas que eu conhecia. Sofisticada, toda ela gritava realeza, dinheiro e bom gosto.
Finalmente eu olhei para o meu telemóvel que já vibrava com outra mensagem.
Pansy Parkison
Na sala comum Granger…
Pansy Parkison
Agora!
Eu devia ignorar as mensagens e simplesmente dizer que só vi quando acordei, mas eu estava um pouco… Vá, um pouco não, muito curiosa para saber como estava Pansy. Ela tinha ficado muito calada e séria a olhar para o ecrã quando o Director começou a falar das relações entre a família Malfoy e as restantes da Elite. Eu tinha que ir, era mais forte que eu.
Sai do quarto em direcção à Sala Comum onde ela estava à minha espera.
— Finalmente – disse arrogante quando cheguei ao pé dela e comecei a questionar-me se tinha sido boa ideia ter vindo até ela – Achas que tenho o tempo todo para estar à tua espera? – bufou irritada e eu tentei ser razoável.
— Estava a…
— Não me interessa – interrompeu-me e eu cerrei os lábios. Ok, eu ia deixar passar aquela porque sei que ela não está bem. Deu-me uma mala que eu reconheci como minha – O Director pediu-me para entregar-te isto.
— Não me tinha apercebido que a tinha deixado lá – pegando na pequena mala que eu tinha deixando no escritório do Director e estranhando o porquê de ela ter vindo trazê-la, tal situação só mostrava que ela não estava bem – Obrigada e… Lamento muito Pansy sobre o teu irmão.
Mal a vi a vir na minha direcção, fazendo-me quase tropeçar de susto com a sua aproximação e o olhar lívido dela deu-me calafrios – Estás proibida de comentar sobre isso com alguém, nem mesmo com a lunática e cenoura ambulante, entendeste? Não são assuntos teus!
E com isto deixou-me sozinha naquela sala, sem palavras.
A semana passou depressa demais e quando dei por mim era domingo.
Luna estava a ajudar-me a fazer a mala, enquanto Ginny ia bufando sobre o tédio que seria sem mim a escola e claro, a razão de lhes contar mais sobre a missão. Fui sincera quando lhes disse que não sabia o que me esperava do outro lado, o que era verdade. Pansy recusou-se a falar comigo durante toda aquela semana e eu já sabia toda a informação que havia nos documentos passados pelo Director.
Tal como a família de Pansy, Ginny e Luna também tinham as famílias naquele processo mas nada que já não soubesse do que me tinham contado: o pai de Ginny tinha um cargo político regional e o pai de Luna era editor de uma das revistas mais influentes do Reino Unido. Tudo o que estava lá não era nada de novo e não tinham grandes ligações com a família Malfoy.
— Ginny por amor de deus, eu não vou para outro planeta. Acredito que venha mais cedo para cá antes de vocês sequer sentirem a minha falta… — suspirei enquanto colocava toda a roupa dentro da mala que Luna tinha dobrado.
— Não sei se é verdade, mas vou fingir que sim – suspirou Ginny, olhando para os livros que eu tinha escolhido levar – Livros Hermione?
— Claro, nunca são demais…
— Devias levar roupa interior mais sexy Hermione, não vais para um convento. Não vai haver rapazes giros na missão? Talvez vivas um romance tórrido como nos teus livros, nesta tua missão super secreta.
— Oh sim, isso realmente vai mesmo acontecer – puxei o livro das mãos dela e coloquei na mala.
— O que bem que te faria uma valente brincadeira de pernas com um desconhecido, sexo escaldante e desconhecido, não é Luna?
— Eu… Eu não sei… — disse envergonhada e apressou-se a ir buscar os meus produtos da casa de banho, olhei para Ginny que sorria inocente, e abanei a cabeça. Ginny adorava picar, mas havia assuntos que não eram fáceis nem para mim, quanto mais para Luna. Aquilo que sabia sobre “brincadeira de pernas” era o que acontecia nos livros e nada mais. Os beijos trocados com um rapaz naquelas férias não me tinham feito despertar os calores e desejos que os livros tanto falavam. Era tudo muito bonito na teórica, mas na prática a realidade era muito diferente.
O telemóvel vibrou em cima da minha mesa-de-cabeceira e Ginny aprontou-se a pegar nele. Teria que lhe explicar novamente o que significava a palavra privacidade – Professora Hooch está a solicitar a tua presença no laboratório dela – disse enquanto lia a mensagem que eu tinha recebido — Achas que ela vai dar aparelhos super tecno para a missão? Era super! Deixas-me ver? — disse mais entusiasmada com a ideia do que eu.
Retirei-lhe o telemóvel da mão – Não sei, mas seria interessante ver o que ela tem para nós… Não vamos precisar de nada de mais, talvez algum equipamento de vigilância.
— Nenhuma arma atordoante?
— Ginny, não vou lidar com criminosos nem com a máfia.
— Que decepção. Já agora quem é o borrachinho que te mandou mensagem há pouco?
— Meu deus Ginny, não sabes o que é privacidade? – bufei irritada, mas tinha vontade de rir.
— Estou a zelar pelos interesses da minha amiga. Quem é? Algum amor de Verão? Deste-lhe o teu “botão de pureza”? – brincou ela.
— Não é ninguém, deus, controla-te! – atirei-lhe com a cabeceira mas ela desviou-se a rir – És insuportável! Falas como se já tivesses dado o teu – imitei-a fazendo aspas nas palavras – “botão de pureza” a alguém…
Ela bateu as pestanas enquanto se acomodava-se novamente na cama – Será preciso ele beijar o chão aos meus pés para lhe dar o meu botão… E depois poderá continuar a beijar pela perna acima até ao botão! – olhando sugestivamente para mim, com aquele sorriso diabólico.
Luna estava a chegar e voltou para dentro da casa de banho novamente, argumentando que se esqueceu da pasta de dentes.
— Ok! – levantei os braços derrotada – Não quero ouvir mais nada! Coitada da Luna por te aturar sozinha…
— Ela adora-me! Como dizes nem vamos sentir a tua falta! – sorriu quando me abraçou e foi atrás de Luna até à casa de banho. Abanei a cabeça e terminei a minha mala.
Fale com o autor