The Wiltshire' Mission
20 Capítulo 20 - Theo Nott - Bónus
As memórias que tenho da minha mãe?
Não tenho, não me lembro do rosto dela, do cheiro, do sorriso.
Nada.
Na escola que andava era olhado de lado porque era o órfão de mãe com o pai preso, vivendo com uma tia velhota porque era a minha única parente viva. A minha vida não era feliz. Tinha doze anos e não sentia que era feliz, se é que isso existisse. As visitas à prisão eram um inferno, quando a minha tia obrigada a vestir-me aquela camisa xadrezada apertada com os botões até ao pescoço por dentro daquelas calças castanhas e sapatos apertados porque não havia dinheiro para luxos, com o cabelo penteado para trás. Aquela era a roupa de domingo segundo ela que devia ser só usada na ida à missa ou nas visitas ao meu pai. Sentado naquele banco de metal quando esperava pelo meu pai, sufocando com o colarinho apertado, era sempre uma ansiedade no meu peito. A minha tia nunca falava dos motivos do meu pai ser preso mas o falatório era que ele tinha matado a minha mãe. Eu não queria acreditar nisso porque sempre que o meu pai passava por aquela porta blindada, acorrentado dos pés aos braços, eu via o sorriso que ele me mandava e não o sentia como um assassino. Eu levava desenhos, as minhas notas e alguma sobremesa decadente que a tia arranjava num minimercado, dizendo que era o suficiente. Mas ele disse que não se importava com isso, que só a minha presença ali era o suficiente. Até um dia perguntar se eu era feliz com a tia. O que lhe podia dizer? Que ela era má quando eu tirava uma bolacha do pote e batia-me quando eu corria pelo jardim ou subia às árvores, rasgando as roupas com as brincadeiras de crianças. Que eu não sabia o que era sentir carinho quando me deitava, como os meus colegas de escola? Eu não dizia nada, encolhia os ombros e dizia apenas que estava tudo bem.
Até um dia ser resgatado pelos Malfoy depois de a minha tia ser internada e não ter condições de continuar a cuidar de uma criança. O meu pai tinha dito que seriam eles agora a tomar conta de mim, passariam a ser os meus tutores legais e foi assim que fui parar à Mansão, deixando aquela escola e vila infernal no norte, mudar-me para o sul de Inglaterra, a Narcisa Malfoy começou a ser a figura maternal que me deu pela primeira vez, desde que me conhecia como gente, carinho e amor que não sabia que existia, tratando-me como um filho, apesar dos ciúmes de Draco. Ele fez-me a vida de inferno nos dois anos seguintes, porque achava que eu estava a roubar-lhe a mãe. Narcisa era carinhosa comigo, nos primeiros dias eu não conseguia dormir por estar num lugar estranho, então muitas das noites ela passava comigo até eu adormecer, cuidou que tivesse tudo aquilo que necessitava quer material quer emocional, mimando algumas vezes com pequenos presentes e fez a minha primeira festa de aniversário. Nunca tinha mais que um simples bolo levado para a escola para me cantarem os parabéns. Nunca foi uma data feliz. Mas Narcisa fez com que aquele dia fosse sempre especial, e a primeira festa convidou todos os amigos do filho para uma festa na Mansão, deixaram-me comer os doces que quis sem medo que ralhassem comigo, recebi presentes que guardava com carinho e dormi com a sensação de que era amado. Janeiro nunca tinha sido o meu mês preferido mas desde dos meus treze, adorava. Narcisa foi e é a minha mãe de coração. Lucius também cuidou de mim e agradeço aos dois pelo que fizeram por mim, nunca me fizeram sentir que era um intruso mas sim como um membro da família.
Draco foi o irmão ciumento até ao dia que fizemos o pacto de sangue, mantendo o segredo entre nós e a nossa amizade começou. Tínhamos ambos quinze anos e Narcisa tinha proibido de irmos às festas da vila porque eramos demasiados novos por “vadiar por ai”, palavras dela, já que eles encontravam-se fora em trabalho durante aquela semana. Incentivado por Draco, fomos mesmo contra as ordens dela, pegando num dos carros da família e lá fomos. Exagero foi o que houve nessa noite, principalmente quando Draco resolveu experimentar drogas que estavam a ser distribuídas por um dos rapazes mais velhos quem tínhamos encontrado a vaguear pelas festas. Eu achei má ideia, uma coisa era erva e já tinha experimentado, outra coisa eram aquelas pastilhas manhosas, ameaçando que se ele tomasse e morresse por causa daquilo, deixava-o numa valeta, contava a Narcisa que ele tinha fugido para a China e eu passaria a ser o único filho dela. Draco riu, batendo nas minhas costas para não ser tão preocupado e puxou-me de volta à Mansão para experimentar. Previsivelmente, ele teve uma bad trip e eu pensei mesmo que ele morria. Com medo que Narcisa descobrisse se fôssemos ao hospital e que me reencaminhasse para o norte e Draco para um colégio militar (ela não era capaz, pois não? Pois…), agarrei-o e enfiei dentro da banheira com o chuveiro na água fria, obrigando a beber muita água. Foi uma noite terrível, eu queria mata-lo por me deixar preocupado sempre que ele fechava os olhos. Jurei que se ele morresse ia ao inferno e trazia-o de novo só para o matar pela preocupação que ele me estava a dar. Aquilo ficou entre nós os dois e fiz desaparecer o resto das pastilhas pela sanita abaixo. Eramos mesmo putos, quando Draco agradeceu-me e estendeu a mão, dizendo que lhe tinha salvado a vida. Quis fazer o pacto naquela hora, que estava pronto para me aceitar como irmão e eu disse que ele estava maluco se ia tocar no sangue dele ainda contaminado. Draco soltou uma gargalhada, e foi a partir daquele dia que viramos irmãos.
Os Malfoy eram a minha família desde dos meus doze anos.
Quando fiz os 16 anos, além do jantar todo pomposo que Narcisa adorava organizar, era o dia que ia visitar o meu pai à prisão, as visitas já não eram semanais como antes passado a ser mensais e as vezes nem isso, era mesmo quando dava jeito, ainda era uma vigem longa mesmo com a ajuda dos Malfoy, não gostava de abusar da boa vontade deles e exigir que levassem todos os meses até ao norte. Já tinha pedido a Lucius para ajudar o meu pia a sair da cadeia mas e referiu que o processo era complicado, as provas eram muitas e nenhum juiz daria a liberdade com provas tão incorruptíveis. Eu não acreditava que o meu pai era assassino, nunca acreditei e naquela tarde, quando ele me contou a verdade por trás da sua prisão, achando que eu devia saber toda a verdade agora que já tinha idade para entender, fiquei a saber quem realmente era o assassino.
O meu pai nunca falava da minha mãe, e ouvi-lo a falar, deu-me um aperto no coração.
**FLASHBACK IN**
A luz piscava e estava a irritar Theo, enquanto aguarda pela chegada do pai. Lucius estava sentado ao seu lado com aquele elegante terno negro de três peças e camisa branca, como advogado que era. Já o rapaz trazia a nova camisa que Narcisa lhe ofereça naquela manha e colocou a gravata verde a pedido dela, para mostrar ao pai que já estava um homem. Theo não conseguia evitar, mesmo que odiasse aquela gravata, ele ia usar porque Narcisa Malfoy tinha pedido. Draco não foi por ser dia de semana, a mãe não ia deixar que ele faltasse às aulas. Estavam ali apenas os dois e Theo já desesperava com a demora. Foi quando a porta abriu e um homem a coxear entrou, arrastado por um guarda. Theo olhou para o pai sem entender. O mais velho Nott estava com o rosto com marcado e um alto negro numa das faces, lábio rachado e o olho meio fechado. Aquilo fez ferver o sangue a Theo.
— O que aconteceu? – exigiu saber olhando para o guarda que o escoltou, mas foi sem sucesso, este já lhe estava a virar as costas e voltar pela porta onde tinha entrado.
— O que te aconteceu? Quem fez isto? – foi a vez de questionar Lucius para o amigo e ele apenas um olhar significativo.
Aquela troca de olhares não passou despercebido de Theo.
— Quem foi pai? Nós temos que os processar!
— Filho foi apenas por causa de um maço de tabaco – sorriu, mas só o esforço gemeu de dor – Hoje é um dia especial para te preocupares com o teu velhote… Estás um homem, ainda me lembro quando nasceste – Theo revirou os olhos, deixando a assunto anterior para o lado. O pai ia começar com o cliché de todos os pais, a recordar o nacimento do primogénito – Tu pregaste uma partida – virou-se para Lucius com um sorriso orgulhoso — só devia nascer daí a um mês e quando Emily sentiu as pontadas, resmungou que o filho era apressado como o pai, quando eu entrei em pânico, ela andou calmamente pelo apartamento como nada fosse, tomou banho, fez a mala… Mulher incrível – deu um sorriso saudoso – Quando chegamos ao hospital, eu não percebi como é que ela estava tão calma e era ela que me pedia para respirar fundo. Uma hora depois, nascias e já gritavas com toda a força, só acalmaste quando a tua mãe agarrou – Theo ouvia fascinado porque nunca tinha ouvido sobre o seu nascimento, ou melhor quase nunca falaram da mãe. No fundo sentia que tinha sido amado por aquela mulher – Foi dos melhores dias da minha vida.
Theo sorriu com aquela revelação. Não sabia o que dizer porque não tinha palavras.
— E agora aqui está um homem, 16 anos depois – disse Lucius colocando a mão no ombro do rapaz – Um prodígio da bola e seria dos estudos se focasse mais nos livros que nas miúdas…
— Ei! – resmungou Theo e olhou para o pai, que sorria orgulhoso.
O tempo deles ali passou a correr chegando quase a hora de se despedir do pai. Aquelas visitas sabiam a pouco mas era melhor que nada.
— Fico feliz por ver que estás bem e feliz.
— Estaria feliz se estivesses connosco e fora desta maldita prisão…
— Theo…
— Porque continuas preso? Porque não pedes recurso? Quando podes pedir para reverem a pena por bom comportamento? – o pai dele olhou para Lucius e este levantou as mãos, para se livrar de qualquer culpa sobre isso.
— Theo, já falamos sobre isso, eu não vou sair daqui.
— Estás a dizer que é um assassino?
— Não!
— Então?
— Não posso e não quero. Posso não ter morto a tua mãe, mas sou o culpado e o sangue dela está nas minhas mãos! — gritou fazendo as pessoas que estavam na sala a olhar para ele e ele respirou fundo para falar mais baixo – Theo, preciso que entendas, eu não pretendo sair daqui. E se tivesse oportunidade, há pessoas lá fora que vão fazer de tudo para eu ficar aqui dentro. Alias, neste momento, estou mais seguro aqui dentro do que lá fora…
— Vê-se – apontando para o rosto magoado do pai – E quem podia querer que ficasses aqui? Como é que estás seguro aqui dentro se tens a cara feito num farrapa?
— Theodore – começou Lucius e ambos olharam para ele, fazendo-o reviram os olhos. Ambos tinham o mesmo nome e as expressões de irritação eram muito semelhantes.
— Lucius, peço que vás lá para fora, quero falar com o meu filho acho que está na hora de lhe contar a verdade…
— Qual verdade?
— Tens a certeza? – ignorando a pergunta do mais novo.
Theodore Nott acenou com a cabeça e Lucius levantou-se apertando o casaco do terno. Deu um sorriso ao garoto e saiu. Theo não deixou de olhar para o rosto do pai.
**FLASHBACK OUT**
A mudança para o chalé foi uma decisão tomada depois de ter comunicado que iria viver sozinho, já era quase adulto e iria mudar-se para um apartamento na cidade, perto do colégio. Tinha algumas economias, umas boas economias quando foi ao banco e olhei para o extrato, que o meu pai deu acesso: uma conta que era da minha mãe e que a justiça não tinha confiscado, outra que eles tinham criado quando eu nasci a pensarem no meu futuro, iria usa-lo para pagar uma renda, pagar os estudos e retribuir o dinheiro que os Malfoy tinham gasto com ele. Narcisa ficou furiosa comigo quando aparecia com uma parte do dinheiro para eles e sentiu-se ofendida por mim, porque para ela, eu tinha sido como um filho e não como uma obrigação. Não me falou durante dois dias e eu ao terceiro dia, já me sentido uma besta-quadrada, fui ter com ela com um ramo de rosas, sugestão de Lucius, e com um pedido de desculpas. Dias depois ela informou que ia reformar o chalé ao lado dos estábulos e eu iria morar para lá, já que queria o meu espaço. Nem discuti, outra das sugestões de Lucius, e uma semana depois já estava a viver no chalé, mas continuava a ir jantar à Mansão, a pedido de Narcisa.
A conversa que tinha tido no início do ano ainda martelava no meu pensamento e só queria arranjar uma forma de o tirar da prisão, provar a inocência dele. Claro que sempre mencionava isso, o meu pai discutiu a e pedia para eu ficar longe de problemas. Que não mexesse no ninho de vespas.
O tempo foi passado.
Com isto, duas novas inquilinas chegaram à propriedade dos Malfoy. Hermione era uma das pessoas adoráveis, inteligentes, uma fofa sempre com um sorriso e uma mão amiga quando necessário. Tirando o pequeno stress que teve com Draco, o problema é que ninguém rejeitava um Malfoy e Draco magoado envolveu-se com a mais nova dos Greengrass, feito tolo.
Já Pansy... Pansy, Pansy era o demónio de pessoa. Deu-me a volta à cabeça com aquela frieza e indiferença sempre que falava para mim, deixava-me com mais pica, mesmo quando se enrolou com Blaise. Fiquei furioso claro, ela era minha, Blaise podia ter todas as miúdas que quisesse, mas teve que escolher logo a que eu tinha interesse, que não era passageiro, apercebi-me. Claro que não ia admitir isso, eu gostava daquele jogo do gato e do rato. Sei que não me portei muitas vezes bem, mas queria provocar ciúmes, mas não sei se isso deu resultado porque ela parecia sempre mais envolvida com Blaise, logo o feitiço tinha virado para mim e eu morria de ciúmes por dentro sempre que os via juntos. Os ciúmes eram um monstro horrível e Blaise era meu amigo, eu devia respeita-lo, mas foi mais forte que eu quando me envolvi com ela. Tinha sido o dia de visita ao meu pai, e mais uma vez não tinha sido uma visita pacífica, já que ele apresentava novos hematomas no rosto. Quando ela apareceu no fim da noite, quando ela ficou ali comigo quando eu estava feito um farrapo, apercebi-me que estava apaixonado por ela. Grande erro pensar que ela sentia o mesmo por mim e nessa semana, eu pensava que ela ia deixar Blaise, mas não! Informa que vai com ele ao jantar de Natal dos Malfoy, na minha cara. Tentei controlar, não podia ser um rapaz possessivo, tinha que controlar. Ai, mulheres. São a desgraça de um gajo, sem dúvida, todas aquelas curvas e atitudes, nunca pode vir daí nada de bom.
Na noite do jantar, revoltado com a vida e com Pansy, convidei Daphne para me acompanhar, primeiro porque era uma boa companhia e segundo porque ia irritar, esperava eu, Pansy. Só que tudo naquele jantar não correu como esperado, desde da troca de segredinhos entre Blaise e Pansy até à chegada dele.
Do homem que destrui a minha família e deu cabo da vida do meu pai.
***FLASHBACK IN***
— Pai, pára por favor de enrolar e conta-me a verdade. Isto já começa a ser ridículo, estou cansado.
— Theo, preciso que prometas que tudo o que eu te contar fica entre nós.
— Sim... — disse o mais novo já aborrecido com aquela demora.
— Óptimo, porque vais pedir ao Malfoy que te de acesso ao cofre da tua mãe, ele sabe – apressou-se a dizer ao ver o olhar interrogativo do filho – eu precisava de manter aquela conta em segredo até teres idade. Ela é tua como herdeiro… Usa sabiamente.
— O que tem essa conta?
— Tudo o que necessitas saber. Tudo começou quando eu apaixonei-me pela Emily, todos disseram que me tinha apaixonado pela mulher errada mas eu não acreditava nisso. Eu apaixonei-me pela pessoa certa, ela era o amor da minha vida, a minha companheira e não mudava nada sobre os meus sentimentos por ela – ele começou e parecia ausente – resumidamente, Emily era uma linda mulher de pele clara com longos cabelos negros e olhos enigmáticos. Eu apaixonei-me por ela quando a vi pela primeira vez, ela parecia uma boneca de porcelana, delicada. Só que eu não sabia que ela era cobiçada por outro homem. Na altura, eu fazia alguns… Trabalhos, para Tom Riddle – Theo queria interromper para questionar quem era esse homem mas o pai levantou a mão fazendo calar – Espera filho, deixa-me continuar. Tom Riddle era um homem que estava a começar um grande império e começou a ter muitas pessoas influentes ao seu lado, tudo começou com um pequeno negócio de contrabando e poder, até que ele foi eliminando a concorrência à sua volta e passou a ser o maior traficante de Inglaterra. Claro que ninguém o conhecia, ele movia-se por entre os pingos da chuva tinha sempre representantes, bodes expiatórios, nada associado directamente a ele que o incriminasse.
Theo ouvia aquelo sem acreditar no que estava a ouvir. O pai trabalhava para um traficante? Ele traficava. Ele era um criminoso. Estava chocado com toda aquela revelação.
— Emily era filha de um dos colaboradores dele, eu não sabia do interesse que ele tinha por ela. Quando envolvi com a tua mãe foi das melhores coisas que me aconteceu, era um raio de luz na minha vida. Aprendi da maneira mais dolorosa que eu não podia mexer com os “brinquedos” de Tom Riddle. Emily não era propriedade dele mas tratava-a como tal, não vou alongar muito sobre esse tempo, apenas que assim que recuperei da surra que levei, abri o meu coração à tua mãe, despedi-me dela, fugiria das amarras de Tom Riddle e iria começar noutra ponta do país uma nova vida, tinha vinte anos, o mundo estava à minha espera, poderia começar em qualquer lado. Ela só me questionou quando partiríamos e eu fiquei parvo para a minha vida, não queria que ela tornasse uma fugitiva como eu, por outro estava em êxtase por ela vir comigo sem eu lhe pedir – os olhos estavam cheios de água quando recordava-se daquele tempo, fungando um pouco antes de continuar – Claro que há consequências e Tom Riddle foi atrás de nós. Eu por muitas vezes pedia para ela voltar, ela não queria deixar-me e discutíamos. Eu não achava que ela era feliz a fugir. Dois anos de um lado para o outro sempre com receio de ser apanhados por ele. Até ela chegar ao pé de mim e dar-me a notícia que estava grávida. Choramos juntos daquela boa nova. Eu tinha que vos proteger e foi quando mudamos para a pequena aldeia de onde era a minha mãe, ainda tinha um familiar viva e foi que lá ficamos. Foram 3 anos que vivemos felizes, eras um lindo bebé cheio de vida. Ser mãe deixava Emily mais bonita se é que era possível, estava tão radiante como mãe, queria mais filhos. Eu preocupava-me se seria seguro ter mais filhos, mas eu tinha-lhe dado até a lua se ela pedisse. Tinhas três anos quando Emily descobriu que estava grávida – e as lagrimas começaram a correr pelo rosto cheio de hematomas.
Teo teve um baque no peito quando viu o pai a chorar e começou a fazer contas. A mãe tinha falecido quando ele tinha três anos. Ela estava grávida quando morreu.
Depois de um momento entre soluços e respirar fundo, Theodore Nott olhou para o filho e continuou – Ela queria uma menina, e já fazia planos, serias o irmão que a protegeria de tudo, tomarias conta dela quando fosse para a escola e que serias tu a ensina-la a andar de carro – ele desviou o olhar do filho, encarando as mãos como se estivesse a ver algo nelas – Não sei como ele nos encontrou mas tínhamos acabado de sair de uma consulta quando vi que estávamos a ser seguidos. Soube quem era mesmo antes de nos baterem e mandarem para fora da estrada — parou para apanhar folego, Theo também tinha lagrimas a correr pelo rosto mas não disse nada queria ouvir o resto — o impacto foi tão grande que capotamos durante um pouco e saímos da rua. Eu estava consciente mas a Emily não me respondeu, continuava presa e imóvel. Ouço passos na nossa direcção e vejo quatro pares de sapatos a vir na nossa direcção. Eu estava preso dentro do carro ao contrário e tentava soltar mas estava muito difícil — as memórias eram demasiado dolorosas, sentia o pânico daqueles momentos – um deles era o Tom, e foi quando percebi que era o nosso fim. Deixei de lutar ele se baixou e me encarou e… — abanou a cabeça, não conseguia continuar e Theo agarrou na mão do pai.
— Está tudo bem, está tudo bem.
O mais velho fungou – Desculpa, devia ser eu no lugar dela, ela devia ter sobrevivido…
— Mas como +e que vieste parar à cadeia? Como foste acusado de homicídio? — perguntou o filho tempo depois, quando viu que o pai estava mais calmo mas não foi a tempo da resposta do pai, porque vieram chama-lo com o fim do tempo da visita. O ia pediu que ele verificasse o cofre, lá tinha todas as respostas que procurava.
Dias depois, Lucius dava acesso ao cofre da mãe de Theo Nott, onde estavam cópias de documentos, esquemas, fotos, dinheiro.
***FLASHBACK OUT***
Eu estava tão chocado com o que tinha acabado de acontecer que nem sabia como reagir, parecia que tudo não passava de um sonho ou uma realidade alternativa, encarava aquelas duas estranhas, porque elas eram neste momento duas estranhas. Eu parecia que estava num filme de acção, onde era só porrada de um lado para o outro. Ainda não conseguia assimilar que elas sabiam dar uma coça naqueles gajos, porque elas deram realmente uma valente coça neles. Não pensei duas vezes quando vi um deles a apertar o pescoço de Hermione, automaticamente agarrei numa das cadeiras de jardim e desci sobre as costas do homem que largou pelo menos por uns segundos e, ok, eu não estava a espera do que vinha a seguir e petrifiquei quando Hermione deu dois tiros no homem. Mas o que raio estava acontecer, meu deus, pensei eu quando largava a cadeira e olhava chocado. Ela acabou de matar uma pessoa, ela deu dois tiros, ela... Ok, o que raio está acontecer.
Pansy correu para a amiga que vomitava tripas e coração, chorosa.
Eu passei as minhas mãos pelo cabelo olhando em volta — O que vocês são? Ninjas? — só podia ser aquela a explicação, eu estava chocado com toda aquela situação e quando Pansy olhou para mim é que reparei no braço dela a correr sangue, aquilo era muito sangue — ESTÁS A SANGRAR! — quase que avancei para ela mas algo me fez travar como se estivesse com receio de me aproximar. Como assim Theo, aquela era Pansy, a miúda que te deu cabo do juízo.
— Não é nada de mais... — disse ela quando apertava a ferida e eu engoli em seco. Só conseguia encara-las. Mas que merda tinha acontecido? Quem eram estes homens? O que estavam ali a fazer? Como é que entraram na mansão? Onde estava os seguranças dos Malfoy?
— O que aconteceu? — ouvi e vim uma mulher loira, por momentos o meu cérebro deu uma branca, mas logo começou a processar, era Narcisa Malfoy junto delas. Draco e Lucius mais atrás, chocados.
O que tinha acontecido, isso era uma boa pergunta, comecei a tentar lembrar do que tinha acontecido momentos atrás – Tiros – comecei eu – estava a falar com Pansy na cozinha, e de repente ela puxa-me para baixo e só ouço disparos por todo o lado, imensos disparos na nossa direcção – apontando para o chalé – está tudo destruído lá dentro e depois fugimos aqui, para o jardim e Hermione… — apontei para ela – estava, estava a lutar? Eu não sei, parecia que estava a lutar com um deles e Pansy cravou uma estaca no braço do outro, eu dei com uma cadeira em cima de outro, depois Hermione tinha uma arma, eu não, isto aprece tudo tão surreal…
— Eu vou chamar a polícia – começou Lucius, pegando já no telemóvel-
— Não! – interrompeu Narcisa – Vou ligar para os meus contactos, é a melhor opção.
— Como assim mãe? Temos que chamar a polícia! Acabaram de tentar de os matar, precisamos chamar a polícia!
— Filho, para o nosso bem, é melhor não envolver a polícia, vai levantar muitas perguntas…
Eu olhava apenas para eles sem me manifestar. Era como se estivesse num mudo paralelo. Aquilo tinha mesmo acontecido? A correr apareceu Mr. Dobby que informou que já tinha chamado as autoridades e Narcisa suspirou pedido que o marido ligasse para Hogwarts. Espera, isso não era a escola de Pansy e Hermione? Quando virei-me para questionar sobre isso a Pansy, só a vi cambalear quando se levantou e cair para trás.
Eu e Hermione gritamos o nome dela antes de ela cair inconsciente no chão.
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