The Wiltshire' Mission

2 Capítulo 2 - Pansy Parkinson


O meu pé batia constantemente no soalho de madeira do gabinete do Director à espera do que ele tinha para dizer. Tinham passado 5 minutos e ainda não tínhamos trocado qualquer tipo de palavra, apenas um sorriso por parte dele, que retribuiu rápido mas desmanchou assim que ele voltou a olhar para o ecrã. Haja paciência, bufei irritada, olhando em volta da sala coberta com estantes preenchidas de livros e quadros dos antigos directores da escola.

Se aquilo era para testar a minha paciência, eu comecei a achar que não ia passar no teste, porque a paciência já se tinha evaporado há muito e foi quando abri a boca para questionar o porquê de ali estar quando a porta abriu atrás de mim. Olhei para trás e cerrei os lábios.

A Sabe Tudo acabara de entrar, revirei os olhos. Ainda não tinha começado o ano, como é que podíamos já ter sido chamadas ao gabinete do Director. A minha pessoa nem tinha feito nada para a irritar, ainda.

O Director parou de teclar freneticamente e falou, finalmente — Entre, entre menina Granger estávamos mesmo à sua espera — Granger apercebeu-se da minha presença e não consegui deixar de lhe mandar um sorriso sarcástico. Eu não estava à espera dela, apenas tinha sido convocada para aquele gabinete sem qualquer explicação. Ela sentou-se ao meu lado e não troquei qualquer tipo de palavra com ela, porque o que queria falar não seria vem visto aos olhos do Director — Ainda bem que se pode juntar a nós porque estou mesmo ansioso para falar com as duas.

Eu já sabia o que vinha dali: sexto ano seria o ano das tréguas, de deixar o passado para trás e começarmo-nos a respeitar, já eramos crescidinhas, sem bocas, sem agressões, sem escândalos. Pois sim, se era isso, era perda de tempo. O meu passatempo preferido era atormentar aquela Sabe Tudo.

Ainda com um sorriso, passou um tablet para cada uma e encostou-se no grande cadeirão, fiquei à espera que dissesse mais alguma coisa antes de eu olhar para o ecrã negro — Peço desculpa pela demora, sei que estiveram a aguardar por este momento o dia todo, mas como esta é uma missão muito importante, deixei para último.

Missão, claro! Como é que eu podia não ter pensado nisso. O meu coração começou a acelerar, eu tinha conseguido a missão mais importante de todas. Mas porque é que a Sabe Tudo estava ali quando eu ia saber sobre a minha missão?

Olhei para ela que já carregava no ecrã, a minha curiosidade também era mórbida mas não ia ser desesperada ao mostrar isso. O olhar que Granger deu ao Director deixou-me cheia de curiosidade e liguei o ecrã para ver o porquê de tanta confusão no rosto dela.

Só um nome no meu ecrã: Malfoy.

Claro que eu sabia quem era aquela família. Uma das mais influentes famílias, das 28 famílias mais importantes e ricas de todo o Reino Unido. A Elite, era assim que o meu pai mencionava sempre que queria falar das melhores famílias, incluído a nossa.

— Malfoy, Director? – questionou Granger ao meu lado, fazendo-me questionar a razão de ela a ter a mesma missão que eu.

— Sim, meninas. Foram escolhidas para uma missão muito especial e para ajudar uma das nossas melhores e antigas alunas — olhei atentamente para ele — Narcisa recorreu a um dos nossos professores e pediu a nossa ajuda. Nunca viramos as costas a um membro da nossa escola, por muito que já tenham passado 20 anos, serão sempre família... A sua família está a passar por uma situação que requer a nossa máxima atenção e por isso escolhi-vos para acompanharem...

— Desculpe Director acabou de dizer Narcisa? Está a falar de Narcisa Black? — interrompeu Granger novamente eu bufei irritada por ela não se calar.

— Narcisa Malfoy agora — quase guinchei quando ouvi uma voz suave atrás de mim e agradeci pelo meu controlo. Eu já me tinha levantado e olhava para a mulher loira que se encontrava à porta com o nosso Prof. Snape. O seu fato, à medida, verde-escuro, cabelo num elegante apanhado e as jóias brilhantes nas orelhas só realçavam a elegância da mulher que só por si era bonita, e quantas vezes não tinha olhado para aquele rosto que estava junto ao da minha mãe numa das quantas infinitas molduras espalhadas por casa.

Todas sabíamos quem era Narcisa Black, estava no nosso quadro de honra. Melhor aluna, delegada de turma, coroada como rainha no baile do seu sétimo ano. Ela era um modelo a seguir, ali na escola. Mas foi apenas isso, porque quando terminou os estudos, teve um ano em missão top secreta que ninguém mencionava e ninguém ao certo sabia do que se tratava, ela saiu da vida de espia e casou-se com Lucius Malfoy, passando a ser a matriarca da família. Lembrei-me dos poucos jantares que tiveram a presença dos dois lá em casa, quando a ama me obrigava ir para o quarto porque era um jantar de adultos e as crianças não eram permitidas.

— Deixe-me apresentar as nossas alunas, Hermione e Pansy são as melhores alunas do sexto ano — mencionou o Director e eu ergui um sorriso cordial para a mulher, que nos olhava de alto a baixo. Senti-me intimidada por ela, será que sabia quem eu era? Será que se lembrava da minha mãe? Perguntas e perguntas a rondar a minha cabeça mas mantive-me serena e sem descuidar do meu sorriso. Sentia a Granger a fazer o mesmo.

— Boa noite – cumprimentou e voltando-se para o homem de barba, fez um pedido — Director gostava de ter uma palavra consigo antes de ir, se puder ser – informou Narcisa Malfoy para o nosso Director que acenou com a cabeça e fez sinal para aguardar uns minutos que ele já voltava.

Quando a porta se fechou atrás dos três, eu virei-me para Granger e suspirei – Sabes o que isto significa? — ela acenou com a cabeça — Iremos trabalhar juntas na mesma missão, eu e tu, juntas e essa missão é a família Malfoy, que é só uma das mais abastadas e influentes famílias, não sei se sabes o que é isso – sorri de lado fazendo Granger corar — São da Elite, Granger!

— Eu sei o que são Parkinson!

— Só não entendo porque o Director escolheu-te para esta missão visto que não és tão... — tentei procurar uma palavra para a definir.

— Porque não venho de uma família com dinheiro, Parkison? Como a tua? Sério? — ela revirou os olhos — Sinceramente, achas mesmo que isso é importante quando há ameaças à segurança das pessoas?

— Não é essa a questão. Não pertences ao nosso mundo, serás esmagada nesta missão! Falta-te classe! És apenas uma Sabe Tudo irritante...

— Não seja por isso, é só ser estupida e descer ao teu nível e terei toda a classe que falas!

Olhei para ela ofendida – Olha lá como falas comigo! Pensas que és quem?

— Uma pessoa melhor que tu, eu espero! O que interessa a classe quando não tens nada na cabeça? Sabes que a cabeça não serve apenas para colocar essa ridícula bandolete, mas para usares o cérebro... Caso saibas como se usa!

Acabou, era agora que eu ia dar cabo dela – Repete lá isso novamente!

— O quê? Muito complicado para o teu pequeno cérebro? — ela estava a esticar-se e eu fechei os olhos, apertando a cana do nariz.

Comecei a contar mentalmente um, dois, três... Como eu a odiava!

Ouvi a porta a abrir — Está tudo bem por aqui? — questionou o Director e só ouvi a Granger a resmungar que estava tudo perfeito. Perfeito era a minha mão na cara dela. Respira Pansy, respira que ela não merece que percas a calma com ela – Óptimo, necessito de falar com vocês, Mrs. Malfoy teve um imprevisto e teve de se ausentar não podendo assim estar nesta reunião, mas ficará à vossa espera em Wiltshire.

— Wiltshire?

— Sim, vocês irão morar na Mansão Malfoy durante toda a missão.

— Essa é a nossa missão, viver com os Malfoy? — questionei chateada, aquilo não era uma missão, era ser ama seca.

— Não só.

— Eu conheço os Malfoy, são amigos da minha família – senti um bufar da Granger ao meu lado e resolvi ignorá-la – Não acho que eu seja a melhor pessoa para entrar nesta missão, qualquer que seja ela…

— Está enganada Menina Parkinson, é por isso mesmo que a escolhi. Você e a Menina Granger são a escolha perfeita para a missão — O Director suspirou e sentou-se à nossa frente – Meninas, a verdade é que precisamos de vocês para proteger o filho dela. Ele é a vossa missão.