The Wiltshire' Mission

13 Capítulo 13 - Pansy Parkinson


Eu estava quase a matar Granger que me abanou novamente, despertando-me depois de ter adormecido. Sentia as mãos geladas dela nos meus ombros e eu resmunguei algo, mas ela não deve ter ouvido porque não me parou de abanar até que eu falasse algo coerente para ela. Maldita.

— Que é? — resmunguei chateada sem realmente abrir os olhos, afastando-me das mãos dela.

— Estão a bater à porta — sussurrou junto do meu ouvido e eu pensei que aquilo só podia ser brincadeira.

— Então abre a merda da porta Granger, acredito que a Sabe Tudo sabe como se faz! — quase gritei virando o rosto para dormir mais um pouco. Aquilo era ridículo, porque ela estava com problemas de abrir a porta? Estava à espera que fosse o Bicho-papão? Por amor da santa.

— Pode ser o Draco e eu não estou preparada para o ver... — virei-me e encarei o teto pensando que mal tinha feito eu para merecer aquilo? Eu não tinha ajudado a Sabe Tudo na sua bebedeira? Não fiquei ali com ela quando ela dormia feito um cacho? Porquê universo, porquê é que não estás a cooperar comigo?

Bufando enquanto empurrava as mantas para trás, procurando algo para vestir nas gavetas já que estava completamente nua. Granger estava na cama encolhida, com o braço a volta dos joelhos e a morder o lábio. Um bater seco voltou e eu enfiando a primeira tshirt que encontrei que me fez parecer aceitável, dirigi-me para a porta, abrindo com rapidez — O que é...?

Calei-me quando vi o Mr. Dobby, o mordomo simpático e prestável em tudo, à porta e fiquei um pouco intimidada, devia ter optando por um robe, quando puxava a tshirt mais para baixo como se fosse esticar.

— Menina Parkinson, bom dia.

— Bom dia... — olhei para trás para Granger e voltei-me para ele — Está tudo bem?

— Claro, apenas estou aqui para informar que o Menino Nott pediu para vos trazer o pequeno almoço, vi chama-las para se juntarem na sala de jantar, o pequeno almoço está servido.

E ficou ali esperando uma reação nossa.

— Eu já comia qualquer coisa... — olhei para Granger que já estava levantada ao meu lado e seguimos o mordomo até ao andar de baixo do chalé.

A sala estava brilhante e limpa, como se não tivesse havido uma festa adolescente na noite anterior, cheirava bem, diferente do cheiro de cerveja e erva que predominou a maior parte da noite. As janelas estavam abertas mostrando um dia nublado com o sol a brincar atras das nuvens, fazendo entrar uma brisa suave de outono.

O balcão da cozinha estava posto à maneira Malfoy, não diferente da longa mesa na casa grande, junto com um carrinho com imensas coisas apetitosas e eu adorava aquelas mordomias. Mr. Dobby chamou a empregada que já trazia o bule com café acabado de fazer enquanto nos sentávamos nos bancos altos ao longo do balcão. Granger aceitou apenas uma chávena de café e murmurou alguma coisa como o café era suficiente para o estomago dela.

Eu cá comecei a escolher um pouco de tudo, pegando tambem no bacon e nos ovos mexidos, pegando em duas torradas com doce e uma taça com morangos para a minha frente, quando a empregada colocava um copo de sumo de laranja à minha frente sob o olhar atento do mordomo.

— Obrigada — disse para a criada enquanto bebia o sumo. Parei de comer para olhar para Granger que me encarava como se fosse um ET — O que foi?

— Como consegues comer isso tudo? Só o cheiro me agonia! — fez uma careta quando eu tricava uma fatia de bacon.

— Tenho fome e além disso, eu não me enfrasquei como tu... — virei-me para a criada, sabendo o que ajudaria Granger – Pode arranjar-me uma coca-cola com muito gelo e uma rodela de limão, por favor? — ela acenou dirigindo-se para a cozinha, trazendo logo o meu pedido e fiz sinal para entregar para Granger — Bebe, vai aliviar-te.

— Eu não vou beber coca-cola ainda mal acordei....

— Vai ajudar-te a aliviar a ressaca.

— Estás a falar por experiência própria? — ela bufou e vi ela a beber, fechar os olhos de alívio.

— Eu nunca fiquei tão bêbada como tu, mas a coca cola ajudava sempre no dia seguinte.

Ela fez uma careta lembrando-se do que lhe tinha contado no quarto, eu continuei a comer enquanto ela bebericava a bebida dela.

Mr. Dobby pediu licença para se ausentar, deixando-nos sozinhas no chalé, pensava eu até ver o loirinho a entrar pela porta da cozinha, olhando para nós. Quer dizer, para nós não, para Granger que eu vi, para meu divertimento, ela a virar um tomate. Ela estava com tanto medo de ele estar na porta do quarto e agora ele aparecia ali, sem ela ter por onde fugir.

— Bom dia — colocou-se à nossa frente com o balcão a separar-nos, sem tirar os olhos de Granger — Como estás? — na voz notava que ele estava preocupado e a verdade é que durante todo o tempo que Granger vomitava, ele ficou com ela passando as mãos pelas costas para aliviar e passava o pano pela testa dela.

— Estou bem... — ela murmurou e mais nada foi dito.

Revirei os olhos ao silêncio que se instalou entre os dois, eles eram os dois ridículos. Até que ele falou para mim.

— Será que posso falar com a Hermione?

Eu olhei para o loirinho enquanto trincava um morango – Claro que podes — disse com um sorriso, eu sabia bem o que ele queria, por isso continuei sentada a comer o meu delicioso pequeno almoço.

— Sozinhos – firmou ele e eu revirei os olhos.

— Então podem ir para qualquer lado, és dono deste lugar enorme. Escolhe um lugar. Eu estou a comer! – apontei para a minha frente, como era obvio, eu não ia sair dali. Além que estava curiosa para saber o que eles iam conversar.

— Hermione acompanhas-me até ao quarto? — eu levantei a sobrancelha para ele e sabia que Granger devia ter feito o mesmo olhar interrogativo porque ele apressou-se a acrescentar a sua justificação — Só estou a pensar porque não acho que queiras desfilar só de t-shirt pela propriedade e já que a tua amiga – eu sorri cínica para ele enquanto ele me mandava um olhar exasperado – não quer sair daqui.

— Oh, claro, podemos ir... Eu, sim, preciso de falar contigo também. Sobre ontem — levantando-se devagar como se custasse qualquer movimento e dirigiu-se para a escadas com o loirinho atrás.

Eu ainda no balcão sorri de costas, gritando para eles – Deixem a porta aberta!

Ainda estava a sorrir agarrada ao meu telemóvel, quando senti alguém a descer as escadas e soube que não era Granger nem Draco, mesmo sem virar para ver quem era, já começava a ser bastante familiar.

Revirei os olhos quando ele se sentou ao meu lado, ocupando o lugar anterior de Granger – Que queres?

— Comer.. – murmurou quando pegava no copo intocado de Granger do sumo de laranja — Saber como estas... O normal.

— Estava ótima até agora – ignorei-o e voltei a olhar para o meu telemóvel, continuando entretida quando sentia que ele pegava nas coisas que tinham trazido para o pequeno-almoço, e eu por muito que quisesse ignora-lo não consegui. Ele estava sentado ao meu lado apenas de boxers, rebelando todo o corpo atlético que tinha, e reparei na tatuagem que ele tinha nas costelas em caracteres árabes que me deixou curiosa em saber o que queria dizer e passar os dedos por ela.

De repente o telemóvel começa a vibrar nas minhas mãos, assuntando-me sem contar com isso e pai apareceu escrito na tela do telemóvel. Assim que recuperei do pequeno susto, comecei a pensar. Aquilo não era normal, ele não me ligava então atendi logo como medo que tivesse acontecido alguma coisa – Pai? Aconteceu alguma coisa?

Senti Theo ao meu lado a ficar direito ouvindo a minha conversa.

— Pansy, bom dia – ouvi a minha mãe do outro lado e fiquei sem reação. Ela nunca me ligava, deve ter passado algum tempo porque eu ouvi a chamar do outro lado – Pansy, estás aí?

— Sim, estou… Mãe aconteceu alguma coisa? – aquilo era tão estranho que nem me lembrava da última vez que ela me tinha ligado, ou melhor o fizera nos últimos anos. Quase tinha sido eu a ligar e a pedir para o meu pai passar-lhe a chamada.

— Não, está tudo bem – ouvi um suspiro longo e parecia que ela estava a caminhar de um lado para o outro – Estou apenas para ligar para saber como estavas, como está a escola.

Aquilo era muito estranho – Está tudo bem, aulas normais, professores exigentes, colegas insuportáveis – Theo riu-se ao meu lado e eu mandei lhe uma acotovelada para se calar, eu não estava a dizer nenhuma mentira, GreenWood era muito semelhante a Hogwarts em termos pedagógicos, tinha ouvido estas palavras da boca de Granger – O normal. Mas está tudo bem? — porque aquela sensação de algo não estava bem não me deixava.

— SIm, está. Eu tenho muitas saudades tuas – as palavras tocaram-me e tentei não soar normal, mas no meu intimido estava exaltante de felicidade, a minha mãe raramente mostrava algum carinho. — Não faz nem um mês que estou na escola, Mãe...

— Eu sei, mas parece que já passou um ano e queria saber quando... — foi quando comecei a ouvir passos nas escadas e olhei para trás de mim para saber quem descia, eram demasiado suaves. A loira descia as escadas e sorria para nós piscando o olho para Theo, com os sapatos na mão e o vestido da noite anterior. O meu estomago apertou-se e eu sabia o que tinha acontecido. Conhecia aquele olhar satisfeito que ela trazia no rosto. Eles tinham dormido juntos. Olhei para Theo que tinha um sorriso sacana no rosto e eu quis desfaze-lo. Ele podia nem imaginar, mas aquilo atingiu-me. Do outro lado do telemóvel ouvia a minha mãe a chamar a minha atenção. — … querida, estás a ouvir-me? Está tudo bem?

— Sim, sim está desculpe, mas eu preciso desligar a Agnes precisa de ajuda nos trabalhos e eu preciso dar conta deles … — murmurei desviando os olhos deles os dois para o meu prato – Posso ligar mais tarde para falarmos?

— Claro, filha, não quero atrapalhar-te...

— Não atrapalha, gostei muito que me tenha ligado, falamos logo. Beijinhos – e depois de despedir-me fitei a tela do telemóvel quando a chamada desligava. Inspirei fundo e olhei para a loira que estava encostada a Theo do outro lado, quando trocavam alguns risinhos e tentei parecer que estava normal com toda aquela situação – Daphne.

Ela sorriu para mim pegando num morango – Bom dia Pansy — mordeu o morango e deixou-me irritada quando Theo olhava embebecido para ela – Como está a tua amiga? O Theo disse que ela ficou muito mal, coitada...

— Não sabia que tinhas ficado cá — ignorando o que ela dizia.

— Acabei por ficar, já era tarde e Theo ofereceu-me dormida – piscou-me o olho, claro que ela tinha aproveitado a oferta, tal como a cama e o corpo dele, pensei irritada. Suspirei. Daphne só estava a ser ela, a rapariga que adorava homens e aproveitar os bons momentos que eles proporcionavam, tal como eu, conclui, nem devia estar irritada. Além disso estava irritada com o quê? Ela dormiu com o parvalhão do Theo, e depois?

— Theo, sempre um cavalheiro – murmurei enquanto me levantava – Tenho que ver a Granger – dei a primeira desculpa que me lembrei para sair dali, aquilo incomodava-me – Foi a primeira bebedeira dela, tenho que garantir que está bem antes de Narcisa chegar – sorri para Daphne que já estava sentada no colo de Theo.

Afastei-me o mais rápido possível pelas escadas acima, para longe daquela cena melosa. O que me dava alguma satisfação era que, para Daphne, era apenas mais um. Pansy por amor de deus, o que esta a dar, desde de quando te incomoda com quem ela dorme ou... ele?

A porta do quarto abriu de repente e vi o loirinho a sair furioso, quase trombando em mim – Desculpa! — e passou para mim como um foguete.

A conversa não deve ter corrido nada bem, pensava eu enquanto entrava no quarto e via Granger sentada na cama a olhar para o chão.

Fechei a porta e ela olhou-me, vi que estava a chorar e limpou rapidamente as lágrimas no rosto, respirando fundo. Sentei-me ao lado dela sem muito bem o que lhe dizer, mas ela não pareceu se importar porque apenas encostou-se ao meu ombro e assim ficou.

Passou algum tempo até que ela se endireitou e passou as mãos pelo cabelo – Esta missão está a sair do controlo, não era esta a ideia que tinha de missão super secreta e que nos preparamos nestes anos. Onde estão os maus da fita? Pareço que estou a viver no mundo de uma adolescente riquinha mimada de Gossip Girl, bem, para ti não faz diferença porque és uma adolescente riquinha...

— Ei – senti-me um pouco ofendida.

— Pansy, a ideia eramos ser apenas duas raparigas a vigiar um adolescente para que nada lhe aconteça, simples, os sentimentos e envolvimento estavam fora da equação. O que foi que aconteceu? Como é que fui deixar isto tomar outro rumo e acabar apaixonada pelo... — suspirou e abanou a cabeça.

— O que aconteceu? — ela encolheu os ombros voltando a olhar para o chão — Ele saiu daqui furioso, Granger.

— Disse-lhe que o beijo tinha sido uma aposta entre nós que eu conseguiria o beijar antes que a festa acabasse e foi o que fiz, ele não acreditou e eu disse para ele parar de pensar que era a ultima bolacha do pacote porque eu nem estava assim tão interessada nele, era-me indiferente e o beijo nem foi assim tão especial, já que não me lembrava de o ter feito e culpei a bebida. Não gostou de ouvir o que lhe disse e saiu daqui.

— Ou seja, deste cabo do ego do loirinho – disse com um sorriso – Ele vai andar insuportável nos próximos dias.

— Achei que era mais fácil assim do que lhe dizer que estava apaixonada por ele – e eu tive que concordar com ela, sentimentos só vinha complicar as coisas, pensei eu quando pensava em Daphne e Theo.

O dia passou devagar, Granger voltou para o seu quarto da mansão e não saiu de lá durante o resto do dia. Eu depois de um longo banho e roupas limpas, fui até aos estábulos cuidar de Thunder e ajudar o capataz nos exercícios. Pelo que sabia o loirinho também estava fechado na Mansão, de certeza, amuado pelas palavras de Granger. Perdi noção das horas até Theo aparecer por ali, enquanto eu enchia o alguidar com água para Thunder beber. Vinha com aquele sorriso sacana que eu odiava.

— Sempre que te quero encontrar é aqui que te encontro – nem disse nada, continuando com a minha tarefa, a imagem de Daphne no colo dele não me sair da cabeça — Eu e os rapazes vamos à cidade, os pais de Crabble vão inaugurar o novo restaurante – disse quando se aproximava de mim – Fomos todos convidados, queres vir connosco?

— Porque não convidas a Daphne...? — as palavras saíram antes que eu pensasse e mordi o lábio por ser tão transparente.

Ele riu — Estás com ciúmes?

— Eu? Ciúmes? Querido, por favor... — disse com um bufar.

— Ficas super sexy com ciúmes, dá vontade de te puxar para cima do feno e enfiar-me no meio d... — disse com aquele sorriso sacana irresistível, esticando a mão quando passava os dedos pelo meu braço, eu não pensei até virar a mangueira para ele e ele gritou apanhado de surpresa com o jato de água fria que recebeu — ESTÁSMALUCA?

— É para refrescares as ideias – disse chateada afastando o jato de água, deixando Thunder a mastigar o seu feno com olhar que parecia divertido com aquela cena e Theo encharcado de água a olhar para mim furioso. Larguei tudo e sai do estábulo em direcção à mansão, pisando fortemente.

Ele era um anormal, um babuíno, troglodita e mais alguns nomes que não me conseguia lembrar de momento.

Sério, a minha reacção foi muito exagerada, agora que eu pensava melhor, mas ele tinha estado enrolado com a minha amiga há um par de horas atrás e agora queria enrolar-se comigo no meio do feno, mesmo atrasado anormal, bufei irritada quando me trancava no quarto, batendo com toda a força a porta do meu quarto.

Notas finais
Música: Slower Than Usual - Ariel Beesley