The Wicked Games

10 Capítulo 10 — Do You Really Want Me Dead Or Alive To Torture For My Sins?


No matter how many times that you told me you wanted to leave. No matter how many breaths that you took, you still couldn't breathe. No matter how many nights that you lie wide awake to the sound of the poison rain, where did you go? Where did you go? Where did you go? (Heart beat, a heart beat, I need a heart beat, a heart...) Tell me, would you kill to save your life? Tell me, would you kill to prove you're right? Crash, crash, burn, let it all burn, this hurricane's chasing us all underground. No matter how many deaths that I die, I will never forget. No matter how many lives that I live, I will never regret, there is a fire inside of this heart in a riot about to explode into flames, where is your God? Where is your God? Where is your God? Do you really want? Do you really want me? Do you really want me dead? Or alive to torture for my sins? Do you really want? (Heart beat, a heart beat, I need a heart beat, a heart beat...) Do you really want me? (You know I gotta leave, I can't stay, I know I gotta go, I can't stay) Do you really want me dead? Or alive to live a lie? Tell me, would you kill to save your life? Tell me, would you kill to prove you're right? Crash, crash, burn, let it all burn, this hurricane's chasing us all underground — Hurricane — 30 Seconds To Mars ft. Kanye West — Click Here!Notes!Clothes! — A única coisa tão inevitável quanto a morte é a vida. — Charles Chaplin

Na manhã seguinte, Aion acordou o mais cedo possível. Seu corpo e o de Rhaenna pareciam misturados em perfeita harmonia. Abriu um sorriso ao lhe ver dormindo. Apenas se levantou sem que a acordasse, então pegou um pedaço de papel e uma pena. Escreveu algumas palavras ali, então escreveu o nome de Rhaenna para que soubesse que o bilhete era para ela. Pegou uma muda de roupas e foi para a área da banheira. Tomou um banho então se vestira em seguida. Viu que a dornesa ainda dormia. Beijou sua testa antes de pegar sua arma em seu baú e saiu do quarto. Seus passos eram calmos, enquanto subia as escadas para o quarto de Rhaenna onde sabia que Naerys dormia quando a sua senhora não estava. Entrou silenciosamente e depositou sobre a mesinha um outro bilhete antes de sair. Porém, antes que pudesse sair, viu o baú com as roupas e pertences de Naerys e Rhaenna aberto, tirando de lá um saco que continha seu nome. Começou a mexer no saco, até Naerys bocejar e o olhar assustado.

— Rhaenna vai me matar... Se contar para ela...

— Relaxe garota. O que é isso? — Apontou o saco. — E por que tem meu nome?

— Nesses seis anos que estiveram como dizer... Separados, a maneira mais sutil para dizer que ela estava magoada depois que ferrou com a vida dela, ela lhe escreveu várias cartas, mas nunca mandou nenhuma, sempre guardou, e me fez jurar que sempre que acabássemos te encontrando que nunca lhe entregaria isso, ela faria isso um dia, mas como não quebrei a promessa, você pegou, estou meio ferrada.

— Ela não vai saber. — Aion garantiu. — Preciso que me faça um favor, Naerys. Até que a luta comece... Mantenha Rhaenna longe de mim. É loucura, mas eu não posso me concentrar em sobreviver a isso, se toda vez que a olho, penso em desistir de tudo, e eu quero fazer isso. E se ela perguntar, não diga que fui eu. Invente uma desculpa plausível mas não diga que fui eu. Fui claro?

— Como água. E tem razão nisso, vou fazer isso, agora me deixe dormir, babaca.

Aion revirou os olhos, saindo com o saco e o machado para uma área externa da Fortaleza Vermelha, mas antes parou na cozinha para comer alguma coisa. Enquanto andava com suas coisas, comia uma maçã, até fazer uma curva e se deparar com um arakh de dothraki, e por um milímetro, não perdera a cabeça. Se virou, mas viu outro dothraki o observar.

— Me levem até Havzo. — Disse em dothraki.

Aion era escoltado pelos dois dothraki para algum lugar não longe dali, com seu machado em punhos e seu saco de cartas. Andaram por alguns minutos, até ser parado perto de uma tenda.

— A arma e o saco na mesa, alteza. — O primeiro dothraki disse em ironia.

— Se sumirem com esse saco eu juro que seus deuses terão um de vocês cavalgando com eles mais cedo — Disse entredentes. — Eu matei Khal Orq e o seu ko, Therp. Então não me irritem.

Ele colocou o saco e o machado em cima da mesa, passou por uma revista e assim que liberado, entrou na tenda. Lá estava um homem alto, forte, com uma postura séria e uma expressão rude, junto com uma mulher morena, um corpo esbelto. Era bela, mas para ele só havia uma. Estranhou a presença de uma mulher loira, ela era esguia, um sorriso cruel e parecida com Aion, ele sorriu sarcástico para a loira e encarou o homem.

— Agora se une a escória, Havzo? — O tom sarcástico em sua voz não passou despercebido pela a loira. — Esperava mais de um khal inteligente. — Acenou a cabeça negativamente. — É bom lhe rever, khaleesi. — Então fez uma reverência.

— A garota me prometeu o que preciso para meu khalasar, Targaryen. Mais do que fez por mim em anos. — Khal Havzo dizia com frieza. — Há muito o que saquear por aqui garoto. Desejo que fosse em um momento melhor, Aion, realmente. Você me ajudou bastante com o casamento. Meu velho amigo. Espero que não me odeie por isso, mas isso é necessário pelo o bem estar dos dothraki.

Aion tinha uma expressão confusa ao encarar o khal em sua frente. A khaleesi estava assustada. Não sabia o que seu marido faria. Então Aion arregalou os olhos já sabendo.

— Havzo se você encostar em Rhaenna eu juro pelos deuses que eu te mato, desgraçado! — Gritou furioso.

— Não, não. Será pior. — O sorriso cruel surgia. — Segurem o, e não o deixem sair daqui de modo nenhum. Rahro, Kono tragam a garota com quem nosso amigo Aion irá se casar. Mas inteira. Poderão se divertir depois.

Enquanto ambos saiam, Aion gritava desesperado, enquanto encarava a loira. Ele a encarou com ódio. Então a mulher loira sorriu divertida.

— Oras irmãozinho, acha mesmo que iria perder a sua morte? — Ela sorria divertida. — Ah! Isso vai ser ótimo.

— Eu vou te matar, sua vadia! Se alguma coisa acontecer com ela, eu juro pelos deuses que te mato, Rhiannion.

— Eu já morri a muito tempo, irmãozinho.

— Você me culpa por nada Rhiannion! Eu não quis matar ele!

— Você... Matou o único homem que amei, agora provará o gosto de tudo que eu senti. — Ela disse gritando. — Eu nunca irei te perdoar. Não tenho motivos.

Aion ainda era segurado pelos dothraki, enquanto Eyelli, a khaleesi discutia algo com seu marido que parecia não adiantar nada. A atenção de Aion só foi desviada dali, no momento em que viu Rhaenna entrando naquela tenda, sendo arrastada pelos dothraki. Ela chorava. Naquele mesmo instante, ele se sentiu fraco, olhou para ela desesperado. Quando ela foi jogada em sua direção, se soltou dos dothraki a abraçando.

— Calma, você vai ficar bem. Eu estou aqui.

— Eu estou com medo...

— Olhe para mim, qualquer coisa que acontecer aqui, não olhe para ninguém além de mim, entendeu? A dornesa concordou, ainda abraçada a Aion.

Havzo soltou um suspiro revirando os olhos, fazendo um sinal para Rahro tirar Rhaenna de perto de Aion. Ela começou a gritar, até receber um soco forte no estômago, a deixando sem ar. Os dothraki que seguravam o príncipe, voltaram a lhe segurar, enquanto ele via Rahro e Kono baterem em Rhaenna, enquanto ela fixamente o olhava com medo. Rhaenna em certo momento não gritava mais com dor, apenas estava ali parada, olhando para o noivo que gritava desesperado para lhe ajudar e ele iria matar todos que estavam ali presentes. A única que talvez poupasse, seria Eyelli. Ela era boa pessoa e não queria aquilo, tanto que ela estava com uma expressão de dor e para o marido, olhava com raiva. Havzo fez um sinal para que parassem. Rhaenna agora tinha alguns roxos espalhados pelo o corpo, os lábios sangravam, assim como o nariz. Ele se levantou do 'trono' a limpando, então voltou a se sentar, dando um outro sinal com as mãos, enquanto Rhiannion sorria diabólica.

— Façam.

Aion estava assustado, apenas viu um dos dothraki, Kono, se encaixar entre as pernas de Rhaenna e descer o calção. Ele começava a gritar desesperado, enquanto via Rhaenna se mexer e gritar desesperada, sendo segurada por Rahro que apertava seus braços com força enquanto Kono gritava 'Segure essa vadia!' Então, o mundo de Rhaenna escureceu, olhando para seu noivo, quando Kono começou a lhe penetrar, fazendo movimentos de entrada e saída com força. Primeiro, ela gritava e tentava se soltar, mas depois, ela não sentia e não fazia mais nada. Ela ainda chorava encarando Aion que gritava e tentava se soltar.

— Chega! Soltem a garota! — Eyelli gritou.

— Eu não recebo ordens suas! — Kono gritou continuando.

— Sim, você recebe ordens minhas porque eu sou a esposa de seu líder, portanto eu sou a khaleesi. E você vai fazer o que eu mando. — Ela disse calmamente. — Vou ter de fazer meu marido lhe ensinar que deve se obedecer a khaleesi tanto quanto a um khal novamente, Kono?

— Não senhora. — Kono fez um sinal para Rahro a soltar e saiu de dentro de Rhaenna voltando a se vestir.

— Soltem o príncipe. — Eyelli disse calmamente, enquanto Aion era solto.

Ele correu para Rhaenna a abraçando, enquanto a arrumava. Ela estava trêmula e chorando. Ela abraçava Aion com força.

— Não... Não olhe para mim, eu não suporto que olhem para mim. E não fale nada. Dói falar, pensar nisso. Achar algum sentido nisso. — Ela desceu o olhar para seu ventre e segurou a mão de Aion. — Mate quem fez isso comigo. Mas agora não, porque eu preciso de você mais do que nunca.

— Eu não vou te deixar. Rhaenna, você vai sobreviver isso. Eu sei que vai. Eles tentaram te destruir tirando seu orgulho e sua força, mas eles não tiraram. Eles não podem tirar isso de você. Não de você, nunca. Eles tentaram diminuir um príncipe hoje, desvirtuando uma princesa. Mas eles não terão sucesso. Porque não saberão o que aconteceu aqui, se quiser. Não diga que não é possível porque é. Você vai a aquele maldito julgamento como se nada tivesse acontecido. — Ela chorava dizendo que não era possível. — Rhaenna, você pode. Você precisa. Esses próximos momentos te definirão como será seu futuro daqui em diante. Como uma futura senhora de uma casa poderosa, ou uma vítima. Isso vai definir seu lugar na história. Quem você será para as gerações futuras. Acredite em mim quando eu digo que você vai sair dessa. Eu vou te tirar disso. — Ele olhou para Eyelli. — Podemos ir embora? Ou há algo mais que deseja fazer comigo e com minha noiva, desgraçado?

— Podem ir, eu controlarei Havzo e Kono junto a Rahro será punido por isso. Eu lhe garanto, Targaryen. Criança. — Ela encarou Rhaenna. — Você ficará bem, se precisar de algo, mande sua aia me procurar e irei lhe ver imediatamente.

— Sim khaleesi. — Ela disse em dothraki fracamente. — Obrigada. — Então disse em valírio.

Aion pegou Rhaenna no colo, então agradeceu Eyelli. Cobriu o melhor que conseguiu os ferimentos de Rhaenna, a levando para seu quarto, depois de pegar o saco e esconder lo e o machado. Assim que chegou no quarto, Aion a colocou na cama e começou a mexer em seus cabelos. Beijou sua testa.

— Aion... Eu quero ver meu pai e meu tio. — Ela disse. — E-eles merecem saber.

— Tem certeza?

— Tenho. Por favor.

Ele beijou sua testa afetuosamente, colocando o saco em seu baú, e saiu do quarto, encontrando um dos cavaleiros que seu irmão tinha trazido.

— Sor Illon fique de vigília em meu quarto. Rhaenna está lá e digamos que... Ela não está bem. Não deixe ninguém além de amigos meus e Rhaenna e Naerys ou Ronan entrar, entendeu?

— Sim, alteza.

Aion soltou um suspiro começando a andar pela a fortaleza vermelha atrás de Oberyn e Doran Martell. Reprimiu a vontade que tinha de ir para a tenda dos dothraki matar Rhiannion, Havzo e os dois ko, o que segurou e o que estuprou Rhaenna. Respirou profundamente enquanto andava, até ver o que queria. Oberyn Martell estava conversando com Doran Martell sobre algo, Aion chegou mais perto e descobriu que era sobre safras de vinho. Riu para si mesmo, então fez um som com a garganta para se anunciar.

— Estou interrompendo um assunto importante?

— Não, príncipe Aion. — Doran sorriu calmamente, mas o sorriso desapareceu na hora. — Você não está bem. Aconteceu algo em relação a Rhaenna?

— Vossa graça, receio que aqui não seja o melhor lugar para falarmos disso. — Suspirou fundo. — Ela quer ver vocês lorde Oberyn e lorde Doran, e eu lhes recomendo, tenham paciência com ela e lhe dê seu tempo.

— Aion o que aconteceu com a minha filha? — Oberyn disse entredentes.

— Espere. Ela lhe contará tudo.

Aion soltou um suspiro pesado, levando a cadeira com Doran Martell. Enquanto subia as escadas com a cadeira de Doran Martell, sua mente voltava ao que acontecera na tenda dos dothraki. Dessa vez, ele chorou. Não se importava com o fato de Doran ou Oberyn lhe encararem. Limpou o rosto e assim que chegou ao quarto, abriu a porta, onde Oberyn e Doran Martell viam um sua menina reclusa e com medo. Ela sorriu fracamente para o pai e para o tio. Aion se sentou ao seu lado. Rhaenna então suspirou e encarou o pai e o tio.

— Eu fui estuprada. — Ela disse sem pestanejar.

— Rhaenna... — Oberyn disse com raiva fazendo um sinal de querer avançar em Aion.

— Não pai! Não foi ele. Ele não faria isso comigo...

— Rhaenna minha querida, quem fez isso com você? — Doran levou a cadeira para o mais próximo que conseguiu da sobrinha, mas bateu na cama. Com a ajuda de Oberyn, se sentou na cama próxima a menina, assim como Oberyn.

— Os dothraki, tio. Eu estava dormindo, quando dois deles apareceram nesse quarto e me levaram para uma tenda. Aion estava lá sendo segurado. Ele tentou me defender. Antes de... Eu ser estuprada, me bateram. — Ela suspirou se ajeitando melhor, abraçando seu pai.

— Você não vai a esse julgamento, Rhaenna. — Doran disse determinado. — E não estou pedindo como seu tio, mas como seu rei.

— Tio, eu quero ir. Meu noivo poderá morrer, e eu quero estar lá. Não me peça para ficar aqui sofrendo enquanto meu noivo pode morrer tio...

— Tem certeza, querida? — Doran perguntou cauteloso. Rhaenna assentiu. — Muito bem, minha pequena. Mas teremos guardas extras, apenas assim você irá e eu e seu pai nos sentiremos seguros. Isso não é negociável. Sugiro que vá com algo de manga longa e gola alta.

— Está bem tio... Posso... Dormir agora?

— Durma, minha querida. Eu e seu pai ficaremos aqui.

— Eu, estarei treinando enquanto isso. — Aion beijou a testa de Rhaenna. — Não tenha medo, estará segura.

— Eu sei...

Aion sorriu fraco, saindo com o machado e acenou para Oberyn e Doran Martell, a deixando ali.

—x—

Rhaenna dormia calmamente enquanto era observada pelos olhares atentos de Doran Martell. Oberyn via pela a janela do quarto, o Targaryen treinando com seu machado, com a ajuda do garoto Arryn, sentiu se naquele momento em especial, vendo sua menina sofrer, fraco. Soltou um suspiro, saindo da janela e observou Doran.

— Como o garoto deixou que isso acontecesse a ela? Ele não tem capacidade de proteger Rhaenna.

— Oberyn! — Doran Martell o repreendeu. — Ele a ama, ele não deixaria acontecer isso se pudesse evitar. Com as mãos sendo seguradas e desarmado? Contra Dothraki ele não teria chance. Chame Naerys enquanto acordo Rhaenna, ela precisa começar a se arrumar para o julgamento.

Oberyn não discutiu. Saiu do quarto, deixando seu irmão com Rhaenna. Doran suspirou fundo, começando a fazer cócegas no pé da jovem que dormia, até ouvir rir, mas parecia forçado. Quando ela acordou, coçou os olhos, vendo apenas seu tio, rezando para que fosse um pesadelo, porém ergueu a manga da veste de dormir e viu as marcas. Ela chorou novamente. Ele lhe afagou as costas e viu Oberyn voltar com uma Naerys tensa.

— Tio eu não quero que Naerys me veja assim... Mande chamar outra pessoa, por favor. — Ela sussurrou e encarou Naerys. — Eu lhe contarei uma hora, Naerys, creia me, mas não quero que me veja nesse estado... Pode pedir para Adela subir? — Ela disse fraca, sendo acudida pelo o tio.

— Vá, Naerys. Vocês conversarão depois.

— Sim vossa graça. Fique bem, Rhaenna. — Ela sorriu para a jovem, que sorriu triste, então saiu do quarto.

Rhaenna ainda estava coberta e com as vestes de dormir, sentindo medo, tudo querendo pegar fogo e desabar ao seu redor. Chorou o máximo que conseguiu. A porta fora novamente aberta e ela viu Adela entrar no quarto. Ao invés de ficar calma, entrou em pânico. Escondeu se como conseguiu atrás de seu tio.

— Rhae, ei. Calma. Eu não vou te machucar.

— Promete? — Ela sussurrou.

— Sim, eu prometo. O que aconteceu com você?

Adela se sentou perto de Rhaenna e fez uma reverência desajeitada para Doran Martell que acenou um não com a cabeça, observando a sobrinha um tanto preocupado. Adela então, encostou no braço de Rhaenna que soltou um gemido de dor.

— Rhaenna. Aion te bateu?

— Não! — Ela disse no mesmo instante. — Não foi ele. Ele não faria isso. Foi... Primeiro deve jurar que não contará a ninguém, principalmente a Aegon. Se ele souber...

— Não contarei. O que aconteceu?

— Eu estava aqui, dormindo, quando dois dothraki invadiram o quarto e me levaram para uma tenda, lá estava o khal, a khaleesi e Rhiannion. Aion também estava lá, sendo segurado por dois dothraki. Os dois ko do homem me bateram, então depois... — Ela fez uma pausa. — Me estupraram, Adela. — Ela fez uma expressão de horror. — Não fale nada, toda vez que eu falo nisso, dói. Dói pensar que isso aconteceu, tentar achar um sentido. Eu me sinto humilhada, me sinto profanada, imunda... — Ela suspirou lendo a pergunta nos olhos de Adela. — Aion? Ele não conseguiu impedir. Ele tentou me defender, eu sou grata, mas ele foi segurado pelos dothraki de novo, até a khaleesi mandar parar e me soltarem... Pode contar para outros apenas que apanhei mas sobre o estupro... Não.

— Eu... Sinto muito Rhaenna... — Ela sussurrou. — Se você deseja... Venha, eu vou lhe ajudar. Vossa graça, gostaria de ajuda?

— Se não for incômodo, minha cara... — Doran sorriu para Adela.

Doran foi pego no colo por Adela que o colocou na cadeira de rodas e sorriu fracamente para o rei. Doran ficou ali, esperando que Adela terminasse de ajudar Rhaenna. Rhaenna se levantou da cama, se sentindo um tanto enjoada, como se cada passo que desse, lhe cansasse. Chegou na área de banho, e com a ajuda de Adela, se despiu e como em um modo automático, cobriu os seios, antes que entrasse na água. Adela via com atenção, cada ferimento no corpo de Rhaenna. Cada marca. Sentiu uma pontada de dor, e deixou a jovem ali, apenas sussurrando.

— Vou pegar alguma roupa para você. Tem uma preferência?

— Vai achar no meu baú, um vestido preto com mangas longas e detalhes prateados, pode trazer esse? As joias estão separadas e o sapato com o corset. Pedi para Naerys antes do jantar...

— Não se afogue, vou pedir para seu tio te vigiar.

Adela saiu dali, conversando com seu tio por alguns segundos, então viu a cadeira de Doran Martell se aproximar do cômodo, e ele parecia um tanto preocupado.

— Você não está bem, Rhaenna, você tem certeza de quer ir ao julgamento?

— Eu sei que não estou bem, tio. Mas eu preciso ir. — Ela soltou um suspiro. — Ponha quantos guardas quiser, não me importo nem um pouco, mas não me peça para ficar aqui, quando o homem que amo pode morrer. — Ela suspirou fundo, sorrindo fraca.

Adela voltou poucos segundos depois, ajudando Rhaenna a se banhar, então a dornesa se secou e com a ajuda de Adela se trocou. Assim que se trocou, suspirou passando alguns produtos básicos no rosto e por fim saiu do quarto, acompanhada de Adela, enquanto ajudava a descer a cadeira de seu tio. Assim que chegaram a cozinha, ela viu ko Kono e ko Rahro, junto com Havzo, apertando com força o apoio da cadeira de Doran Martell. Os dois primeiros homens a encararam, ela desviou o olhar, e olhou para Adela.

— Eu... Já volto.

Rhaenna correu o mais rápido que conseguiu para uma latrina, onde se ajoelhou e vomitou. Ficou ali por alguns minutos, então sentia uma mão em seu ombro. Quando se levantou, apenas viu seu noivo ali parado a sua frente. O abraçou e chorou. Assim que limpou seu rosto, suspirou fundo. Somente o abraçou forte e foi para a cozinha comer algo. Observou os dothraki que lhe encaravam, apertando a mão do noivo enquanto comia. Assim que acabou de comer, seguiu para a sala dos juízes, sobre o olhar do noivo em relação aos dothraki. No momento em que chegou lá, Tywin Lannister fez menção em ir lhe abraçar por algo. Ela recuou.

— Não! Não... Encoste em mim. — Ela disse a primeira palavra um pouco alta, então abaixou a voz.

— Está tudo bem, lady Rhaenna? — Tywin Lannister a encarou.

— Si-sim. Eu estou bem, vamos começar logo com isso.

Rhaenna sentou se ao lado de seu pai e seu tio, enquanto ouvia todo o falatório de Tywin Lannister e Mace Tyrell sobre os preparativos finais da luta. Ela soltou um suspiro pesado, ouvindo todo o falatório, acenando sempre que se dirigiam a ela. Assim que a reunião acabou, a hora que ela mais temia, chegara. O início da luta. Ajudou seu pai a levar a cadeira de Doran Martell para o pátio da fortaleza Vermelha. Rezou mentalmente para que o veneno que tinha colocado em um dos vinhos que enviou a Gregor Clegane na noite do baile estivessem fazendo efeito. Viu o pátio decorado com bandeirolas com as cores da casa Targaryen, o fundo preto com o círculo vermelho e os dragões. Aquilo fez com que seu peito pesasse. Sussurrou para si mesma implorando aos deuses que lhe poupassem Aion e Tyrion. Nas arquibancadas da arena estavam sentados vários nobres, e observou os dothraki ali parados em um canto. Respirou fundo novamente, vendo Aion com sua armadura. Lançou lhe um olhar que dizia 'Sobreviva a isso e eu não estou pedindo'. Viu que ele conversava com Alyssanne. A viu sair, então viu Tyrion Lannister se aproximar e lhe dar um tapa na nuca, provavelmente o xingava. Riu baixo para si mesma, observando a cena e lançou ao anão um olhar de gratidão. Ela se sentou no trono reservado ao juiz no estrado mais alto, então observou o Meistre Pycelle surgir, após ver Gregor Clegane entrar na arena e a multidão começar a gritar.

— Em frente aos deuses e aos homens, determinaremos a inocência deste homem, Tyrion Lannister.

Uma trombeta soou, anunciando o começo da luta, quando finalmente ela viu Aion sair do espaço que lhe era reservado com o machado em mãos. Não estava interessado em impressionar ninguém, a única coisa que passava na mente do príncipe naquele momento, era sobreviver. Ela observava ambos os homens andarem em círculo, então A Montanha ficou irritada e gritou.

— Ataque logo, garoto!

— Ataque você. — Aion retrucou.

Ela percebeu a expressão de arrependimento de seu noivo quando Clegane investiu contra ele com a espada, e com rapidez, Aion começou a desviar dos golpes como conseguia usando o machado para interceptar. Como um dragão, Aion começou a investir em fúria contra o homem, fazendo com que primeiramente, seu elmo saísse e voasse para um lado qualquer da arena, onde uma garota qualquer da casa Tyrell pegara o elmo. Rhaenna notara que fora Isabella Tyrell. Ela desviou a atenção rapidamente, voltando a observar a luta. De todos naquela arena, ela era o que mais tinha a perder. Em um ponto, Aion acabou caindo no chão, sendo atingido por um golpe, para desespero de Rhaenna. Ela observou um olhar que ele a lançava, mas com rapidez, o príncipe se levantou e continuou a observar Clegane.

Não morra, não morra, pelos Deuses, não morra! Ela apenas pensava nisso. Aion continuou a atacar o homem, que acertou a parte de madeira de seu machado, fazendo com que a espada ficasse presa ali. Seria um momento bom para o Targaryen acabar ali com aquela luta, mas A Montanha tirou a espada dali com rapidez, voltando a atacar o príncipe que caiu novamente. Ela se controlou para não gritar. Ela viu Aion ferir o homem e se sentiu um pouco aliviada, mas também viu Clegane atacar Aion com fúria, até que o Targaryen lhe acertou com o machado, as costas.

— Não, não, espere você está morrendo? — Não! Não faça isso! Ela se controlou ao máximo para não gritar. Aion então tirou o machado das costas do homem. — Diga quem lhe mandou estuprar e matar Elia Martell e darei o fim que você merece. — Ele apontava para Tywin Lannister, e ele suspirou fundo.

Rhaenna observou os momentos seguintes como um borrão. Clegane segurou o calcanhar de seu noivo que segurou o machado com força. Foi derrubado pelo o homem que o segurava e começava a desferir socos contra seu rosto. Rhaenna gritou desesperada. Com um pouco de dificuldade, o Targaryen conseguiu chutar o estômago do homem que o prendia e se afastou. Ele observou Rhaenna pelo o canto do olho desesperada. Seus ferimentos sangravam e seus cortes estavam superficiais, fáceis de tratar. Ela tentou se controlar, respirando forte, observando Aion. O príncipe então fora derrubado novamente pela A Montanha.

Enquanto o homem fazia cortes pelo o braço de Aion, ele fazia o mesmo em relação a seu estômago, até a Montanha largar a espada e colocar os dedos perto de seus olhos, fazendo um movimento que insinuava a furar os olhos. Rhaenna gritou novamente, então Aion com dificuldade, cravou o machado na barriga de Clegane e o chutou, se afastando, após pegar o machado.

Gregor Clegane ainda se levantava com dificuldade e pegou a espada. Aion o encarava furioso, até que por fim, correu com o machado em direção a Clegane, mas dessa vez, mirava em seu pescoço, cortando lhe a cabeça, e caiu ajoelhado no outro lado da arena, enquanto via a cabeça de Clegane se desprender de seu corpo. A multidão gritou. Rhaenna chorou de alívio, mas seu alívio durou poucos segundos, ao ver Aion levar a mão a uma área próxima de um de seus rins e cair no chão. Ela gritou desesperada, mas tinha um trabalho a fazer antes de tudo. Soltou um suspiro controlando as lágrimas.

— Os deuses julgaram seu destino, Tyrion Lannister. Eu, Rhaenna Martell, com o poder investido por Tommen Baratheon e pelos deuses, lhe julgo inocente e aquele que ousar se opor a minha decisão deverá ser torturado e preso! — Ela disse solene, arrancando de seu tio e seu pai um sorriso orgulhoso, mas não se importou.

Ela saiu do estrado em que se encontrava, desajeitada, o mais rápido que conseguiu, correndo em direção a Aion. Assim que chegou, começou a chorar, segurando uma de suas mãos.

— Você sobreviveu...

— É... — Ele tossiu com dor. — Mas agora, eu estou morrendo, não adiantou muita coisa.

— Você não vai morrer, de todos, você não pode falar isso.

— Se eu... — Ele tossiu novamente com mais dor. — Morrer, saiba que sempre te amei.

— Eu também te amo. Agora cale a boca, se não vai piorar sua situação, idiota. Sou nova para ser viúva antes da hora, e você precisa sobreviver tempo o suficiente para conhecer seus tataranetos. — Ela disse ainda chorando. Ouviu seu noivo rir, e sorriu como conseguiu, lhe beijando e colocando a mão sobre a dele que estancava o sangue do ferimento. — Ajudem seus incompetentes! — Ela gritava para a multidão furiosa.

Ela observou a multidão um tanto receosa, até ver Bennard Rivers e Pycelle lhe ajudarem com Aion, naquele momento, ela só segurava a mão de seu noivo e seguia com ambos os homens para os aposentos do meistre.

— x —

Valyra Prior observava a arena com atençâo, as flâmulas da casa Targaryen e da casa Clegane lhe saltava os olhos. Observou Rhaenna Martell um pouco preocupada e tensa. Aconteceu alguma coisa com ela que não querem que ninguém saiba. A bravosi suspirou tensa, vendo Aion Targaryen em sua área de preparação na arena, sozinho. Subiu para lá.

— Você é um grande idiota, sabia?

— Eu sei que sou, mas isso não vai me fazer desistir, Valyra.

— Então é bom que sobreviva, garoto.

Assim que o anão surgir diante dos olhos da multidão, Valyra sentia seu coração pesar. Calma como as águas paradas, como lhe ensinara Syrio Forel. Valyra não lembrava há quanto tempo estava em Westeros, mas sabia que estivera do lado de Tyrion Lannister desde sempre, deixa-lo era a última coisa que ela iria fazer. Não, ela preferia morrer a deixa-lo. Todo esse tempo ao lado dele, nunca fora por dinheiro. Fora por lealdade, fora por afeição que ela criara por ele durante todos esses anos. Quando foi vista-lo, antes do duelo. Falou para ele sobre tudo que acontecia no castelo, sobre o que fizera a Shae – o que não o deixou muito feliz, era como sempre havia sido, não era como se ela corresse o risco de nunca mais vê-lo de novo. Quando ela notou isso, quis chorar, mas prendeu as lágrimas. Ela nunca chorava. Tyrion parecia confiante sobre a luta, ou pelo menos tentara. Valyra segurou a mão dele entre as suas e ficou quieta, apenas ouvindo. De um súbito, ela não se controlou e deixou-se falar para ele. Eu vou estar aqui até o fim por você, Lannister. É bom que não morra agora, o mundo precisa de Tyrion Lannister... Eu preciso. Antes que ele pudesse responder, ela depositou um beijo na testa dele rápido e se ergueu, partindo. Valyra não sabia se ele sairia vivo, mas se ela não o salvasse, ela iria vinga-lo, disso era a única coisa que ela sabia.

A bravosi começou a prestar atenção na luta, soltando um suspiro de alívio no final dela, quando Rhaenna Martell declarou Tyrion inocente. Ela não resistiu ao impulso de ir a onde o anão estava e lhe abraçar forte. Ela sorriu aliviada para o anão, mas o alívio sumiu no mesmo instante em que viu Aion Targaryen caído. Ao ver Rhaenna correr até ele, ela sentiu o coração pesar e a dor aumentar. Encarou Tyrion.

— Você devia ir até lá. Se não fosse por ele, todos eles teriam sua cabeça, Tyrion. — Ela sussurrou para anão, ressentida.

— Eu vou me banhar, me limpar e apenas aí, irei ver o garoto Targaryen, sim, sei que devo minha vida a ele, Valyra, mas preciso me livrar desse ar de prisão e quase assassinado, antes de ver o rapaz.

— Então, vamos, está esperando o que?

Tyrion revirou os olhos, sendo guiado por Valyra Prior, até seus aposentos, lá ela chamou Pod que ajudou o anão a trocar as vestes e tomar um banho, então ambos seguiram para o quarto do meistre Pycelle, onde encontraram uma Rhaenna Martell preocupada na porta. Valyra apenas a encarou um tanto preocupada.

— Ele vai sobreviver, lady Rhaenna?

— Se os deuses forem bons, com certeza ele vai... — Ela soltou um suspiro triste e sorriu para Tyrion. — Está bem?

— Se com está bem quer realmente perguntar se ninguém tentou me matar ainda, a resposta é sim, estou ótimo, milady. — Tyrion sorriu docemente para a dornesa. — Ele irá sobreviver, milady. Sabe, Rhaenna, eu sou grata por Aion ter salvado minha vida, mas não queria que isso acontecesse com ele. Eu tentei, de verdade impedir que ele se oferecesse, deixando que outra pessoa fizesse isso, mas não consegui. — Ele suspirou pesadamente. — Se ele morrer a culpa será minha. Você perderá quem ama. — Rhaenna naquele momento entrou em pânico, só de imaginar perder seu noivo novamente. Tyrion rapidamente colocou as mãos em seu rosto. — Rhaenna! Acalme se! — Ele suspirou. — Lhe aconteceu algo. O que houve?

— Não. Não me toque, por favor. — Ela se afastou de imediato. — Eu... Não quero falar nisso, Tyrion. Desculpe. — Ela sussurrou, e se encolheu no canto em que estava.

— Posso ficar lhe fazendo companhia então, milady?

— Pode. — Ela sussurrou em voz baixa.

Rhaenna sorriu fracamente para Tyrion que se sentou ao seu lado, assim como Valyra e ambos passavam a conversar, o resto da noite.