The Weapon
29 Capítulo 31
(YUMEMI POV PARTE UM)
Sai da sala frustrado com Jasmine se agarrando ao meu braço como um carrapato.
-Aquelas vozes... Eram eles?
Não respondi, apenas continuei andando em direção ao quarto, ignorando-a. Ela sabia a resposta, não sei por que perguntou.
-Eram os demonios? — Repete, sendo mais exata.
Paro de andar e desgrudo-a do meu braço com um movimento delicado, ela faz bico.
-Sim, pequena. Agora, se me permite, quero ficar sozinho. — Digo. Ela acena com a cabeça, indo para o quarto ao lado do que eu entro. Tranco a porta, jogando-me na cama em seguida.
Com pensamentos zangados e insultos contra aqueles demonios estúpidos eu adormeci.
Em meu sonho eu era novamente uma criança. Estava ao lado da cama de minha irmã, ela estava dormindo. Dei-lhe um beijo na testa com cuidado para não a acordar e me retirei do quarto, em seguida saindo também do abrigo.
Foi facil, a segurança ali não é tão alta. Caminhei pela estrada por um bom tempo até encontrar uma cabana abandonada. Dei um chute na porta, quebrando a tranca e fazendo uma nuvem de poeira subir, e entrei.
Eu só não contava que, escondido no quarto dos fundos, houvesse um garoto. Ele se assustou com minha presença, mas logo nos tornamos amigos. Ele pedia para que eu o chamasse de Jass, eu achei graça do nome, mas preferi não falar nada.
Não fiquei triste por ter abandonado minha irmã, tampouco pela morte de nossa mãe. Na verdade, achava que era melhor assim; Annie ficaria melhor sem nós dois. Talvez ela esteja morta... Sim, ela deve ter morrido. Mas por que não senti nada? O que houve com ela? Que droga.
Talvez a origem do meu ódio pelos humanos e pelos deuses tenha começado em casa: o ódio pela minha mãe e pelas pessoas do abrigo criou meu ódio pelos humanos — aqueles malditos! — e o ódio de minha mãe pelos deuses gerou meu ódio pelos deuses. Mas a origem disso não importa, o que está feito está feito.
(Flashback ON)
Caminhei com passos rápidos e silenciosos — para isso havia tirado o sapato e ficado apenas de meias — pelo corredor, parando na frente de um dos quartos e abrindo a porta. Com esforço para não acordar ninguém, cheguei até a cama de minha irmã gêmea, Annie Sharon. Despedi-me com um beijo na testa e um pedido de desculpas e saí do abrigo pela janela do quarto, sem me importar em fechar. Pulei o muro que era tão alto que não passava da altura de um garoto qualquer de nove anos e me dirigi para a estrada da cidade.
Depois de mais de meia hora caminhando e já sentindo minhas pernas como pedras, encontrei uma cabana com ar de abandono. Chutei a porta com toda a força que me restava, quebrando a tranca e fazendo uma nuvem de poeira branca subir, e entrei. Explorei o lugar, nada. Quando já estava me preparando para deitar-me, ouvi o som de algo caindo no quarto dos fundos. Corri até lá, espiando antes de entrar no cômodo, e atrás de uma pilha de caixas havia um menino.
Ele era estranho, tinha certo ar feminino... Seus olhos eram grandes e da cor de diamantes e seus cabelos castanho-avermelhados colocariam qualquer uma aos seus pés. Ele vestia calça jeans, camisa listrada preto e branco e uma blusa de couro velha. Estava encolhido no chão encarando-me assustado.
-Meu nome é Markus. Qual seu nome? — Comecei.
-Me chame de Jass, por favor. — Respondeu com a voz baixa.
-Jass? Isso é um nome? — Ele não respondeu. — Quantos anos você tem?
-Dez.
-Eu tenho doze. O que está fazendo aqui? Onde estão seus pais?
-Mamãe mandou eu vir para cá... Mas quando cheguei, ela não estava.
-Hm. De qualquer forma, seremos amigos de agora em diante.
-Amigos? — Ele levantou a cabeça para mim.
-Amigos. — Sorri.
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