Notas iniciais
Boa leitura x3

Quando terminei a carruagem já estava amanhecendo e todos estavam dormindo. Observei Acsa enquanto ela dormia e comecei a pensar em Johan, Melanie e Annie, tentei imaginar o que eles estavam fazendo e se já haviam sentido minha falta. Encostei em uma poltrona e adormeci.

Quando acordei vi Acsa comendo uma maçã e lendo uma revista sem muito interesse, Max ao seu lado na forma de gato e Bóreas Jr dormindo em um canto, parecia estar tarde. Levantei rápidamente.

-Por que não me acordou? — Perguntei.

-Você estava dormindo tão tranquilo que fiquei com dó de te acordar. — Sorriu, senti uma vontade de beijar-lhe novamente. Foco, Petter, foco.

-Não vai buscar suas coisas?

-Calma, ainda não anoiteceu. Ah sim, e é bom que saiba que Yumemi fica mais fraco quando há sentimentos puros a sua volta. — E mordeu a maçã.

-O que achou da carruagem? — Perguntei mudando de assunto, coloquei as mãos nos bolsos da calça e a olhei.

-Ficou boa, Max está descansando um pouco, ele que vai puxa-la. — Disse acariciando a cabeça do gato que ronronou.

Anoiteceu, eu estava observando o céu estrelado iluminado por estrelas. Fiquei pensando se iríamos conseguir, mas logo minha confiança voltou, pois lembrei que tinhamos a carruagem mágica que eu não sabia direito o que fazia. Acsa disse que ela podia produzir uma espécie de névoa capaz de enganar desde um semideus até os monstros caso fosse equipada com a pedra certa. Mas, infelizmente para nós, cada pedra só tinha o efeito de meia hora e já haviam sido criados amuletos contra essa névoa. Se ficassemos fora do alcance de Jasmine teriamos apenas 50% de chances de conseguir concluir a missão.

-Petter, tome isso. — Fui tirado de meus devaneios por Acsa. A morena entregou-me uma espécie de soco inglês com superfície afiada.

-Obrigado, quando voltarmos para o acampamento farei uma arma especialmente para você. — Sorri.

-Falando nisso, acho que eu não vou para o acampamento. Sabe... Eu não sou uma semi-deusa. — Sussurou.

-É claro que vai! Mas você pode ver através da névoa e ainda tem habilidades incriveis! — Tentei parecer otimista.

-Bóreas Jr, Max, acordem! Já está na hora, é agora ou nunca. — Chamou-os num tom de voz frio enquanto olhava para as paredes, para o teto, para os móveis: Qualquer lugar que não fosse meu rosto.

Já estava tudo pronto, tanto a carruagem quanto os mantimentos que iríamos precisar. Max se transformou em um pégaso feito de sombras e partimos em direção à casa velha. Paramos a carruagem um pouco distante, atrás de uma grande pedra, e entramos no prédio silenciosamente. Bóreas se transformou em sombra e foi localizar Jasmine e Yumemi. Segundo a tradução de Acsa, Jasmine estava no próprio quarto e Yumemi não estava na casa. Deixamos Bóreas Jr de guarda na porta e subimos as escadas o mais silenciosamente possivel, Max transformou-se em gato e sumiu de minha vista. Só o encontrei novamente quando entramos no antigo quarto de Acsa, estava preso em uma jaula dourada.

-Acsa, querida! Como está? — Cumprimentou falsamente. Estava sentada em uma cadeira bebendo um liquido avermelhado que deduzi ser vinho. — Não gostariam de se sentar? — Apontou duas cadeiras a sua frente.

Era realmente tentador, mas algo me fazia não ir. Acsa automaticamente começou a andar em direção a uma das cadeiras, mas eu a detive. Uma voz no meu interior me impedia de cair nesse feitiço, mas eu não entendia o que ela dizia. Fechei os olhos e rezei para todas as divindades existentes, desde as gregas, passando pelo cristianismo e terminando nos deuses astecas durante um unico segundo.

Jasmine ia falar algo novamente, mas eu a interrompi me aproximando. Cuidei para deixar Acsa atrás de mim.

-Prefiro ficar de pé. — Sorri tão falsamente quanto um DVD pirata vindo do Paraguai. Ela sorriu de volta. Peguei uma taça com vinho e, quando estava a centimetros de meus labios, joguei o conteudo com tudo em seu rosto. Em seguida quebrei a taça no topo de sua cabeça e corri pegar a gaiola. Em seguida joguei as coisas de Acsa numa mochila e quando terminado o trabalho, coloquei rapidamente a mochila, peguei a gaiola com Max com uma das mãos e agarrei uma Acsa ainda atordoada com a outra mão, e então corremos o mais rápido que conseguimos. Quando estava no corredor, ouvi Jasmine gritar um palavrão em grego antes de correr atrás de nós.

-Como vocês ousam, criaturinhas malditas? — Rosnou com a voz rouca.

-Acsa, corra! — Gritei entregando-lhe a mochila e a gaiola. Ela fez um sinal com a cabeça e continuou correndo.

-Tsc... Vai bancar o todo-poderoso, é?! — Riu arrogante.

-Isso aí. — Retribui a risada, equipando-se com o soco inglês, que foi avaliado cuidadosamente por Jasmine.

-Isso não é uma arma que vai me deter... — Zombou.

-Na verdade, não é a arma que vai te deter... — Corri em sua direção e no ultimo momento, quando ela esperava um ataque de punho, abaixei-me e dei-lhe uma rasteira. — ...sou eu. — Levantei-me antes que ela o fizesse e corri em direção a onde Acsa havia ido.

Corri o mais rápido que pude, e para minha sorte, Jasmine ainda estava meio lenta por causa do ferimento na cabeça causado pela taça. Quando cheguei no lugar onde haviamos estacionado a carruagem, Max já estava solto e em forma de pégaso, Bóreas Jr e Acsa estavam no interior esperando-me. Ao entrar, percebi a movimentação.

-Bóreas Jr, vá ajuda-lo! — Ordenava a morena.

-O que houve? — Perguntei preocupado. O que poderia dar errado agora?

-Max não está conseguindo puxar a carruagem! Parece que boa parte da força dele foi drenada por Jasmine. — Respondeu no mesmo tom. Bóreas Jr assumiu o lugar de Max, que veio para o interior na forma de gato persa. A carruagem começou a andar, mas logo parou bruscamente praticamente me jogando para frente.

-O que houve? — Perguntei olhando pela janela. O que vi através dela não me agradou muito: Um esqueleto de mais de três metros de altura encarando de modo assustador a carruagem. Mais abaixo, aos pés do esqueleto, pude ver um garoto de aparencia sombria que julguei estar aguardando o momento certo para ordenar que aquela coisa nos atacasse.

-Yumemi, como eu te odeio! — Grunhiu Acsa fazendo o garoto soltar uma pequena risada zombeteira.

-Você pensou mesmo que fosse passar por mim, Bastet? — Seu tom era calmo e confiante. Por que diabos me lembrei da garota da foice?!

Acsa iria retrucar algo, mas o som não saiu de sua voz. Quando olhei para ver o que havia acontecido, percebi que Max não estava lá.

-M-max! — Chamou. — O que você pensa estar fazendo?! Volte, já!

-Bóreas Jr, vá! — Bóreas Jr soltou um miado triste e começou a puxar a carruagem.

-Bóreas Jr, pare agora! — Ordenava Acsa, mas o gato, ou seja lá o que fosse, continuava a correr. Ao olhar pela janela traseira fiquei chocado. Max estava perdendo feio. Tampei os olhos de Acsa e encostei-a em mim num abraço de consolo. Ela não protestou nem nada, apenas agarrou a barra da minha camisa e começou a chorar, seus soluços saiam abafados.

Notas finais
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