The Weapon
35 Capítulo 35
Notas iniciais
(POV MELANIE)
Estamos no Acampamento Meio-Sangue, um lugar que você encontra Meio-Irmãos, Meio-Sapatos e Meio-Idiotas.
Meio-irmãos por que assim que voltamos, eu afim de deitar na minha cama linda maravilhosa, precisei contar tudo para Roberta, que exigiu detalhes da missão.
Quíron? Ah, esse aí ia ficar para o dia seguinte, afinal chegamos de madrugada e, bem, não nos aguentavamos em pé.
Meio-sapatos por que de manhã eu só encontrei um pé do meu converse, e meio-idiotas por que o inteligentíssimo Petter bateu a cabeça na parede enquanto iamos ao encontro do centauro. Não que isso não seja normal, claro.
Estamos sentados em um sofá que seria confortavel apenas se não fossem as coisas bizarras que tem nesse lugar. Aquilo é uma cabeça de leopardo? Deixa eu me afastar um pouquinho...
-E aqui está. — Acsa entregou uma caixa negra lacrada com estranhas correntes azuis brilhantes ao centauro, logo após uma gigantesca narração da nossa missão.
-Resumindo... Aí dentro estão os demonios, aqueles da Caixa de Pandora. — Johan.
-Quanto a Jasmine... Bem, acho que ela pode ficar. — Sorriu, mas posso ter certeza de que tinha uma gota de nervosismo ali enquanto encarava a filha de Medéia.
-Obrigada. Muito, muito obrigada. — Sorria a pequena feiticeira, mesmo que seu sorriso saísse um tanto triste. — Prometo que não irá se arrepender! — E então praticamente pulou em cima do centauro, beijando um dos lados do seu rosto.
Annie puxou a garota pela gola da camisa cinza.
-Você não deve pular nas pessoas. — Repreendeu.
-Não sou criança!
-Mas age como uma.
-Parem! — Acsa, dando um tapa na nuca de ambas.
-Ai... Isso doeu... — Annie.
-Quíron. — Acsa — Quanto a mim... Eu posso ficar?
-Este é um acampamento grego, você sabe disso.
O encarei. Onde queria chegar?
-Talvez devesse voltar ao seu verdadeiro lar. Falei com a líder dos egípcios e ela permitiu sua entrada.
-Mas... — Ela não tinha argumentos. Não existiam.
-Mas você se tornou práticamente uma de nós ao ajudar a deter o filho de Hades. — Sorriu. — Sabe, eu não esperava que uma egipcia ajudasse um bando de gregos.
Bufei.
-Você falando assim parece que somos animais.
-Depois que vocês me mandaram a mensagem de íris, imaginei que pediria-me para ficar e perguntei aos deuses se eles permitiam. — Ignorou-me — Você pode ficar, se quiser. Mas ainda acho que deveria voltar para os seus.
-Ah! Obrigada, senhor! — Uniu suas mãos e fez uma messura estilo teatral. — Mas, desculpe-me a pergunta... Como você falou com Elisaveta?
-Pergaminhos mágicos. Um amigo me deu muitos vários anos atrás.
-O que é isso? — Perguntei.
-Pergaminhos mágicos. — Acsa — Você escreve, diz o nome da pessoa que deseja que receba e ele chega a ela no mesmo instante.
Eu devia ter imaginado.
-Eu acho melhor eu ir. — Aeron. — Preciso voltar ao meu vilarejo.
Depois disso apenas despedidas e mais despedidas. No fim, Jasmine e Acsa se enfiaram em quartos da Casa Grande, a egipcia ainda sem certeza se continuaria aqui ou não. A feiticeira parecia se dar bem com Annie, e também parecia estar realmente arrependida de tudo que fez.
Logo o clima tenso havia desaparecido, Acsa havia voltado para os egipcios e todos haviam se esquecido da ameaça da tal espada demoniaca que Quíron entregou à Zeus, da morte de Yumemi, digo, Markus, e do que houve com a elfa.
A propósito, foi bem estranho o fim que a elfa teve. Jasmine me disse que havia lançado-a no vazio, mas não sei o que é o vazio. Quando perguntei, ela disse que era o nada. Bom, não deve ser legal.
(Flashback ON)
Jasmine ergueu a foice para o rosto da elfa, tocando-o com a lamina prateada. Começou a debater-se numa tentativa frustrada de se livrar do feitiço que a feiticeira havia lhe lançado, mas parou assim que foi envolvida por uma luz prateada.
Jasmine deu um sorriso que foi iluminado por um relampago que cruzava a noite. Não era um sorriso sádico; não havia malicia ali, pelo contrário. Havia amor.
Isso vai soar estranho, mas acho que foi a paixão da filha de Medeia que venceu a elfa psicopata — não que ela também não fosse, afinal tentou acabar com os deuses, mas isto não vem ao caso.
-Me desculpe, mas isso você não me deu escolhas. — Acariciou o rosto da outra com a foice, sem feri-la.
-O que você vai... — Aeron começou, mas o aumento da luz prateada o parou. E então gritou. — Não! Irmã! Pare! O que está fazendo com ela?! Pare! — Suplicava.
Precisei tampar os olhos de tão forte que a luz estava e, quando os abri, a elfa não estava mais lá. Jasmine estava caída no chão, desmaiada, e Aeron murmurava palavras em elfo que não fazia idéia do que significavam.
O que eu sabia era que estava acabado.
(Flashback OFF)
Mas deixemos de lado esse assunto.
Johan contou-me há alguns dias que estava apaixonado, só não me disse quem era. Já eu... Bem, Gabriel oficializou nosso romance com duas taças de vodka. Não, ele não me embebedou, pelo contrário. Acho que eu não falei que, antes de voltarmos ao acampamento, eu preparei uma mochila com coisas bem legais. Ursinhos de pelúcia, taças de plástico, uma garrafa térmica com vodka, já que não consegui champanhe, pães de queijo e um casaco de couro. E, só para constar, eu não sou alcoolatra. Para falar a verdade, foi a primeira vez que bebi vodka, e não tem lá um gosto muito bom. Acsa vem aqui às vezes, sempre utilizando Max como montaria, pobre animal. Ela e Petter se resolveram e voltaram a serem os pombinhos que eram.
-Melanie! — Chamou Petter — Você está bem?
-Podemos entrar? — Perguntou Johan divertido.
Quase esqueço de dizer. Hoje é ano novo e nós combinamos de nos encontrar na minha casa. Não é tão simples assim, pelo contrário: Ocupa um quarteirão inteiro e fica na área mais privilegiada da cidade. Vale dizer que minha mãe é senadora e meu padrasto advogado, então a nossa renda é bem alta. Ambos sabem o que sou, mas não ligam nem um pouco. Mas não sou do tipo de garota abandonada pelos pais, não mesmo. Segunda sempre se torna um dia divertido quando Acke faz pipoca, Maria escolhe um filme e nós sentamos no sofá escarlate da nossa sala de cinema particular, terça é quando "acampamos" no jardim e contamos histórias de terror, quarta quando comemos pizza até não aguentar mais, quinta novamente assistimos filmes, sexta é o dia de jogos e sábado e domingo vamos viajar. É, é bem legal.
-Entrem! — Sorri, dando espaço.
-Wow, que casão! — Johan.
-Bobão, é casarão. — Corrigiu Jasmine.
Ele apenas tocou a ponta do nariz da menor, que fez bico e rolou os olhos.
Meus pais haviam chamado vários amigos e pessoas do trabalho para cá e lá fora estava uma verdadeira muvuca. Música, som de gente pulando na piscina, risadas, conversas altas, mas não era nada que resultasse em uma multa por causa de reclamações de vizinhos que não conseguiam dormir por causa do barulho.
-Faltam vinte minutos. — Annie — Tem comida?
-Você é tão educada. — Revirei os olhos — Venham.
Os levei até a cozinha e Margarete, a empregada, lhes serviu bolo de chocolate.
Quando terminaram, levei-os até o jardim, que era cheio de flores dos mais diversos tipos, calçamento de pedra, uma mesa de piquenique e um laguinho com peixes. Nos sentamos na mesa que já havia sido forrada de comidas, sobremesas e bebidas. Eu havia arrumado aquilo mais por que eu não queria ouvir "como você cresceu!" a todo momento.
-Woaah... — Higor bocejou — Que demora...
-Calma, cara, faltam cinco minutos. — Johan.
Sim, Acsa havia trago seus amigos egipcios Higor, Asenet e Suzan. Não só daquela vez, mas em algumas visitas no acampamento também.
Os cinco minutos não demoraram muito para passar. Sorri observando os fogos de artifício.
Gabriel entrelaçou nossos dedos por debaixo da mesa, Acsa abraçou Petter de lado e eu posso jurar que vi um beijo entre Johan e Jasmine, ou será que foi apenas impressão minha?
-Ótimo, vou ficar pra titia. — Resmungou Annie.
-Olha, acho que o Higor tá solteiro. — Sorriu Asenet, fazendo ambos corarem no nível tomate.
-Pena que seu laguinho não tem ondas. — Lamentou Suzan.
-Ei, se cair enquanto pula as ondas o que acontece? — Petter.
-Você se esborracha no chão. — Annie.
-Okay, o que mais?
-Você fica com a cara cheia de areia. — Annie.
-Tá, que mais?
E assim começou uma conversa sobre pular as sete ondas, mas eu não prestei atenção. Estava entretida demais olhando para o céu que brilhava em várias cores diferentes enquanto eu remexia meu colar de contas, onde havia uma pequena espada negra.
Notas finais
(E John, não esqueça o vinho, viu?)
Fale com o autor